Gente foda usa tapa-olho: James Joyce
Trovejou Polifemo: “Encheu-se o agouro
Ah! de Telemo Eurímides, profeta.
Que envelheceu famoso entre os Ciclopes!
Apagar-se-me a vista às mãos de Ulisses
Vaticinou-me: um forte e ingente e belo
Varão sempre cuidei que Ulisses fosse;
Mas, falso embriagando-me, a pupila
Furou-me um pífio imbele e pequenino!
Hóspede, eis os presentes, vem tomá-los;
Meu genitor confessa-se Netuno,
Rogo-lhe que a viagem te encaminhe.
Seja vontade sua, há de sarar-me;
De outro deus nem mortal socorro espero.”
A Odisséia – Homero (versão do Odorico Mendes)
Nota: Joyce não perdeu o olho, ele tinha glaucoma e ficou gradativamente cego, mas usava tapa-olho por achar legal. Ah, e porque era foda e fã do Homero tanto quanto Fritz Lang o fora, oras.
A Serpente Emplumada
Estou enojado com a humanidade e a vontade humana, inclusive a minha. Compreendo que minha vontade, por mais inteligente que eu seja, não passa de mais uma irritação na face da terra, quando começo a exercê-la. E a vontade dos outros é ainda pior, cada ser humano exercendo constantemente a sua vontade contra as outras pessoas, contra si mesmo e quase sempre cheio de auto-justificativa. Durante algum tempo é divertido exercer a própria vontade e resistir à dos outros que pretendem impô-la a mim. Mas, a certa altura, a náusea me domina. Minha própria alma fica nauseada e diante de mim só existe a morte, a menos que eu descubra outra coisa. Minha própria vontade acaba tornando-se ainda mais repulsiva simplesmente como minha vontade, é ainda mais desagradável do que a vontade dos outros. Devo abdicar de ser deus de minha própria máquina ou morrer de nojo… nojo de mim mesmo.
David Herbert Lawrence








