Cem anos de Sadao Yamanaka
É quase impossível localizar a importância do cinema de Yamanaka de forma precisa, justamente porque apenas três dos seus dezenas de filmes podem ser vistos hoje, mas é consensual de que foi um dos mestres construtores do jidaigeki em seu princípio – coisa que pode ser facilmente notado apenas assistindo Ninjo Kami Fusen (1937), Kōchiyama Sōshun (1936) e Tange Sazen Yowa (1935), mas em que pé está a influência de quem para quem nessa história é impossível dizer, pois o número de filmes perdidos é demasiado grande para ser ignorado, embora Kurosawa nunca deixasse de mencionar Yamanaka como uma de suas maiores influências, enquanto o jovem roteirista-convertido-diretor Sadao andasse de braços dados com Ozu, Inagaki e Mizoguchi naqueles anos 30.
Ao final da mesma década, um dos mais promissores e brilhantes cineastas de uma geração foi para a guerra e não retornou, morrendo de disenteria aos 28 anos – isso que é tragédia ou tão tragicômico quanto o próprio cinema de Yamanaka, ou do que restou dele.
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Tange Sazen Yowa: Hyakuman Ryo no Tsubo / The Pot Worth a Million Ryo (1935)


Este foi o primeiro filme que vi de Yamanaka e imediatamente me proporcionou um tipo de adoração cinéfila comparável ao que sinto vendo o trabalho de Chaplin ou Lubitsch, é deliciosamente poético e engraçado, até icônico, construindo e evidenciando pequenos detalhes que fazem a alegria de qualquer cinéfilo: um samurai caolho e sem braço (Sazen Tange), uma peça de roupa como transição, um leitmotif verbal que serve como descontrução da própria cultura nipônica, o manekineko essencial… É tudo um encanto, puro e simples.
Kochiyama Soshun / Priest of Darkness (1936)


O gênero jidaigeki se apóia nas tradições acima de tudo, mas cada cineasta é facilmente singularizado pelas suas preferências em mostrá-las, Yamanaka gostava mesmo de bebedores de saquê, a embriaguez é um ponto constante no seu cinema mais do que qualquer outra reiteração da cultura tradicional japonesa, é sempre a partir do kampai que as coisas começam a se desenrolar em seus filmes, se é que se poder analisar tal coisa conhecendo apenas três deles. Kochiyama Soshun é o que menos gosto, o que não é nenhuma tragédia, se aproxima dos dilemas morais e composição de Ninjo Kami Fusen, mas sem a mesma intensidade.
Ninjo kami fusen / Humanity and Paper Balloons (1937)


O mais melancólico e conhecido rebento sobrevivente de Yamanaka San. Particularmente considero Tange Sazen Yowa sua maior obra prima, mas o lirismo que aqui está envolto em harakiris recorrentes, ronins desacreditados, amantes em fuga, esposas decepcionadas e balões de papel não pode passar desapercebido.
Links sobre o cinema de Yamanaka pela internet:
Ninjo kami fusen (1937)
Retroprojecção
Nihon Cine Art
Midnight Eye – The Latest and Best in Japanese Cinema
The Taste of Cinema
Wildgrounds
The Masters of Cinema Series
Cacophone
Arsenevich
Strictly Film School
Lard Biscuit Guide to Samurai Cinema
Someday I’ll Think of A Title – Exactly what the title just said
Some Words Some Places
Narrative In Japanese Film 3: Yamanaka
DVD Outsider
YouTube (filme completo com legendas em inglês)
Kochiyama soshun (1936)
Cinema Talk – Film-related blabbering…
The three-film universe of Sadao Yamanaka
Tange Sazen (1935)
Cinema Talk
Lard Biscuit
Hkmania – Le Blog – La Passion du Cinéma Asiatique
Wildgrounds – Treasures of Asian Cinema
Cineblog
Some Words Some Places – Japanese and Chinese Film Reviews
Rare Classics of Japanese Cinema
Roslindale Monogatari – Rambling observations of a Roslindale fan of Asian films
Freak Movie Team – Cine Oriental y Asiático
Film Preservation Society
Centenário de Elias Kazanjoglou – Parte 2
13- O Compromisso (The Arrangement, 1969)
Everyone become a salesman here. If you don’t sell anything else, you sell yourself. Ours is a society dominated by business, and the economic pressure even at the upper-middle-class level is fantastic. The epitome of this business civilization is the advertising industry. Everyone feels some degradation, some violation of self, when they spend their lives selling. (Kazan: The Master Director Discusses his Films). Não vou dizer que se você é romancista e cineasta jamais adapte o seu próprio livro, pois Kazan já o fizera muitíssimo bem com America, America, o problema em The Arrangement é adaptação às mudanças do próprio cinema. Kazan quis se adaptar a um estilo que não lhe caiu bem, chega a ser mesmo irritante o estilo de montagem, o uso da trilha sonora e a inserção de devaneios constantes, essa certamente não era a praia do Kazan, como admirador confesso da Nouvelle Vague parece que ele quis fazer algo como Pierrot Le Fou, mas as coisas ficam bem bizarras quando se força a encarar um estilo que não é o seu.
O livro tinha grande potencial para adaptação, tendo o mesmo tom de coisas que voltariam à moda nos anos 80 e 90 como Beleza Americana, Clube da Luta e Como Fazer Carreira na Publicidade. Notoriamente a semelhança fica mesmo por conta de Mad Men, quando comecei a assistir o seriado, o livro de Kazan vinha à mente constantemente, digamos que Mad Men é tudo que Kazan poderia ter feito com seu filme mas dolorosamente desperdiçou.
Vale lembrar que o livro do homem é basicamente uma autobiografia “camuflada” de seu relacionamento com a excelente atriz Barbara Loden, com quem trabalhou no cinema em Wild River e Splendor in the Grass.
14- Laços Humanos (A Tree Grows in Brooklyn, 1945)
The one thing I really liked about that film was the little girl. By far the most authentic thing about the film is Peggy Ann Garner’s face. Nothing compares with it except maybe Jimmy Dunn’s face. He was terrific. (Kazan: The Master Director Discusses his Films)
Kazan e seu assistente de direção conhecido como Nicholas Ray se encontram neste filme que delinearia muito do cinema futuro de ambos, em específico o traço da desestrutura familiar, um tema que foi muito caro em suas respectivas carreiras. É mais um desses “filmes de ator” que Kazan fez e reitero o fato de que James Dunn era absolutamente apaixonante.
15- A Luz é para Todos (Gentleman’s Agreement, 1947)
No matter what I think of it today, what I remember most about Gentleman’s Agreement is that at time no one said ‘jew’. When it was being made, all the rich jews in California were against it. And the Catholic Church was against it because they don’t want the heroine to be a divorcee. There were hell of lot people who said to Zanuck, ‘We’re getting along all right. Why bring this up?’ (Elia Kazan Interview – Stuart Byron & Martin Rubin, 1971)
Esse é um dos filmes de que Kazan não gostava, porque é um produto de estúdio, com muita relevância história e nulidade autoral. Zanuck possuía um tino danado para jogar com esses filmes polêmicos e gostava de colocar a bomba na mão do Kazan porque o cineasta sempre fora um homem de coragem ao assumir seus pontos de vista e atitudes, não importando a merda que daria. Sob o ponto de vista atual Gentleman’s Agreement é bem truncado, mas se localizado no pós-guerra dá para imaginar a bomba que caiu nas casas das famílias cristãs de toda a América.
16- O que a Carne Herda (Pinky, Elia Kazan/John Ford, 1949)
Some years later I said to Zanuck, “Jack Ford never had shingles, did he?” And he said, “Oh hell, no. He just wanted to get out of it; he hated Ethel Waters and she sure as hell hated him”. I also think maybe he didn’t like the whole project. (Kazan: The Master Director Discusses his Films)
Mesmo possuindo um tema pelo qual Kazan tinha fascínio e passaria o resto de sua carreira reiterando-o, ele ainda não estava tão ciente da linguagem cinematográfica, deixando o peso do filme nas mãos das duas (grandes) atrizes Ethel Waters & Barrymore. Ford começou o filme, mas saiu por falta de afinidade com o assunto tão espinhoso, Kazan era um tipo mais moldado para mexer num vespeiro com direito a romance interracial e propaganda para que se trate o negro como um igual em fins dos anos 40. Está longe de ser um dos melhores filmes do homem, mas a sua importância histórica é inegável.
17- O Último Magnata (The Last Tycoon, 1976)
Não gosto desse filme. Não interessa quantas estrelas dão as caras e nem o quanto o Irving Thalberg era interessante, muito menos com quantos scottfitzgeraldeharoldpinters se escreve um roteiro, o filme é muito chato e não tenho nada a dizer, mas justamente por isso talvez seja hora de revê-lo.
18- Os Saltimbancos (Man On a Tightrope, 1953)
I hated McCarthy. It was embarrassing to be on the same side as him. But I didn’t terrorize people. He did. I didn’t lie. He lied. I never said there were so many and so many, holding up a blank piece of paper, claiming it was a list of subersives in the State Department. He did. He lied. I never told a lie in my life about that stuff. It was terrible to be aligned with McCarthy. But as far as doing it for money, it’s fantastic, really, because in the first place they didn’t threaten me and in the second place they couldn’t have and in the third place I didn’t need a job in Hollywood. The blacklist did not extend to Broadway and I was at the top of my theater career. All my testifying did was lose me certain things. I knew that I’d lose Arthur Miller’s plays. I knew a lot of guys would turn against me, which they did. I’ve lived through that. In some ways the whole experience made a man out of me because it changed me from being a guy, who was everybody’s darling and always living therefore for people’s approval, to a fellow who could stand on his own. It thoughened me a lot. I’m not afraid of anybody. People say that too – that I was afraid. I never was in my life. They avoided my eye. I didn’t avoid theirs. I have some regrets about the human cost of it. One of the guys that I told on I really liked a lot… well, pretty much. I really thought it was killing him. (Kazan: The Master Director Discusses his Films)
É bem deprimente carinha fazer filme para provar alguma coisa que não é. Além de Man On a Tightrope ser ruim, parecendo desesperado e feito às pressas, o contexto em que foi feito atrapalha ainda mais, se Kazan estivesse defendo uma idéia e não a si mesmo quando o fez, meu olhar sobre o filme talvez não fosse tão decepcionado.
19- Mar Verde (The Sea of Grass, 1947)
The only miserable experience I had was The Sea of Grass. I should never have made that film, or I should have quit. (Kazan: The Master Director Discusses his Films)
Geralmente não concordo quando cineastas renegam suas obras, pelo contrário, sempre defendo que os caras são demasiado auto-críticos, mas dessa vez tenho que concordar com o desprezo: ô filminho sem eira nem beira. Há um elenco sensacional, há um roteiro promissor, mas Kazan nunca foi talhado para trabalhar no Star System, tanto que o cinema dele só pegou mesmo no tranco durante os anos 50 quando aquele sistema morreu definitivamente, muito por culpa do próprio Kazan que ajudou a instaurar a revolução.
Gadget Kazan – o ator
Uma Canção para Você (Blues in the Night, Anatole Litvak, 1941)
Blues in the Night é o berço de muita gente, além de Kazan como ator, há Don Siegel trabalhando na montagem e Robert Rossen lidando com o roteiro. Um daqueles filmes mais lembrados por sua trilha sonora do que por qualquer outra coisa, é um noir-musical-melodramático, se é que tal definição possa existir. Aqui o senhor Kazan tem a honra de representar um membro da banda protagonista da história, ao som de muita música do duo Harold Arlen/Johnny Mercer, a surpresa fica por conta de ser um papel importante e não apenas um cameo, além de provar que se seguisse a carreira de ator teria um bom futuro, possuía desenvoltura nata e se adequou perfeitamente ao ritmo do filme, com seus diálogos rápidos e edição acelerada para acompanhar o ritmo da música.
Dois Contra uma Cidade Inteira (City for Conquest, Anatole Litvak/Jean Negulesco, 1940)
Apesar de ser um dos melhores amigos do protagonista, o papel de Kazan aqui não é tão grande quanto em Blues in the Night, mas é de razoável importância, especialmente se ele faz as vezes do gangster-mor e isso num filme com Cagney é uma grande honra. Tenho o mesmo tipo de relação com o cinema do Anatole Litvak para com o do próprio Kazan, em geral gosto bastante de alguns do trabalhos de ambos, mas nada que faça com que eu professe um WOW e é interessante o fato de Litvak ter sido esse grande introdutor de Kazan em Hollywood.
E não interessa se o filme é bom ou ruim, se o Cagney está presente o prazer é garantido. Sempre.
Pie in the Sky (Ralph Steiner, 1935)Esse é da época que o Kazan era comunista. hehehe (Parte 2)
Nota 1: No livro O Século do Cinema de Glauber Rocha tem um capítulo interessante, onde Glauber, como sempre, desce a lenha no cinema do Kazan, mas que, ao mesmo tempo, conta sobre um encontro entre os dois narrado de forma bastante admirável.
Nota 2: Pelos próximos anos Scorsese estará ocupado envolvido com projetos sobre ícones que ele muito aprecia, alternando documentários e cineobios sobre gente como Sinatra, George Harrison e Roosevelt, tio Marty também está com um documentário sobre Kazan na gaveta, a intenção é dirigí-lo, mas veremos se o projeto vai para frente.
Nota 3: Enquanto fazia este post, acho que mudei de opinião, creio que o meu favorito é Um Rosto na Multidão, talvez seja o único filme de Kazan com o qual tenho grande afinidade, seguido de Splendor in the Grass.
Ladrão de Alcova (Trouble in Paradise, 1932)


None of us thought we were making anything but entertainment for the moment.
Only Ernst Lubitsch knew we were making art. – John Ford
Nota: De quem foi a idéia brilhante de fazer uma mostra do Lubitsch e deixar os dois melhores filmes dele de fora??? Trouble in Paradise & Design for Living, of course!
Centenário de Errol Flynn – Parte 1
But I have a confession to make.
Do you know, I think I like Mason as much as Errol Flynn?
Diálogo de Festim Diabólico (Rope, Alfred Hitchcock, 1948)
Já vou dizendo: nunca fui grande fã dele, ao menos não em virtude dos filmes, mas o mito Flynn é impossível ser desprezado, afinal, só tendo muita força de vontade para desprezar um tipo desses. O homem era sensacional, além de ser uma ode ambulante ao falo (o que é bem difícil de esquecer), Flynn seria o companheiro de boteco ideal para qualquer pessoa bem humorada. Era bonitão (lindo e gostosérrimo, na verdade) e carismático, foi muso por vários anos de Raoul Walsh e Michael Curtiz, era um homem inteligentíssimo e culto, tinha uma vida pessoal muito divertida, intrigante e ao mesmo tempo muito trágica (acho que ninguém em período algum de Hollywood foi mais espetacular do que ele) e, apesar do estigma de bonito e apetitoso eclipsar totalmente qualquer ato dramático, fazia o que era preciso além do que os detratores possam dizer.
E claro, a perspectiva talvez seja variante, mas não seria nenhum exagero dizer que Flynn pode ser o maior símbolo sexual do cinema, ninguém foi mais associado única e exclusivamente a sexo do que ele e não digo apenas dentro do mainstream, mas incluindo até astros pornôs, simplesmente porque este homem era um símbolo fálico de 1,90 de altura em todo seu esplendor e glória. Flynn não possuía um pênis, ele era o pênis em pessoa.
Então que fique aqui um top dos filmes onde vi Mr Flynn nos honrar com sua presença umidificante.
1- O Ídolo do Público (Gentleman Jim, Raoul Walsh, 1942)
Amm umm… então tá. Do que eu estava falando mesmo? Ah, sim, de mais uma das obras primas de Raoul Walsh.
De todos os filmes em que Flynn trabalhou, este era o seu favorito, o porquê é fácil ver, Errol está no auge: do sucesso, da forma física, dos melhores desempenhos e… solteiro! Bom, da forma física só na aparência, pois durante as filmagens ele teve o seu primeiro princípio de ataque cardíaco, com apenas 33 anos, mesmo com esse fator de risco ele continuou fazendo as próprias cenas de um esporte que dominava desde a adolescência. Devo concordar com Flynny, também é o meu favorito e nem é porque o homem passa boa parte do filme sem camisa e trajando ceroulas, mas especialmente por ser a primeira grande obra prima sobre boxe, título este que particularmente creio só ter sido equiparado quando um tal de Martin Scorsese tomou o cinturão para si nos anos 80.
Uma cena é especialmente impagável, onde Flynn e Jack Carson estão no teatro ridicularizando a maneira de atuar de um outro lutador chamando-no de ham, isso nada mais é do que uma brilhante auto-referência, Flynn e Carson eram os mais encrenqueiros, bêbados e exagerados atores sob contrato da Warner na época, ambos eram identificados como ham actors e nem todo mundo tinha estômago para trabalhar com eles, Flynn chegou a ganhar por duas vezes o prêmio Sour Apple de ator menos cooperativo de Hollywood. Gentleman Jim como um tôdo faz grande paralelo entre a arte e estilo de atuar com a arte e estilo de lutar, Walsh bate na tecla de que cada estilo dá a contribuição para se alcançar um novo patamar e isso soa lindamente se refletido em Flynn.
2- Fugitivos do Inferno (Desperate Journey, Raoul Walsh, 1942)
Ôpa, esse é filmaço! Dá até para arriscar um palpite de que este trabalho é o pai de certos filmes cultuados dos anos 60, tais como Os Doze Condenados e Fugindo do Inferno, é mantido o mesmo clima, sobretudo o bom humor, mas o que o faz ainda melhor é um distanciamento temporal que poucos os filmes de guerra dos anos 40 possuíam e que o gênero só reconquistaria a partir dos anos 50. Também é a prova do porquê Walsh é o maior diretor de cinema de aventura desde os anos 20, a ação não deixa de nos empolgar um só minuto, a dinâmica dos atores é perfeita, as situações são engraçadíssimas e não há o ranço propagandista emotivo que se via usualmente nos filmes da época. Desperate Journey mostra também o quanto Spielberg foi influenciado pelo cinema de Walsh, mas este é um assunto para uma outra hora…
3- Capitão Blood (Captain Blood, Michael Curtiz, 1935)
Coisa fofa da mãe. Aqui vemos o porque nenhuma mulher da Hollywood dos anos 30 podia ser vista ao lado de Errol Flynn e continuar com a reputação intacta: o homem era irresistível e faz por merecer a expressão atemporal In Like Flynn. É em Capitão Blood que tudo realmente começa para Flynn: é o primeiro filme que protagoniza em Hollywood, o primeiro ao lado de Miss Havilland e o ponto em que ele surge de total desconhecido que só fazia pontas para um dos maiores astros dos anos 30 e 40. E Michael Curtiz nos legou alguns grandes exemplos de aventura e ação, apesar de ser mais lembrado por Casablanca, é com os filmes ao lado de Flynn que Curtiz se mostra capaz de manter o enfadado público atual eletrizado com seus filmes de 75 anos atrás e, cá entre nós, Capitão Blood é o meu filme de pirata favorito. E que bonito – tudo que Flynny e Douglas Fairbanks construíram durante o século XX foi destruído pelo Johnny Depp na última década. Que bonito.
4- Um Punhado de Bravos (Objective, Burma! Raoul Walsh, 1945)
Raoul Walsh foi mesmo o molde para todos os filmes de guerra dos últimos 70 anos, sobretudo em Fuller e Spielberg, a prova está documentada em cada sequência de Um Punhado de Bravos. Prova maior ainda é o quanto Errol Flynn rendia nas mãos de Walsh, ele era um ator completamente distinto sob o comando do diretor e vai ver por isso o filme começa com vários soldados cheios de frescuras, fazendo as unhas, lavando seus collants (!?!), um anuncio que os tempos de Flynn usando collant tinham terminado e aqui deveria se comportar feito macho.
Um lance histórico bacana é o quanto os ingleses e australianos ficaram putos com esse filme, por fazer parecer que os americanos ganharam toda a guerra sozinhos, pois a tal da Operação Birmânia foi predominantemente composta por soldados da Inglaterra e Austrália. Nada como manipular pessoas através do cinema…
5- As Aventuras de Robin Hood (The Adventures of Robin Hood, Michael Curtiz/William Keighley, 1938)
Ah, todos queles homens alegres e coloridos! Sabe como são as coisas, o povo ainda não estava acostumado com cinema em technicolor, então exagerava um pouco. É fato: Robin Hood será associado eternamente a imagem de Errol Flynn e seu collant verde, ele não foi o primeiro e nem o último que encarnou a personagem, mas de alguma forma Flynn é único e todos agradecemos por Jimmy Cagney não ter ficado com o papel.
Robin Hood foi o primeiro filme que vi com Mr Flynn e é mesmo impossível não cair nas graças dele (ah, esses homens hiperativos!), sobretudo se lembrarmos daquela memorável luta de sombras, a qual futuramente seria reprisada em The Sea Hawk com deslumbrante fotografia em preto e branco, enquanto a trilha sonora de Erich Wolfgang Korngold climatiza tudo e um pouco mais em ambos os casos. Também nunca esquecerei da primeira vez que vi Flynn quando eu era criança: vi um tipo dando tchauzinho para o Pernalonga em Rabbit Hood (Chuck Jones, 1949) e só anos mais tarde, já na adolescência, finalmente soube que aquele cara era o Errol Flynn!
É durante as filmagens de Robin Hood que Miss Havilland decide começar a torturar Mr Flynn para que este deixe sua esposa para ficar com ela, iniciativa esta que causou problemas no collant dele (se é que me entendem), como a própria Havilland confessou no documentário Adventures of Errol Flynn.
6- O Intrépido General Custer (They Died with Their Boots On, Raoul Walsh, 1941)
Com um título original desses não tem como não sair correndo para ver o filme, se ouvirmos uma das mais famosas trilhas do western clássico (a composta por Max Steiner) fica mesmo impossível resistir. Flynn e Walsh se unem pela primeira vez e não mais desgrudam tanto profissional quanto socialmente, adotando uma postura de irmão mais velho e caçula, mesmo Walsh tendo idade para ser pai de Flynny. Deve ser por isso que gosto mais da parceria Flynn-Walsh do que a Flynn-Curtiz, a presença de Flynn fluía melhor nos filmes de Walsh, é como se falassem a mesma língua e não estou fazendo piada com as dificuldades notórias de Curtiz com a língua inglesa, mas porque era visível na tela a afinidade dos dois malucos.
Numa das inúmeras cinebios de personagens históricas banhadas de muita licença poética e pouca realidade e que só a Hollywood dos anos dourados sabia nos proporcionar, vemos Flynny num dos seus mais dilacerantes momentos profissionais: a cena de despedida entre Custer e sua esposa é também a cena de despedida da parceria romântica entre Flynn e Havilland, era alí que acabava um dos mais entusiasmantes casais da tela.
7- Sangue e Prata (Silver River, Raoul Walsh, 1948)
E a bíblia vai ao velho oeste. Último filme oficial do duo Flynn-Walsh, é um imenso western do Walsh e um tremendo trabalho do Flynn, relembrando os anos em que foi garimpeiro na Papua Nova Guiné. Conta a história da ascenção e derrocada do império da prata no velho oeste, onde Flynny assume uma sensacional posição de anti-herói com caráter duvidoso ao encarnar o rei da prata, a versão mais argêntica e sossegada do Daniel Plainview.
8- Olhando a Morte de Frente (Rocky Mountain, William Keighley, 1950)
Último western de Flynn e uma grata surpresa, quando o assisti não esperava muita coisa desse faroeste e acabei me deparando com um exemplar excelente. Fotografia deslumbrante, trama fatalista, enquanto Flynn desponta mais másculo e melancólico do que nunca, anos-luz dos tempos saltitantes de Robin Hood sob a batuta parcial do mesmo diretor. Certamente um dos filmes que mais recomendaria para se conhecer o trabalho de Mr Flynn, além disso o desgraçado saiu com mais uma esposa debaixo do braço durante as filmagens.
9- A Glória de Amar (That Forsyte Woman, Compton Bennett, 1949)
Quer ser respeitado como ator? Vai filmar com um cineasta inglês sobre um conto da Inglaterra vitoriana que tu vira Laurence Olivier! Ao menos era isso que se pensava e Mr Flynn também caiu nessa, não sem colher bons frutos, pois é passível de se dizer que o seu Forsyte é o trabalho mais desenvolvido de sua carreira, especialmente porque ele consegue deixar a sua irrestibilidade natural de lado e não só consegue se vender como aquele homem frio de negócios, como rouba o filme para si, enquanto Compton Bennett volta à sua obsessão com pianista-martirizada-por-homem-autoritário que tanto fez sua fama em O Sétimo Véu. Uma pena Flynn não ter sido bem aproveitado para além dos filmes de aventura.
10- Três Dias de Glória (Uncertain Glory, Raoul Walsh, 1944)
Grande propaganda de guerra, mas ao contrário de muitos dos contemporâneos do estilo, este é efetivamente bom e consta um dos melhores papéis de Flynn, encarnanado um anti-herói pouco comum em sua carreira, um criminoso que finge ser um mártir de guerra e cujo desenvolvimento durante o filme é a dúvida entre ser um covarde vivo ou um herói morto. É exatamente por conta desse tipo de filme que Flynny deveria ser mais lembrado pelas parcerias com Walsh do que com o Curtiz.
11- Revolta (Edge of Darkness, Lewis Milestone, 1943)
É um grande filme de modo geral, mesmo o cunho propagandista não interfere, Flynn está mais contido do que o usual, Ann Sheridan, Walter Huston e Ruth Gordon compensam cada segundo em cena, além da deslumbrante sequência inicial e o pouco comum ponto de vista da resistência norueguesa, mas talvez sua duração seja mais longa do que o necessário. Nunca cansaremos de ver nazistas no cinema, todos aqueles homens tão impetuosos e bem vestidos… Ninguém se vestia melhor do que os nazis, o figurino impecável é de morrer de inveja, a tal da superioridade ariana realmente era viável, mas só nas coleções outono/inverno.
12- Raízes do Céu (The Roots of Heaven, John Huston, 1958)
E os três enfants terribles da Hollywood dos anos 30/40 se unem: Errol Flynn, Orson Welles e John Huston – agora não-tão-jovens, mas ainda terríveis. Some-se ainda mais um maluco, só que da literatura – Romain Gary – e a bagunça está formada em uma história de Gary preocupada com o abuso do homem sobre o animal (que o diga White Dog do Sam Fuller), preconizando um assunto que só viraria moda décadas mais tarde. O próprio Huston renegava este filme, mas putz, eu gosto dele, mesmo sendo uma bagunça, o filme possui uma força estranhamente peculiar, por isso ele está melhor colocado nesta listagem do que alguns outros, mesmo porque nenhum outro cineasta teve mais filmes falhos que são ao mesmo tempo obras-primas.
Não sei exatamente o que pensar quanto a sua natureza ideológica, baseado no livro de Gary – um defensor dos animais, mas adaptado por Huston – um caçador, não sei o que pensar da coisa toda, tanto vê-lo exclusivamente sob a óptica do idealismo ou sob a do cinismo me parece perspectivas não adequadas, talvez a intenção seja mesmo essa, algo como a versão “Rede de Intrigas do Greenpeace e PETA”, onde parte da galera tem preocupações sinceras, outra parte se preocupam por interesses próprios e a terceira parte está pouco se fodendo para qualquer coisa. Flynn mostra a sua faceta bêbada em tempo integral neste que foi um dos seus últimos filmes, pois morreria no ano seguinte, logo agora que finalmente estava sendo reconhecido como ator de verdade e não apenas um astro. As filmagens foram problemáticas do início ao fim, como era comum aos filmes de Huston, especialmente porque Darryl Zanuck ficou enchendo a paciência no set, pois não queria deixar a sua Juliette Greco solta nas savanas ao lado de Flynn e Huston, dois dos mais “perigosos” homens de que se tinha notícia.
A divertidíssima participação de Jude Law encarnando Flynn em O Aviador me remeteu imediatamante àquela historinha lendária (como todas as outras milhares de brigas que Flynny arrumou durante a vida – ninguém fez mais amigos através de socos do que ele) e ocorrida em meados dos anos 40 entre o duo Flynn-Huston. Segundo o narrado, a briga começa porque Flynn teria dito algo grosseiro sobre Havilland e Huston tomado as dores da ex-amante (não se fazem mais cavalheiros como antigamente!), daí eles foram para o jardim, lutaram boxe durante horas e ambos foram parar no hospital, Flynn com as costelas destruídas e Huston com o nariz quebrado.
*Da série: Este post foi programado, eu não estou aqui!
Cem anos de Errol Flynn – Parte 2
13- Meu Reino por um Amor (The Private Lives of Elizabeth and Essex, Michael Curtiz, 1939)
É nesse filme que consta o famoso tapão na cara que Davis deu em Flynn durante uma cena, aquela expressão de indignação era real. Os chefes dos estúdios eram umas belezinhas, neste caso, Jack Warner mesmo sabendo da falta de afinidade entre Davis e Flynn, colocou-os novamente como casal em um filme que Davis sonhara dividir com Laurence Olivier. Infelizmente eles faziam um grande duo na tela e nunca mais voltaram a contracenar. Décadas mais tarde Miss Davis confidenciou a Miss Havilland que Flynn realmente tinha feito um ótimo trabalho como Conde de Essex e que ela esteve errada durante todo o tempo a respeito dele (ah! nada como a maturidade para ajeitar certas coisas!) e para isso Miss Haviland nem precisou aplicar o seu notório corretivo Hush…Hush, Sweet Charlotte.
14- O Gavião do Mar (The Sea Hawk, Michael Curtiz, 1940)
E Mr Flynn se vinga de Miss Davis. Se Bette Davis queria Laurence Olivier para o papel que ficou por conta de Flynn em The Private Lives of Elizabeth and Essex, eis que Mr Flynn toma a rainha Elizabeth vivida por Flora Robson em Fire Over England e que alí dividia cena com Sir Olivier. Tal qual o próprio Fire Over England, The Sea Hawk faz um paralelo entre a inquisição espanhola e a ascenção nazista na Europa daqueles idos, um tipo de preocupação que o austro-húngaro Michael Curtiz deixava transparecer em todos os seus filmes da época, principalmente em Casablanca. Não gosto deste filme de piratas do duo Flynn-Curtiz tanto quanto Capitão Blood, mas ainda é um grande exemplo do gênero, além do mais, Mr Flynn está mais deslumbrante do que nunca. Ó céus, que homem lindo.
15- Perseguidos (Northern Pursuit, Raoul Walsh, 1943)
É fato: Raoul Walsh sabia tudo e um pouco mais. Sempre tive sérios problemas com filmes como propaganda de guerra, mas o Walsh é daqueles artesões que nos fazem esquecer os intentos belicistas por trás de tais filmes. Ó céus, o que é aquela cena do jantar na prisão com o coronel alemão enojado por se sentir como um judeu numerado num campo de concentração? Esse momento vale o filme e entraria fácil numa antologia de melhores sequências da carreira de Walsh, mas as coisas não param por aí, o filme é um desbunde artístico como um tôdo e Errol Flynn é exatamente o tipo de ator necessário aos intentos de Walsh, mesmo este trabalho não estando entre as melhores colaborações da dupla.
16- Uma Cidade que Surge (Dodge City, Michael Curtiz, 1939)
Ai ai ai ai, que homem lindo. Nunca vou cansar de repetir, mas Mr Flynn acaba desviando a atenção fazendo com que tudo ao redor se torne dispensável. Dodge City é um dos filmes em que ele está mais lindo, sobretudo por conta da deslumbrante fotografia colorida, raramente acho que pessoas são melhores fotografadas em technicolor do que em branco e preto, mas Mr Flynn é um desses casos raros aos meus olhos e poderia passar toda a eternidade diante de uma câmera sem nem sequer se mover, só existindo. Esse homem é uma paisagem, uma obra de arte, se John Ford tinha o Monument Valley, Curtiz e Walsh tinham Errol Flynn.
17- O Príncipe e o Mendigo (The Prince and the Pauper, William Keighley/William Dieterle, 1937)
Definitiva e melhor versão da história de Mark Twain, onde Flynny encarna o porco-espinho Miles Hendon e Claude Rains está mais vilanesco do que nunca. Curioso constatar que exatos 40 anos depois o igualmente cachaceiro Oliver Reed se valeu do mesmo papel de Miles Hendon na versão de Richard Fleischer.
18- A Carga da Brigada Ligeira (The Charge of the Light Brigade, Michael Curtiz, 1936)
200 cavalos. Reza a lenda que foram mortos cerca de 200 cavalos durante essa filmagem. É um filme impressionantemente violento para a época em que foi filmado, inclusive se visualiza um massacre de crianças, algo não muito comum nos anos 30 mesmo para filmes de guerra. Flynn está lindo e másculo como sempre naquela roupa do exército britânico. Ah, também é dessa filmagem a famosa frase de Curtiz Bring on the empty horses! que acabou virando o título da autobiografia de David Niven, um coadjuvante da Brigada.
19- Patrulha da Madrugada (The Dawn Patrol, Edmund Goulding, 1938)
Bom filme sobre pilotos de avião durante a primeira guerra, num tom amargo e estranhamente anti-belicista para um tempo à beira da Segunda Guerra. O trunfo aqui é a dinâmica e o entrosamento dos atores em torno de suas personagens, pois algo que vou dizer até o fim da vida é que até hoje ninguém conseguiu se equiparar em excelência às cenas aéreas gravadas por Howard Hughes em Hells Angels e o filme de Goulding não é diferente em comparação, especialmente porque foram reutilizadas da versão de 1930. Pelas minhas contas Flynn e David Niven compartilharam apenas dois filmes, o que é um pecado, eles eram sensacionais juntos.
20- As Aventuras de Don Juan (Adventures of Don Juan, Vincent Sherman, 1948)
DEMOROU. Ainda na cola de John Barrymore e Douglas Fairbanks, eis que o homem finalmente se joga na personagem que nascera para encarnar. Era para o Walsh ter dirigido esta versão, mas deu merda, vai ver por isso Flynn roubou a bandana do Fairbanks em Ladrão de Bagdá, filme este que considero a obra prima de Walsh. Apesar de Don Juan ser um grande exemplo de capa-espada, esse período foi o início da decadência de Flynn, o cinema em Hollywood estava mudando, o star system estava morrendo e a Golden Age estava em seu canto do cisne.
É assustador como Flynn envelheceu de repente por conta de sua vida desregrada, de Santo Antonio para Don Juan passaram-se apenas 3 anos, mas a face dele fazia parecer 10, especialmente porque entre esses filmes ele adoeceu (tinha tuberculose, malária, coração fraco e dor nas costas!) e somou heroína e morfina ao alcóol na sua dieta básica. Flynn sempre aparentou ser mais velho do que realmente era, em Capitão Blood ele tinha uns 25, 26 anos e ninguém daria menos de 30 (a experiência em excesso ficava evidente), mesmo assim em Don Juan ele continua lindo e com corpão, aproveitando a deixa para usar as calças mais indecentes de sua carreira. Ele também aproveita para exorcizar certas coisas sobre sua própria vida, especialmente em relação às acusações de estupro estatutário, pois nem sempre ele era o sedutor irresistível da história como bem ele se defendeu certa vez: I don’t have to seduce girls. For Christ’s sake, I come home and they’re hiding under my bed.
21- Mademoiselle Fifi (It’s a Great Feeling, David Butler, 1949)
Pronto. Estraguei o final surpresa para quem não viu o filme. Essa espécie de precursor de Cantando na Chuva é um veículo para o trio Dennis Morgan, Doris Day e Jack Carson, onde há zilhões de participações divertidíssimas de astros e cineastas da Warner: Raoul Walsh, Joan Crawford, Ronald Reagan, Jane Wyman, Edward Robinson, Michael Curtiz, Gary Cooper, Danny Kaye, etc etc. Doris Day passa o filme todo reclamando que não deveria ter deixado o namoradinho de infância para seguir a carreira artística, até que enfim ela retorna para seu homem e ele é Errol Flynn.
22- Caravana de Ouro (Virginia City, Michael Curtiz, 1940)
Hahahaha olha o Bogie bandidão mexicano com bigodinho de Errol Flynn! Minha gente, não havia nada mais oposto no mundo do que Bogart e Flynn, tudo que um tinha de discreto e mal humorado, o outro tinha de flamboyant e radiante, é uma dádiva poder vê-los dividindo cena. Mas não apenas estes ícones estão presentes, minha diva pre-code Mirian Hopkins e Randolph Scott também dão o ar da graça, além do usual staff flynniano formado por Guinn “Big Boy” Williams e Alan Hale. Sempre rolou um certo preconceito com Flynn nos westerns, em geral a galera reclama que ele não conseguia ser macho o suficiente, que ele era “legal demais”, é logico que é só homem que reclama dessas bobagens, Flynn era gostosérrimo, ora bolas, quem se importa com o resto???
23- Nunca me Diga Adeus (Never Say Goodbye, James V. Kern, 1946)
Hahahaha Flynn imitando Bogie! Essa sem dúvida é a grande piada desta comédia romântica, numa cena em que se expurga a maldição de Flynn, como bem menciona para sua filha no filme: Se você pode me imaginar como Robin Hood, por que não como um cara durão? e logo depois vemos a explicação do porquê. Não obtive nenhuma confirmação, mas reza a lenda que é o próprio Bogart quem faz a dublagem dessa cena, coisa que acredito, pois a voz era idêntica. Roteiro de I.A.L. Diamond, um dos mais habitués de Billy Wilder.
24- O Homem Perfeito (The Perfect Specimen, Michael Curtiz, 1937)
Prestou atenção no título? Pois então, é isso que a gente pensa quando olha para Mr Flynn. Comédia romântica onde Flynn e Joan Blondell compensam cada segundo em cena, com direito aos indefectíveis May Robson e Edward Everett Horton como elenco de apoio. Apesar de Michael Curtiz ser açogueiro demais para se infiltrar no screwball, o filme não sofre em grande quantidade com isso, nos legando momentos deliciosos (tal qual o astro principal!), especialmente quando Flynny mostra seus talentos como boxer.
25- O Mestre da Vingança (The Master of Ballantrae, William Keighley, 1953)
Aqui Flynn tinha apenas 43 anos mas aparentava ter bem mais, o que torna especialmente depressivo assistir seus filmes dos anos 50, mais deprimente ainda é o fato deste ser o ponto final de seu reinado na Warner, depois de 18 anos de muitos conflitos e lucros, Flynn foi gentilmente convidado a se retirar e qualquer semelhança com Nasce Uma Estrela não é mera coincidência, “matinée idols” problemáticos eram assim descartados desde o início dos tempos. No mais é um filme bacaninha, especialmente algo que some Roger Livesey + Piratas + Errol Flynn + Escoseses + Robert Louis Stevenson, além da habitual fotografia deslumbrante de Jack Cardiff.
Mas o grande mistério pairando é: depois de todas aquelas roupas espalhafatosas por que Flynny não foi capaz de usar um reles kilt? Essa sim foi a maior bobagem que ele fez em sua vida.
26- A Noiva Curiosa (The Case of Curious Bride, Michael Curtiz, 1935)
E Flynn conhece Hollywood. E Michael Curtiz. O homem estréia nos EUA no papel do homem morto (e que cadáver!) em um dos divertidíssimos filmes onde Warren William encarna Perry Mason, lá pelo final do filme ele aparece vivo num flashback espancando a suposta personagem-título e brigando com o suspeito de assassinato, daí finalmente sabemos o que na verdade ocorreu, ou seja, um bom começo. Outro bom começo dessa época foi ter conhecido a ex-mulher de Curtiz, dona Lili Damita, que se tornou a primeira Mrs Errol Flynn e foi responsável direta na ascenção de sua carreira.
27- Luz de Esperança (Green Light, Frank Borzage, 1937)
Flynny vestido de médico. Mmmmm… Borzage era um artista e tanto, além de ser pai de Douglas Sirk e um dos grandes delineadores do cinema americano, é sempre um prazer estudar as nuances de seu trabalho, nas mãos de um diretor medíocre este filme se tornaria a maior das vias-crucis, mas Borzage transforma este melodrama numa grande aula de como se fazer cinema. É com ele que Flynn se infiltra num ambiente para além do swashbuckler.
*Da série: Este post foi programado, eu não estou aqui!













































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