Quixotando

Ladrão de Alcova (Trouble in Paradise, 1932)

Publicado em ANOS 30, PRE-CODE, SCREENSHOT por Georgina Spiggott em Julho 11, 2009

Trouble in Paradise 1Trouble in Paradise 2Trouble in Paradise 3None of us thought we were making anything but entertainment for the moment.
Only Ernst Lubitsch knew we were making art.
– John Ford

Nota: De quem foi a idéia brilhante de fazer uma mostra do Lubitsch e deixar os dois melhores filmes dele de fora??? Trouble in Paradise & Design for Living, of course!

Shirley Temple ganhando a vida

Publicado em ANOS 30, IMPRESSÕES, INFANTO-JUVENIL, PRE-CODE por Georgina Spiggott em Novembro 13, 2008

Shirley TempleEsqueça Jodie Foster de Bugsy Malone e Taxi Driver, Shirley Temple interpretava prostitutas já aos 3 anos de idade, fato que muito me aborrece pois ninguém deveria ir para o trottoir ou ser usuário de drogas antes dos 8 anos. Toda essa exploração templeana dos estúdios rendeu uma bela discussão com o escritor Graham Greeene nos anos subsequentes, Greene gritava para quem quisesse ouvir que aquilo era uma ode à pedofilia e que a alegria dos executivos dos estúdios era ter a pequena Shirley em seus colos. É, esse bafafá já existia na mídia daqueles tempos, inclusive Greene foi um dos primeiros críticos à exploração da sexualidade infantil. Naqueles idos o público médio por pura ingenuidade achava tudo muito engraçadinho, mas como hoje o público médio já nasce com PhD em putaria (maldita decadência da civilização), tais curtas tornaram-se bem bizarros aos nossos olhos.
De todos os Baby Burlesks que pude ver, dois são realmente interessantes nesse sentido:

War Babies (1932): Uma indecência. Espécie de versão mirim d’O Preço da Glória de 1926, todo mundo semi-nu enchendo a cara de leite e quem tem o pirulito maior ganha a garota. Pontos altos: o bebê mamando nas luvas e o go-go boy em cima da mesa divertindo os outros guris. Eu realmente gostei do go-go boy, meio inacreditável.

Polly Tix in Washington (1933): Corrupção política através de bolos e prostitutas mirins. Nada diferente do usual e praticamente um Capra pre-code com crianças, Shirley Temple é uma call-girl no sentido mais amplo do termo. A cara de perva da Temple enquanto o guri come o bolo é demais.

Nota: Muitos desses guris viriam a se tornar membros do Our Gang/The Little Rascals nos curtas de Hal Roach, conhecidos por aqui como Batutinhas.

Centenário de Carole Lombard – Parte 2

Publicado em ANOS 30, ANOS 40, COMÉDIA, FOTOGRAFIA, GUERRA, IMPRESSÕES, MUSAS, MUSOS, PRE-CODE, ROMANCE por Adriana Scarpin em Outubro 6, 2008

1- Ser ou Não Ser (To Be or Not to Be, Ernst Lubitsch, 1942)Embora considere as obras máximas de Lubitsch saídas de sua fase pre-code, Ser ou Não Ser e A Oitava Esposa do Barba Azul constituem uma exceção aos meus olhos e Maria Tura é certamente não apenas a melhor personagem de Carole (e última) como uma das marcantes personagens femininas do século XX. O irônico é que tal personagem deveria ser da eterna xodó lubitschiana Miriam Hopkins, mas esta se recusou (!?!) a trabalhar com Jack Benny, enquanto Clark Gable era terminantemente contra (!?!) Carole tomar parte desse filme.

2- Um Casal do Barulho (Mr. & Mrs. Smith, Alfred Hitchcock, 1941)Considerada a loira gelada hitchcockiana primordial, Carole foi a protagonista do mais singular dos Hitchcocks e sua silhueta foi alvo de uma obsessão à la Vertigo por décadas do tio Hitch por uma mulher morta.

3- Não Cobiçarás a Mulher Alheia (They Knew What They Wanted, Garson Kanin, 1940)Filme chatinho, tem seus momentos, mas o fato de tê-lo visto com dublagem em espanhol não ajudou muito, nem para apreciar a adorável voz de Carole e nem distinguir o suposto sotaque italiano de Charles Laughton, este com sua linda personagem a salvar o filme. Foi o primeiro filme de Karl Malden que ainda está vivo aos 96 anos!

4- Esposa Só no Nome (In Name Only, John Cromwell, 1939)Esse é o típico filme que me deixa puta por desperdício de talento, pegam o rei e rainha do screwball e colocam num melodrama xaroposo cujo atrativo-mor é justamente a antagonista vivida pela sempre excelente Kay Francis. Não, o filme não é ruim, é razoavelmente bom, mas ver dois dos meus maiores xodós eclipsados quando deveriam fazer uma senhora dupla, é dose. Há algo de pessoal no mote deste filme, Carole havia vivido algo parecido com Gable.

5- Nascidos para Casar (Made for Each Other, John Cromwell, 1939)Aí ó, esse filme cai como uma luva para o James Stewart, mas não sei se Carole não era furacão demais para ele, Carole combina com Cary, com Fred, com Fredric, com Clark, com Jack, com Gary… o James precisa de uma mulher mais sossegada, talvez não seja um filme ruim, mas dá no meu saquinho.

Centenário de Carole Lombard – Parte 5

Publicado em ANOS 30, AÇÃO, COMÉDIA, DRAMA, FOTOGRAFIA, GUERRA, HORROR, IMPRESSÕES, MUSAS, MUSICAL, MUSOS, POSTERS, PRE-CODE, ROMANCE, SCREENSHOT, SCREWBALL, SUSPENSE por Adriana Scarpin em Outubro 6, 2008

16- Suprema Conquista (Twentieth Century, Howard Hawks, 1934)Filme responsável por minha paixão simultânea e avassaladora por John Barrymore e Carole Lombard, primeiro filme que assisti de ambos, embora já conhecesse o trabalho do primo de Carole, Mr Howard Hawks. Não só é meu filme preferido com Lombard e seu primeiro grande papel, como é considerado a primeira comédia screwball do cinema e o melhor filme que fez segundo o próprio Barrymore. Também pudera, com esse elenco, roteirização de Ben Hecht, Charles MacArthur e Preston Sturges e batuta de Hawks, seria inadmissível não pecar pela excelência.

17- Cupido Ao Leme (We’re Not Dressing, Norman Taurog, 1934)Esse filme é um pé no meu saquinho. Veículo absoluto para o Bing Crosby sair cantando e ir com a Lombard para uma ilha deserta, alguma ou outra cena divertida mas nada muito relevante. Menção honrosa ao casal George Burns e Gracie Allen quando estavam no auge e um Ray Milland em início de carreira no papel de um dos príncipes a disputar a bela náufraga Lombard com o marinheiro Crosby.

18- Bolero (Wesley Ruggles / Mitchell Leisen,1934)Outro filme realmente ruim e veículo para que George Raft saísse do estigma de gangster tornando-se aos olhos do público o que realmente era: um dançarino. Neste filme tentaram transformar Carole numa espécie de Jean Harlow, com o cabelo platinado e uma maquiagem que tirava toda sua natural beleza classuda. O filme só é realmente sensacional em seu momento derradeiro, a famosa cena do Bolero de Ravel em que Lombard e Raft dançam lindamente uma coreografia que só podia ser vista num filme pre-code. A curiosidade fica por conta de algumas semelhanças da personagem de Raft com a vida de Rodolfo Valentino, especialmente quanto ao vislumbre gigolô-dançarino e morte prematura.

19- Supernatural (Victor Halperin, 1933)Ótimo horror do início dos anos 30 orquestrado pelo mesmo realizador de White Zombie, um dos primeiros classicaços sobre zumbis que se tem notícia. Aqui Halperin flerta com zumbizagem, possessão e charlatanismo num quase-precursor de Brinquedo Assassino. Carole é a atriz principal e tem a primeira grande mostra de seu talento nas cenas em que sua personagem é possuída por uma maníaca, mas os méritos também devem ser dados especialmente ao Alan Dinehart (o espiritualista), Vivienne Osborne (a condenada à morte) e, especialmente, Beryl Mercer (a vizinha chantagista). Randolph Scott aparece aqui num dos seus primeiros papéis de certa notoriedade.

20- Os Dragões da Noite / A Águia e o Gavião (The Eagle and the Hawk, Stuart Walker, 1933)No ano anterior quando Carole e Cary fizeram um filme juntos, mal se notava Grant nos créditos e em cena, aqui é o nome dela que diminiu nos letreiros e o de Grant equiparou-se com o do astro consumado Fredric March. Um grande filme de macho e antibelicista em que Carole só é enfeite.

Centenário de Carole Lombard – Parte 6

Publicado em ANOS 20, ANOS 30, COMÉDIA, DRAMA, FOTOGRAFIA, IMPRESSÕES, MUSAS, MUSOS, POSTERS, PRE-CODE, ROMANCE por Adriana Scarpin em Outubro 6, 2008

21- Casar por Azar (No Man of Her Own, Wesley Ruggles, 1932)Mais um filme chatinho do Wesley Ruggles que bem pouco sal colocou em seus filmes, aliás, pimenta pois bem gosto de comida sem sal e com muita pimenta. Nem é preciso dizer que o interesse aqui é Miss Lombard formando um casal com Mr Gable anos antes deles serem atingidos por um raio saído sabe lá de onde e juntarem os trapinhos. Nessa época eles estavam compremetidos com outras pessoas e a única química existente era na tela.

22- Virtue (Edward Buzzell, 1932)Bom filme dramático de Miss Lombard, embora ela seja sofisticada demais para conseguir passar veracidade como prostituta de rua quando a única forma de vê-la é como prostituta de luxo.

23- Tu és a Única (Sinners in the Sun, Alexander Hall, 1932)Primeiro dos três filmes em que Carole atuou ao lado de Cary Grant, ela já conquistara certa notabilidade com mais de dez anos de carreira, mas Grant ainda estava no seu segundo papel de uma carreira razoavelmente meteórica, é quase inadimissível que os dois maiores atores screwball não tenham dividido um filme sequer do gênero. A vantagem aqui é que este é um bom filme e Alexander Hall é um diretor bacana. Foi com esse filme que descobri uma das artimanhas do pre-code: sempre que uma mulher troca de roupa o telefone toca para que ela atenda e passe o maior tempo possível de lingerie na tela, Carole foi uma das rainhas dessa tática, pois seu corpo era um dos mais belos da época só rivalizado pelos de Joan Crawford e Jean Harlow.

24- O Homem do Mundo (Man of the World, Richard Wallace / Edward Goodman, 1931)Segundo filme em que Carole trabalha com seu então marido William Powell, a quem ela chamava de “único ator inteligente que conheci” e O Homem do Mundo reflete bem a personalidade culta e sofisticada pertencente a Powell. Mais um filme para explorar o novo casal hollywoodiano do que qualquer outra coisa.

25- It Pays to Advertise (Frank Tuttle, 1931)Carole ao lado da não menos diva Louise Brooks (que não se deu bem em Hollywood porque não se encaixava no esquema dos fuinhas). A idéia de fazer algo sobre propaganda e hoax é boa, mas a realização é ruim, faltou maior exploração cômica quanto a venda de um produto que não existe e o carisma dos envolvidos ficou em débito, até a sempre reluzente Carole perdeu o brilho e a participação de Brooks pós-Pabst é ínfima, mesmo que interessante.

Centenário de Mae Questel

Publicado em ANIMAÇÃO, ANOS 30, COMÉDIA, CURTAS, MUSAS, MUSICAL, PRE-CODE, VIDEOS por Georgina Spiggott em Setembro 13, 2008

Tudo bem Olívia Palito, mas Mae é mesmo Betty Boop por toda eternidade.

O Mulherengo (Lady Killer, 1933)

Publicado em ANOS 30, COMÉDIA, FOTOGRAFIA, GANGSTER, IMPRESSÕES, PRE-CODE por Adriana Scarpin em Setembro 8, 2008

Cagney é um cara engraçado. Muito engraçado. Isso somado a todos os seus outros infinitos talentos em psicose dramática, canto e dança, o torna uma das mais irresistíveis e talentosas estrelas de sempre. Depois de toda aquele rebombar de caras durões no início dos anos 30 ele se joga nessa auto-sátira sobre o meliente que se torna estrela de cinema por fazer o tipo “durão” já que a mulherada não se interessa mais pelos bibelôs dos anos 20, as mulheres dos anos 30 queriam ir ao cinema para ver homem bancando o macho e estapeando quem quer que fosse.
Lady Killer muito me lembrou a vida do George Raft, que antes de ser um dos maiores gangsters do cinema, fora um novaiorquino que vivia entre a máfia e mesmo em Hollywood mantinha seus laços com Bugsy Siegel.
Há muitas pequenas piadas sobre o mundo do cinema na época, especialmente auto referentes ao Cagney como a famosa grapefruit na Mae Clarke de Inimigo Público e o crítico de cinema jantando com uma sósia da Jean Harlow, a mesma Harlow por quem Cagney trocou Clarke no supracitado filme. Isso me soou bem maldoso, pois dá a entender que Harlow só fazia sucesso porque se “dava bem” com os críticos. Outro momento que vale prestar atenção é o de um senhor reclamando que não estava passando nada do Mickey Mouse naquela sala de cinema, tanto Lady Killer quanto o próprio Cagney eram da Warner naqueles idos e esta ainda engatinhava no setor de animação com desenhistas surrupiados da empresa do tio Walt, tal piada soa como um ultimato ao público: ou vocês vão ver o tal do Mickey Mouse ou James Cagney e seus coleguinhas animados plagiados do tio Disney.
Mas é o duo Cagney-Clarke que mantêm a diversão mesmo, Mae que nessa época já tinha passado até pelas mãos do monstro de Frankenstein ainda sofria nas mãos do Jimmy, mas ao contrário de sua personagem no filme anterior que não merecia a toranjada na cara, esta vaca teve o esculacho merecido. No mais o filme é mediano, principalmente se constatarmos que é datado do mesmo ano da obra prima Footlight Parade com o mesmo Cagney e o fato de que muitas das piadas só surtirão efeito aos atentos pela carreira dele nessa época, além dos rituais do cinema pre-code. Céus, nenhum período de Hollywood foi melhor que a curta temporada pre-code entre o início do cinema falado e a ascensão de Will Hays e seus asseclas almofadinhas.

Mae e Jimmy no maior e melhor pé na bunda (literalmente) da história

Sócios no Amor (Design for Living, 1933)

Publicado em ANOS 30, COMÉDIA, LONGAS, PRE-CODE, ROMANCE, VIDEOS por Georgina Spiggott em Agosto 21, 2008

Porque James Cagney é maluco

Publicado em ANOS 30, ANOS 40, ANOS 50, COMÉDIA, DRAMA, GANGSTER, GUERRA, MUSICAL, POLICIAL, PRE-CODE, VIDEOS por Georgina Spiggott em Agosto 6, 2008

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Singapore Sue (1932)

Publicado em ANOS 30, CURTAS, MUSICAL, PRE-CODE, VIDEOS por Georgina Spiggott em Julho 25, 2008