Filmes bacanas de cada ano que o cinema viveu: 1965
1- Faster, Pussycat! Kill! Kill!/Mudhoney/Motor Psycho (Russ Meyer)
Ôpa ôpa ôpa! Russ Meyer em dose tripla naquele ano.
2- Monitor: The Debussy Film (Ken Russell)
Debussy, Ollie, Russell e um maluquete adorador de Wagner que gosta de atirar em gatos. Basta.
3- Ipcress – Arquivo Confidencial (The Ipcress File, Sidney Furie)
A pergunta é: como o Sidney Furie conseguiu fazer essa pequena obra prima da espionagem e depois se tornaria um cineasta de merda nos anos subsequentes?
4- Darling – A que Amou Demais (John Schlesinger)
Dirk Bogarde não leva puta em taxi. Simples assim. Não sei qual é do preconceito, mas essa sentença me marcou. Mas coloquemos os pingos nos is, este é um filme importantíssimo da british new wave, em 1965 o homossexualismo ainda era considerado crime na Inglaterra, então John Schlesinger e seus asceclas fazem o quê? Pegam a historinha de um rapaz conhecido no bas-fond londrino, dão uma lapidada, transformam-no numa mulher com pele de Julie Christie, juntam mais um punhado de atores do babado (Dirk Bogarde, Roland Curram, Laurence Harvey) e finalmente se dá um dos melhores trabalhos de Schlesinger, que sempre se preocupou em retirar o gay do armário cinematográfico e passaria a próxima década quebrando barreira atrás de barreira neste quesito. Antes um esclarecimento: Laurence Harvey não era propriamente homo ou bissexual, só quando lhe convinha.
5- The Dot and the Line: A Romance in Lower Mathematics (Chuck Jones/Maurice Noble)Chuck Jones versão experimental.
Real Melhor Filme do Ano: Não sei e não quero saber, estou de saco cheio dessas listas e ainda tenho 70 anos delas pela frente. Portanto a partir de agora os filmes voltarão a ser restritos a top 5, embora tenha a leve impressão de que quando chegar os anos 30/40 voltarei a ficar empolgada em demasia.
[blá: Bunny Lake Is Missing (Preminger), Chimes at Midnight (Welles), For A Few Dollars More (Leone), The Hill (Lumet), Pierrot le fou (Godard), Repulsion (Polanski), Red Beard (Kurosawa), São Paulo - S/A (Person)]
The films of Stanley Kubrick
Todos os arrepios não serão suficientes. Trabalho de edição desse cara AQUI
Filmes bacanas de cada ano que o cinema viveu: 1966
1- O Incrível Exército de Brancaleone (L’ Armata Brancaleone, Mario Monicelli)
Antes de Monty Python houve Mario Monicelli & Co. Top 5 melhores comédias de sempre, sátira política ácida e obra prima da linguagem cômica. Este blog deveria se chamar Brancaleonando e não Quixotando em homenagem ao personagem ainda mais patético do que o próprio Quixote.
2- Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, Jonathan Miller)
Peter Sellers, Peter Cook, Michael Redgrave, John Gielgud, Michael Gough, Finlay Currie, Leo McKern, Wilfrid Brambell, Alan Bennett, Eric Idle, Wilfrid Lawson e Jonathan Miller? Não à toa esta é a maior adaptação da obra de Lewis Carroll e o Tim Burton vai ter que pastar muito para alcançar a mesma excelência, nem que consiga uma Alice tão depressiva e fantasmática quanto esta aqui. De brinde ainda podemos ver Cook e Sellers dividindo cena pela segunda vez no mesmo ano, além daquele impagável momento de The Wrong Box. Coisa da BBC.
3- Uma Bala para o General (El Chuncho, quien sabe? Damiano Damiani)
Se é do Damiani não é necessário dizer que é político, não? Se o Faccia a Faccia do Sollima estava para Dostoiévski, este do Daminani está para Shakespeare na mesma proporção. Embora lotado de personagens emblemáticas, a personagem de Klaus Kinski é a mais interessante, não só porque o homem nasceu para fazer cara de fanático religioso, mas porque a sua posição dentro da narrativa é a mais complexa. É lógico que o Kinski é o irmão do Volontè, não está na cara?
4- Deliciosas Loucuras de Amor (Morgan: A Suitable Case for Treatment, Karel Reisz)
Fato: David Warner é espetacular. Warner é Morgan, um cara obcecado por gorilas e comunismo, é doentiamente engraçado, possui falas sensacionais e não vive no que se pode chamar de “realidade”. Nada paga esse tipo de exemplar da british new wave, extremamente influenciado por gente como Spike Milligan, Peter Cook e Richard Lester, esse trabalho de Reisz é criminosamente esquecido quando não odiado.
5- It’s the Great Pumpkin, Charlie Brown! (Bill Melendez)
Linus é rei.
6- Batman: The Movie (Leslie H. Martinson)
Aquele tubarão é uma das coisas que mais me fizeram rir assintindo a um filme. Impagável.
7- Made in U.S.A. (Jean-Luc Godard)
Num dos mais divertidos filmes de Godard, ele presta homenagem ao que há de melhor no cinema e literatura pulp norte-americano. Não por acaso Godard pegou o papa pulp Donald Westlake e converteu a seus propósitos. Também marca a morte do cinema de Godard pelo qual tenho apreço, ou seja, sem casamento com Karina = sem alma.
8- Como Roubar Um Milhão de Dólares (How to Steal a Million, William Wyler)
Não existe nada mais charmoso do que Audrey Hepburn e Peter O’Toole nos anos 60, tá bom, talvez só Audrey Hepburn e Cary Grant, tá bom de novo, no mesmo ano também há Michael Caine e Shirley MacLaine no similar Gambit. E é lógico que todos vemos a Audrey Hepburn casada com o Eli Wallach. Eli não deveria querer casar com a Audrey e sim comigo.
9- O Dia da Desforra (La Resa dei Conti, Sergio Sollima)
Ninguém atira faca na testa das pessoas como Tomas Millian. Só para lembrar o especial Sollima d’O Dia da Fúria!
10- Modesty Blaise (Joseph Losey)
Esse é um daqueles filmes onde tudo que houve de melhor nos anos 60 se une: Monica Vitti, quadrinhos, Joseph Losey, kitsch, Terence Stamp em tempos de homem mais lindo do mundo, espionagem, Tina Aumont, auto-sátira, Harry Andrews, cenários delirantes, Scilla Gabel, figurinos espalhafatosos e Dirk Bogarde mais bichona do que nunca!
Real melhor filme do ano: Persona (Ingmar Bergman)
Persona é mesmo o meu terceiro favorito de sempre. Mas no mesmo ano ainda consta obras indefectíveis tais como: Au hasard Balthazar (Bresson), La battaglia di Algeri (Pontecorvo), Blow-Up (Antonioni), Who’s Afraid of Virginia Woolf? (Nichols), Django (Corbucci), Seconds (Frankenheimer), Operazione Paura (Bava) e, lógico, Il Buono, il Brutto, il Cattivo (Leone)
Nota update: Que conste aqui o falecimento de meu avô de 101 anos. O fim de uma era.
Homosexuality and the Italian Spaghetti Western
Homosexuality and the Italian Spaghetti Western by Jenna Bond
Sergio Leone’s The Good, The Bad and The Ugly (1966)
Damiano Damiani’s A Bullet for the General (1966)
Giulio Questi’s Django Kill…If You Live, Shoot! (1967)
Nota: A respeito do filme do Questi não tem nem o que discutir porque é abertamente gay e apesar de compreender o que a autora quis dizer a respeito do filme do Leone, não é uma linha que eu seguiria com muito entusiasmo. A parte interessante mesmo fica por conta do filme do Damiani que desde a primeira vez que o assisti me deu essa impressão inata de relação homoerótica, mesmo porque a assimilação imediata das personagens de Volontè e Castel foi um paralelo inevitável entre Falstaff e Henry de Shakespeare, personagens de vasta interpretação homossexual, que o diga Gus van Sant e seu Garotos de Programa.

































