International Talk Like a Pirate Day
Arrr! Damn ye, yellow-bellied sapsuckers, I’m a better man than all of ye milksops put together.

Johnny Depp em Piratas do Caribe (Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl, Gore Verbinski, 2003)
Anthony Michael Hall em Piratas da Informática/Piratas do Vale do Silício (Pirates of Silicon Valley, 1999)
Oops! Estilo errado.
O Heróico Covarde (Royal Flash, 1975)
Esse acabei de ver pela primeira vez, já que é tempo de repassar a nata setentista, notei que já era hora de me enveredar por este Richard Lester que vergonhosamente havia deixado passar batido. A vergonha não vem só do fato de Lester ser um dos meus diretores britânicos favoritos, mas do elenco, oh, o elenco! Malcolm McDowell, Oliver Reed, Alan Bates, Florinda Bolkan, Alastair Sim, Lionel Jeffries e Britt Ekland, o crème de la crème do cinema inglês setentista, à exceção de uma cearense perdida alí no meio.
Saído imediatamente dos seus dois primeiros filmes sobre os Mosqueteiros, Lester continuou no mesmo clima aproveitando para usar da obra de seu roteirista de seus filmes anteriores, George MacDonald Fraser, convenientemente o autor da série literária britânica protagonizada pelo personagem Flashman e que roteirizou aqui seu próprio livro. Flashman é um típico herói picaresco britânico aos moldes de Tom Jones de Henry Fielding, inspirado numa personagem da série de livros de Thomas Hughes, George MacDonald Fraser construiu uma saga distribuída por cerca de doze livros, dos quais apenas o segundo foi adaptado para o cinema.
O plot de Royal Flash concentra-se em mais uma homenagem literária, a de O Prisioneiro de Zenda escrito por Sir Anthony Hope, mas ao contrário de mostrar a fictícia Ruritânia como alvo da intriga política na substituição do monarca por um sózia, as traquinagens de Sir Harry Paget Flashman tem como set a Alemanha em estado de reunificação pelas mãos de Otto Von Bismarck. Está todo mundo lá, Bismarck, Lola Montez, Ludwig I e até a presença constante da música de Wagner por todo o filme que ajuda a tornar um tanto quanto assustadora a encarnação de Oliver Reed como Otto Von Bismarck. Mas a qualidade mais impressionante deste filme é a duplicação de Malcolm McDowell, cuja bipartição de personagens me fez cogitar a presença de um sósia do ator quando encarnando o príncipe encarcerado, tamanho o abismo entre suas personalidades.
Por que apenas um dos livros de Flashy foi adaptado para o cinema? Simplesmente porque não foi o sucesso esperado, ao contrário do que acontecera aos Mosqueteiros que guardam o mesmo clima, humor e ação, alguma coisa deu errado e Royal Flash afundou. O porquê ainda não me é muito claro, pois é realmente um filme de imensa diversão tanto quanto foram os Mosqueteiros e de forma alguma tornou-se datado, aliás, pudera eu ir ao cinema hoje e encontrar aventuras como essa num shopping qualquer.
Os Intrépidos Homens e Seus Calhambeques Maravilhosos (Those Daring Young Men in Their Jaunty Jalopies / Monte Carlo or Bust! 1969)
Monte Carlo or Bust é um daquelas reincidentes comédias de corrida que lotaram a cultura pop nos anos 60 e que muito tem a ver com a Corrida Maluca. O diretor Ken Annakin, habitué da Disney e rei dos filmes com títulos que fazem a circunferência terrestre (vide Those Magnificent Men in Their Flying Machines or How I Flew from London to Paris in 25 hours 11 minutes), acabara de vir de seu maior sucesso Esses Homens Maravilhosos e suas Máquinas Voadoras e se embregou nessa continuação, cujo mote é ligado pelo personagem de Terry Thomas, sendo filho da personagem que interpretou no filme anterior. Marcam presença também Tony Curtis que já é normalmente lindo, mas de costeletas ficou melhor ainda, além de ícones europeus como Bourvil, Gert “Goldfinger” Fröbe, Jack Hawkins, Eric Sykes, Peter Cook e Dudley Moore roubando a cena, para variar.
Na verdade não gosto de nenhum dos dois filmes, qualquer um deles me deixa com uma inevitável cara de paisagem ao final, mesmo com um ou outro momento realmente divertido. Sem mencionar que o nome do diretor me faz invariavelmente lembrar de Star Wars, nessa mistura de Obi Kenobi com Annakin Skywalker.
O Caçador de Tigres (Where East Is East, 1929)
Where East Is East é um conto de obsessão sexual e estranhamente quem rouba o filme não é Chaney nem Velez, o grande atrativo é a insinuante Estelle Taylor no papel da vaca-mor vietnamita e mãe que quer a todo custo roubar o namorado da filha, com ela aprendendemos o significado primordial da expressão “soltar a macaca” e temos uma das amostras bizarras de como Tod Browning gostava de tratar suas antagonistas maquiavélicas com finais pouco convencionais, vide Olga Baclanova em Freaks. Outro grande achado sobre obsessão sexual no filme é a “dama de companhia” da personagem de Estelle Taylor, claramente apaixonada pela patroa no melhor dos moldes Rebecca – A Mulher Inesquecível.
Confesso que esperava mais de uma parceria entre Tod Browning e Lon Chaney. Browning e Chaney eram o típico duo de diretor-ator feitos um para o outro, este foi o último filme que fizeram em parceria e infelizmente é pouco inesquecível, mesmo o fato de Chaney ser o rei eterno da maquiagem não lhe fez justiça aqui, aparentemente mostrando sua verdadeira face camuflada por inúmeras cicatrizes no rosto em um tipo de maquiagem bem mais sutil do que seu habitual. Quando morreu de câncer Chaney se preparava para estrelar Frankenstein e Drácula novamente ao lado de Bowning, a verdade é que depois da morte de Chaney foram poucos os filmes dirigidos pelo cineasta, como se verdadeiramente tivesse perdido seu muso inspirador.
Nota 1: Entre alguns dos filmes da parceria Browning/Chaney estão A Oeste de Zanzibar, o mitológico London After Midnight, The Big City, O Monstro do Circo, The Unholy Three (versão de 1925), The Road to Mandalay, The Blackbird e Foras da Lei. É nisso que dá a união de um dos melhores atores do cinema mudo com um dos melhores diretores.
Nota 2: Boris Karloff tinha uma face que muito lembrava a de Lon Chaney, talvez por isso (mais do que o famoso formato da cabeça de Boris) tenha sido a escolha imediata para viver Frankie. Quanto à transferência de Lon para Bela, também não é preciso conjecturar em demasia para se constatar que Chaney seria algo mais assustador vide o que restou do filme perdido London After Midnight.
Nota 3: Estelle Taylor foi a última pessoa a estar com Lupe Velez antes desta cometer suicídio em 1944.
Batman – O Filme (1966)
Afinal, quem precisa daquela gente chata e sem talento que pouco amo como Michael Caine, Gary Oldman, Maggie Gyllenhaal, Christian Bale, Heath Ledger, Aaron Eckhart, Morgan Freeman, Cillian Murphy, Nestor Carbonell ou Christopher Nolan? O bigode indecente do Cesar Romero aparecendo por baixo da maquiagem é o ápice. De verdade, este é um dos melhores e mais engraçados seriados de todos os tempos.
O Gaúcho ( The Gaucho, 1927 )

Depois da morte de Rudy (Rodolfo Valentino para os não-íntimos) quem mais poderia interpretar um gaúcho macho-cho-cho? Douglas Fairbanks pai, é claro. Fairbanks era um daqueles tipos hiperativos, algo como se fosse o Jackie Chan dos anos 20, podendo ser clamado como primeiro grande herói de ação do cinema. Em O Gaúcho não era diferente, já com seus 45 anos ainda saltitava como um garotinho.
O filme começa como um épico religioso que muito se assemelha com a história de Santa Bernardete de Lourdes (é, adoro histórias sobre santos, meu favorito é São Francisco de Assis, claro), mas basta Fairbanks dar o ar de sua graça para voltarmos à boa e velha fórmula de comédia e aventura permeada por seu carisma indiscutível. Fairbanks é o fora da lei Gaucho que atravessa a América do Sul com seu enorme bando de comparsas saqueando vilarejos pelo caminho, até encontrar uma pequena vila religiosa nas mãos de um daqueles ditadores velhos conhecidos nossos que enfestaram o continente durante o século XX e que se parecem muito a vilões saídos das histórias do Zorro. É aí que nosso anti-herói conhecerá a rendenção e passará a ver um mundo com muito mais empatia e menos afetação.
Segue os moldes do Ben Hur de Fred Niblo, com sua boa dose de religiosidade para esconder uma magnífica aventura bem dosada em cenas de ação, comédia, drama e romance. O romance fica por conta da super-espevitada diva mexicana Lupe Velez no seu primeiro papel importante em Hollywood, ao contrário do que acontecia na época, Velez personifica um tipo de heroína feminista que sai no braço com qualquer homem sem perder a feminilidade, clama por justiça quanto a maridos que espancam as mulheres e lidera uma gangue de bandidos para socorrer o homem amado, uma personagem que poderia constar em qualquer estudo sobre a emancipação femenina do século XX. Enquanto isso, a religião é dividida entre os papéis de Eve Southern, Nigel De Brulier e a participação não-creditada da então esposa de Fairbanks e namoradinha da America, Mary Pickford, como a Virgem Maria. É sim uma daquelas aventuras imperdíveis que só a primeira metade do século poderia produzir e que fazia a felicidade do povo.
Nota: As postagens dos próximos dias/semanas serão programadas, por isso não se preocupem se comentários não forem moderados.
Fuga Alucinada (Dirty Mary Crazy Larry, 1974)

Olha as bobagens que fazemos na vida… Demorar tanto tempo para assistir uma jóia dessas! A vantagem é que temos de dar tempo para uma pérola se formar dentro da nossa ostra pessoal, por isso às vezes depreciamos coisas que para o molusco que existe em nós é ainda um reles grão de areia. É, é uma metáfora brega (ou kitsch como dizem as pessoas finas), mas eu sou brega e gosto de coisas bregas, pelo menos aos olhos do senso comum.
Tudo que quero dizer é que Dirty Mary Crazy Larry é um filmaço. Tão filmaço que eu não esperava assistir um dos grandes filmes da década de 70, o que se ouvia era sobre grandes corridas de carro alí contidas, o quão cult era e convenhamos que ser objeto de culto nunca foi sinônimo de qualidade, nisso me surpreendi com a cinematografia de qualidade, diálogos espertos e interpretações passionais nesse belo pedaço do mais puro cinema culhônico dos anos 70.
É de longe o melhor filme da carreira de Peter Fonda, na pele de Larry soa mais como um irmão maluco de Clint Eastwood do que um filho de Henry Fonda. Mas quem rouba todas as cenas é Susan George com seu espírito ciclônico e ímpar, firmando-se como uma das grandes musas do cinema de macho dos 70, com o porém deste não ser seu melhor trabalho em virtude de um certo filme, de um certo David Samuel Peckinpah, ter sido produzido alguns anos antes.
Pensando melhor, não sei porque esta pérola fatalista tanto me surpreendeu quando no ano anterior o diretor John Hough já havia nos brindado com o excelente horror A Casa da Noite Eterna protagonizado por Roddy McDowall (que faz uma participação chave não creditada neste Fuga…), Hough tem aquele poder de deixar o público eletrizado do início ao fim, no melhor estilo “mijar nas calças para não perder um só minuto”, nunca fica chato, nunca corta o clima do suspense ou, neste caso, da ação e se há porventura pausa na correria, as personagens entram com seu carisma banhado a diálogos espertinhos. É, pode colocar Dirty Mary Crazy Larry na minha lista dos cultuados pois esse faz o meu tipo.Nota 1: A personagem de Bridget Fonda em Jackie Brown é total e obviamente calcada na Mary de Susan George. Do fio de cabelo até o figurino.
Nota 2: Morbidamente Vic Morrow passa quase o filme todo dentro de um helicóptero. Para quem não se lembra, o pai de Jennifer Jason Leigh morreu num acidente de helicóptero durante as filmagens de Twilight Zone – O Filme, no segmento de John Landis.
Nota 3: Dessas curiosidades inúteis, mas no mínimo bizarras, Susan George namorou o Príncipe Charles (é, o próprio) nos anos 70. Provavelmente foi o casal mais estranho de todos os tempos.
Nota 4: Os carros? Um Dodge Charger no melhor estilo Bullit e um Impala 60’s azul. Melhor design não há.

Os bons tempos voltaram… vamos gozar outra vez! Ou Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal ( Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull, 2008 )

Que a sinceridade prevaleça desde o princípio: lacrimejei o filme todo. Pronto, falei. Partindo da premissa que apenas filmes a impulsionar um passado redescoberto me fazem chorar e que a última vez que isso ocorreu foi com Ratatouille no ano passado, chega-se à constatação que se Ratatouillle é a explicação da causa das feridas reabertas por referências óbvias à Proust, então Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal é o efeito.
Um Indi em 2008 é o mesmo que sentir o cheiro daquela flor que você não sentia desde a infância ou ouvir aquela música que você não ouvia há 20 anos, coisas que fazem aflorar milhões de sentimentos separados por décadas, sensações há muito esquecidas, feridas há muito cicatrizadas. Ver um Indi hoje no cinema tem efeitos muito mais conspícuos que uma sessão de análise, com os méritos de que é mais barato e divertido.
E a cada referência aos filmes anteriores era uma nova lágrima escorrendo, o logo da Paramount se tornando a montanha, a entonação de Karen Allen ao dizer o nome de Indiana, a Arca da Aliança no depósito, os russos dependurados a cair na água, Cate Blanchett e Ray Winstone dividindo as mesmas nuances da loira nazista, fuga de pai e filho numa motocicleta, close-up do macaquinho, a história do sequestro por Pancho Villa saído direto do The Young Indiana Jones Chronicles, entre outros pequenos e infinitos detalhes. Se parasse por aí a infinidade de auto-referências não seria tão divertido quanto ir em busca das belas homenagens ao cinema de aventura, como a briga da lanchonete seguida da perseguição e que nos remete imediatamente à De Volta para o Futuro nos anos 50 ou a homenagem introdutória daquela outra personagem Fordiana sob a batuta de George Lucas na corrida de carros de American Graffiti e, claro, a melhor de todas, o indelével ressurgimento de Han Solo na pele de Harrison Ford e sua mítica frase “I’ve got a bad feeling about this” só para levar todos ao delírio! O filme é totalmente auto-referente aos filmes produzidos e dirigidos pela duplinha George-Steven, mas pode-se notar também a grande ligação que John Hurt sempre teve com seres de cabeça comprida, o porque Andrew Divoff saiu da Guerra Fria e foi parar em outra dimensão e o real motivo do cinema B de ficção científica dos anos 50 sempre ter sido associado aos comunistas.
É tudo uma grande homenagem ao cinema dos anos 50 e 80, assim como os filmes anteriores o foram ao cinema dos anos 30 e 40, que o diga a fenomenal entrada em cena de Shia LeBeouf à la Marlon Brando, mas que não tira a coroa daquela altamente soluçável entrada de Harrison Ford com sua sombra e seu chapéu. Não adianta, o bom e velho Indi continua a chutar todas as bundas e faz palpitar corações, é quase impossível crer que o peso de duas décadas não tenha alterado a sua essência, seja o peso da idade do diretor, da idade do elenco ou, principalmente, da idade do público. God Bless You, Mr. Spielberg, não perdeste a mão!
Se o filme é bom ou não? Procure um crítico de cinema, aqui escrevo o que eu quiser.
Fato: Karen Allen voltou para provar o porquê Marion Ravenwood foi de longe a melhor das indi-girls (desculpa aí sra. Spielberg!).
Fato: Ao contrário do que se podia temer, Shia LeBeouf honrou a responsabilidade da herança genética de sua personagem, calando a boca de muitos que apedrejavam tal escolha. Mas me senti aliviada quando o Ford tirou o chapéu da mão dele. Ufa! Alívio total. hehehe
Fato: Harrison Ford continua impecável como Indi no alto de seus 65 anos. O que foi? Ele é mais jovem que meu pai, oras.
Fato: O filme foi um dos maiores prazeres do ano numa sala de cinema até a presente data.
Fato: A estrutura narrativa da saga continua com uma deliciosa aula de história como pano de fundo, Roswell, testes atômicos em Nevada, Guerra Fria, Eram os Deuses Astronautas?, macarthismo, civilização de Nazca, cultura pop americana, testes russos sobre paranormalidade. Tudo colocado da maneira mais divertida possível.
Fato: Aquelas marmotas e aqueles macacos realmente me irritaram. Do fundo da minha alma transtornada. Aquelas marmotas indicavam o quê? Que a primavera chegou? Elas eram radioativas, meu deus! Aliás, isso daria um bom filme B “O Ataque das Marmotas Radioativas” algo ao estilo de “A Noite dos Coelhos Assassinos”.
Porque sempre quis ter um contador desses…
[kml_flashembed movie="http://www.ppiwidget.com/campaigns/base.swf?inst_id=11557" width="375" height="375" wmode="transparent" /]E porque a contagem em questão merece.
Aproveitando a deixa, eis as trilhas sonoras perfeitas de John Williams para entrar no clima…
Raiders of the Lost Ark
Parte 1
Parte 2
Indiana Jones and the Temple of Doom
Arquivo único
Indiana Jones and the Last Crusade
Parte 1
Parte 2
Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull
Parte 1
Parte 2






























2 comments