Cem anos de Sadao Yamanaka
É quase impossível localizar a importância do cinema de Yamanaka de forma precisa, justamente porque apenas três dos seus dezenas de filmes podem ser vistos hoje, mas é consensual de que foi um dos mestres construtores do jidaigeki em seu princípio – coisa que pode ser facilmente notado apenas assistindo Ninjo Kami Fusen (1937), Kōchiyama Sōshun (1936) e Tange Sazen Yowa (1935), mas em que pé está a influência de quem para quem nessa história é impossível dizer, pois o número de filmes perdidos é demasiado grande para ser ignorado, embora Kurosawa nunca deixasse de mencionar Yamanaka como uma de suas maiores influências, enquanto o jovem roteirista-convertido-diretor Sadao andasse de braços dados com Ozu, Inagaki e Mizoguchi naqueles anos 30.
Ao final da mesma década, um dos mais promissores e brilhantes cineastas de uma geração foi para a guerra e não retornou, morrendo de disenteria aos 28 anos – isso que é tragédia ou tão tragicômico quanto o próprio cinema de Yamanaka, ou do que restou dele.
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Tange Sazen Yowa: Hyakuman Ryo no Tsubo / The Pot Worth a Million Ryo (1935)


Este foi o primeiro filme que vi de Yamanaka e imediatamente me proporcionou um tipo de adoração cinéfila comparável ao que sinto vendo o trabalho de Chaplin ou Lubitsch, é deliciosamente poético e engraçado, até icônico, construindo e evidenciando pequenos detalhes que fazem a alegria de qualquer cinéfilo: um samurai caolho e sem braço (Sazen Tange), uma peça de roupa como transição, um leitmotif verbal que serve como descontrução da própria cultura nipônica, o manekineko essencial… É tudo um encanto, puro e simples.
Kochiyama Soshun / Priest of Darkness (1936)


O gênero jidaigeki se apóia nas tradições acima de tudo, mas cada cineasta é facilmente singularizado pelas suas preferências em mostrá-las, Yamanaka gostava mesmo de bebedores de saquê, a embriaguez é um ponto constante no seu cinema mais do que qualquer outra reiteração da cultura tradicional japonesa, é sempre a partir do kampai que as coisas começam a se desenrolar em seus filmes, se é que se poder analisar tal coisa conhecendo apenas três deles. Kochiyama Soshun é o que menos gosto, o que não é nenhuma tragédia, se aproxima dos dilemas morais e composição de Ninjo Kami Fusen, mas sem a mesma intensidade.
Ninjo kami fusen / Humanity and Paper Balloons (1937)


O mais melancólico e conhecido rebento sobrevivente de Yamanaka San. Particularmente considero Tange Sazen Yowa sua maior obra prima, mas o lirismo que aqui está envolto em harakiris recorrentes, ronins desacreditados, amantes em fuga, esposas decepcionadas e balões de papel não pode passar desapercebido.
Links sobre o cinema de Yamanaka pela internet:
Ninjo kami fusen (1937)
Retroprojecção
Nihon Cine Art
Midnight Eye – The Latest and Best in Japanese Cinema
The Taste of Cinema
Wildgrounds
The Masters of Cinema Series
Cacophone
Arsenevich
Strictly Film School
Lard Biscuit Guide to Samurai Cinema
Someday I’ll Think of A Title – Exactly what the title just said
Some Words Some Places
Narrative In Japanese Film 3: Yamanaka
DVD Outsider
YouTube (filme completo com legendas em inglês)
Kochiyama soshun (1936)
Cinema Talk – Film-related blabbering…
The three-film universe of Sadao Yamanaka
Tange Sazen (1935)
Cinema Talk
Lard Biscuit
Hkmania – Le Blog – La Passion du Cinéma Asiatique
Wildgrounds – Treasures of Asian Cinema
Cineblog
Some Words Some Places – Japanese and Chinese Film Reviews
Rare Classics of Japanese Cinema
Roslindale Monogatari – Rambling observations of a Roslindale fan of Asian films
Freak Movie Team – Cine Oriental y Asiático
Film Preservation Society
The Men Who Stare at Goats – Trailer
É bem evidente o motivo pelo qual quero ver este filme. Todos eles.
O Cão dos Baskervilles (The Hound of the Baskervilles, 1978)
Existem umas coisas bem estranhas pelo mundo e ver um filme dirigido por um dos queridinhos do Andy Warhol, aka Paul Morrissey, protagonizado por Cook & Moore sobre Sherlock Holmes e Dr. Watson é no mínimo uma dessas coisas. Deu certo? Talvez. Também é um daqueles exemplares habituais Peter And Duds em clima de total suberversão do mais famoso livro de Arthur Conan Doyle sobre as peripécias de Holmes, afinal, depois de Basil Rathbone/Nigel Bruce e Christopher Lee/André Morell, a escolha mais do que lógica seria Peter Cook/Dudley Moore.
Semana John Hughes: #1 Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller’s Day Off, 1986)




























Not that I condone fascism, or any -ism for that matter. -Ism’s in my opinion are not good. A person should not believe in an -ism, he should believe in himself. I quote John Lennon, “I don’t believe in Beatles, I just believe in me.” Good point there. After all, he was the walrus.
You wear too much eye make-up. My sister wears too much. People think she’s a whore.
Oh, he’s very popular Ed. The sportos, the motorheads, geeks, sluts, bloods, waistoids, dweebies, dickheads – they all adore him. They think he’s a righteous dude.
I heard that you were feeling ill. Headache, fever, and a chill. I came to help restore your pluck, cause I’m the nurse who likes to…
My best friend’s sister’s boyfriend’s brother’s girlfriend heard from this guy who knows this kid who’s going with the girl who saw Ferris pass out at 31 Flavors last night.
Oh, Ed. You just sounded like Dirty Harry just then.
I do have a test today, that wasn’t bullshit. It’s on European socialism. I mean, really, what’s the point? I’m not European. I don’t plan on being European. So who gives a crap if they’re socialists? They could be fascist anarchists, it still doesn’t change the fact that I don’t own a car.
You hit me. Look don’t make me participate in your stupid crap if you don’t like the way I do it. You make me get out of bed, you make me come over here. You make me make a phony phone call to Edward Rooney? The man could squash my nuts into oblivion. And-and-and then, and then, you deliberately hurt my feelings.
Roteiro
Soundtrack
*Da série: Este post foi programado, eu não estou aqui!
Semana John Hughes: #2 Clube dos Cinco (The Breakfast Club, 1985)
Com a morte de Hughes alguma coisa boa virá a acontecer. Eu pressinto. Clube dos Cinco tinha originalmente duas horas e meia de duração, coisa que foi para o beleléu na hora da distribuição, a única cópia completa que existia era a pertencente ao próprio Hughes, com sua morte o mínimo que se pode fazer é uma bela restauração e um tremendo lançamento em disco, quiçá, até nas telonas no melhor estilo The Breakfast Club Redux.
Porque, minha gente, este é um baita filme sobre e para adolescentes, fazendo com que me incline a dizer que The Breakfast Club é obra prima absoluta e ninguém usava melhor estereótipos para trazer a verdade das pessoas do que o Hughes, além de ter sido de grande importância pessoal quanto a formação do meu caráter. O cinema de Hughes teve mais influência sobre mim do que o meu próprio pai, ao menos no sentido benéfico da coisa, Hughes possuía um sentido de empatia tão único e abismal para com os adolescentes e suas dores, fazendo com que eu sinta até vergonha de estar hoje no hall dos balzaquianos cuzões, onde nem sequer lembro qual a diferença de sentimentos de quando estive no colegial para quando estive na universidade. Enfim, o que quero mesmo dizer é que o homem era mestre no que se propunha a fazer.































Sweets. You couldn’t ignore me if you tried.
I’m not a nymphomaniac. I’m a compulsive liar.
Do you know how popular I am? I am so popular. Everybody loves me so much at this school.
We’re all pretty bizarre. Some of us are just better at hiding it, that’s all.
When you grow up, your heart dies.
Naked blonde walks into a bar with a poodle under one arm, and a two-foot salami under the other. The bartender says, I guess you won’t be needing a drink. Naked lady says…
Saturday, March 24,1984. Shermer High School, Shermer, Illinois, 60062.
Dear Mr. Vernon, We accept the fact that we had to sacrifice a whole Saturday in detention for whatever it was we did wrong. What we did *was* wrong. But we think you’re crazy to make us write an essay telling you who we think we are. What do you care? You see us as you want to see us – in the simplest terms, in the most convenient definitions. You see us as a brain, an athlete, a basket case, a princess and a criminal. Correct? Does that answer your question? Sincerely yours… The Breakfast Club.
Roteiro
Soundtrack
Nota: Isso me fez lembrar algo que havia esquecido – o quanto o Judd Nelson era gato – e com gato quero dizer gostosopacaraleo. Já que a expressão Eat my Shorts foi devidamente roubada pelo Bart Simpson, também dou um dedinho que o Nelson possui esse nome em homenagem ao Judd Nelson. Ícone total.
*Da série: Este post foi programado, eu não estou aqui!
Semana John Hughes: #3 Gatinhas & Gatões (Sixteen Candles, 1984)
Vinte e quatro horas na vida de uma mulher em formação. Hughes é o Zweig dos pubescentes, é o Joyce dos espinhentos. Hughes era também um homem fiel. Em seu primeiro filme escala Molly Ringwald e Anthony Michael Hall e com isso passaria os próximos anos escrevendo filmes especialmente para eles, mesmo ambos nem sempre aceitando os gloriosos papéis (é, Cameron Frye foi escrito especialmente para Hall). No mais, Anthony Michael Hall é o senhor do universo e sempre rouba todas as cenas de todos em tudo, não é qualquer moleque que tem tamanha desenvoltura preparando martinis ao som de Frank Sinatra enquanto discorre sobre mulheres.


























Can I borrow your underpants for ten minutes?
Relax, would you? We have seventy dollars and a pair of girls underpants. We’re safe as kittens.
Girls will do that, Jake. You know? They know that guys are like in perpetual heat, right? They know they shit, and they enjoy pumping us up. It’s pure power politics. I’m telling you. Games, Jake. Silly torturous games. You know how many times I’ve gone without lunch because some bitch borrows my lunch money? Any halfway decent girl can rob me – blind! Because I’m too torked up to say no. It’s heinous, I’m telling you.
Soundtrack
*Da série: Este post foi programado, eu não estou aqui!
Semana John Hughes: #4 Antes só do que Mal Acompanhado (Planes, Trains & Automobiles, 1987)
Mr Hughes sempre teve um lance marcante com relação ao tempo em seus filmes, todos apresentam a neurastenia de horas marcadas e tempo se esvaindo. É sempre preciso chegar em algum lugar ou terminar algo. E logo. É Mr Hughes te ensinando a não deixar a bunda na cadeira, o homem é o coelho de Alice daquela geração.
Planes, Trains & Automobiles é a incursão cômica nas pequenas mazelas do homem adulto, pincelando a relação de importância da amizade, da família e os aspectos da solidão do homem maduro num road movie bastante peculiar. É exatamente o tipo de tratamento que Hughes dá que transforma esse estilo de filme que poderia resvalar num bairrismo exacerbado sobre a cultura norte-americana numa obra de apelo universal.

























I have uh… two dollars… and a Casio.
You wanna hurt me? Go right ahead if it makes you feel any better. I’m an easy target. Yeah, you’re right, I talk too much. I also listen too much. I could be a cold-hearted cynic like you… but I don’t like to hurt people’s feelings. Well, you think what you want about me; I’m not changing. I like… I like me. My wife likes me. My customers like me. ‘Cause I’m the real article. What you see is what you get.
Her first baby came out sideways, she didn’t scream or nothin.
You can start by wiping that fucking dumb-ass smile off your rosey, fucking, cheeks! Then you can give me a fucking automobile: a fucking Datsun, a fucking Toyota, a fucking Mustang, a fucking Buick! Four fucking wheels and a seat! And I really don’t care for the way your company left me in the middle of fucking nowhere with fucking keys to a fucking car that isn’t fucking there. And I really didn’t care to fucking walk down a fucking highway and across a fucking runway to get back here to have you smile in my fucking face. I want a fucking car RIGHT FUCKING NOW!
Well Marie, once again my dear, you where as right as rain. I am, with out a doubt, the biggest pain in the butt that ever came down the pike. I meet someone who’s company I really enjoy, and what do I do? I go overboard. I smother the poor soul. I cause him more trouble than he has a right to. God, I got a big mouth. When am I ever gonna wake up?
Soundtrack
Semana John Hughes: #6 Ela Vai ter um Bebê (She’s Having a Baby, 1988)
Esse é daqueles filmes que fazem um paralelo especial com coisas que vi e vivi, no caso o filme foi lançado no mesmo ano do casamento de minha irmã, com quem eu tinha uma ligação de profundidade absoluta. Foi o ano da escolha de Hughes para entrar na vida adulta, assim como o foi de minha irmã. Provavelmente o filme mais autobiográfico do senhor Hughes, muito se acusa deste ser um trabalho misógino, mas este é um filme em que se foi adotado a perspectiva do homem e toda obra que se propõe a isso tende a ser vista como machista ou algo que o valha, mas isso não tem necessariamente de ser associado a algo ruim, afinal, John Hughes não é Michael Bay e ele transforma essa suposta misoginia em um aspecto importantíssimo no amadurecimento do seu protagonista.














Promise not to get mad? I stopped taking the pill over two months ago.
He’s plenty old and people don’t mature anymore. They stay jackasses all their lives.
College is like high school with ashtrays.
How do you feel about slave wages?
Wood’s expensive. Words are cheap.
And in the end, I realized that I took more than I gave, I was trusted more than I trusted, and I was loved more than I loved. And what I was looking for was not to be found but to be made.
E foi também John Hughes que me ensinou a esperar até os créditos finais acabarem por completo.









Soundtrack
*Da série: Este post foi programado, eu não estou aqui!
Semana John Hughes: #7 Quem Vê Cara Não Vê Coração (Uncle Buck, 1989)
O homem escreveu dezenas de roteiros, mas dirigiu apenas 8 filmes, como isto aqui é a semana dele e a mesma possui 7 dias, um filme terá que ficar de fora. A minha escolha óbvia fica por conta de A Malandrinha (Curly Sue, 1991), cuja protagonista é uma fofura, mas é o filme que menos gosto do Sr Hughes, além de ser o último e único dirigido por ele na década de 90, década esta em que Hughes passou o cetro ao Sr Kevin Smith.
Em Quem Vê Cara Não Vê Coração muitos dos leitmotifs hugheanos estão ainda presentes, tais como a obsessão por carros, o desprezo pela política internacional, por animadores de festas e pelo sistema de ensino em geral, mas a falta de outros pequenos toques (The Hughes Touch!) que tanto lhe deram fama tranformam este filme em algo mais ordinário do que ele costumava nos trazer, o que não impede de existirem momentos deliciosos, tal como o do “gato” Félix, um tipo de cartada que só os mais bem dotados em screwball podem proporcionar.

























And I get compliments on the hyphen.
How would you like to spend the next several nights wondering if your crazy, out-of-work, bum uncle will shave your head while you sleep?
I’m Buck Melanoma. Moley Russell’s wart. Not her wart. Not her wart! I’m… I’m the wart. She’s my tumor. My… my growth. My… uh, my pimple. I’m Uncle Wart. Just old Buck “Wart” Russell. That’s what they call me, or Melanoma Head. They’ll call me that. “Melanoma Head’s coming.” I’m s… uncle! Maisy Russell’s uncle!
Soundtrack
Nota: Nunca é demais lembrar – John Candy era mesmo muito fofo e é impossível não se apaixonar por ele em qualquer filme em que esteja, se existe alguém em que o sinônimo de carisma possa ser refletido em sua totalidade certamente Sr Candy possui a primazia.







































