Joyceanas
Um tempo atrás Douglas legou-em o maior dos presentes. Sabendo da minha busca de anos pela versão de Joseph Strick para O Retrato do Artista Quando Jovem eis que Mr Douglas salva minha alma com o link de tal torrent. Que este blog atraia cada vez mais pessoas como ele, que utilizam o seu tempo com esse tipo de doação sincera, essa partilha verdadeira e intelectualmente estimulante, ignorando a perda de tempo do comportamento mesquinho e sim elevando o conhecimento e sabedoria das pessoas ao seu redor.
Aproveitando a deixa, que fique aqui links das adaptações cinematográficas mais difíceis de serem encontradas e cuja inspiração é a obra de Mr Joyce:
A Portrait of the Artist as a Young Man (Joseph Strick, 1977) – torrent
Ulysses (Joseph Strick, 1967) – emule
Finnegans Wake (Mary Ellen Bute, 1966) – emule
É, a pouco também pude ver a versão inimaginável do Wake de 1966, Mary Bute, a rainha do cinema experimental, mostra que não era exatamente um exemplo de sanidade (obrigada!) por se aventurar em tal empreitada. Estive ensaindo escrever algo sobre tal adaptação, mas ainda mais difícil do que estudar o próprio Wake é tentar assimilar uma perspectiva de algo em que não se pode decidir se é boa ou ruim. Quem sabe quando revê-lo tudo não fique mais claro quanto a visão de Bute, eu mesma tendo estudado Wake o mais profundamentemente que pude, ainda não sei o que pensar dele até hoje, a verdade é que talvez seja um livro para se ignorar, para fingir que sequer exista.
O Ulysses sim é fácil de ser discutido e digerido, é verdadeiramente fascinante estudá-lo, um tipo de renovação onde cada capítulo se abre em um novo livro, um novo estudo narrativo, uma nova experimentação linguística. O Wake não, ele perde-se na própria complexidade ou simplemente o estudei na hora errada.
Mas no leito de morte confessarei várias coisas, talvez uma delas seja a constatação de que O Retrato do Artista Quando Jovem seja meu Joyce favorito. Ou não.
Centenário de Angenor de Oliveira, vulgo Cartola
Ainda é cedo amor
Mal comecaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Preste atenção querida
Embora saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó
Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com teus pés
| Cartola (1974) | ||
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| Cartola 70 Anos (1978) | ||
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| Documento Inédito (1982) |
Discografia via Varal de Sons
Nota: Tantos centenários de gente morta, mas meu avô fez 102 anos esta semana e o desgraçado ainda está vivo e até dirige!!! Faz jus à sabedoria popular de que gente ruim não morre fácil.
Além da Imaginação: Um Incidente na Ponte Owl Creek (Twilight Zone: An Occurrence at Owl Creek Bridge / La Rivière du Hibou, 1962)
Na verdade este não é um real episódio do Além da Imaginação, assim como diz o Rod Serling na introdução, é um curta francês produzido anos antes e que o seriado exibiu não apenas por condizer com a linha seguida, mas também porque é uma pequena obra de arte. Não dêem atenção a legendas, o curta não possui diálogos efetivos. É baseado no conto homônimo do Ambrose Bierce, sem dúvida um dos melhores autores americanos de sempre.
Nota: O conto de Bierce já havia sido adaptado anteriormente em 1929 e para um episódio da quinta temporada do Alfred Hitchcock Presents com direito a James Coburn e tudo mais. Recentemente voltou aos braços da cultura pop quando um tal de James Ford não tinha o que fazer e resolveu ler o tal conto numa ilha deserta.
Da série ouça o disco, leia o livro: Highway 61 Revisited (Bob Dylan)
Bob Dylan era o tipo de resposta ressentida que toda mulher deveria ouvir. Assim como todo mundo sabe o que as mulheres querem quando estão a fim de ver filmes melosos, Bob Dylan era guardado para aqueles dias em que desejava que alguém, em algum lugar, estivesse se fodendo, ou pelo menos pior do que ele. Se há uma verdade sobre homens e mulheres, é que elas nunca estão piores que eles, mas pensar que sim nos faz tomar um bom café e sair para ver outras mulheres. (Giancarlo Rufatto)





























