Quixotando

Pelos Caminhos do Inferno (Wake in Fright/Outback, 1971)

Publicado em ANOS 70, DRAMA, IMPRESSÕES, LONGAS, VIDEOS por Adriana Scarpin em Julho 3, 2009

Outback (1971)1971. É ano de Straw Dogs. É ano de Laranja Mecânica. É ano de Wake in Fright.
Gary Bond bebe. Conhece Rafferty. Bebe, Joga. Bebe. Perde todo o dinheiro. Bebe. Conhece Pleasence. Bebe. Precisa ganhar dinheiro para ir até Sidney. Bebe. Conhece Thomas e Kay. Bebe. Conhece os caçadores de cangurus. Bebe. Vai caçar cangurus. Bebe. Luta. Bebe. Passa uma noite indigesta com Pleasence. Bebe. Finalmente consegue sair de Yabba. Não, não consegue, ele volta.
Esse filme é obra prima demais. Demais. É o catalizador da australian new wave ao lado de Walkabout do Roeg. Antes dos anos 70 não havia um cinema essencialmente autraliano, as produções sempre foram inglesas e americanas, quando muito podiam contar com elenco e diretores australianos, mesmo Wake in Fright e Walkabout estão nas mãos de cineastas estrangeiros, mas ainda foram eles que moldaram esses novos rumos para o cinema de Oz e acabaram por entregar as rédeas nas mãos dos nativos. Wake in Fright não é apenas amplamente influente no cinema autraliano dos últimos 35 anos, como também Martin Scorsese é fã assumido, fato que podemos constatar facilmente em certas cenas de Depois de Horas e Casino. Oliver Stone também deve ser outro apreciador vide certas coisas de Assassinos por Natureza e Reviravolta. Também é um dos filmes favoritos de Nick Cave. Até a cultuada cena introdutória de Apocalipse Now foi roubada daqui, onde vemos a câmera enquadrando uma luminária, descendo até a face de Gary Bond ao acordar de hiper-ressaca olhando para o lado e só faltando dizer: “Yabba… shit. I’m still only in Yabba”.
Este é o filme da bebedeira sem fim, o cara começa bebendo na sexta, acorda e vai dormir bebendo no sábado e também no domingo. Tudo começa com a personagem de Gary Bond dando aula na puta que pariu (o que esperar de um lugar chamado Tiboonda?) do outback australiano sonhando o tempo todo em visitar namorada em Sidney, coisa que ele quase consegue realizar durante o feriado no qual a narração do filme se centra. Para ir até Sidney, Gary Bond precisa passar por um outro fim de mundo chamado Bundanyabba e por diversas razões ele não consegue sair desse buraco de jeito algum, não há escapatória.Wake in FrightNa roleta russa humana em que Yabba se transforma com a “hospitalidade hostil” de seus habitantes, vamos conhecendo personagens ainda mais marcantes tal como o bebedor e jogador vivido por Chips Rafferty (o “John Wayne australiano” em seu último filme), o bebedor e “doutor” personificado lindamente por Donald Pleasence, o bebedor Al Thomas e sua filha peculiar e ninfomaníaca vivida pela então esposa do diretor Sylvia Kay, além dos bebedores e caçadores Jack Thompson e Peter Whittle. É no meio dessa fauna que Gary Bond vai nos guiar para a maior concentração de álcool que já se viu numa tela, é uma coisa impressionante até para minhas experiências mais nefastas. As famosas cenas com os cangurus são muito barra pesada, indigestas e deprimentes, uma sensação de holocausto canguru, a versão que vi está cheia de cortes, o que me chamou a atenção é que o conteúdo sexual foi cortado, mas tudo relativo àquela selvageria com os cangurus está aparentemente intacto, o que nos atenta para a visão estranha de certas pessoas para com o sexo e a violência.
No início dos anos 60 Joseph Losey queria fazer a adaptação do livro de Kenneth Cook no qual Wake in Fright é baseado, com Dirk Bogarde no papel principal, mas vendo a visão de Kotcheff até agradecemos por o intento não ter ido em frente, especialmente porque esta versão está banhada com licores setentistas e em qualquer outra década esta não seria a obra prima que é.

Wake in Fright pode ser conferido no youtube e é esta a cópia que vi, embora recomende a espera pela versão uncut e restaurada que andou pipocando em Cannes e no Sydney Film Festival recentemente, além de ter re-estreado nos cinemas australianos na última semana. Há uns cortes bem evidentes nesta versão americana, onde está faltando uns bons 15 minutos, nada sutis, coisa de censor açougueiro mesmo.

O Arco-Íris (The Rainbow, 1989)

Publicado em ANOS 80, DRAMA, IMPRESSÕES, LIVROS, ROMANCE por Adriana Scarpin em Abril 18, 2009

The Rainbow (1989) - Ken RussellAs mulheres eram diferentes. Também tinham a sonolência da intimidade do sangue, bezerros sugando e galinhas correndo juntas, filhotes de ganso palpitando na mão enquanto a comida era empurrada pelas goelas. As mulheres olhavam além do intercurso acalorado e cego da vida na fazenda, contemplavam o mundo ao redor. Tinham consciência dos lábios e da mente do mundo falando e se manifestando, ouviam o som à distância, esforçavam-se para escutar.

Há pouco tempo tempo fui a um sebo e constatei que alguma pobre alma havia vendido toda sua coleção de DH Lawrence, levei todos os que ainda não tinha e recomecei os meus estudos da obra de Lawrence, fato este que implica buscar demais visões com outras perspectivas sobre o autor. Não, não sou das que curtem comparar literatura ao cinema, mas perspectivas também implicam visões de cineastas e me apetece tratar cineastas como seres pensantes.
Nesse caso, volto a Ken Russell, ele que sempre volta a pauta, ele que é objeto de meu fascínio, ele que adaptou por três vezes a obra de DH lawrence, das quais apenas O Arco-Íris havia-me passado batido e as outras duas, Mulheres Apaixonadas e O Amante de Lady Chatterley, eram alvo de minha admiração.
Em Lawrence a saga dos Bragwens atravessa a família em gerações, enquanto o filme foi sabiamente adaptado só a partir da segunda metade da obra escrita e acompanha o florescimento sexual e intelectual da jovem Ursula no início do século XX, num épico em que as relações humanas são renovadas por meio da sexualidade, em que a religião é um estado psicológico necessário e que os demais aspectos do mundanismo são aquém de qualquer laço humano. É absolutamente nonsense o fato de um autor tão sensato e em alguns aspectos até puritano, mesmo a serviço de seu notório panssexualismo, tenha sido tão massacrado e perseguido por ter tratado a sexualidade de forma clara e sem frescura.The Rainbow (1989) - Sammi DavisGlenda Jackson volta a tal universo como a mãe da personagem que interpretara em Mulheres Apaixonadas, Gudrun, agora interpretada por Glenda McKay, enquanto sua irmã Ursula fica por conta de Sammi Davis outrora personificada por Jennie Linden no filme de 69, pois ambos os livros formavam um projeto intitulado “As Irmãs”, cuja intenção inicial era torná-los um único grande épico, mas que posteriormente foi dividido por Lawrence em dois livros contínuos. A Ursula de 1989 é apresentada de uma forma muito menos madura do que vemos no livro, no filme ela é apresentada com o comportamento típico de uma adolescente, enquanto no livro ela pode ser vista como uma jovem sensata, apesar de ser mesmo uma adolescente. O bacana da obra de Lawrence sempre foi esse estado sensualidade contanstante, Lawrence traz a paixão até as mazelas da vida real enquanto a paixão real não sobrevive nas mesquinharias da realidade e Russell sabe dosar isso muito bem contrapondo a sexualidade de Ursula com a sua entrada no opressivo mundo adulto do trabalho e relações sociais, as angústias do que era pequeno e ordinário podiam provocar.The Rainbow (1989) - Amanda Donohoe & Sammi DavisArco Íris é um filme mais livre e desenvolto que o Mulheres Apaixonadas, este realizado num país onde 10 anos anos antes O Amante de Lady Chatterley ainda era proibido e precisava quebrar certas barreiras da hipocrisia inglesa, mas que afetava a naturalidade que Lawrence pregou por toda a vida, um naturalismo que consistia de anseios primitivos como forma de libertação daquela sociedade industrial, mesquinha e materialista que Lawrence pôde observar desde a infância. E aí entra a afinidade de Russell para com Lawrence, essa busca da liberdade em seu primitivismo, essa doação completa e anti-acadêmica, essa obsessão pela simbologia religiosa, a arte e a sexualidade. Todos os elementos mais recorrentes da obra de Lawrence são os mesmos da obra de Russell, mesmo adaptados para uma arte distinta e em uma situação temporal divergente, a essência do que buscavam era basicamente a mesma.The Rainbow (1989) - Christopher Gable

Centenário de Joseph L. Mankiewicz

Publicado em ANOS 50, ANOS 70, COMÉDIA, DRAMA, IMPRESSÕES, MUSICAL por Georgina Spiggott em Fevereiro 11, 2009
Joseph L. Mankiewicz, Ava Gardner - The Barefoot Contessa (1954)

Mankiewicz a ensinar Ava Gardner como é que se faz em A Condessa Descalça (The Barefoot Contessa, 1954), filme este veladamente inspirado na vida de Rita Hayworth.

Top 5 do homem:

1- Trama Diabólica/Jogo Mortal (Sleuth, 1972)Laurence Olivier, Michael Caine - SLEUTH (1972)Laurence Olivier e Michael Caine num duelo até a morte? Aqui Mankiewicz levou ao topo sua obsessão com o tema de duelo de egos que perpassou toda a sua carreira, nada mais adequado do que transitar a vida real para o cinema quando Sir Olivier era o grande astro da atuação inglesa e Sir Caine era a ameaça para roubar-lhe o trono.

2- A Malvada (All About Eve, 1950)ANNE BAXTER & BETTE DAVIS - All About Eve (1950)Outrora seu irmão Herman ajudara a debicar o casal Hearst/Davies em Cidadão Kane, agora era vez de Joseph mexer com certos egos Hollywoodianos, mas especificamente o casal Tallulah Bankhead e Lizabeth Scott. A inspiração é tão descarada que até o figurino de Miss Davis chega a ser cópia exata de roupas que Bankhead outrora usara, sem mencionar o cabelo, a maquiagem, o modo de falar e até o jeito de segurar o cigarro, enquanto Anne Baxter se esbalda no jeito aparentemente doce de Miss Scott. Mas estamos em 1950 e o código ainda era vigente em Hollywood, portanto os resquícios de homossexualismo só ficam à mercê dos mais atentos.

3- Eles e Elas (Guys and Dolls, 1955)MARLON BRANDO, JEAN SIMMONS, FRANK SINATRA & VIVIAN BLANE (Guys and Dolls)Alguém que não canta nem dança tem que ter muito culhão para aceitar fazer um musical ao lado de Frank Sinatra. Marlon Brando teve. É quase como se Mankiewicz quisesse nos mostrar se Brando estava mesmo apto a ser o astro do momento, dois anos antes já o obrigara a encarar Shakespeare ao lado de James Mason e Sir John Gielgud em Julio Cesar, agora o colocara a cantar ao lado de Sinatra. Ao contrário do que possa aparentar, Mankiewicz não queriar derrubar Brando com tais desafios, mesmo porque feio não fez em nenhum deles e só ajudou a firmá-lo como o maior astro de todos os tempos.

4- De Repente, no Último Verão (Suddenly, Last Summer, 1959)Suddenly, Last Summer (1959) - ELIZABETH TAYLORNos anos 50 Hollywood estava obcecada por Tennessee Williams, o que lhes fez muito bem como transição para a saída completa do agonizante Código Hays. Gore Vidal ficou com o roteiro, este que sempre fora perito em destrinchar roteiros sobre homossexualismo velado, aqui se esbaldou por ser muito mais às claras do que todos estavam acostumados. Ó meu deus, comeram o Sebastian! Tolinhos.

5- Ninho de Cobras (There Was a Crooked Man… 1970) There Was a Crooked Man... (1970) KIRK DOUGLAS & HENRY FONDAHenry Fonda! Warren Oates! Kirk Douglas! Burgess Meredith! Hume Cronyn! Michael Blodgett pelado! É Mankiewicz juntando todo esse povo bom num western/men in prison para falar sobre onde começa e termina a moralidade do ser humano, quanto a aplicabilidade de circunstâncias e a área limítrofe onde se coloca em xeque toda a sua forma de pensar até então. Ah, é deveras divertido também.

Pausa

Publicado em ANOS 00, IMPRESSÕES, MUSOS, ÉPICO por Georgina Spiggott em Janeiro 31, 2009

Jackman - AustraliaAustralia - JackmanHUGH JACKMAN - AustraliaAustralia - HUGH JACKMANRespira fundo e vai. PUTA QUE PARIU HUGH JACKMAN. Nunca mais tirem o Hugh de cima de um cavalo.

Nota: Vai tomar no cu quem disse que Australia era ruim. Fui ao cinema achando que veria um Pearl Harbor da vida, tamanho o rumorzinho doente por aí, se não é nenhuma obra prima, ainda está anos luz de ser ruim, especialmente porque o cinema de Luhrmann nunca foi para todo mundo e não vai ser agora que o será. Como é usual a Baz, o lance alí é a infinidade de homenagens, mas especificamente ao cinema dos anos 30 e 40, dos “westerns de guerra” do John Ford, passando por E O Vento Levou, O Mágico de Oz, Jezebel, e até a chupinhação descarada dos créditos de Casablanca, blablabla, tudo banhado com sua habitual veia kitsch. Baz ganhou mesmo pontos comigo por também achar que Hugh lembra o Clint, vide aquela sua descarada entrada em cena (num dos diversos momentos em que Baz estava se achando “o” Sergio Leone – o que é aquela mistura de Jill McBain com Scarlett O’Hara da Nicole Kidman?) e também por achar que Hugh daria um exclente James Bond, vide o baile.
Ao final, a constatação foi simples, me satisfez muito mais gastar três horas da minha vida assistindo Australia do que ao tal Curioso Caso de Benjamin “Forrest ‘Eu sou o furacão Katrina e destruo focos narrativos’ Gump” Button.
Mas falando quase-sério, Mr Jackman é um problema, em alguns momentos quis tapar os meus próprios olhos, pois não conseguia pensar direito, vide aquele banho de canequinha. Quando sair em dvd abarroto este blog de screencaps do banho de canhequinha. Juro.

Savage Messiah (1972)

Publicado em ANOS 70, DRAMA, IMPRESSÕES por Adriana Scarpin em Janeiro 17, 2009

Savage Messiah (1972)‘When I face the beauty of nature, I am no longer sensitive to art, but in the town I appreciate its myriad benefits—the more I go into the woods and the fields the more distrustful I become of art and wish all civilization to the devil; the more I wander about amidst filth and sweat the better I understand art and love it; the desire for it becomes my crying need.’ – Henri Gaudier-Brzeska
Ken Russell resolveu dar uma pausa na sua obsessão por cinebiografias de compositores e caminhar por outra arte através da vida do escultor Henri Gaudier, também conhecido como Savage Messiah. Ainda na fase mais sóbria de seu cinema, antes das alegorias alucinadas como Lisztomania e Valentino, não é difícil ver o porquê Russell ter se interessado em dramatizar a curta e intensa vida de Gaudier. Russell sempre teve essa preocupação de levar a arte às massas (e não à toa participou do Big Brother inglês há alguns anos), tanto nos seus trabalhos na BBC dos anos 60, quanto sua caminhada ensandecida pelo cinema dos 70, sua meta era fazer popularizar a arte tida como erudita, era colocar aquela arte para poucos num patamar em que outros pudessem se interessar e buscar esse conhecimento que certos segmentos gostam de guardar para si como vislumbre de poder e superioridade com a desculpa de uma chamada anti-pasteurização, por isso quaisquer desses espíritos libertários como Ken Russell nunca serão bem quistos por determinado segmento, nem hoje, nem há 40 anos, nem amanhã, pois todos sabemos que é muito mais fácil ridicularizar uma pessoa chamando-a de estúpida do que tentar encaminhá-la por outras perspectivas, trocando asssim a crítica construtiva pela agressão cega e ocorrendo uma armadilha camuflada no protofascimo. É aí que entra a linha de coexistência e fascínio entre Russell e Gaudier, este um guri simples que se viu apaixonado por desenhos e formas de maneira autoditada e só posteriormente se iniciou na teoria para além da prática.Savage Messiah - DOROTHY TUTIN & SCOTT ANTONYMorto aos 23 anos durante a Primeira Guerra, as obras de Gaudier hoje são consideradas parte do alvorecer do cubismo e basicamente trabalhadas durante os anos de 1913 e 1914. Originário da França, o berço da arte moderna naqueles idos, estranhamente resolver ir para a Inglaterra a fim de dar vasão à sua arte e lá conheceu o verdadeiro ponto de interesse da cinebio de Russell: a escritora polaca Sophie Brzeska. Gaudier e Brzeska começaram então uma relação simbiótica e assexuada, indispensável para o crescimento artístico e pessoal de ambos.
No filme Brzeska é interpretada lindamente por Dame Dorothy Tutin, uma grande dama do teatro inglês da geração de Dame Maggie Smith e Dame Judi Dench, mas que infelizmente pouco nos deu o ar da graça no cinema. Tutin aqui ainda nos honra com uma passagem de cetro das mais inesquecíveis quanto à geração seguinte de grandes damas britânicas da interpretação: o crepúsculo profissional de Dame Helen Mirren num dos seus primeiros papéis na grande tela, inclusive Savage Messiah hoje é muito mais conhecido e lembrado pela cena do belo caminhar desnudo de Mirren em toda sua beleza e glória.
Mas o que mais me intriga neste elenco é Scott Antony, o intérprete do personagem título, feito este grande trabalho como protagonista de um filme cujo diretor era um dos mais respeitados na Inglaterra da época e mais uns dois filmes, Antony simplesmente desapareceu e não há meios de encontrar qualquer informação do que lhe ocorrera.
Se Russell conseguiu seu intento em popularizar a arte? Claro! Se não fosse por ele eu não teria me aprofundado no trabalho de Henri Gaudier-Brzeska, lido a respeito, ido em busca de teóricos sobre sua arte e isso faz todo o sentido.

Agora algumas obras do jovem e selvagem Messias, porque também quero popularizar o erudito, oras. Mas se o interesse for maior, a dica é o livro Savage Messiah de H.S. Ede.

Não é preciso dizer que as imagens são maiores clicando nas respectivas, não?

Plus: Sempre Bela (Belle Toujours, 2006)

Publicado em ANOS 00, DRAMA, FOTOGRAFIA por Georgina Spiggott em Dezembro 11, 2008

Belle toujours (2006) Belle toujours (2006) Belle toujours (2006) Belle toujours (2006) Belle toujours (2006) Quando o Manoel de Oliveira teve o topete de fazer uma continuação para o Bela da Tarde do Buñuel.

Centenário de Carole Lombard – Parte 4

Publicado em ANOS 30, COMÉDIA, DRAMA, FOTOGRAFIA, IMPRESSÕES, MUSAS, MUSOS, POSTERS, ROMANCE, SCREWBALL por Adriana Scarpin em Outubro 6, 2008

11- A Ceia das Donzelas (Love Before Breakfast, Walter Lang, 1936)Nos anos 30 era praxe colocar mulher sendo espancada como alívio cômico, na verdade bem pouco me recordo desse filme e só lembro do Preston Foster socando Carole sem querer, Cesar Romero bancando seu habitual latin lover e Carole encarnando a mulher geniosa com extração das corriqueiras gargalhadas sinceras.

12- Corações Unidos (Hands Across the Table, Mitchell Leisen, 1935)Ah, esse eu adoro. Primeiro filme que vi com o duo Lombard-MacMurray, aqui, longe do que era habitual, Fred é quem encarna o maluquete da dupla, um milionário falido completamente irresistível. Daquelas comédias românticas que só os anos 30 sabiam produzir.

13- The Gay Bride (Jack Conway, 1934)Carole volta a ser par de Chester Morris com quem trabalharara em Tu és a Única. Filme de gângster decente no auge do gênero só que num clima mais Tiros na Broadway do que Scarface e, putz, o Chester Morris era um cara bacana e devia mesmo ter se tornado um grande astro.

14- Lady by Choice (David Burton, 1934)Último filme de Carole na Columbia antes de ir para a Paramount e se tornar uma estrela A. É um filme chatinho, mas Carole é glamour até a medula como uma dançarina.

15- Agora e Sempre (Now and Forever, Henry Hathaway, 1934)Seria um filme bacana se a Shirley Temple não existisse, pode me chamar de sem caráter e sem coração (até parece), mas a Shirley Temple sempre me irritou profundamente, na verdade crianças-prodígio me dão calafrios porque sempre lembro da Baby Jane e tenho vontade de socar os pais que entram nessa roda de exposição-exploração. Mas voltando ao filme, Gary Cooper, Henry Hathaway e Carole podiam ter combinado coisa melhor.

Centenário de Carole Lombard – Parte 5

Publicado em ANOS 30, AÇÃO, COMÉDIA, DRAMA, FOTOGRAFIA, GUERRA, HORROR, IMPRESSÕES, MUSAS, MUSICAL, MUSOS, POSTERS, PRE-CODE, ROMANCE, SCREENSHOT, SCREWBALL, SUSPENSE por Adriana Scarpin em Outubro 6, 2008

16- Suprema Conquista (Twentieth Century, Howard Hawks, 1934)Filme responsável por minha paixão simultânea e avassaladora por John Barrymore e Carole Lombard, primeiro filme que assisti de ambos, embora já conhecesse o trabalho do primo de Carole, Mr Howard Hawks. Não só é meu filme preferido com Lombard e seu primeiro grande papel, como é considerado a primeira comédia screwball do cinema e o melhor filme que fez segundo o próprio Barrymore. Também pudera, com esse elenco, roteirização de Ben Hecht, Charles MacArthur e Preston Sturges e batuta de Hawks, seria inadmissível não pecar pela excelência.

17- Cupido Ao Leme (We’re Not Dressing, Norman Taurog, 1934)Esse filme é um pé no meu saquinho. Veículo absoluto para o Bing Crosby sair cantando e ir com a Lombard para uma ilha deserta, alguma ou outra cena divertida mas nada muito relevante. Menção honrosa ao casal George Burns e Gracie Allen quando estavam no auge e um Ray Milland em início de carreira no papel de um dos príncipes a disputar a bela náufraga Lombard com o marinheiro Crosby.

18- Bolero (Wesley Ruggles / Mitchell Leisen,1934)Outro filme realmente ruim e veículo para que George Raft saísse do estigma de gangster tornando-se aos olhos do público o que realmente era: um dançarino. Neste filme tentaram transformar Carole numa espécie de Jean Harlow, com o cabelo platinado e uma maquiagem que tirava toda sua natural beleza classuda. O filme só é realmente sensacional em seu momento derradeiro, a famosa cena do Bolero de Ravel em que Lombard e Raft dançam lindamente uma coreografia que só podia ser vista num filme pre-code. A curiosidade fica por conta de algumas semelhanças da personagem de Raft com a vida de Rodolfo Valentino, especialmente quanto ao vislumbre gigolô-dançarino e morte prematura.

19- Supernatural (Victor Halperin, 1933)Ótimo horror do início dos anos 30 orquestrado pelo mesmo realizador de White Zombie, um dos primeiros classicaços sobre zumbis que se tem notícia. Aqui Halperin flerta com zumbizagem, possessão e charlatanismo num quase-precursor de Brinquedo Assassino. Carole é a atriz principal e tem a primeira grande mostra de seu talento nas cenas em que sua personagem é possuída por uma maníaca, mas os méritos também devem ser dados especialmente ao Alan Dinehart (o espiritualista), Vivienne Osborne (a condenada à morte) e, especialmente, Beryl Mercer (a vizinha chantagista). Randolph Scott aparece aqui num dos seus primeiros papéis de certa notoriedade.

20- Os Dragões da Noite / A Águia e o Gavião (The Eagle and the Hawk, Stuart Walker, 1933)No ano anterior quando Carole e Cary fizeram um filme juntos, mal se notava Grant nos créditos e em cena, aqui é o nome dela que diminiu nos letreiros e o de Grant equiparou-se com o do astro consumado Fredric March. Um grande filme de macho e antibelicista em que Carole só é enfeite.

Centenário de Carole Lombard – Parte 6

Publicado em ANOS 20, ANOS 30, COMÉDIA, DRAMA, FOTOGRAFIA, IMPRESSÕES, MUSAS, MUSOS, POSTERS, PRE-CODE, ROMANCE por Adriana Scarpin em Outubro 6, 2008

21- Casar por Azar (No Man of Her Own, Wesley Ruggles, 1932)Mais um filme chatinho do Wesley Ruggles que bem pouco sal colocou em seus filmes, aliás, pimenta pois bem gosto de comida sem sal e com muita pimenta. Nem é preciso dizer que o interesse aqui é Miss Lombard formando um casal com Mr Gable anos antes deles serem atingidos por um raio saído sabe lá de onde e juntarem os trapinhos. Nessa época eles estavam compremetidos com outras pessoas e a única química existente era na tela.

22- Virtue (Edward Buzzell, 1932)Bom filme dramático de Miss Lombard, embora ela seja sofisticada demais para conseguir passar veracidade como prostituta de rua quando a única forma de vê-la é como prostituta de luxo.

23- Tu és a Única (Sinners in the Sun, Alexander Hall, 1932)Primeiro dos três filmes em que Carole atuou ao lado de Cary Grant, ela já conquistara certa notabilidade com mais de dez anos de carreira, mas Grant ainda estava no seu segundo papel de uma carreira razoavelmente meteórica, é quase inadimissível que os dois maiores atores screwball não tenham dividido um filme sequer do gênero. A vantagem aqui é que este é um bom filme e Alexander Hall é um diretor bacana. Foi com esse filme que descobri uma das artimanhas do pre-code: sempre que uma mulher troca de roupa o telefone toca para que ela atenda e passe o maior tempo possível de lingerie na tela, Carole foi uma das rainhas dessa tática, pois seu corpo era um dos mais belos da época só rivalizado pelos de Joan Crawford e Jean Harlow.

24- O Homem do Mundo (Man of the World, Richard Wallace / Edward Goodman, 1931)Segundo filme em que Carole trabalha com seu então marido William Powell, a quem ela chamava de “único ator inteligente que conheci” e O Homem do Mundo reflete bem a personalidade culta e sofisticada pertencente a Powell. Mais um filme para explorar o novo casal hollywoodiano do que qualquer outra coisa.

25- It Pays to Advertise (Frank Tuttle, 1931)Carole ao lado da não menos diva Louise Brooks (que não se deu bem em Hollywood porque não se encaixava no esquema dos fuinhas). A idéia de fazer algo sobre propaganda e hoax é boa, mas a realização é ruim, faltou maior exploração cômica quanto a venda de um produto que não existe e o carisma dos envolvidos ficou em débito, até a sempre reluzente Carole perdeu o brilho e a participação de Brooks pós-Pabst é ínfima, mesmo que interessante.

Centenário de Carole Lombard – Parte 7

Publicado em ANOS 20, COMÉDIA, CURTAS, DRAMA, FOTOGRAFIA, GANGSTER, IMPRESSÕES, MUSAS, POSTERS, ROMANCE, VIDEOS, ÉPICO por Adriana Scarpin em Outubro 6, 2008

26- Alta Voltagem (High Voltage, Howard Higgin, 1929)Típico filme de transição do cinema mudo para o falado onde ninguém sabia ao certo o que estava fazendo, o mote é bacana, uma espécie de “Lost das Neves” onde algumas pessoas ficam ilhadas numa cabana na neve e com o passar do filme as personalidades vão se delineando, inclusive Carole é uma prisioneira escoltada por um policial. O desenvolvimento e qualidade são terríveis da mesma forma que fora The Racketeer e cujo diretor é o mesmo.

27- O Gângster (The Racketeer, Howard Higgin, 1929)Horrível, horrível, horrível. Pior filme que vi com Carole e uma das suas primeiras incursões ao cinema falado.

28- Dynamite (Cecil B. DeMille, 1929)Tudo é meio nebuloso quanto a relação de Carole neste filme. Aparentemente ela foi substituída de um papel maior que mero extra, mas diz-se que ainda é possível vê-la em cena. Sinceramente não consegui encontrá-la, mas é o primeiro filme falado de DeMille da época em que ainda fazia lascivas películas hedonistas pre-code e o pedaçudo do Joel McCrea dá as caras, então valeu a pena.

29- Vamp do Campus (The Campus Vamp, Harry Edwards, 1928)Carole é a própria vamp universitária do título nesse curta, oras.

30- Run, Girl, Run (Alfred J. Goulding, 1928)

Carole é a atleta que não pode ficar gandaiando à noite neste que é um dos inúmeros curtas que fez sob a produção de Mack Sennett. Ótima oportunidade para ver Carole de shortinho com os pernões à mostra.