Quixotando

Cem anos de Sadao Yamanaka

Publicado em ANOS 30, COMÉDIA, DRAMA, GATOS, IMPRESSÕES, SCREENSHOT por Adriana Scarpin em Novembro 7, 2009
Yamanaka & Ozu. Sadao é o mais gato, é claro.

Yamanaka & Ozu. Sadao é o que não se parece com um pescador.

É quase impossível localizar a importância do cinema de Yamanaka de forma precisa, justamente porque apenas três dos seus dezenas de filmes podem ser vistos hoje, mas é consensual de que foi um dos mestres construtores do jidaigeki em seu princípio – coisa que pode ser facilmente notado apenas assistindo Ninjo Kami Fusen (1937), Kōchiyama Sōshun (1936) e Tange Sazen Yowa (1935), mas em que pé está a influência de quem para quem nessa história é impossível dizer, pois o número de filmes perdidos é demasiado grande para ser ignorado, embora Kurosawa nunca deixasse de mencionar Yamanaka como uma de suas maiores influências, enquanto o jovem roteirista-convertido-diretor Sadao andasse de braços dados com Ozu, Inagaki e Mizoguchi naqueles anos 30.
Ao final da mesma década, um dos mais promissores e brilhantes cineastas de uma geração foi para a guerra e não retornou, morrendo de disenteria aos 28 anos – isso que é tragédia ou tão tragicômico quanto o próprio cinema de Yamanaka, ou do que restou dele.

.

Tange Sazen Yowa: Hyakuman Ryo no Tsubo / The Pot Worth a Million Ryo (1935)Tange Sazen yowa Hyakuman ryo no tsubo (1935) meninoTange Sazen yowa Hyakuman ryo no tsubo (1935) roupaTange Sazen Denjirô ÔkôchiTange Sazen yowa Hyakuman ryo no tsubo (1935) manekinekoEste foi o primeiro filme que vi de Yamanaka e imediatamente me proporcionou um tipo de adoração cinéfila comparável ao que sinto vendo o trabalho de Chaplin ou Lubitsch, é deliciosamente poético e engraçado, até icônico, construindo e evidenciando pequenos detalhes que fazem a alegria de qualquer cinéfilo: um samurai caolho e sem braço (Sazen Tange), uma peça de roupa como transição, um leitmotif verbal que serve como descontrução da própria cultura nipônica, o manekineko essencial… É tudo um encanto, puro e simples.

Kochiyama Soshun / Priest of Darkness (1936)Kochiyama Soshun - gatoKochiyama Soshun - casalKochiyama Soshun - sakeKochiyama Soshun - meninoO gênero jidaigeki se apóia nas tradições acima de tudo, mas cada cineasta é facilmente singularizado pelas suas preferências em mostrá-las, Yamanaka gostava mesmo de bebedores de saquê, a embriaguez é um ponto constante no seu cinema mais do que qualquer outra reiteração da cultura tradicional japonesa, é sempre a partir do kampai que as coisas começam a se desenrolar em seus filmes, se é que se poder analisar tal coisa conhecendo apenas três deles. Kochiyama Soshun é o que menos gosto, o que não é nenhuma tragédia, se aproxima dos dilemas morais e composição de Ninjo Kami Fusen, mas sem a mesma intensidade.

Ninjo kami fusen / Humanity and Paper Balloons (1937)Ninjo Kami Fusen - balõesNinjo Kami Fusen - pésNinjo Kami Fusen - bonecaNinjo Kami Fusen - dueloO mais melancólico e conhecido rebento sobrevivente de Yamanaka San. Particularmente considero Tange Sazen Yowa sua maior obra prima, mas o lirismo que aqui está envolto em harakiris recorrentes, ronins desacreditados, amantes em fuga, esposas decepcionadas e balões de papel não pode passar desapercebido.

Links sobre o cinema de Yamanaka pela internet:

Ninjo kami fusen (1937)
Retroprojecção
Nihon Cine Art
Midnight Eye – The Latest and Best in Japanese Cinema
The Taste of Cinema
Wildgrounds
The Masters of Cinema Series
Cacophone
Arsenevich
Strictly Film School
Lard Biscuit Guide to Samurai Cinema
Someday I’ll Think of A Title – Exactly what the title just said
Some Words Some Places
Narrative In Japanese Film 3: Yamanaka
DVD Outsider
YouTube (filme completo com legendas em inglês)

Kochiyama soshun (1936)
Cinema Talk – Film-related blabbering…
The three-film universe of Sadao Yamanaka

Tange Sazen (1935)
Cinema Talk
Lard Biscuit
Hkmania – Le Blog – La Passion du Cinéma Asiatique
Wildgrounds – Treasures of Asian Cinema
Cineblog
Some Words Some Places – Japanese and Chinese Film Reviews
Rare Classics of Japanese Cinema
Roslindale Monogatari – Rambling observations of a Roslindale fan of Asian films
Freak Movie Team – Cine Oriental y Asiático
Film Preservation Society

Momento Fassbender

Publicado em ANOS 00, FOTOGRAFIA, IMPRESSÕES, MUSOS por Georgina Spiggott em Outubro 19, 2009
Michael Fassbender

Muso do ano, é claro. Mesmo faltando dois meses para acabar.

Esta cena passada no bar La Louisiane, é como ‘Cães de Aluguel’, mas com Nazis e Alemães. A cena tem 23 minutos, toda passada num pequeno bar. La Louisiane foi muuuito importante. Considero como uma das cenas mais importantes de todos os meus filmes. Sempre disse que se fizessemos La Louisiane, todo o resto pareceria mais fácil. – Quentin Tarantino

Meu amor pelo cinema está escasso, quase extinto, minha vontade de manter um blog sobre cultura pop/cinema é nula, mas a lembrança da cena do La Louisiane me fez em estado de graça durante toda a última semana, trazendo um pouco de esperança para esse meu amor tão desgastado e maltratado. Agora tenho que me explicar do porquê Michael Fassbender ser o muso do ano. Não, eu não tenho que me explicar, mas quero. Gostosopacaraleo eu já sabia que era (vide 300), talentoso também (vide Angel e Hunger), então por que a sua presença em Inglourious Basterds caiu feito uma bomba atômica destruindo tudo perante os meus olhos?
É evidente o quanto admiro a classe européia dos anos 30 e 40, o estilo dos atores, a empostação de voz e a forma com que se movimentam em cena, sobretudo os nascidos na grande ilha. Ver Michael Fassbender na cena da taverna é o mesmo que ressucitar Laurence Olivier, James Mason, Cary Grant (de onde saiu o nome Archie), David Niven, George Sanders (russo, mas a maior inflência), Walter Pidgeon (canadense, com semelhança assustadora), Errol Flynn (australiano, mas facilmente irlandês), naquele momento eu posso ver todos esses atores surgindo deste homem e isso teve um impacto tão fulminante quanto o próprio fim do mundo teria, quando mais tarde saí do cinema o que surgia era o pensamento recorrente de “quero uma prequel de Archie Hickox”. Outra coisa que gerou esse impacto, foi o fato de Hunger ter sido a última coisa vista com ele antes dos Basterds e a diferença abismal entre ambos, Hunger me agrada em sua hora inicial, mas que me irrita na meia hora final, logo após o famoso “plano de 20 minutos” (que muito me apetece, por sinal) tanto o trabalho de Fassbender quanto o objetivo de Steve McQueen (!!!) possuem pouco da minha simpatia, especialmente porque Christian Bale já tirara tudo desse estilo de “interpretação extrema” no início da presente década.
Não que eu ache que Fassbender tenha sido melhor que os seus outros colegas de elenco no Basterds, mas o seu estilo é o que se adequa perfeitamente ao meu paladar e negar isso é o mesmo que ser forçada a comer strudel com creme, quando a inclusão do chantilly estragaria todo o meu prazer de saborear devidamente tal iguaria, ou seja, seria um estupro, um estupro psicológico, intelectual ou alegórico, mas ainda um estupro. Os demais atores acabam por englobar toda a história do cinema restante, Brad Pitt parece saído dos anos 50 (Dean, Brando, Clift), Til Schweiger dos anos 60 (Bronson, Eastwood), Eli Roth dos anos 70 e 80 (Pacino, De Niro), mas o único que parece ter uma aura realmente contemporânea é o senhor Christoph (salve! salve!) Waltz, o que pode explicar o hype em torno dele, essa aura de honestidade e originalidade em meio a tantas releituras e pós-modernismo.
Existe muito mais a ser dito sobre Archie Hickox (especialmente quanto ao fato dele ser crítico de cinema) e a cena do La Louisiana, mas aí o vôo alcançaria o filme como um tôdo quanto ao trabalho do Tarantino, coisa que não é minha intenção, ao menos não da minha maneira porca, já que o filme do homem conquistou o direito de que sejam escritos livros exclusivos sobre o mesmo, tamanha a quantidade de minúcias, referências e leituras postas à prova.Inglourious Basterds - La LouisianeNota 1: Agora vamos ao momento fofoca, mas que se for verdade afeta diretamente meus sonhos ilusórios de prequel com presença do senhor Archie Leech Douglas Hickox. Diz-se à boca pequena que o produtor-irmão de Tarantino, Lawrence Bender, estava num jogo de picuinha e vingança contra Fassbender, por este ter dado uns “pegas” na sua ex-mulher e que fez de um tudo para enterrar a carreira do meu atual irlandês favorito. Pode ser apenas fofoca saída sabe-deus-de-onde, mas algumas coisas dessa história fazem sentido, especialmente quanto à divulgação do filme, ou ninguém mais achou estranho o fato de Fassbender ser o único ator evidente do filme a não ganhar um teaser-poster? Inclusive vi a foto para o teaser-poster com ele de uniforme do commandos e bigodinho, mas o trabalho final não chegou às vias de fato. Viu que beleza? Além de encarnar um estilo anos 40 de atuação, até as picuinhas de produtor-ator dos bons tempos o moço tem a façanha de reviver.

Nota 2: Por enquanto vi o filme apenas uma vez, coisa que  consertarei com o tempo, mas espero ansiosamente o lançamento em DVD, não só porque haverá versão estendida (o que poderá sanar o meu desconforto para com a forma que o filme foi montado), mas porque poderei tirar screencaps do gato. Isso mesmo, finalmente há um gato num filme do Tarantino, o que é bem estranho para alguém que gosta tanto de cinema italiano. O que foi aquilo? Homenagem à França de Jean Vigo? Menção à elurofobia de Hitler? Ou um gato sendo quase atropelado, pura e simplesmente?

Cem anos de Elia Kazan – Parte 1

Publicado em ANOS 40, ANOS 50, ANOS 60, ANOS 70, DRAMA, IMPRESSÕES, LIVROS por Adriana Scarpin em Setembro 7, 2009
Elia Kazan

Ator, diretor de teatro, cineasta, escritor

Dale Bennett escreve roteiros cinematográficos e era, naquela época, um dos meus melhores amigos. Ganhou uma vez um prêmio da Academia e, mais cedo ou mais tarde, alguém acaba sempre por lhe dar um emprego, apesar de aquilo que escreve ser dez anos antiquado, mesmo para Hollywood. No entanto, está inteiramente convencido de que seu talento é fantástico e insulta os críticos e produtores que são a favor da Nouvelle Vague, da fotografia desfocada, da filmagem invertida e dos cortes abruptos. Estes homens, diz ele, dão mais valor à forma que ao conteúdo; ele é o “conteúdo”. O Compromisso – Elia Kazan, o romancista.

Kazan não é dos meus queridos. Nenhum dos seus filmes está entre os meus favoritos. Nem a sua literatura é a das que me causam compulsão. O fato é que cultivei certa obsessão por Kazan durante algum tempo porque ele é uma daquelas figuras que me fascinam, um párea, um cara que passou décadas sendo espezinhado publicamente por coisas que nada deveriam afetar no julgamento da sua criação artística, mas que proporcionalmente levaram-no à criação. Assistindo seus filmes, lendo seus livros e assimilando suas entrevistas podemos facilmente entender o tipo de mentalidade que Kazan carregava e absorver o quão admirável era este homem, afinal, não é preciso pensar igual para se chegar num estado de compreensão, respeito e admiração.

1- Sindicato de Ladrões (On the Waterfront, 1954)On the Waterfront (1954) Eva Marie Saint & Marlon BrandoOn the Waterfront is a history of informing where it seems like the greater good, despite the fact it goes against the code of community. The script was based on a set of real events which had nothing to do with my involvement with the Communist Party or the information I later gave to the House Un-American Activities Committee. Those fellows in Waterfront were criminals. It was based on the life story of a guy named DiVicenzo, who I knew, whose house I ate at. He live through the same goddamn thing that Terry Malloy goes through in the film. The waterfront was a gangster-dominated, ritualized, Mafia-coded society where no one ever said who said who was brutalizing them. Even when they knew who killed somebody, nobody ever talked. That was absolutely a valid story of the waterfront. But when people said there are some parallels to what I had done, I couldn’t and wouldn’t deny it. It does have some parallels. (Kazan: The Master Director Discusses his Films)
Até queria sair do lugar-comum e tentar gostar mais de qualquer outro filme do Kazan, mas Sindicato de Ladrões é mesmo o melhor. Está tudo no lugar certo, na hora certa: Brando possivelmente criando o melhor personagem de sua carreira, a jaqueta, Malden e seu padre badass, os pombos, Budd Schulberg dando aula de escrita, Eva Maire Saint deixando Hitchcock deprimido, Steiger & Cobb, mea-culpa e realismo por parte de Kazan.

2- Um Rosto na Multidão (A Face in the Crowd, 1957) Andy Griffith in the Film A Face in the CrowdTheoretically, I think one man should make a picture. But in rare case where an author and a director have had the same kinds of experience, have a same kind of taste, the same historical and social point of view, and are compatible as Budd and I are, it works out perfectly. (Elia Kazan Interview – Michel Ciment, 1974)
Existem cinco inegáveis grandes obras sobre meios de comunicação e manipulação: Cidadão Kane, Network, A Montanha dos Sete Abutres, Adorável Vagabundo e Um Rosto na Multidão, todos passam longe de resultados melodramáticos, muito pelo contrário, todos se atêm à acidez de um cinismo quase-cômico, mas foi Kazan quem legou o mais cruel dos desenlaces. Com o recém falecido Budd Schulberg voltando à bem sucedida parceria com Kazan que deu origem a Sindicato de Ladrões, nos é entregue um filme que poderia ser tão bom quanto aquele, mas que não chega a isso por falta daquele peso pessoal que incrustou toda a alma do diretor em Sindicato de Ladrões.

3- America America (1963)America, America (1963) Stathis GiallelisAmerica America may be a legend, but it’s not a fairy tale. This is the truth. Nobody makes pictures about that class of people, about their way of thinking and their values. America America really captured another civilization. It’s my favorite of all the pictures I’ve made. (Kazan: The Master Director Discusses his Films)
America, America está para gregos o que O Poderoso Chefão está para os italianos, não apenas na teoria como na prática, pois é evidente a influência do filme de Kazan na saga siciliana do Coppola e muito se deve ao tipo de relação que os povos mediterrâneos têm com suas famílias. De todos seus filmes, este era o preferido de Kazan, ele escreveu o livro sobre o que levou toda a sua família para os EUA, adaptou o roteiro e filmou, tudo que o transformou numa obra única e exclusivamente do diretor, pessoal e artisticamente é o seu grande legado. Além da habitual reiteração sobre integridade que encontramos como tema em todos os filmes do grego expatriado, a relação familiar é expandida e é explicado porque o laço sanguíneo tornou-se também um dos seus mais queridos pontos de reflexão.
Também fica claro o quanto Kazan era encantado com o que rolava no cinema europeu em termos de linguagem, chega a ser estranho ouvir os atores falando inglês, o diretor foi um grande assimilador, tudo que ele fazia estava em perfeita sincronia com movimentos do cinema ao redor do mundo e aqui não é diferente. Como diretor de teatro talvez tenha sido mais revolucionário do que qualquer outro nos EUA durante o século XX, especialmente por ter incentivado e introduzido o método do Actor’s Studio nos meios teatrais, atitude essa que poucos anos depois fez questão de repetir em seus filmes, ajudando a delinear os rumos da atuação dos últimos 60 anos em qualquer país do mundo, seja no teatro, no cinema ou na televisão.

4- Viva Zapata! (1952)Viva Zapata - Lou Gilbert, Anthony Quinn & Marlon Brando The competition between Brando and Quinn was wonderfully fruitful and creative. By the way, there’s nothing wrong with actors competing, as long as they’re competing to be good and not to be stars. In fact, I sometimes try to arouse competition. For example, I often praise an actor openly. Thats makes every actor on the set want the same praise. It’s nice to tell them they were good when they do something well. It makes them want more. After all, they’re hanging on you. They can’t see themselves. So when they deserve praise I always articulate it. I don’t believe in playing cool. One beautiful thing about actors is that they’re so exposed. They’re not being criticized only for your behavior, but for their legs and breasts, for their double chin; their whole being is exposed to criticism. How can you not embrace them and how can you feel anything but gratitude toward these people? I like actors and I believe my films show it. You look at them and see what whoever directed them likes actors. (Kazan: The Master Director Discusses his Films) E Kazan vai ao oeste. Ou ao sul, depende do ponto de vista. Antes eu não gostava muito desse filme, mas depois de uma revisão uns tempos atrás, coloquei o rabinho entre as pernas e hoje assumo que é mesmo um grande filme, especialmente por todas as cenas de assassinato presentes nele – Kazan foi brilhante em todas elas, podendo ser incluso entre os melhores westerns dos anos 50. Além do mais, possui a maior e melhor coleção de bigodes já vista numa tela.

5- Clamor do Sexo (Splendor in the Grass, 1961) Splendor in the Grass - Warren beatty & Natalie Wood It was the easiest picture I ever made because the script was good. It was pure and simple. (Kazan: The Master Director Discusses his Films)
Esse é mais um dos filmes cujo tema é homossexualismo, mas que foram camuflados com personagens heterossexuais. O roteirista/dramaturgo William Inge foi inspirado em suas próprias experiências na adolescência em reprimir e esconder sua sexualidade durante os anos 20, assim como a personagem de Natalie Wood detêm traços semelhantes à personalidade do autor, especialmente quanto a colapsos nervosos e tendências suicidas. O primeiro roteiro original escrito pelo dramaturgo é um grande texto que foi facilmente convertido em uma grande obra cinematográfica por parte de Kazan, o resultado é acima da média e Kazan tem o seu ápice no melodrama, atingindo o mesmo nível de Douglas Sirk e o uso que faz do technicolor é indispensável para isso.

6- Os Visitantes (The Visitors, 1972)The Visitors (1972) Patricia Joyce & James Woods I wanted to make the scene strong, but I didn’t want to make an entertainment out of blodletting. So I had the car fill three-fourths of the screen and built up the sound of fight. Then I cut to the door of the house, where Martha was struggling with Tony. I use a lesser act of violence to suggest the much more savage violence that was going on behind the car. (Kazan: The Master Director Discusses his Films) E Kazan se adapta ao cinema dos anos 70. A tensão crescente remete imediatamente ao Straw Dogs do Peckinpah, mas podemos ver o filme facilmente como uma sequência do então ainda porvir Pecados de Guerra do De Palma. O que é intrigante quanto este filme é o fato de ser quase ignorado dentro da filmografia de Kazan, é um trabalho excelente e a primeira grande obra sobre a guerra do Vietnã. Vale lembrar que esta é a estréia na tela grande de James Woods e Steve Railsback.

7- Vidas Amargas (East of Eden, 1955)East of Eden (1955) Julie Harris, James Dean, Richard DavalosI try to base things in realism and take off from there. I don’t think of myself as a realist. I think myself as a poetic realist or “essencialist”, as I call it. That may be just a big rationalization for my lacking. (Kazan: The Master Director Discusses his Films)
Esse é o grande ponto de confluência entre o cinema de Kazan e o do seu protegido Nicholas Ray, não tentando associar a escolha mútua de James Dean como o protagonista de seus filmes como marco da desestrutura familiar – não, é muito mais do que isso, naquele ano eles emplementam uma simbiose de estilo e filosofia.

8- Pânico nas Ruas (Panic in the Streets, 1950)Panic in the Streets - Zero Mostel, Jack Palance & Guy ThomajanAnother thing I learned from Ford: he’s a great guy for foreground objects. He puts an object in the foreground that’s critical at some point in the latter half of the scene, and he moves the people up to that object. It breaks up the foreground spatially, so that the shot has quality, not abstractness. I use that a lot in Panic in the Streets. (Elia Kazan Interview – Stuart Byron & Martin Rubin, 1971). É exatamente aqui onde Kazan começa a fazer cinema de verdade e o próprio assumia isso para quem quer que fosse. É um grande filme, quando o assisti cheguei a ficar boquiaberta pelo fato deste não ser tão festejado quanto algumas de suas obras daquela mesma década, louvores extras ao Jack Palance que nos dá o prazer de conferir um dos maiores vilões do cinema. Essa é uma boa época para ver o filme, especialmente se a imprensa ainda não causou paranóia suficiente para que você saia correndo e gritando todo vez que uma pessoa ao seu lado diz que está com dor de cabeça.

9- Uma Rua Chamada Pecado (A Streetcar Named Desire, 1951)Marlon Brando & Vivien Leigh (A Streetcar Named Desire)Some people say I made Brando the hero. I didn’t mean to make Brando the hero. But I wanted to show exactly what Williams meant, which is that he, as a homosexual, is attracted to the person he thinks is going to destroy him – the attraction you have for someone who’s on the otherside, supposedly dead against to you, but whose violence and force attract you. Now, that’s the essence of ambivalence. And that’s what I tried to do, so what you felt sorry for her but could see, however, that his force was healthier. That’s why I made Brando attractive. (Elia Kazan Interview – Stuart Byron & Martin Rubin, 1971)
Esse filme é demasiado importante para a história de Hollywood, não só botou fogo literalmente em quase 20 anos de Código Hays como mudou toda a história da interpretação colocando Brando no patamar de ator mais influente do cinema americano pelas próximas décadas, o que ao meu ver não foi algo tão benéfico assim. Tolinha de Olivia de Havilland, a Blanche que tanto Kazan quanto Brando queriam, mas que não aceitou o papel por existirem certas coisas que uma dama não faz em cena – imagino o quanto ela ficou horrorizada quando os anos 60 e 70 chegaram – então podemos incluir o papel de Blanche como um dos grandes arrependimentos da vida de Miss Havilland e todos sabemos que esta mulher tem muita coisa para se arrepender – alguns bem graves, por sinal.
E Marlon Brando quebra tudo. O que é a visão de Brando entrando em cena??? O problema dessa introdução ao senhor Kowalski é que quando ele abre a boca é altamente broxante, à parte Brando ser gostosopacaraleo e um grande ator, ele tinha uma voz insuportável, por isso é bom quando seus personagens gritam, grunhem ou gemem. A verdade é que este filme mudou para sempre o rumo de como se encara um ator no set de filmagens, sem o que Kazan começara no teatro uns poucos anos antes não haveria Brando, nem Dean, nem Pacino, nem De Niro, nem Hoffman, nem uma porrada de ícones que todo mundo conhece.

10- Boneca de Carne (Baby Doll, 1956)Baby Doll - Carroll Baker, Eli WallachI like everything in the south, except its ideas, standarts and beliefs. But the way the people are has always impressed me. It’s part of my own maverick anarchism. I find them very funny and cute and human, very Chekhovian. (Kazan: The Master Director Discusses his Films)
Oh, Mr Vacarro! Esqueça Marlon Brando em Uma Rua Chamada Pecado, em Baby Doll está a prova do porque Eli Wallach constar na minha lista de homens mais sexys do universo. É a estréia do Wallach no cinema e é mesmo um absurdo, nos faz perceber algo bem peculiar quanto aos machos do Kazan: a sensu/sexulidade deles é bem mais evidente do que suas contrapartes fêmeas. Mesmo Miss Carroll Baker sendo um pitéu e ter a sua sensualidade natural bem delineada, Wallach domina o ambiente de tal forma que a única coisa que resta por parte dela é a reação à ação do macho dominante que Wallach representa no ambiente cênico.

11- O Justiceiro (Boomerang! 1947)Boomerang ! - Dana Andrews, Lee J. CobbWe shot that entirely on location – not a set in the picture. The picture was a terrific thrill that way – it made me see my identity. I really enjoyed that life, whereas I was miserable on the MGM set. For one thing, I was miserable living in Hollywood – I never liked the place. I never unpacked my bags. (Elia Kazan Interview – Stuart Byron & Martin Rubin, 1971)
O homem era viciado em integridade, mesmo na sua fase pau-mandado-de-estúdio nos anos 40, lá estava Kazan envolvido na defesa das coisas em que acreditava, batendo na tecla de que não importa se o próprio indivíduo ou um clã se queima no processo desde que seja íntegro com a sua maneira de pensar e caráter. Particularmente gosto bastante deste filme, porque é intrigante, ágil, tem uma sorte de personagens e atores espetaculares, além de existir alí um vislumbre do cinema contemporâneo de Jules Dassin.

12- Rio Violento (Wild River, 1960) Wild River (1960) Jo Van Fleet, Montgomery CliftI think Miss Ella’s right to want to stay on her land. I think Glover is right, too. That picture, with all of its faults, is the epitome of what I feel more clearly than any other. (Kazan: The Master Director Discusses his Films) Tudo que Kazan tinha em boas intenções para com The Sea of Grass finalmente pôde ser colocado em prática no Wild River. A semelhança ideológica entre ambos é gritante, mas 13 anos na vida professional de um cineasta e do próprio cinema em evolução fazem uma diferença dos diabos, isso, é claro, se o mundo não for habitado por clones do Orson Welles.

Centenário de Elias Kazanjoglou – Parte 2

Publicado em ANOS 30, ANOS 40, ANOS 50, ANOS 60, ANOS 70, CURTAS, DRAMA, IMPRESSÕES, LIVROS, VIDEOS por Adriana Scarpin em Setembro 7, 2009

13- O Compromisso (The Arrangement, 1969) The Arrangement (1969) Kirk DouglasEveryone become a salesman here. If you don’t sell anything else, you sell yourself. Ours is a society dominated by business, and the economic pressure even at the upper-middle-class level is fantastic. The epitome of this business civilization is the advertising industry. Everyone feels some degradation, some violation of self, when they spend their lives selling. (Kazan: The Master Director Discusses his Films). Não vou dizer que se você é romancista e cineasta jamais adapte o seu próprio livro, pois Kazan já o fizera muitíssimo bem com America, America, o problema em The Arrangement é adaptação às mudanças do próprio cinema. Kazan quis se adaptar a um estilo que não lhe caiu bem, chega a ser mesmo irritante o estilo de montagem, o uso da trilha sonora e a inserção de devaneios constantes, essa certamente não era a praia do Kazan, como admirador confesso da Nouvelle Vague parece que ele quis fazer algo como Pierrot Le Fou, mas as coisas ficam bem bizarras quando se força a encarar um estilo que não é o seu.
O livro tinha grande potencial para adaptação, tendo o mesmo tom de coisas que voltariam à moda nos anos 80 e 90 como Beleza Americana, Clube da Luta e Como Fazer Carreira na Publicidade. Notoriamente a semelhança fica mesmo por conta de Mad Men, quando comecei a assistir o seriado, o livro de Kazan vinha à mente constantemente, digamos que Mad Men é tudo que Kazan poderia ter feito com seu filme mas dolorosamente desperdiçou.
Vale lembrar que o livro do homem é basicamente uma autobiografia “camuflada” de seu relacionamento com a excelente atriz Barbara Loden, com quem trabalhou no cinema em Wild River e Splendor in the Grass.

14- Laços Humanos (A Tree Grows in Brooklyn, 1945)A Tree Grows in Brooklyn 91945)The one thing I really liked about that film was the little girl. By far the most authentic thing about the film is Peggy Ann Garner’s face. Nothing compares with it except maybe Jimmy Dunn’s face. He was terrific. (Kazan: The Master Director Discusses his Films)
Kazan e seu assistente de direção conhecido como Nicholas Ray se encontram neste filme que delinearia muito do cinema futuro de ambos, em específico o traço da desestrutura familiar, um tema que foi muito caro em suas respectivas carreiras.  É mais um desses “filmes de ator” que Kazan fez e reitero o fato de que James Dunn era absolutamente apaixonante.

15- A Luz é para Todos (Gentleman’s Agreement, 1947)Gregory Peck & Dean Stockwell in Gentlemen's AgreementNo matter what I think of it today, what I remember most about Gentleman’s Agreement is that at time no one said ‘jew’. When it was being made, all the rich jews in California were against it. And the Catholic Church was against it because they don’t want the heroine to be a divorcee. There were hell of lot people who said to Zanuck, ‘We’re getting along all right. Why bring this up?’ (Elia Kazan Interview – Stuart Byron & Martin Rubin, 1971)
Esse é um dos filmes de que Kazan não gostava, porque é um produto de estúdio, com muita relevância história e nulidade autoral. Zanuck possuía um tino danado para jogar com esses filmes polêmicos e gostava de colocar a bomba na mão do Kazan porque o cineasta sempre fora um homem de coragem ao assumir seus pontos de vista e atitudes, não importando a merda que daria. Sob o ponto de vista atual Gentleman’s Agreement é bem truncado, mas se localizado no pós-guerra dá para imaginar a bomba que caiu nas casas das famílias cristãs de toda a América.

16- O que a Carne Herda (Pinky, Elia Kazan/John Ford, 1949)PINKY - Ethel Waters, Jeanne CrainSome years later I said to Zanuck, “Jack Ford never had shingles, did he?” And he said, “Oh hell, no. He just wanted to get out of it; he hated Ethel Waters and she sure as hell hated him”. I also think maybe he didn’t like the whole project. (Kazan: The Master Director Discusses his Films)
Mesmo possuindo um tema pelo qual Kazan tinha fascínio e passaria o resto de sua carreira reiterando-o, ele ainda não estava tão ciente da linguagem cinematográfica, deixando o peso do filme nas mãos das duas (grandes) atrizes Ethel Waters & Barrymore. Ford começou o filme, mas saiu por falta de afinidade com o assunto tão espinhoso, Kazan era um tipo mais moldado para mexer num vespeiro com direito a romance interracial e propaganda para que se trate o negro como um igual em fins dos anos 40. Está longe de ser um dos melhores filmes do homem, mas a sua importância histórica é inegável.

17- O Último Magnata (The Last Tycoon, 1976)The Last Tycoon (1976) Ray Milland, Tony Curtis, Theresa Russell, Robert De Niro, Jeanne Moreau, Robert MitchumNão gosto desse filme. Não interessa quantas estrelas dão as caras e nem o quanto o Irving Thalberg era interessante, muito menos com quantos scottfitzgeraldeharoldpinters se escreve um roteiro, o filme é muito chato e não tenho nada a dizer, mas justamente por isso talvez seja hora de revê-lo.

18- Os Saltimbancos (Man On a Tightrope, 1953)Man on a Tightrope (1953) Terry Moore & Cameron MitchellI hated McCarthy. It was embarrassing to be on the same side as him. But I didn’t terrorize people. He did. I didn’t lie. He lied. I never said there were so many and so many, holding up a blank piece of paper, claiming it was a list of subersives in the State Department. He did. He lied. I never told a lie in my life about that stuff. It was terrible to be aligned with McCarthy. But as far as doing it for money, it’s fantastic, really, because in the first place they didn’t threaten me and in the second place they couldn’t have and in the third place I didn’t need a job in Hollywood. The blacklist did not extend to Broadway and I was at the top of my theater career. All my testifying did was lose me certain things. I knew that I’d lose Arthur Miller’s plays. I knew a lot of guys would turn against me, which they did. I’ve lived through that. In some ways the whole experience made a man out of me because it changed me from being a guy, who was everybody’s darling and always living therefore for people’s approval, to a fellow who could stand on his own. It thoughened me a lot. I’m not afraid of anybody. People say that too – that I was afraid. I never was in my life. They avoided my eye. I didn’t avoid theirs. I have some regrets about the human cost of it. One of the guys that I told on I really liked a lot… well, pretty much. I really thought it was killing him. (Kazan: The Master Director Discusses his Films)
É bem deprimente carinha fazer filme para provar alguma coisa que não é. Além de Man On a Tightrope ser ruim, parecendo desesperado e feito às pressas, o contexto em que foi feito atrapalha ainda mais, se Kazan estivesse defendo uma idéia e não a si mesmo quando o fez, meu olhar sobre o filme talvez não fosse tão decepcionado.

19- Mar Verde (The Sea of Grass, 1947)The Sea of Grass (1947) Spencer Tracy & Katharine HepburnThe only miserable experience I had was The Sea of Grass. I should never have made that film, or I should have quit. (Kazan: The Master Director Discusses his Films)
Geralmente não concordo quando cineastas renegam suas obras, pelo contrário, sempre defendo que os caras são demasiado auto-críticos, mas dessa vez tenho que concordar com o desprezo: ô filminho sem eira nem beira. Há um elenco sensacional, há um roteiro promissor, mas Kazan nunca foi talhado para trabalhar no Star System, tanto que o cinema dele só pegou mesmo no tranco durante os anos 50 quando aquele sistema morreu definitivamente, muito por culpa do próprio Kazan que ajudou a instaurar a revolução.

Gadget Kazan – o ator

Uma Canção para Você (Blues in the Night, Anatole Litvak, 1941)Blues in the Night (1941) KazanBlues in the Night é o berço de muita gente, além de Kazan como ator, há Don Siegel trabalhando na montagem e Robert Rossen lidando com o roteiro. Um daqueles filmes mais lembrados por sua trilha sonora do que por qualquer outra coisa, é um noir-musical-melodramático, se é que tal definição possa existir. Aqui o senhor Kazan tem a honra de representar um membro da banda protagonista da história, ao som de muita música do duo Harold Arlen/Johnny Mercer, a surpresa fica por conta de ser um papel importante e não apenas um cameo, além de provar que se seguisse a carreira de ator teria um bom futuro, possuía desenvoltura nata e se adequou perfeitamente ao ritmo do filme, com seus diálogos rápidos e edição acelerada para acompanhar o ritmo da música.

Dois Contra uma Cidade Inteira (City for Conquest, Anatole Litvak/Jean Negulesco, 1940)City for Conquest (1940) Elia Kazan & James CagneyApesar de ser um dos melhores amigos do protagonista, o papel de Kazan aqui não é tão grande quanto em Blues in the Night, mas é de razoável importância, especialmente se ele faz as vezes do gangster-mor e isso num filme com Cagney é uma grande honra. Tenho o mesmo tipo de relação com o cinema do Anatole Litvak para com o do próprio Kazan, em geral gosto bastante de alguns do trabalhos de ambos, mas nada que faça com que eu professe um WOW e é interessante o fato de Litvak ter sido esse grande introdutor de Kazan em Hollywood.
E não interessa se o filme é bom ou ruim, se o Cagney está presente o prazer é garantido. Sempre.

Pie in the Sky (Ralph Steiner, 1935) Esse é da época que o Kazan era comunista. hehehe (Parte 2)

Nota 1: No livro O Século do Cinema de Glauber Rocha tem um capítulo interessante, onde Glauber, como sempre, desce a lenha no cinema do Kazan, mas que, ao mesmo tempo, conta sobre um encontro entre os dois narrado de forma bastante admirável.

Nota 2: Pelos próximos anos Scorsese estará ocupado envolvido com projetos sobre ícones que ele muito aprecia, alternando documentários e cineobios sobre gente como Sinatra, George Harrison e Roosevelt, tio Marty também está com um documentário sobre Kazan na gaveta, a intenção é dirigí-lo, mas veremos se o projeto vai para frente.

Nota 3: Enquanto fazia este post, acho que mudei de opinião, creio que o meu favorito é Um Rosto na Multidão, talvez seja o único filme de Kazan com o qual tenho grande afinidade, seguido de Splendor in the Grass.

O Cão dos Baskervilles (The Hound of the Baskervilles, 1978)

Publicado em ANOS 70, COMÉDIA, IMPRESSÕES, POSTERS por Adriana Scarpin em Agosto 19, 2009

Existem umas coisas bem estranhas pelo mundo e ver um filme dirigido por um dos queridinhos do Andy Warhol, aka Paul Morrissey, protagonizado por Cook & Moore sobre Sherlock Holmes e Dr. Watson é no mínimo uma dessas coisas. Deu certo? Talvez. Também é um daqueles exemplares habituais Peter And Duds em clima de total suberversão do mais famoso livro de Arthur Conan Doyle sobre as peripécias de Holmes, afinal, depois de Basil Rathbone/Nigel Bruce e Christopher Lee/André Morell, a escolha mais do que lógica seria Peter Cook/Dudley Moore.

Semana John Hughes: #2 Clube dos Cinco (The Breakfast Club, 1985)

Publicado em ANOS 80, COMÉDIA, DOWNLOAD, DRAMA, IMPRESSÕES, SCREENSHOT, SOUNDTRACK, VIDEOS por Adriana Scarpin em Agosto 15, 2009

Com a morte de Hughes alguma coisa boa virá a acontecer. Eu pressinto. Clube dos Cinco tinha originalmente duas horas e meia de duração, coisa que foi para o beleléu na hora da distribuição, a única cópia completa que existia era a pertencente ao próprio Hughes, com sua morte o mínimo que se pode fazer é uma bela restauração e um tremendo lançamento em disco, quiçá, até nas telonas no melhor estilo The Breakfast Club Redux.
Porque, minha gente, este é um baita filme sobre e para adolescentes, fazendo com que me incline a dizer que The Breakfast Club é obra prima absoluta e ninguém usava melhor estereótipos para trazer a verdade das pessoas do que o Hughes, além de ter sido de grande importância pessoal quanto a formação do meu caráter. O cinema de Hughes teve mais influência sobre mim do que o meu próprio pai, ao menos no sentido benéfico da coisa, Hughes possuía um sentido de empatia tão único e abismal para com os adolescentes e suas dores, fazendo com que eu sinta até vergonha de estar hoje no hall dos balzaquianos cuzões, onde nem sequer lembro qual a diferença de sentimentos de quando estive no colegial para quando estive na universidade. Enfim, o que quero mesmo dizer é que o homem era mestre no que se propunha a fazer.The Breakfast Club (1985) Judd NelsonThe Breakfast Club (1985) Ally SheedyThe Breakfast Club (1985) Anthony Michael HallThe Breakfast Club (1985) Molly RingwaldThe Breakfast Club (1985) Emilio EstevezThe Breakfast Club (1985) BowieThe Breakfast Club (1985) Paul GleasonThe Breakfast Club (1985) armarioThe Breakfast Club (1985) Molly Ringwald & Ally SheedyThe Breakfast Club (1985) wallThe Breakfast Club (1985) Mercedes Hall, Anthony Michael Hall & Mary ChristianThe Breakfast Club (1985)The Breakfast Club (1985) Judd Nelson & Molly RingwaldThe Breakfast Club (1985)The Breakfast Club (1985) Emilio Estevez & Ron DeanThe Breakfast Club (1985) queenThe Breakfast Club (1985) Anthony Michael HallThe Breakfast Club (1985) esportesThe Breakfast Club (1985) John KapelosThe Breakfast Club (1985) lancheThe Breakfast Club (1985) maconhaThe Breakfast Club (1985) desenhoThe Breakfast Club (1985) Estevez - AndrewThe Breakfast Club (1985) brincoThe Breakfast Club (1985) Sheedy - AllisonThe Breakfast Club (1985) fagThe Breakfast Club (1985) Ringwald - ClaireThe Breakfast Club (1985)The Breakfast Club (1985) Richard VernonThe Breakfast Club (1985) olhoThe Breakfast Club (1985) sem saídaThe Breakfast Club (1985) bolsaThe Breakfast Club (1985) Judd NelsonSweets. You couldn’t ignore me if you tried.

The Breakfast Club (1985) Ally SheedyI’m not a nymphomaniac. I’m a compulsive liar.

The Breakfast Club (1985) Claire StandishDo you know how popular I am? I am so popular. Everybody loves me so much at this school.

The Breakfast Club (1985) Emilio EstevezWe’re all pretty bizarre. Some of us are just better at hiding it, that’s all.

The Breakfast Club (1985) Allison ReynoldsWhen you grow up, your heart dies.

The Breakfast Club (1985) John BenderNaked blonde walks into a bar with a poodle under one arm, and a two-foot salami under the other. The bartender says, I guess you won’t be needing a drink. Naked lady says…

The Breakfast Club (1985) Brian JohnsonSaturday, March 24,1984. Shermer High School, Shermer, Illinois, 60062.
Dear Mr. Vernon, We accept the fact that we had to sacrifice a whole Saturday in detention for whatever it was we did wrong. What we did *was* wrong. But we think you’re crazy to make us write an essay telling you who we think we are. What do you care? You see us as you want to see us – in the simplest terms, in the most convenient definitions. You see us as a brain, an athlete, a basket case, a princess and a criminal. Correct? Does that answer your question? Sincerely yours… The Breakfast Club.
The Breakfast Club (1985) Shermer

Roteiro

Soundtrack

Nota: Isso me fez lembrar algo que havia esquecido – o quanto o Judd Nelson era gato – e com gato quero dizer gostosopacaraleo. Já que a expressão Eat my Shorts foi devidamente roubada pelo Bart Simpson, também dou um dedinho que o Nelson possui esse nome em homenagem ao Judd Nelson. Ícone total.

*Da série: Este post foi programado, eu não estou aqui!

Semana John Hughes: #3 Gatinhas & Gatões (Sixteen Candles, 1984)

Publicado em ANOS 80, COMÉDIA, DOWNLOAD, IMPRESSÕES, SCREENSHOT, SOUNDTRACK por Adriana Scarpin em Agosto 14, 2009

Vinte e quatro horas na vida de uma mulher em formação. Hughes é o Zweig dos pubescentes, é o Joyce dos espinhentos. Hughes era também um homem fiel. Em seu primeiro filme escala Molly Ringwald e Anthony Michael Hall e com isso passaria os próximos anos escrevendo filmes especialmente para eles, mesmo ambos nem sempre aceitando os gloriosos papéis (é, Cameron Frye foi escrito especialmente para Hall). No mais, Anthony Michael Hall é o senhor do universo e sempre rouba todas as cenas de todos em tudo, não é qualquer moleque que tem tamanha desenvoltura preparando martinis ao som de Frank Sinatra enquanto discorre sobre mulheres.Sixteen Candles (1984) Molly RingwaldSixteen Candles (1984) Michael Schoeffling & Molly RingwaldSixteen CandlesSixteen Candles (1984)Sixteen Candles (1984) Molly RingwaldSixteen Candles (1984) Haviland Morris & Anthony Michael HallSixteen Candles (1984) John Cusack & Darren HarrisSixteen Candles - Michael SchoefflingSixteen Candles (1984) Joan CusackSixteen Candles (1984)Sixteen Candles (1984) Anthony Michael HallSixteen Candles (1984) Zelda RubinsteinSixteen Candles (1984) Gedde WatanabeSixteen Candles (1984) Molly Ringwald & Anthony Michael HallSixteen Candles (1984) festaSixteen Candles (1984) Michael SchoefflingSixteen Candles (1984) Haviland Morris & Anthony Michael HallSixteen Candles (1984) Molly RingwaldSixteen Candles (1984) John CusackSixteen CandlesSixteen Candles (1984) Michael Schoeffling & Molly RingwaldGedde WatanabeSixteen Candles (1984) Haviland Morris, Jami GertzSixteen Candles (1984) John Kapelos & Blanche BakerSixteen Candles (1984) Molly RingwaldSixteen Candles (1984) Justin HenrySixteen Candles (1984) Anthony Michael Hall & Molly RingwaldSixteen CandlesCan I borrow your underpants for ten minutes?

Sixteen Candles (1984) John Cusack, Anthony Michael Hall & Darren HarrisRelax, would you? We have seventy dollars and a pair of girls underpants. We’re safe as kittens.

Sixteen Candles (1984) Michael Schoeffling & Anthony Michael HallGirls will do that, Jake. You know? They know that guys are like in perpetual heat, right? They know they shit, and they enjoy pumping us up. It’s pure power politics. I’m telling you. Games, Jake. Silly torturous games. You know how many times I’ve gone without lunch because some bitch borrows my lunch money? Any halfway decent girl can rob me – blind! Because I’m too torked up to say no. It’s heinous, I’m telling you.16 Candles

Soundtrack

*Da série: Este post foi programado, eu não estou aqui!

Semana John Hughes: #4 Antes só do que Mal Acompanhado (Planes, Trains & Automobiles, 1987)

Publicado em ANOS 80, COMÉDIA, DOWNLOAD, IMPRESSÕES, SCREENSHOT, SOUNDTRACK por Adriana Scarpin em Agosto 13, 2009

Mr Hughes sempre teve um lance marcante com relação ao tempo em seus filmes, todos apresentam a neurastenia de horas marcadas e tempo se esvaindo. É sempre preciso chegar em algum lugar ou terminar algo. E logo. É Mr Hughes te ensinando a não deixar a bunda na cadeira, o homem é o coelho de Alice daquela geração.
Planes, Trains & Automobiles é a incursão cômica nas pequenas mazelas do homem adulto, pincelando a relação de importância da amizade, da família e os aspectos da solidão do homem maduro num road movie bastante peculiar. É exatamente o tipo de tratamento que Hughes dá que transforma esse estilo de filme que poderia resvalar num bairrismo exacerbado sobre a cultura norte-americana numa obra de apelo universal.Planes, Trains & Automobiles (1987) RelógioPlanes, Trains & Automobiles (1987) Ben SteinPlanes, Trains & Automobiles (1987) Kevin BaconPlanes, Trains & Automobiles (1987) diaboPlanes, Trains & Automobiles (1987) Steve Martin & John CandyPlanes, Trains & Automobiles (1987) chefePlanes, Trains & Automobiles (1987) Michael MckeanPlanes, Trains & Automobiles (1987) Lyman WardPlanes, Trains & Automobiles - aviãoPlanes, Trains & Automobiles - Steve Martin & John CandyPlanes, Trains & Automobiles - tremPlanes, Trains & Automobiles (1987) aeroportoPlanes, Trains & Automobiles (1987) carroPlanes, Trains & Automobiles - Karen MeisingerPlanes, Trains & Automobiles - relógioPlanes, Trains & Automobiles (1987) John Randolph JonesPlanes, Trains & Automobiles - cãoPlanes, Trains & Automobiles (1987) Steve MartinPlanes, Trains & Automobiles - cartãoPlanes, Trains & Automobiles (1987) Matthew LawrencePlanes, Trains & Automobiles - taxiPlanes, Trains & Automobiles (1987) John CandyPlanes, Trains & Automobiles - Laila RobinsPlanes, Trains & Automobiles - Steve MartinPlanes, Trains & Automobiles - Olivia BurnettePlanes Trains and AutomobilesPlanes, Trains & Automobiles - casioI have uh… two dollars… and a Casio.

Planes, Trains & Automobiles - MartinI do NOT play with my balls.

Planes, Trains & Automobiles - John CandyYou wanna hurt me? Go right ahead if it makes you feel any better. I’m an easy target. Yeah, you’re right, I talk too much. I also listen too much. I could be a cold-hearted cynic like you… but I don’t like to hurt people’s feelings. Well, you think what you want about me; I’m not changing. I like… I like me. My wife likes me. My customers like me. ‘Cause I’m the real article. What you see is what you get.

Planes, Trains & Automobiles (1987) Dylan BakerHer first baby came out sideways, she didn’t scream or nothin.

Planes, Trains & Automobiles (1987) Edie McClurgYou can start by wiping that fucking dumb-ass smile off your rosey, fucking, cheeks! Then you can give me a fucking automobile: a fucking Datsun, a fucking Toyota, a fucking Mustang, a fucking Buick! Four fucking wheels and a seat! And I really don’t care for the way your company left me in the middle of fucking nowhere with fucking keys to a fucking car that isn’t fucking there. And I really didn’t care to fucking walk down a fucking highway and across a fucking runway to get back here to have you smile in my fucking face. I want a fucking car RIGHT FUCKING NOW!

Planes, Trains & Automobiles (1987) Steve Martin & John CandyThose aren’t pillows!

Planes, Trains & Automobiles - neveWell Marie, once again my dear, you where as right as rain. I am, with out a doubt, the biggest pain in the butt that ever came down the pike. I meet someone who’s company I really enjoy, and what do I do? I go overboard. I smother the poor soul. I cause him more trouble than he has a right to. God, I got a big mouth. When am I ever gonna wake up?

Soundtrack

Semana John Hughes: #5 Mulher Nota 1000 (Weird Science, 1985)

Publicado em ANOS 80, COMÉDIA, DOWNLOAD, FICÇÃO CIENTÍFICA, IMPRESSÕES, SCREENSHOT, SOUNDTRACK, VIDEOS por Adriana Scarpin em Agosto 12, 2009

É possível que este seja até o pior filme de John Hughes, mas putz, como eu amo essa coisa toda. Além de aprendermos que Hughes também não gosta de militares (ao lado de palhaços e professores), há Oingo Boingo, fantasias juvenis, ficção científica, Mad Max, Quadrilha de Sádicos, Mary Poppins, Frankenstein, Bob, Kelly, Bill e, especialmente, há o crème de la crème atendendo pelo nome de Anthony Michael Hall. Hall é o equivalente a deus no universo hugheano e é possível que esteja no topo icônico juvenil da década de 80, deixando para trás gente como Molly Ringwald, Michael Fox, Ralph Macchio e Matthew Broderick. Portanto, a salva de palmas aqui vai sobretudo ao senhor Hall, ator favorito e usual alter ego de John Hughes.Weird Science - Anthony Michael HallWeird Science - Kelly LeBrockWeird Science - Kelly LeBrock, Anthony Michael Hall & Ilan Mitchell-SmithWeird Science - Robert Downey Jr & Robert RuslerWeird Science (1985) - Anthony Michael HallWeird Science - Vernon Wells - Mad MaxWeird Science - Bill PaxtonWeird Science - Kelly LeBrock & Anthony Michael HallWeird Science - Ann Coyle & Ivor BarryWeird Science - Kelly LeBrockWeird Science - Robert Downey JrWeird Science - Anthony Michael Hall & Ilan Mitchell-SmithWeird Science - Jennifer Balgobin & Vernon WellsWeird Science - Judie Aronson & Suzanne SnyderWeird Science - Robert Downey Jr, Anthony Michael Hall, Ilan Mitchell-Smith & Robert RuslerWeird Science - Kelly LeBrockWeird Science - Bill Paxton, Anthony Michael Hall, Ilan Mitchell-SmithWeird Science - Anthony Michael Hall, Ilan Mitchell-SmithWeird Science (1985) - Bill Paxton & Ilan Mitchell-SmithWeird Science (1985) - Kelly LeBrock, Anthony Michael Hall & Ilan Mitchell-SmithWeird Science - Vernon WellsWeird Science - Kelly LeBrock, Anthony Michael HallWeird Science - Suzanne Snyder & Anthony Michael HallWeird Science (1985) - Anthony Michael Hall & Ilan Mitchell-SmithWeird Science - Anthony Michael HallWeird Science - Bill PaxtonWeird Science - Kelly LeBrock, Anthony Michael Hall & Ilan Mitchell-SmithWeird Science - Kelly LeBrockGo ahead… make your day?

Weird Science - Kelly LeBrock, Anthony Michael Hall & Chino 'Fats' WilliamsFats, man, let me tell you my story, man. Last year, I was insane for this crazy little 8th-grade bitch. I was nuts for the woman, man. I’m tellin’ the truth here.

Weird Science - Michael BerrymanCan we keep this between us? I’d hate to lose my teaching job.

Weird Science - Anthony Michael HallWhy don’t you shut up, bitch? And as for your ugly ass, you don’t come into my friend’s house with your faggot friends, driving your motorbikes all over his floors, stinking up the place – and you do stink. You’re going to let go of the girls and apologize to all these people. Get on your bikes. Pedal your ugly asses out of here.

Weird Science (1985) - Kelly LeBrockI can be a real serious bitch if I don’t get what I want.

Weird Science - Anthony Michael Hall & Ilan Mitchell-Smith- This is an excellent chance for you to prove your bravery and courage. - Those are outdated concepts. – Don’t let John Wayne hear you say that. - The man is dead!

Soundtrack

Nota: Para quem nunca viu Weird Science com o áudio original, recomendo dar uma revisada, só para ver o Hall na cena do bar de blues, é um gênio de 17 anos que se apresenta alí. E vale também para não perder o irresistível sotaque britânico da dona Kelly LeBrock.

*Da série: Este post foi programado, eu não estou aqui!

Semana John Hughes: #6 Ela Vai ter um Bebê (She’s Having a Baby, 1988)

Publicado em ANOS 80, COMÉDIA, DOWNLOAD, IMPRESSÕES, ROMANCE, SCREENSHOT, SOUNDTRACK por Adriana Scarpin em Agosto 11, 2009

Esse é daqueles filmes que fazem um paralelo especial com coisas que vi e vivi, no caso o filme foi lançado no mesmo ano do casamento de minha irmã, com quem eu tinha uma ligação de profundidade absoluta. Foi o ano da escolha de Hughes para entrar na vida adulta, assim como o foi de minha irmã. Provavelmente o filme mais autobiográfico do senhor Hughes, muito se acusa deste ser um trabalho misógino, mas este é um filme em que se foi adotado a perspectiva do homem e toda obra que se propõe a isso tende a ser vista como machista ou algo que o valha, mas isso não tem necessariamente de ser associado a algo ruim, afinal, John Hughes não é Michael Bay e ele transforma essa suposta misoginia em um aspecto importantíssimo no amadurecimento do seu protagonista.

She's Having a Baby (1988) CasamentoShe's Having a Baby (1988) Kevin BaconShe's Having a Baby (1988) Elizabeth McGovernShe's Having a Baby (1988) Alec BaldwinShe's Having a Baby (1988) dick van dike showShe's Having a Baby (1988) Nancy Lenehan & Edie McClurgShe's Having a Baby (1988) BaconShe's Having a Baby (1988) John AshtonShe's Having a Baby (1988)She's Having a Baby (1988) BaldwinShe's Having a Baby (1988) carroShe's Having a Baby (1988) Lili TaylorShe's Having a Baby (1988) escritorShe's Having a Baby (1988) Elizabeth McGovernShe's Having a Baby (1988) pílulaPromise not to get mad? I stopped taking the pill over two months ago.

She's Having a Baby (1988) cuecaHe’s plenty old and people don’t mature anymore. They stay jackasses all their lives.

She's Having a Baby (1988) casaCollege is like high school with ashtrays.

She's Having a Baby (1988) Paul GleasonHow do you feel about slave wages?

She's Having a Baby (1988) fogoWood’s expensive. Words are cheap.

She's Having a Baby (1988) partoAnd in the end, I realized that I took more than I gave, I was trusted more than I trusted, and I was loved more than I loved. And what I was looking for was not to be found but to be made.

She's Having a Baby (1988)E foi também John Hughes que me ensinou a esperar até os créditos finais acabarem por completo.
She's Having a Baby (1988) Bill MurrayShe's Having a Baby (1988) Dan AykroydShe's Having a Baby (1988) Kirstie AlleyShe's Having a Baby (1988) Magic JohnsonShe's Having a Baby (1988) Woody Harrrelson & Ted DansonShe's Having a Baby (1988) Michael KeatonShe's Having a Baby (1988) John CandyShe's Having a Baby (1988) Lyman Ward & Cindy PickettShe's Having a Baby (1988) Matthew Broderick

Soundtrack

*Da série: Este post foi programado, eu não estou aqui!