Filmes bacanas de cada ano que o cinema viveu: 1964
1- Com a Maldade na Alma (Hush… Hush, Sweet Charlotte, Robert Aldrich)
Não há a mínima chance de se excluir o Aldrich de uma lista de maiores auteurs do cinema americano. E esse, minha gente, é um desbunde e favorito pessoal.
2- À Meia-Noite Levarei Sua Alma (José Mojica Marins)
Tudo que disse acima a respeito do Aldrich vale para o Mojica, só troque a palavra americano por brasileiro.
3- Os Reis do Iê Iê Iê (A Hard Day’s Night, Richard Lester)
Ah, a minha boa e velha obsessão por Richard Lester… Tolinho de quem acha que este é “um filme dos Beatles” e não do mais influente diretor de comédia dos últimos 50 anos.
4- O Homem do Rio (L’homme de Rio, Philippe de Broca)
Até agora a versão não-oficial de Tintin que mais gosto, se não contarmos Indiana Jones, é claro! No final das contas tanto o Sr Dufourquet e o Dr Jones são mesmo filhos legítimos daquele belga lá.
5- A Velha a Fiar (Humberto Mauro)No mínimo Humberto Mauro é o pai do videoclipe moderno.
Real Melhor filme do ano: O Beijo Amargo (The Naked Kiss, Samuel Fuller)
Filmes bacanas de cada ano que o cinema viveu: 1965
1- Faster, Pussycat! Kill! Kill!/Mudhoney/Motor Psycho (Russ Meyer)
Ôpa ôpa ôpa! Russ Meyer em dose tripla naquele ano.
2- Monitor: The Debussy Film (Ken Russell)
Debussy, Ollie, Russell e um maluquete adorador de Wagner que gosta de atirar em gatos. Basta.
3- Ipcress – Arquivo Confidencial (The Ipcress File, Sidney Furie)
A pergunta é: como o Sidney Furie conseguiu fazer essa pequena obra prima da espionagem e depois se tornaria um cineasta de merda nos anos subsequentes?
4- Darling – A que Amou Demais (John Schlesinger)
Dirk Bogarde não leva puta em taxi. Simples assim. Não sei qual é do preconceito, mas essa sentença me marcou. Mas coloquemos os pingos nos is, este é um filme importantíssimo da british new wave, em 1965 o homossexualismo ainda era considerado crime na Inglaterra, então John Schlesinger e seus asceclas fazem o quê? Pegam a historinha de um rapaz conhecido no bas-fond londrino, dão uma lapidada, transformam-no numa mulher com pele de Julie Christie, juntam mais um punhado de atores do babado (Dirk Bogarde, Roland Curram, Laurence Harvey) e finalmente se dá um dos melhores trabalhos de Schlesinger, que sempre se preocupou em retirar o gay do armário cinematográfico e passaria a próxima década quebrando barreira atrás de barreira neste quesito. Antes um esclarecimento: Laurence Harvey não era propriamente homo ou bissexual, só quando lhe convinha.
5- The Dot and the Line: A Romance in Lower Mathematics (Chuck Jones/Maurice Noble)Chuck Jones versão experimental.
Real Melhor Filme do Ano: Não sei e não quero saber, estou de saco cheio dessas listas e ainda tenho 70 anos delas pela frente. Portanto a partir de agora os filmes voltarão a ser restritos a top 5, embora tenha a leve impressão de que quando chegar os anos 30/40 voltarei a ficar empolgada em demasia.
[blá: Bunny Lake Is Missing (Preminger), Chimes at Midnight (Welles), For A Few Dollars More (Leone), The Hill (Lumet), Pierrot le fou (Godard), Repulsion (Polanski), Red Beard (Kurosawa), São Paulo - S/A (Person)]
Filmes bacanas de cada ano que o cinema viveu: 1966
1- O Incrível Exército de Brancaleone (L’ Armata Brancaleone, Mario Monicelli)
Antes de Monty Python houve Mario Monicelli & Co. Top 5 melhores comédias de sempre, sátira política ácida e obra prima da linguagem cômica. Este blog deveria se chamar Brancaleonando e não Quixotando em homenagem ao personagem ainda mais patético do que o próprio Quixote.
2- Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, Jonathan Miller)
Peter Sellers, Peter Cook, Michael Redgrave, John Gielgud, Michael Gough, Finlay Currie, Leo McKern, Wilfrid Brambell, Alan Bennett, Eric Idle, Wilfrid Lawson e Jonathan Miller? Não à toa esta é a maior adaptação da obra de Lewis Carroll e o Tim Burton vai ter que pastar muito para alcançar a mesma excelência, nem que consiga uma Alice tão depressiva e fantasmática quanto esta aqui. De brinde ainda podemos ver Cook e Sellers dividindo cena pela segunda vez no mesmo ano, além daquele impagável momento de The Wrong Box. Coisa da BBC.
3- Uma Bala para o General (El Chuncho, quien sabe? Damiano Damiani)
Se é do Damiani não é necessário dizer que é político, não? Se o Faccia a Faccia do Sollima estava para Dostoiévski, este do Daminani está para Shakespeare na mesma proporção. Embora lotado de personagens emblemáticas, a personagem de Klaus Kinski é a mais interessante, não só porque o homem nasceu para fazer cara de fanático religioso, mas porque a sua posição dentro da narrativa é a mais complexa. É lógico que o Kinski é o irmão do Volontè, não está na cara?
4- Deliciosas Loucuras de Amor (Morgan: A Suitable Case for Treatment, Karel Reisz)
Fato: David Warner é espetacular. Warner é Morgan, um cara obcecado por gorilas e comunismo, é doentiamente engraçado, possui falas sensacionais e não vive no que se pode chamar de “realidade”. Nada paga esse tipo de exemplar da british new wave, extremamente influenciado por gente como Spike Milligan, Peter Cook e Richard Lester, esse trabalho de Reisz é criminosamente esquecido quando não odiado.
5- It’s the Great Pumpkin, Charlie Brown! (Bill Melendez)
Linus é rei.
6- Batman: The Movie (Leslie H. Martinson)
Aquele tubarão é uma das coisas que mais me fizeram rir assintindo a um filme. Impagável.
7- Made in U.S.A. (Jean-Luc Godard)
Num dos mais divertidos filmes de Godard, ele presta homenagem ao que há de melhor no cinema e literatura pulp norte-americano. Não por acaso Godard pegou o papa pulp Donald Westlake e converteu a seus propósitos. Também marca a morte do cinema de Godard pelo qual tenho apreço, ou seja, sem casamento com Karina = sem alma.
8- Como Roubar Um Milhão de Dólares (How to Steal a Million, William Wyler)
Não existe nada mais charmoso do que Audrey Hepburn e Peter O’Toole nos anos 60, tá bom, talvez só Audrey Hepburn e Cary Grant, tá bom de novo, no mesmo ano também há Michael Caine e Shirley MacLaine no similar Gambit. E é lógico que todos vemos a Audrey Hepburn casada com o Eli Wallach. Eli não deveria querer casar com a Audrey e sim comigo.
9- O Dia da Desforra (La Resa dei Conti, Sergio Sollima)
Ninguém atira faca na testa das pessoas como Tomas Millian. Só para lembrar o especial Sollima d’O Dia da Fúria!
10- Modesty Blaise (Joseph Losey)
Esse é um daqueles filmes onde tudo que houve de melhor nos anos 60 se une: Monica Vitti, quadrinhos, Joseph Losey, kitsch, Terence Stamp em tempos de homem mais lindo do mundo, espionagem, Tina Aumont, auto-sátira, Harry Andrews, cenários delirantes, Scilla Gabel, figurinos espalhafatosos e Dirk Bogarde mais bichona do que nunca!
Real melhor filme do ano: Persona (Ingmar Bergman)
Persona é mesmo o meu terceiro favorito de sempre. Mas no mesmo ano ainda consta obras indefectíveis tais como: Au hasard Balthazar (Bresson), La battaglia di Algeri (Pontecorvo), Blow-Up (Antonioni), Who’s Afraid of Virginia Woolf? (Nichols), Django (Corbucci), Seconds (Frankenheimer), Operazione Paura (Bava) e, lógico, Il Buono, il Brutto, il Cattivo (Leone)
Nota update: Que conste aqui o falecimento de meu avô de 101 anos. O fim de uma era.
Filmes bacanas de cada ano que o cinema viveu: 1968
1- O Bandido da Luz Vermelha (Rogério Sganzerla)
Cara, que absurdo! Eu era muito nova quando assisti pela primeira vez este filme e nem sabia exatamente o que estava vendo, mas totalmente enfeitiçada e adorando. Depois de algumas revisões na fase adulta, a conclusão a que se chega é de fato ser um dos meus filmes favoritos e só não é o melhor filme daquele ano porque aquelas desgraças que atendem pelo nome de Stanley e Sergio passaram uma rasteira no Rogério. Sem mencionar que sou uma tremenda paga-pau do Paulo Villaça que sempre me lembrou o Christopher Lee.
2- Perigo: Diabolik (Mario Bava)
Vai tomar no cu quem não gosta de Diabolik. Bava levou todo o colorido de seus giallos berrantes nessa adaptação do fumetti tão boa quanto o seriado do Batman dos anos 60. Tem Michel Piccoli, Terry-Thomas, John Phillip Law e, principalmente, tem a mulher mais milimetricamente perfeita em que já coloquei os olhos, seja no cinema, seja em qualquer parte do mundo: Marisa Mell em todo seu esplendor e glória, quem mais? O problema eterno é começar a cantar uma determinada música dos Beastie Boys toda vez que lembro de Diabolik.
3- O Bebê de Rosemary (Rosemary’s Baby, Roman Polanski)
Esse é um daqueles filmes que fazem por merecer seu culto mainstream, é bom de verdade e não porque nos querem fazem acreditar que seja. Um dos primeiros filmes verdadeiramente assustadores que vi e tem John Cassavetes – o ator – para a alegria das senhoiras apreciadoras do mesmo como eu.
4- Death Laid an Egg (La morte ha fatto l’uovo, Giulio Questi)
Não é só o título que é estranho, o filme também é, assim como todos os poucos filmes do Questi, esse cara nunca falhou em me deixar boquiaberta, nem tenho idéia do porquê deixou de fazer filmes, mas assistir este e o seu filme do ano anterior me faz lamentar sinceramente o fato de um cara tão criativo e ciente da arte e técnica de fazer cinema ter nos privado de tal talento. Só com La Morte ha Fatto l’uovo e Se Sei Vivo Spara posso afirmar que é um dos mais memoráveis cineastas italianos de sempre.
5- Delius – Song of Summer (Ken Russell)
Um dos famigerados filmes de Ken Russell para a BBC que o tornaram objeto de culto, este em especial é da leva do Omnibus, mas ainda seguindo com sua singular e atmosférica visão sobre a vida dos compositores.
6- A Noiva Estava de Preto/Beijos Roubados (La Mariée était en Noir/Baisers Volés, François Truffaut)
Em contrapartirda ao Beijos Roubados que faz parte da cultuada série Antoine Doinel, Truffaut fez A Noiva Estava de Preto, um dos seus filmes mais equivocadamente desprezados. Logo depois de suas reuniões constantes com o velho Hitch (e que rendeu aquele livro obrigatório), Truffaut, mais embasbacado do que nunca, se jogou em sua primeira adaptação do Cornel Woolrich de forma evidentemente idólatra para com Hitchcock. Jeanne Moreau é mãe de Beatrix Kiddo.
7- Crown – O Magnífico (The Thomas Crown Affair, Norman Jewison)
De moleque de sarjeta para o cume da elegância, é isso que quebra na imagem até então exclusivamente de “outsider sujinho” do McQueen. E estaria mentindo se não dissesse que sou mesmo fã daquela cena do xadrez, coisa que Jewison roubou do Lubitsch. Aquilo é tão Lubitsch, mas tão Lubitsch e o McQueen é tão Gary Cooper num filme do Lubitsch, que me pergunto se o Jewison não ficou pensando no lema do Billy Wilder só para filmá-la: O que o Lubitsch faria? Mas não, não bastava McQueen apenas em Thomas Crown, ele também teria que fazer Bullitt no mesmo ano! Aquele sem graça.
8- Bullitt (Peter Yates)
Seu sem graça!
9- Teorema (Pier Paolo Pasolini)
Terence Stamp, seu outro sem graça!
10- Submarino Amarelo (The Beatles’ Yellow Submarine, George Dunning)
É mesmo uma das minhas animações favoritas e um dos melhores filmes com bandas de rock. Ringo é amor.
Plus 1968: Hors Concurs de todos os tempos









1968 era um impasse que muito me preocupava, pois datam dalí os dois filmes que há muitos anos se alternam no primeiro lugar e segundo lugar de maiores filmes já feitos os quais nem sequer podem dividir um post com os outros reles mortais. Gosto mais de Era Uma Vez no Oeste por alguns motivos e gosto mais de 2001 por outros, a confluência de temas entre eles é gritante, temas estes que me são muito caros, mas nunca pude ter por muito tempo a certeza em absoluto de qual seria mesmo o meu favorito de todos os tempos, tal impasse vem ocorrendo há muitos anos, muitas revisões e outros filmes depois. Aí o Lucas, mais uma vez salvando minha vida, veio com essa idéia que muito me apeteceu de colocá-los à parte dos reles mortais e foi isso que fiz. É por isso que penso em fundar uma igreja, só para poder financiar os filmes do Lucas, só para ele poder salvar a vida de muito mais gente além da minha.
Filmes bacanas de cada ano que o cinema viveu: 1969
1- Um Beatle no Paraíso (The Magic Christian, Joseph McGrath)
Yul Brynner é uma drag cantando para um Roman Polanki bêbado, Laurence Harvey faz um show de striptease representando Hamlet, Richard Attenborough treina Graham Chapman em Oxford, Christopher Lee é um vampiro, Raquel Welch é a gostosa habitual, Spike Milligan é um guarda e Graham Stark é um garçon, ambos tentando fazer as vontades do milionário Peter Sellers e seu filho Ringo Starr. Meu coração palpita só de lembrar da cena do museu envolvendo Sellers, Ringo e John Cleese: um Goon, um Beatle e um Python. Qualquer pessoa que tenha um mínimo de apreço pela comédia britânica em toda sua anarquia e glória deve assistir tal filme, nesse caso o oportunista título nacional faz todo o sentido, é mesmo um paraíso.
2- A Mulher de Todos (Rogério Sganzerla)
Ela gosta é de boçaaaaaaal! Homem bacana dá muito trabalho. Aqui vê-se o porquê a Helena Ignez não tem espaço na mídia nacional de merda, essa mulher deveria ter uma estátua em cada canto desse país. Como Ignez e Florinda Bolkan (que trabalhou com os maiores cineastas europeus dos anos 60 e 70) pouco são lembradas só porque não fazem novelinhas da globo, enquanto a galera fica babando ovo de umas atrizinhas de merda. Na boa, creio piamente que Ignez é a maior atriz brasileira de sempre.
3- Uma Sobre a Outra (Una Sull’Altra, Lucio Fulci, 1969)
É uma espécie de remake de Vertigo. E que remake! Fulci adaptou o Vertigo de Hitchcock para a linha giallica, com tudo que tinha direito, inclusive locações em San Francisco, num suspense erótico que reina a deusa absoluta Marisa Mell, a mulher mais bonita que já vi não apenas no cinema, como em qualquer parte fora dele.
4- Mulheres Apaixonadas (Women in Love, Ken Russell)
UIA, mesmo que não seja apreciado como um tôdo, creio ser pouco provável não dar o braço a torcer ao menos com uma cena: aquela envolvente, espetacular e perfeita sequência homoerótica de machos suados lutando nus protagonizada por Alan Bates e Oliver Reed. É Russell envolvido com DH Lawrence mais uma vez e dá-se a impressão que o literato e o cineasta nasceram para tal união, cada qual no meu hall pessoal de autores favoritos em suas respectivas artes. O elenco perfeito não atrapalha.
5- Charity, Meu Amor (Sweet Charity, Bob Fosse)
Fosse quase não gostava de Fellini. Nessa versão musical de Cabiria, Shirley MacLaine mostra porque é uma estrela completa que dança, canta, sapateia e atua. A mulher é um monstro e hoje está relegada a papéis secundários em filmecos meia-boca.
6- The Bed Sitting Room (Richard Lester)
Não tem como não ser fã de um filme cujos créditos iniciais os atores aparecem em ordem de altura e pasmem: Rita Tushingham é mais baixa que Dudley Moore! Peter Cook é o mais alto, claro. Ficção Científica pós apocalíptica que mistura o melhor da comédia britânica dos anos 60, dos Goons, passando por Beyond the Fringe até o mestre absoluto que liga todo esse povo bom: Richard Lester, especialmente por ter criado toda a estrutura visual que revolucionaria o humor britãnico a partir dos anos 50. Indispenável para quem gosta de Monty Python mas não conhece toda essa galera que os influenciou.
7- Os Deuses Malditos (La Caduta degli dei, Luchino Visconti)
Incesto, Dirk Bogarde, orgias nazistas, Ingrid Thulin, pedofilia, Helmut Berger, traições, Florinda Bolkan, prostituição, Helmut Griem, travestis, Charlotte Rampling, assassinatos. Ah… toda essa decadência!
8- Orgasmo/Così Dolce… Così Perversa/Paranoia (Umberto Lenzi)
Não sei se é admissível ver o Lenzi sendo tratado como um cineasta podreira por uma porrada de gente, posso entender esse tratamneto para com o Jess Franco, mas não com o Lenzi. O homem sabia muito bem o que fazia e legou quantidade suficiente de obras que nos fazem cair o queixo, especialmente a série de filmes que fez com a Carroll Baker como protagonista, a qual teve início com esses Orgasmo, Così Dolce… Così Perversa e Paranoia. Lenzi e Baker ainda fariam um quarto filme em 72, mas este ainda não vi, embora ache pouco provável que tenha atingido a qualidade dessa trilogia que é mesmo o ápice da carreira do diretor. Nessa trilogia se encontra tudo que há de melhor do suspense francês, italiano e inglês, algumas cenas chegam a parecer refilmagem quadro-a-quadro de obras de cineastas que todos conhecemos (especialmente Hitchcock – o rei da influência giallica – Clouzot e Antonioni), mas de modo algum soa como plágio, mas sim como homenagem e aí que reside o talento de Lenzi, ele pega um imaginário que todo mundo conhece, costura tudo e monta um guarda roupa totalmente novo. Para diferenciar um filme do outro, lembre-se dos protagonistas masculinos: Orgasmo é com Lou Castel, Così dolce… così perversa é com Jean-Louis Trintignant e Paranoia é com Jean Sorel, este último é o meu Lenzi favorito e sempre foi confundido com Orgasmo por causa do título internacional.
9- Os Aventureiros do Ouro / Os Maridos de Elizabeth (Paint Your Wagon, Joshua Logan)AAAAAAAhhhhh! Clint cantando.
10- Um Golpe À Italiana (The Italian Job, Peter Collinson)AAAAAAAhhhhh! Caine cantando.
11- Vênus das Peles (Le Malizie di Venere, Massimo Dallamano)
Ainda com sua sina de adaptações literárias transpostas para o ambiente contemporâneo, Dallamano se joga em Sacher-Masoch numa das poucas adaptações para o cinema de alguma obra do autor e, ao meu ver, a melhor de todas. Belo tratado sobre obsessão, tendências e emoções da infância adaptadas à vida sexual adulta e a natureza das sensações. Não à toa Laura Antonelli é conhecida como deusa do sexo, é musa absoluta.
12- Cega Obsessão (Môjû, Yasuzo Masumura)
Continuando nos ensinamentos do seu Masoch, a verdade é que o filme do Dallamano parece filme da Disney comparado a esta pequena obra prima nipônica. Arte, obsessão e dor.
13- A Sereia do Mississipi (La Sirène du Mississipi, François Truffaut)
Truffaut volta a idolatrar Hitchcock e a seguir os passos de Cornell Woolrich. Meio inadmissível Belmondo ter trabalhado uma única vez com Truffaut.
14- Um Assaltante bem Trapalhão (Take the Money and Run, Woody Allen)
Primeiro filme dirigido por Allen e um dos mais engraçados, sem dúvida.
Real Melhor Filme do Ano: Meu Ódio será tua Herança (The Wild Bunch, Sam Peckinpah)
Peckinpah me cansa. mençoes honrosas para A paixão de Ana (Bergman), A Via Láctea (Buñuel), Matou a Família e Foi ao Cinema (Bressane), Akage (Okamoto), Z (Costa Gavras) e sabe-se lá mais o quê.
Filmes bacanas de cada ano que o cinema viveu: 1971
1- Morte em Veneza (Morte a Venezia, Luchino Visconti)
Meu primeiro Visconti ainda na tenríssima idade e seria quase nulo mencionar o tamanho da marca deixada em mim, numa época em que ainda há a sinceridade do gostar, sem afetação externa de fulaninhos dizendo ser Visconti um dos maiores do mundo. Mais do que Thomas Mann e semi-biografia de Gustav Mahler, Morte em Veneza soa como um testemunho autobiográfico do próprio Visconti, aquele Tadzio resplandece a mesma beleza e ar etéreo do jovem Helmut Berger quando Luchino o conheceu na pós-adolescência. Este filme é mesmo uma declaração de amor de Luchino à Helmut.
2- Os Demônios (The Devils, Ken Russell)
Melhor filme do Russell (dividindo as honras com The Debussy Film). Depois de Mulheres Apaixonadas, Russell se embrenhou na obra do companheiro de mescalina do DH Lawrence: Aldous Huxley (porque ingleses também fogem para o México, oras). Presumo que só faltou perspectiva temporal para que Russell se juntasse a eles no México, pois realmente se dava bem com Huxley e Lawrence, além de uma mente artística que muito lembrava uma mistura insana dos dois escritores, com a devida companhia de Derek Jarman como designer. Vanessa Redgrave freira-corcunda pensando em se masturbar com o osso (literalmente) do Oliver Reed é algo a não ignorar.
3- Quando Explode a Vingança (Giu La Testa, Sergio Leone)
Não tente me falar de revolução. Sei tudo sobre revoluções e como elas começam! Gente que lê livros vai atrás de quem não lê, gente pobre, e diz: “Tem que haver mudanças. ” E a gente pobre faz as mudanças, hein? Ai, os que lêem livros se sentam em grandes mesas lustrosas e falam, falam, comem e comem, hein? Mas o que acontece com os pobres? Eles estão mortos! Essa é a sua revolução! Por isso, por favor… não me fale de revoluções. E o que acontece depois? A mesma podridão começa toda de novo! E os britânicos continuam a fugir para o México. Apesar de ser o mais subestimado dos filmes oficiais de Leone, ainda é um grande filme. Funciona como o exato objeto de transição dos seus cultuados spaghetttis para Era Uma Vez na América, as cenas envolvendo James Coburn no IRA são um exato prenuncio para o seu filme de gângsters americanos. Outro tema interessante é uma homenagem irônica à Sam Peckinpah e a utilização da câmera lenta, sendo usada para dilatação do tempo no amor e na amizade por parte de Leone ao contrário da habitual violência de Peckinpah.
4- Sweet Sweetback’s Baadasssss Song (Melvin Van Peebles)
Ao lado do Shaft de Gordon Parks Sr, este é o fundador oficial do gênero blaxploitation, mas ao contrário do seu colega que tinha aval dos grandes estúdios, Melvin van Peebles fez o seu filme na raça e deu ao público algo que eles certamente nunca tinham visto antes. 30 anos depois, seu filho Mario (que também está em Sweetback encarnando a personagem central quando jovem) mostrou a saga do pai para fazer esse classicaço no excelente filme How to Get the Man’s Foot Outta Your Ass, o qual também recomendo com louvor.
5- 200 Motels (Tony Palmer / Frank Zappa)
Forte canditato a filme mais cool do rock and roll (desculpa aí, Lester & Russell!), não é lá muito bom, mas o que conta mesmo é o Keith Moon interpretando uma freira ninfomaníaca dando em cima do Ringo Starr vestido de Frank Zappa. Imaginou? Lindo.
6- Quatro Moscas no Veludo Cinza/O Gato de Nove Caudas (4 Mosche di Velluto Grigio/Il Gatto a Nove Code, Dario Argento)
Em 4 mosche di velluto grigio o Argento ainda soa mais como um grande devoto de Mario Bava, o que não é nenhuma tragédia, a cena final é tão boa que foi devidamente homenageada por Tarantino em Death Proof enquanto Il Gatto a Nove Code ajuda a fomentar o ano das duas melhores cenas finais da carreira de Argento. Ambos os filmes tocam num ponto giallico essencial: não adianta sair da cama, é no espaço aberto que está o horror.
7- Pistoleiro Sem Destino (The Hired Hand, Peter Fonda)
Esse é o tal filme que faz todos se perguntarem o porquê Peter Fonda não ter se jogado de vez na direção. Fonte assumida de inspiração para Clint e Os Imperdoáveis (mais até do que seus gurus Leone & Siegel), faz você pensar que Fonda e Oates deveriam ter feito duplinha por toda eternidade.
8- Um Lagarto com Pele de Mulher (Una Lucertola con la Pelle di Donna, Lucio Fulci)
Foi com este filme que me apaixonei por Anita Strindberg, a sequência inicial literalmente onírica onde ela aparece de botas 7/8 é algo que não pode nem deve ser ignorado. É aqui também que consta a famosa cena dos cachorros eviscerados que deu certa dor de cabeça ao Fulci, o carinha dos efeitos especiais, Carlo Rambaldi, foi tão foda que acabaram por chamá-lo para brincar de bonequinho com o Alien do Scott e o ET do Spielberg.
9- Pink Narcissus (James Bidgood)
Bidgood é o pai de muita gente, nem que seja adotivo, de Fassbinder a Lachapelle, de Pierre et Gilles a Todd Haynes, em algum momento de suas carreiras ele tomou esse povo pela mão e mostrou o caminho. Na época de seu lançamento ninguém sabia quem o havia dirigido, alguns creditaram o filme a Kenneth Anger, outros a Andy Warhol, em Anger eu posso ver o motivo da confusão de estilo com o de Bidgood, mas não em Warhol.
10- The Big Doll House (Jack Hill)
Um dos melhores WIPs já feitos e provavelmente o melhor de todos comandado por um diretor americano. É uma vergonha Jack Hill não ser suficientemente valorizado.
11- Perseguidor Implacável (Dirty Harry, Don Siegel)
E nasce um mito. Again.
12- The Tragedy of Macbeth (Roman Polanski)
Primeiro filme do Polanski depois que um certo Charles Manson entrou em sua vida e o peso de tal experiência está espalhada por todo o filme, nenhum outro filme do diretor foi tão pesado, vilolento e tétrico quanto este, o que talvez não seja apenas fruto de experiências pessoais, mas de toda uma época, já que no mesmo mesmo podíamos ver Laranja Mecânica e Straw Dogs a verter violência por todos os lados. É um dos melhores trabalhos de Polanski, chegando a mesma excelência da versão de Kurosawa e ultrapassando a de Welles.
Real melhor filme do ano: Sob o Domínio do Medo (Straw Dogs, Sam Peckinpah)
Menções mais do que honrosas a Laranja Mecânica (Kubrick), Two-Lane Blacktop (Hellman), Bang Bang (Tonacci), Minnie and Moskowitz (Cassavetes), Get Carter (Hodges) e A Batalha de Okinawa (Okamoto)
Nota: WTF? Link do pavor. Espero que isso não seja o que aparenta ser.



































