Quixotando

Filmes bacanas de cada ano que o cinema viveu: 1963

Publicado em ANOS 60, GATOS, MELHORES FILMES, VIDEOS por Adriana Scarpin em Novembro 2, 2009

Um Dia, Um Gato (Az Prijde Kocour, Vojtech Jasný)

Boca de Ouro (1963) Odete lara & Jece Valadão

Vidas Secas / Boca de Ouro (Nelson Pereira dos Santos)

The Great Escape (1963)

Fugindo do Inferno (The Great Escape, John Sturges)

Le Mépris - Jack Palance, Fritz Lang, Michel Piccoli

O Desprezo / Viver a Vida / O Pequeno Soldado (Le Mépris / Vivre Sa Vie / Le Petit Soldat, Jean-Luc Godard)

Charade - Cary Grant, Audrey Hepburn

Charada (Charade, Stanley Donen)

The Damned (1963) Oliver Reed

Os Malditos / O Criado (The Damned / The Servant, Joseph Losey)

Shock Corridor (1963)

Paixões que Alucinam (Shock Corridor, Samuel Fuller)

La frusta e il corpo (1963) - Daliah Lavi

O Chicote e o Corpo / As Três Máscaras do Terror / Olhos Diabólicos (La Frusta e il Corpo / I Tre Volti della Paura / La Ragazza che Sapeva Troppo, Mario Bava)

8½ (1963) - Eddra Gale & Barbara Steele

8½ (Federico Fellini)

A Casa é Escura (Khaneh Siah Ast, Forugh Farrokhzad)

Nota: Para manter viva esta série, agora não há mais anotações bobas, nem numeração, nem grau de importância pessoal, são só filmes que muito me apetecem por um motivo ou outro. Só não vale passar de 10.

Filmes bacanas de cada ano que o cinema viveu: 1964

Publicado em ANOS 60, CURTAS, MELHORES FILMES, VIDEOS por Georgina Spiggott em Julho 31, 2009

1- Com a Maldade na Alma (Hush… Hush, Sweet Charlotte, Robert Aldrich)Hush... Hush, Sweet CharlotteNão há a mínima chance de se excluir o Aldrich de uma lista de maiores auteurs do cinema americano. E esse, minha gente, é um desbunde e favorito pessoal.

2- À Meia-Noite Levarei Sua Alma (José Mojica Marins)À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1964)  Zé do CaixãoTudo que disse acima a respeito do Aldrich vale para o Mojica, só troque a palavra americano por brasileiro.

3- Os Reis do Iê Iê Iê (A Hard Day’s Night, Richard Lester)A Hard Day's Night - Paul McCartney & Wilfrid BrambellAh, a minha boa e velha obsessão por Richard Lester… Tolinho de quem acha que este é “um filme dos Beatles” e não do mais influente diretor de comédia dos últimos 50 anos.

4- O Homem do Rio (L’homme de Rio, Philippe de Broca)L'homme de Rio (1964) Jean-Paul BelmondoAté agora a versão não-oficial de Tintin que mais gosto, se não contarmos Indiana Jones, é claro! No final das contas tanto o Sr Dufourquet e o Dr Jones são mesmo filhos legítimos daquele belga lá.

5- A Velha a Fiar (Humberto Mauro) No mínimo Humberto Mauro é o pai do videoclipe moderno.

Real Melhor filme do ano: O Beijo Amargo (The Naked Kiss, Samuel Fuller)The Naked Kiss (1964) Constance Towers

Filmes bacanas de cada ano que o cinema viveu: 1965

Publicado em ANOS 60, CURTAS, MELHORES FILMES, VIDEOS por Georgina Spiggott em Julho 13, 2009

1- Faster, Pussycat! Kill! Kill!/Mudhoney/Motor Psycho (Russ Meyer)Motor Psycho (1965)Ôpa ôpa ôpa! Russ Meyer em dose tripla naquele ano.

2- Monitor: The Debussy Film (Ken Russell)Debussy FilmDebussy, Ollie, Russell e um maluquete adorador de Wagner que gosta de atirar em gatos. Basta.

3- Ipcress – Arquivo Confidencial (The Ipcress File, Sidney Furie)The Ipcress File (1965)A pergunta é: como o Sidney Furie conseguiu fazer essa pequena obra prima da espionagem e depois se tornaria um cineasta de merda nos anos subsequentes?

4- Darling – A que Amou Demais (John Schlesinger)Darling - Julie Christie & Dirk BogardeDirk Bogarde não leva puta em taxi. Simples assim. Não sei qual é do preconceito, mas essa sentença me marcou. Mas coloquemos os pingos nos is, este é um filme importantíssimo da british new wave, em 1965 o homossexualismo ainda era considerado crime na Inglaterra, então John Schlesinger e seus asceclas fazem o quê? Pegam a historinha de um rapaz conhecido no bas-fond londrino, dão uma lapidada, transformam-no numa mulher com pele de Julie Christie, juntam mais um punhado de atores do babado (Dirk Bogarde, Roland Curram, Laurence Harvey) e finalmente se dá um dos melhores trabalhos de Schlesinger, que sempre se preocupou em retirar o gay do armário cinematográfico e passaria a próxima década quebrando barreira atrás de barreira neste quesito. Antes um esclarecimento: Laurence Harvey não era propriamente homo ou bissexual, só quando lhe convinha.

5- The Dot and the Line: A Romance in Lower Mathematics (Chuck Jones/Maurice Noble) Chuck Jones versão experimental.

Real Melhor Filme do Ano: Não sei e não quero saber, estou de saco cheio dessas listas e ainda tenho 70 anos delas pela frente. Portanto a partir de agora os filmes voltarão a ser restritos a top 5, embora tenha a leve impressão de que quando chegar os anos 30/40 voltarei a ficar empolgada em demasia.Falstaff - Campanadas a medianoche (1965) ORSON WELLES[blá: Bunny Lake Is Missing (Preminger), Chimes at Midnight (Welles), For A Few Dollars More (Leone), The Hill (Lumet), Pierrot le fou (Godard), Repulsion (Polanski), Red Beard (Kurosawa), São Paulo - S/A (Person)]

Filmes bacanas de cada ano que o cinema viveu: 1966

Publicado em ANOS 60, MELHORES FILMES, SCREENSHOT por Georgina Spiggott em Maio 24, 2009

1- O Incrível Exército de Brancaleone (L’ Armata Brancaleone, Mario Monicelli)L'armata Brancaleone (1966)Antes de Monty Python houve Mario Monicelli & Co. Top 5 melhores comédias de sempre, sátira política ácida e obra prima da linguagem cômica. Este blog deveria se chamar Brancaleonando e não Quixotando em homenagem ao personagem ainda mais patético do que o próprio Quixote.

2- Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, Jonathan Miller)The Wednesday Play - Alice in Wonderland (1966)Peter Sellers, Peter Cook, Michael Redgrave, John Gielgud, Michael Gough, Finlay Currie, Leo McKern, Wilfrid Brambell, Alan Bennett, Eric Idle, Wilfrid Lawson e Jonathan Miller? Não à toa esta é a maior adaptação da obra de Lewis Carroll e o Tim Burton vai ter que pastar muito para alcançar a mesma excelência, nem que consiga uma Alice tão depressiva e fantasmática quanto esta aqui. De brinde ainda podemos ver Cook e Sellers dividindo cena pela segunda vez no mesmo ano, além daquele impagável momento de The Wrong Box. Coisa da BBC.

3- Uma Bala para o General (El Chuncho, quien sabe? Damiano Damiani)El chuncho, quien sabe (1966)Se é do Damiani não é necessário dizer que é político, não? Se o Faccia a Faccia do Sollima estava para Dostoiévski, este do Daminani está para Shakespeare na mesma proporção. Embora lotado de personagens emblemáticas, a personagem de Klaus Kinski é a mais interessante, não só porque o homem nasceu para fazer cara de fanático religioso, mas porque a sua posição dentro da narrativa é a mais complexa. É lógico que o Kinski é o irmão do Volontè, não está na cara?

4- Deliciosas Loucuras de Amor (Morgan: A Suitable Case for Treatment, Karel Reisz) Morgan A Suitable Case for Treatment - David WarnerFato: David Warner é espetacular. Warner é Morgan, um cara obcecado por gorilas e comunismo, é doentiamente engraçado, possui falas sensacionais e não vive no que se pode chamar de “realidade”. Nada paga esse tipo de exemplar da british new wave, extremamente influenciado por gente como Spike Milligan, Peter Cook e Richard Lester, esse trabalho de Reisz é criminosamente esquecido quando não odiado.

5- It’s the Great Pumpkin, Charlie Brown! (Bill Melendez)
Linus é rei.

6- Batman: The Movie (Leslie H. Martinson)BATMANAquele tubarão é uma das coisas que mais me fizeram rir assintindo a um filme. Impagável.

7- Made in U.S.A. (Jean-Luc Godard)Made in USANum dos mais divertidos filmes de Godard, ele presta homenagem ao que há de melhor no cinema e literatura pulp norte-americano. Não por acaso Godard pegou o papa pulp Donald Westlake e converteu a seus propósitos. Também marca a morte do cinema de Godard pelo qual tenho apreço, ou seja, sem casamento com Karina = sem alma.

8- Como Roubar Um Milhão de Dólares (How to Steal a Million, William Wyler)How to Steal a Million - Eli Wallach & Audrey HepburnNão existe nada mais charmoso do que Audrey Hepburn e Peter O’Toole nos anos 60, tá bom, talvez só Audrey Hepburn e Cary Grant, tá bom de novo, no mesmo ano também há Michael Caine e Shirley MacLaine no similar Gambit. E é lógico que todos vemos a Audrey Hepburn casada com o Eli Wallach. Eli não deveria querer casar com a Audrey e sim comigo.

9- O Dia da Desforra (La Resa dei Conti, Sergio Sollima) La resa dei conti (1966)Ninguém atira faca na testa das pessoas como Tomas Millian. Só para lembrar o especial Sollima d’O Dia da Fúria!

10- Modesty Blaise (Joseph Losey)Modesty Blaise - Dirk BogardeEsse é um daqueles filmes onde tudo que houve de melhor nos anos 60 se une: Monica Vitti, quadrinhos, Joseph Losey, kitsch, Terence Stamp em tempos de homem mais lindo do mundo, espionagem, Tina Aumont, auto-sátira, Harry Andrews, cenários delirantes, Scilla Gabel, figurinos espalhafatosos e Dirk Bogarde mais bichona do que nunca!

Real melhor filme do ano: Persona (Ingmar Bergman)Persona (1966)Persona é mesmo o meu terceiro favorito de sempre. Mas no mesmo ano ainda consta obras indefectíveis tais como: Au hasard Balthazar (Bresson), La battaglia di Algeri (Pontecorvo), Blow-Up (Antonioni), Who’s Afraid of Virginia Woolf? (Nichols), Django (Corbucci), Seconds (Frankenheimer), Operazione Paura (Bava) e, lógico, Il Buono, il Brutto, il Cattivo (Leone)

Nota update: Que conste aqui o falecimento de meu avô de 101 anos. O fim de uma era.

Filmes bacanas de cada ano que o cinema viveu: 1967

Publicado em ANOS 60, MELHORES FILMES, SCREENSHOT por Georgina Spiggott em Maio 7, 2009

1- O Diabo é Meu Sócio (Bedazzled, Stanley Donen)Taí finalmente algo importante, o filme do senhor meu marido, George Spiggott, também conhecido como diabo, satanás, coisa ruim, capeta, etc etc etc ou nas palavras do próprio: I’m the Horned One. The Devil. Como deve ser óbvio, sou meio idólatra para com Peter Cook (gênio! gênio!). George Spiggott era o nome preferido de Peter n’ Duds tanto no cinema quanto nos sketches para tv, mas nem fui tão ladra assim, pois Cook num de seus filmes atende por Mr Adrian, ou seja, ele roubou o meu antes que eu roubasse o dele. Bedazzled soa como um apanhado geral de sketches, mas é Stanley Donen na comédia e não há nada mais louvável que unir Donen, Cook, Dudley Moore e Raquel Welch de lingerie vermelha em plenos anos 60.

2- Quando os Brutos Se Defrontam (Faccia a Faccia, Sergio Sollima)Faccia a faccia (1967)Mais uma vez o cinema político vai ao velho oeste e come spaghetti, ainda dá direito a um dos mais lendários quebra-paus reais entre atores de que tem notícia: fugido de Fidel, o expatriado Tomas Millian versus o notório comunista Gian Maria Volontè. As diferenças não ficam apenas fora da tela, mas também no que vemos nela: um emaranhado de idas e voltas morais, sociais, filosóficas e psicológicas que passeiam nos atos e pensamentos dos dois protagonistas, tão opostos e tão iguais. Já ouvi alguém dando a definição certeira de que este é o Dostoiévski dos spaghettis e eu não poderia concordar mais.

3- Os Doze Condenados (The Dirty Dozen, Robert Aldrich)The Dirty Dozen (1967)Ah, toda essa testosterona! Um dos mais brilhantes cineastas autorais americanos unindo um dos mais covardes elencos de sempre.

4- Se Sei Vivo Spara (Giulio Questi)Se sei vivo spara (1967)Único spaghetti em que vi acontecer um gang bang com cowboys gays, tá bom, isso não é exatamente mostrado em cena, mas é bem claro. Um desses exemplares iniciais de cinema mostrando lugares no fim do mundo cheios de caipiras psicopatas, é bizarro e violento, é praticamente o Sodoma e Gomorra dos westerns. Entra fácil no meu top 10 de melhores spaghettis já feitos (a versão sem cortes), sem mencionar que Tomas Milian nunca esteve tão gato. E sim, me recuso a escrever seu título nacional ou em inglês,  pois nada tem  a ver com a história ou com o título original.

5- A Morte Anda a Cavalo (Da Uomo a Uomo, Giulio Petroni)Death Rides a Horse (1967)Dos melhores spaghettis preparados, Lee Van Cleef está num dos seus papéis mais excelentes e Morricone compôs um de suas melhores trilhas. Depois do Clint só queriam mesmo loirinhos nos faroestes, o da vez era o até então pouco conhecido John Phillip Law pré Barbarella-Diabolik. Esse é um ano difícil para citar os spaghettis, deveria haver um top do gênero separado só para este ano.

6- O Fantástico Dr. Dolittle (Doctor Dolittle, Richard Fleischer)Dolittle - Muriel Landers, Anthony Newley, Rex Harrison, Richard AttenboroughUm dos mais memoráveis filmes infantis, baseado em um não menos clássico da literatura infantil. É meio vergonhoso saber que este filme não é tão cultuado quanto Mary Poppins, mais vergonhoso ainda é associar tal nome com aquela franquia totalmente equivocada de Eddie Murphy, que não tem absolutamente nada a ver com o Dolittle primordial. Chega a ser assustador como não envelheceu e o fato de fazer mais sentido hoje do que nos idos de 1967, que o diga o PETA.

7- O Tiro Certo (The Shooting, Monte Hellman)The Shooting (1967) Primeira obra prima de Monte Hellman e primeiro ooow da carreira de Warren Oates. Nessa época ninguém sabia quem diabos era Jack Nicholson.

8- Dante’s Inferno/O Cérebro de um Bilhão de Dólares (Billion Dollar Brain, Ken Russell)Omnibus Dante's Inferno (1967)Um ano de rupturas para Mr Russell (que ainda não é Sir, embora no ano passado eu tenha participado de abaixo assinado para o homem finalmente ser sagrado Cavaleiro – KKKKK), não só porque ele deixa de lado os seus compositores da BBC e se embrenha na literatura, pintura e vida de Dante, o inglês, Rossetti – ainda com Ollie como muso inspirador. Mas é do outro lado que a ruptura é maior, olha que coisa estranha, até então Ken Russell só havia feito curtas e longas para a BBC, de repente o chamam para a telona, enchem ele de dinheiro e vai parar na franquia do Harry Palmer que na época ainda fazia frente a James Bond, não à toa Billion Dollar Brain é considerado o filme mais maluco e megalomaníaco do Palmer. Se marcou a estréia de Russell nas telonas, marcou também o fim da carreira da igualmente bela irmã de Catherine Deneuve: Françoise Dorléac, morta naquele ano.

9- O Massacre de Chicago (The St. Valentine’s Day Massacre, Roger Corman)Roger Corman The St. Valentines Day Massacre - JASON ROBARDSÊêê! Viva o melhor filme da carreira de Roger Corman!

10- Casino Royale (Val Guest/Ken Hughes/John Huston/Joseph McGrath/Robert Parrish/Richard Talmadge)Casino Royale - PETER SELLERS, URSULA ANDRESS & ORSON WELLESDiz aí se o Peter Sellers não é um Bond melhor que o Daniel Craig.

Real melhor filme do ano: À Queima Roupa (Point Blank, John Boorman)Point Blank (1967)E também: A Margem (Candeias), Marat/Sade (Brook), Play Time (Tati), Le Samouraï (Melville), Terra em Transe (Glauber), Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (Mojica), Week End (Godard), O Caso dos Irmãos Naves (Person), Branded to Kill (Seijun).

Nota update: Aproveitando a menção do Sollima, que fique aqui o link do mais novo blog indispensável
O Dia da Fúria, cujo mês de maio é temático sobre a obra do italiano.

Filmes bacanas de cada ano que o cinema viveu: 1968

Publicado em ANOS 60, MELHORES FILMES, SCREENSHOT por Georgina Spiggott em Abril 29, 2009

1- O Bandido da Luz Vermelha (Rogério Sganzerla)Cara, que absurdo! Eu era muito nova quando assisti pela primeira vez este filme e nem sabia exatamente o que estava vendo, mas totalmente enfeitiçada e adorando. Depois de algumas revisões na fase adulta, a conclusão a que se chega é de fato ser um dos meus filmes favoritos e só não é o melhor filme daquele ano porque aquelas desgraças que atendem pelo nome de Stanley e Sergio passaram uma rasteira no Rogério. Sem mencionar que sou uma tremenda paga-pau do Paulo Villaça que sempre me lembrou o Christopher Lee.

2- Perigo: Diabolik (Mario Bava) Diabolik (1968) - John Phillip Law & Marisa MellVai tomar no cu quem não gosta de Diabolik. Bava levou todo o colorido de seus giallos berrantes nessa adaptação do fumetti tão boa quanto o seriado do Batman dos anos 60. Tem Michel Piccoli, Terry-Thomas, John Phillip Law e, principalmente, tem a mulher mais milimetricamente perfeita em que já coloquei os olhos, seja no cinema, seja em qualquer parte do mundo: Marisa Mell em todo seu esplendor e glória, quem mais? O problema eterno é começar a cantar uma determinada música dos Beastie Boys toda vez que lembro de Diabolik.

3- O Bebê de Rosemary (Rosemary’s Baby, Roman Polanski)Rosemary's Baby - MIA FARROW & JOHN CASSAVETESEsse é um daqueles filmes que fazem por merecer seu culto mainstream, é bom de verdade e não porque nos querem fazem acreditar que seja. Um dos primeiros filmes verdadeiramente assustadores que vi e tem John Cassavetes – o ator – para a alegria das senhoiras apreciadoras do mesmo como eu.

4- Death Laid an Egg (La morte ha fatto l’uovo, Giulio Questi)Death Laid an Egg - Gina Lollobrigida & Ewa AulinNão é só o título que é estranho, o filme também é, assim como todos os poucos filmes do Questi, esse cara nunca falhou em me deixar boquiaberta, nem tenho idéia do porquê deixou de fazer filmes, mas assistir este e o seu filme do ano anterior me faz lamentar sinceramente o fato de um cara tão criativo e ciente da arte e técnica de fazer cinema ter nos privado de tal talento. Só com La Morte ha Fatto l’uovo e Se Sei Vivo Spara posso afirmar que é um dos mais memoráveis cineastas italianos de sempre.

5- Delius – Song of Summer (Ken Russell)Delius - Song of Summer Um dos famigerados filmes de Ken Russell para a BBC que o tornaram objeto de culto, este em especial é da leva do Omnibus, mas ainda seguindo com sua singular e atmosférica visão sobre a vida dos compositores.

6- A Noiva Estava de Preto/Beijos Roubados (La Mariée était en Noir/Baisers Volés, François Truffaut)The Bride Wore BlackEm contrapartirda ao Beijos Roubados que faz parte da cultuada série Antoine Doinel, Truffaut fez A Noiva Estava de Preto, um dos seus filmes mais equivocadamente desprezados. Logo depois de suas reuniões constantes com o velho Hitch (e que rendeu aquele livro obrigatório), Truffaut, mais embasbacado do que nunca, se jogou em sua primeira adaptação do Cornel Woolrich de forma evidentemente idólatra para com Hitchcock. Jeanne Moreau é mãe de Beatrix Kiddo.

7- Crown – O Magnífico (The Thomas Crown Affair, Norman Jewison)Thomas Crown - FAYE DUNAWAY & STEVE MCQUEEN De moleque de sarjeta para o cume da elegância, é isso que quebra na imagem até então exclusivamente de “outsider sujinho” do McQueen. E estaria mentindo se não dissesse que sou mesmo fã daquela cena do xadrez, coisa que Jewison roubou do Lubitsch. Aquilo é tão Lubitsch, mas tão Lubitsch e o McQueen é tão Gary Cooper num filme do Lubitsch, que me pergunto se o Jewison não ficou pensando no lema do Billy Wilder só para filmá-la: O que o Lubitsch faria? Mas não, não bastava McQueen apenas em Thomas Crown, ele também teria que fazer Bullitt no mesmo ano! Aquele sem graça.

8- Bullitt (Peter Yates)BULLITTSeu sem graça!

9- Teorema (Pier Paolo Pasolini)Teorema - TERENCE STAMPTerence Stamp, seu outro sem graça!

10- Submarino Amarelo (The Beatles’ Yellow Submarine, George Dunning)YELLOW SUBMARINE - RINGO STARRÉ mesmo uma das minhas animações favoritas e um dos melhores filmes com bandas de rock. Ringo é amor.

Plus 1968: Hors Concurs de todos os tempos

Publicado em ANOS 60, FICÇÃO CIENTÍFICA, MELHORES FILMES, SCREENSHOT, WESTERN por Georgina Spiggott em Abril 29, 2009

C'era una volta il West2001Era Uma Vez No OesteUma Odisséia no EspaçoOnce Upon a Time in the WestA Space Odissey1968 era um impasse que muito me preocupava, pois datam dalí os dois filmes que há muitos anos se alternam no primeiro lugar e segundo lugar de maiores filmes já feitos os quais nem sequer podem dividir um post com os outros reles mortais. Gosto mais de Era Uma Vez no Oeste por alguns motivos e gosto mais de 2001 por outros, a confluência de temas entre eles é gritante, temas estes que me são muito caros, mas nunca pude ter por muito tempo a certeza em absoluto de qual seria mesmo o meu favorito de todos os tempos, tal impasse vem ocorrendo há muitos anos, muitas revisões e outros filmes depois. Aí o Lucas, mais uma vez salvando minha vida, veio com essa idéia que muito me apeteceu de colocá-los à parte dos reles mortais e foi isso que fiz. É por isso que penso em fundar uma igreja, só para poder financiar os filmes do Lucas, só para ele poder salvar a vida de muito mais gente além da minha.

Filmes bacanas de cada ano que o cinema viveu: 1969

Publicado em ANOS 60, MELHORES FILMES por Georgina Spiggott em Abril 15, 2009

1- Um Beatle no Paraíso (The Magic Christian, Joseph McGrath)The Magic Christian - JOHN CLEESE, RINGO STARR & PETER SELLERSYul Brynner é uma drag cantando para um Roman Polanki bêbado, Laurence Harvey faz um show de striptease representando Hamlet, Richard Attenborough treina Graham Chapman em Oxford, Christopher Lee é um vampiro, Raquel Welch é a gostosa habitual, Spike Milligan é um guarda e Graham Stark é um garçon, ambos tentando fazer as vontades do milionário Peter Sellers e seu filho Ringo Starr. Meu coração palpita só de lembrar da cena do museu envolvendo Sellers, Ringo e John Cleese: um Goon, um Beatle e um Python. Qualquer pessoa que tenha um mínimo de apreço pela comédia britânica em toda sua anarquia e glória deve assistir tal filme, nesse caso o oportunista título nacional faz todo o sentido, é mesmo um paraíso.

2- A Mulher de Todos (Rogério Sganzerla)A MULHER DE TODOSEla gosta é de boçaaaaaaal! Homem bacana dá muito trabalho. Aqui vê-se o porquê a Helena Ignez não tem espaço na mídia nacional de merda, essa mulher deveria ter uma estátua em cada canto desse país. Como Ignez e Florinda Bolkan (que trabalhou com os maiores cineastas europeus dos anos 60 e 70) pouco são lembradas só porque não fazem novelinhas da globo, enquanto a galera fica babando ovo de umas atrizinhas de merda. Na boa, creio piamente que Ignez é a maior atriz brasileira de sempre.

3- Uma Sobre a Outra (Una Sull’Altra, Lucio Fulci, 1969) One on Top of the Other - Marisa Mell, Malisa Longo & Elsa MartinelliÉ uma espécie de remake de Vertigo. E que remake! Fulci adaptou o Vertigo de Hitchcock para a linha giallica, com tudo que tinha direito, inclusive locações em San Francisco, num suspense erótico que reina a deusa absoluta Marisa Mell, a mulher mais bonita que já vi não apenas no cinema, como em qualquer parte fora dele.

4- Mulheres Apaixonadas (Women in Love, Ken Russell)Women in Love (1969) Alan Bates, Oliver ReedUIA, mesmo que não seja apreciado como um tôdo, creio ser pouco provável não dar o braço a torcer ao menos com uma cena: aquela envolvente, espetacular e perfeita sequência homoerótica de machos suados lutando nus protagonizada por Alan Bates e Oliver Reed. É Russell envolvido com DH Lawrence mais uma vez e dá-se a impressão que o literato e o cineasta nasceram para tal união, cada qual no meu hall pessoal de autores favoritos em suas respectivas artes. O elenco perfeito não atrapalha.

5- Charity, Meu Amor (Sweet Charity, Bob Fosse)Sweet Charity - SHIRLEY MCLAINEFosse quase não gostava de Fellini. Nessa versão musical de Cabiria, Shirley MacLaine mostra porque é uma estrela completa que dança, canta, sapateia e atua. A mulher é um monstro e hoje está relegada a papéis secundários em filmecos meia-boca.

6- The Bed Sitting Room (Richard Lester)Bed Sitting Room - Cook & Moore Não tem como não ser fã de um filme cujos créditos iniciais os atores aparecem em ordem de altura e pasmem: Rita Tushingham é mais baixa que Dudley Moore! Peter Cook é o mais alto, claro. Ficção Científica pós apocalíptica que mistura o melhor da comédia britânica dos anos 60, dos Goons, passando por Beyond the Fringe até o mestre absoluto que liga todo esse povo bom: Richard Lester, especialmente por ter criado toda a estrutura visual que revolucionaria o humor britãnico a partir dos anos 50. Indispenável para quem gosta de Monty Python mas não conhece toda essa galera que os influenciou.

7- Os Deuses Malditos (La Caduta degli dei, Luchino Visconti)La Caduta degli dei Incesto, Dirk Bogarde, orgias nazistas, Ingrid Thulin, pedofilia, Helmut Berger, traições, Florinda Bolkan, prostituição, Helmut Griem, travestis, Charlotte Rampling, assassinatos. Ah… toda essa decadência!

8- Orgasmo/Così Dolce… Così Perversa/Paranoia (Umberto Lenzi)A quiet place to kill - Carroll Baker & Jean SorelNão sei se é admissível ver o Lenzi sendo tratado como um cineasta podreira por uma porrada de gente, posso entender esse tratamneto para com o Jess Franco, mas não com o Lenzi. O homem sabia muito bem o que fazia e legou quantidade suficiente de obras que nos fazem cair o queixo, especialmente a série de filmes que fez com a Carroll Baker como protagonista, a qual teve início com esses Orgasmo, Così Dolce… Così Perversa e Paranoia. Lenzi e Baker ainda fariam um quarto filme em 72, mas este ainda não vi, embora ache pouco provável que tenha atingido a qualidade dessa trilogia que é mesmo o ápice da carreira do diretor. Nessa trilogia se encontra tudo que há de melhor do suspense francês, italiano e inglês, algumas cenas chegam a parecer refilmagem quadro-a-quadro de obras de cineastas que todos conhecemos (especialmente Hitchcock – o rei da influência giallica – Clouzot e Antonioni), mas de modo algum soa como plágio, mas sim como homenagem e aí que reside o talento de Lenzi, ele pega um imaginário que todo mundo conhece, costura tudo e monta um guarda roupa totalmente novo. Para diferenciar um filme do outro, lembre-se dos protagonistas masculinos: Orgasmo é com Lou Castel, Così dolce… così perversa é com Jean-Louis Trintignant e Paranoia é com Jean Sorel, este último é o meu Lenzi favorito e sempre foi confundido com Orgasmo por causa do título internacional.

9- Os Aventureiros do Ouro / Os Maridos de Elizabeth (Paint Your Wagon, Joshua Logan) AAAAAAAhhhhh! Clint cantando.

10- Um Golpe À Italiana (The Italian Job, Peter Collinson) AAAAAAAhhhhh! Caine cantando.

11- Vênus das Peles (Le Malizie di Venere, Massimo Dallamano)Venus in Furs - Laura AntonelliAinda com sua sina de adaptações literárias transpostas para o ambiente contemporâneo, Dallamano se joga em Sacher-Masoch numa das poucas adaptações para o cinema de alguma obra do autor e, ao meu ver, a melhor de todas. Belo tratado sobre obsessão, tendências e emoções da infância adaptadas à vida sexual adulta e a natureza das sensações. Não à toa Laura Antonelli é conhecida como deusa do sexo, é musa absoluta.

12- Cega Obsessão (Môjû, Yasuzo Masumura) Blind Beast - Mako Midori Continuando nos ensinamentos do seu Masoch, a verdade é que o filme do Dallamano parece filme da Disney comparado a esta pequena obra prima nipônica. Arte, obsessão e dor.

13- A Sereia do Mississipi (La Sirène du Mississipi, François Truffaut)La Sirène du Mississipi - Catherine Deneuve, Jean-Paul BelmondoTruffaut volta a idolatrar Hitchcock e a seguir os passos de Cornell Woolrich. Meio inadmissível Belmondo ter trabalhado uma única vez com Truffaut.

14- Um Assaltante bem Trapalhão (Take the Money and Run, Woody Allen) Take the Money and RunPrimeiro filme dirigido por Allen e um dos mais engraçados, sem dúvida.

Real Melhor Filme do Ano: Meu Ódio será tua Herança (The Wild Bunch, Sam Peckinpah)The Wild BunchPeckinpah me cansa. mençoes honrosas para A paixão de Ana (Bergman), A Via Láctea (Buñuel), Matou a Família e Foi ao Cinema (Bressane), Akage (Okamoto), Z (Costa Gavras) e sabe-se lá mais o quê.

Filmes bacanas de cada ano que o cinema viveu: 1970

Publicado em ANOS 70, MELHORES FILMES por Georgina Spiggott em Abril 5, 2009

1- De Volta ao Vale das Bonecas (Beyond the Valley of the Dolls, Russ Meyer)Beyond the Valley of the Dolls (1970) JOHN LAZAR & MICHAEL BLODGETTYou will drink the black sperm of my vengeance! Quando mais o tempo vai passando, mais fico propensa a dizer que este é o melhor filme de Russ Meyer e olhe que sou bem fã de sua fase branco & preto. Z-Man é uma espécie de precursor de Frank N Furter, só que muito mais plausível, especialmente porque fora inspirado no maluquete do Phil Spector. Absolutamente clássico, absolutamente obra prima.

2- Ciúme à Italiana (Dramma della gelosia – tutti i particolari in cronaca, Ettore Scola)Dramma della gelosia - Tutti i particolari in cronaca - MARCELLO MASTROIANNI, MONICA VITTI & GIANCARLO GIANNININão seria exagero dizer que este é o melhor filme do Ettore Scola, mesmo tendo um Feios Sujos e Malvados no currículo. É mais uma de suas tragicomédias com fundo sócio-político que literalmente te deixa com dor de tanto rir e, convenhamos, um triângulo amoroso formado por Giancarlo Giannini, Monica Vitti e Marcello Mastroianni é tudo na vida.

3- O Mensageiro (The Go-Between, Joseph Losey)Go-Between - Dominic GuardQuem não ama esses diretores americanos que largam tudo e viram diretores ingleses por excelência? Evidente influência para Desejo e Reparação, não digo nem pelas gritantes semelhanças factuais que saem diretamente de um embate Hartley-McEwan, mas sobretudo pela estrutura narrativa, utilização da trilha sonora e das cores, até a presença de Sir Michael Redgrave como a aparição chave vem a calhar como a de sua filha Vanessa no filme de 2007. E cá entre nós, Alan Bates dos anos 60 é tudo na vida de uma mulher (e de um homem também).

4- Vamos a matar, compañeros (Sergio Corbucci)Vamos a matar, compañeros - TOMAS MILAIN & FRANCO NEROEsse é da leva “o cinema político italiano vai ao velho oeste”, com a diferença que este expõe o ridículo das situações, se tornando muito mais anárquico que o cinema político “sério” que eventualmente teria esta intenção. Depois do Leone só dá Corbucci, como assim existem tais diretores que só fazem coisas verdadeiramente apaixonantes? Jack Palance, Fernando Rey, Tomas Milian, Franco Nero, Ennio Morricone… ao lado de pessoas ainda mais apaixonantes? Spaghetti é amor.

5- Copacabana, Mon Amour/Sem Essa, Aranha (Rogério Sganzerla)Copacabana Moun Amour - HELENA IGNEZ - Sem essa Aranha - JORGE LOREDO De um lado temos Zé Bonitinho, do outro Helena Ignez. No centro, o todo poderoso: um dos maiores cineastas deste país.

6- O Pássaro com as Plumas de Cristal (L’Uccello dalle piume di cristallo, Dario Argento)bird with the crystal plummage - EVA RENZI Primeiro e mais engraçado filme do Argento, pelo menos eu ri horrores, principalmente pela galeria de personagens bizarros que vão adentrando a tela, o cafetão gago, o delator paranóico e em especial o pintor comedor de gatos (o Argento é vegetariano e diz não querer matar animais para viver, o bom é que para viver ele finge que mata animais, filosofia a qual estou plenamente de acordo). É o exato objeto de transição entre Alfred Hitchcock, Mario Bava e Brian De Palma.

7- Conde Drácula/Eugenie (Nachts, wenn Dracula erwacht/Eugenie: Story Of Her Journey Into Perversion, Jesus Franco)JESS FRANCO'S COUNT DRACULA - KLAUS KINSKIOlha isso: tio Jess adaptando Bram Stoker com o melhor Drácula de todos os tempos (Christopher Lee, lógico) com Klaus Kinski como Reinfield (thanks god for that!), Soledade Miranda como Lucy, Maria Rohm como Mina e Herbert Lom como Van Helsing? Coma minhas entranhas, tio Jess!
Por outro lado no mesmo ano também temos uma das melhores adaptações do guru Sade, o Marquês, para o cinema, felizmente é um dos melhores filmes do tio Jess, também com Lee e Rohm. Agora esclarecemos um outro porém, no mesmo ano tio Jess gravou um outro Eugenie e que viria a ser o último filme de Soledad Miranda antes de morrer, é um filme interessante que só foi lançado anos depois, mas não é exatamente um Sade oficial apesar do título dizer o contrário. Confuso? A culpa não é minha, a porra da carreira do tio Jess é um puteiro, oras.

8- 5 bambole per la luna d’agosto (Mario Bava)5 Dolls for an August Moon - EDWIGE FENECHTodo mundo sabe a mania que o cinema americano tem daqueles finais rocambolescos, o tal do “twist”, tudo uma palhaçada comparado aos finais dos filmes de Mario Bava, este que não foi apenas um dos maiores cineastas da Itália, mas também o maior perito em desenlaçes do cinema, tudo que você pensa ao terminar de ver um filme seu é “puta que o pariu, filho da mãe do inferno!”. Com o Bambole não é diferente, embora o que conte aqui mais do que tudo é a musa absoluta do gênero em suas funçoes giállicas primordiais: Edwige Fenech, a melhor derrière já vista numa tela.

9- Multiple Maniacs (John Waters) Divine é estuprada por uma lagosta gigante. Basta.

10- The Ballad of Cable Hogue (Sam Peckinpah)Sam Peckinpah The Ballad of Cable Hogue Jason Robards Stella Stevens Ó céus, Jason Robards ainda não saiu de Sweetwater e ainda trocou a Claudia Cardinale pela Stella Stevens!

11- The Rise and Rise of Michael Rimmer (Kevin Billington)The Rise and Rise of Michael Rimmer (1970) PETER COOKAcho que está claro em cada página deste blog o quanto idolatro Peter Cook, não? Aqui ele está longe de sua alma gêmea habitual, mas em compensação traz John Cleese a tira colo.

12- Stray Cat Rock: Sex Hunter / Delinquent Girl Boss (Nora-neko rokku: Sekkusu hanta / Onna banchô, Yasuharu Hasebe)Stray Cat Rock Olha que beleza me aventurar nessas listas, eu nem sequer sabia que era fã do Hasebe e já citei quatro de seus filmes. Esses dois são meus favoritos dele e os melhores da série Stray Cat Rock, um dos epítomes do pink violence. Muito jazz, estilo, violência e rock and roll. Adoro.

13- Dorian Gray (Massimo Dallamano)Dorian Gray (1970)Por isso que o cinema italiano deste período é imbatível: pega-se o clássico literário absoluto sobre o vício e a degradação, o transpoem para a atmosfera dos anos 60 e 70 do século XX e dá no quê? A única adaptação de sua obra a qual Oscar Wilde teria orgulho e ainda daria um jeito de levar o Helmut Berger para casa (e quem não o levaria?). É o máximo que qualquer cineasta poderá chegar da essência do livro de Wilde, enquanto Berger é a encarnação definitiva e divina do próprio retrato.

14- Hi, Mom! (Brian De Palma)HI, MOM! ROBERT DE NIROAntes de dar uma reviravolta assustadora no estilo de seu cinema nos anos subsequentes, De Palma chegou a ser visto como um dos melhores diretores cômicos daquela geração e de criar uma parceria com Bob De Niro antes que um tal de Martin destruidor de casamentos viesse e roubasse o seu homem.

15- The Honeymoon Killers (Leonard Kastle)The Honeymoon Killers - Shirley Stoler, Tony Lo BiancoBonnie & Clyde nada, o primeiro grande filme com um casal de foras da lei é este aqui! Cult até a medula, saiu na leva do grotesco cinema ultra-independente americano no qual John Waters reinava. Assassinos por Natureza, Perdita Durango, Henry… todos são filhos de Honeymoon Killers, provavelmente o primeiro grande filme inspirado em reais assassinos seriais.

Real Melhor filme do ano: Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita (Indagine su un cittadino al di sopra di ogni sospetto, Elio Petri)Investigation of a Citizen Above Suspicion (1970) - Gian Maria Volontè, Florinda Bolkan Menções mais que honrosas a Le Cercle rouge (Melville), Horton Hears a Who! (Chuck Jones), M*A*S*H (Altman), El Topo (Jodorowsky), Tristana (Buñuel), O Ritual dos Sádicos (Mojica), Rengoku Eroica (Yoshida).

Nota: E termina aqui a década sagrada. Falando sério, a década sagrada deveria ser entre os anos 1965 e 1975, o melhor período do cinema de qualquer parte do mundo, a maioria esmagadora de meus filmes favoritos foram produzidos neste período, antes de 65 as coisas ainda não eram suficientes e depois de 75 as coisas começaram a se tornar decadentes.

Filmes bacanas de cada ano que o cinema viveu: 1971

Publicado em ANOS 70, MELHORES FILMES, SCREENSHOT por Georgina Spiggott em Março 17, 2009

1- Morte em Veneza (Morte a Venezia, Luchino Visconti)Morte a VeneziaMeu primeiro Visconti ainda na tenríssima idade e seria quase nulo mencionar o tamanho da marca deixada em mim, numa época em que ainda há a sinceridade do gostar, sem afetação externa de fulaninhos dizendo ser Visconti um dos maiores do mundo. Mais do que Thomas Mann e semi-biografia de Gustav Mahler, Morte em Veneza soa como um testemunho autobiográfico do próprio Visconti, aquele Tadzio resplandece a mesma beleza e ar etéreo do jovem Helmut Berger quando Luchino o conheceu na pós-adolescência. Este filme é mesmo uma declaração de amor de Luchino à Helmut.

2- Os Demônios (The Devils, Ken Russell)The Devils (1971) - OLIVER REEDMelhor filme do Russell (dividindo as honras com The Debussy Film). Depois de Mulheres Apaixonadas, Russell se embrenhou na obra do companheiro de mescalina do DH Lawrence: Aldous Huxley (porque ingleses também fogem para o México, oras). Presumo que só faltou perspectiva temporal para que Russell se juntasse a eles no México, pois realmente se dava bem com Huxley e Lawrence, além de uma mente artística que muito lembrava uma mistura insana dos dois escritores, com a devida companhia de Derek Jarman como designer. Vanessa Redgrave freira-corcunda pensando em se masturbar com o osso (literalmente) do Oliver Reed é algo a não ignorar.

3- Quando Explode a Vingança (Giu La Testa, Sergio Leone)A Fistful of Dynamite - ROD STEIGERNão tente me falar de revolução. Sei tudo sobre revoluções e como elas começam! Gente que lê livros vai atrás de quem não lê, gente pobre, e diz: “Tem que haver mudanças. ” E a gente pobre faz as mudanças, hein? Ai, os que lêem livros se sentam em grandes mesas lustrosas e falam, falam, comem e comem, hein? Mas o que acontece com os pobres? Eles estão mortos! Essa é a sua revolução! Por isso, por favor… não me fale de revoluções. E o que acontece depois? A mesma podridão começa toda de novo! E os britânicos continuam a fugir para o México. Apesar de ser o mais subestimado dos filmes oficiais de Leone, ainda é um grande filme. Funciona como o exato objeto de transição dos seus cultuados spaghetttis para Era Uma Vez na América, as cenas envolvendo James Coburn no IRA são um exato prenuncio para o seu filme de gângsters americanos. Outro tema interessante é uma homenagem irônica à Sam Peckinpah e a utilização da câmera lenta, sendo usada para dilatação do tempo no amor e na amizade por parte de Leone ao contrário da habitual violência de Peckinpah.

4- Sweet Sweetback’s Baadasssss Song (Melvin Van Peebles)Melvin Van Peebles - Sweet Sweetback's BaadAsssss SongAo lado do Shaft de Gordon Parks Sr, este é o fundador oficial do gênero blaxploitation, mas ao contrário do seu colega que tinha aval dos grandes estúdios, Melvin van Peebles fez o seu filme na raça e deu ao público algo que eles certamente nunca tinham visto antes. 30 anos depois, seu filho Mario (que também está em Sweetback encarnando a personagem central quando jovem) mostrou a saga do pai para fazer esse classicaço no excelente filme How to Get the Man’s Foot Outta Your Ass, o qual também recomendo com louvor.

5- 200 Motels (Tony Palmer / Frank Zappa)Forte canditato a filme mais cool do rock and roll (desculpa aí, Lester & Russell!), não é lá muito bom, mas o que conta mesmo é o Keith Moon interpretando uma freira ninfomaníaca dando em cima do Ringo Starr vestido de Frank Zappa. Imaginou? Lindo.

6- Quatro Moscas no Veludo Cinza/O Gato de Nove Caudas (4 Mosche di Velluto Grigio/Il Gatto a Nove Code, Dario Argento)Four Flies on Grey Velvet (1971)Em 4 mosche di velluto grigio o Argento ainda soa mais como um grande devoto de Mario Bava, o que não é nenhuma tragédia, a cena final é tão boa que foi devidamente homenageada por Tarantino em Death Proof enquanto Il Gatto a Nove Code ajuda a fomentar o ano das duas melhores cenas finais da carreira de Argento. Ambos os filmes tocam num ponto giallico essencial: não adianta sair da cama, é no espaço aberto que está o horror.

7- Pistoleiro Sem Destino (The Hired Hand, Peter Fonda)The Hired Hand - WARREN OATES & PETER FONDAEsse é o tal filme que faz todos se perguntarem o porquê Peter Fonda não ter se jogado de vez na direção. Fonte assumida de inspiração para Clint e Os Imperdoáveis (mais até do que seus gurus Leone & Siegel), faz você pensar que Fonda e Oates deveriam ter feito duplinha por toda eternidade.

8- Um Lagarto com Pele de Mulher (Una Lucertola con la Pelle di Donna, Lucio Fulci)A Lizard in a Woman's Skin - FLORINDA BOLKAN & ANITA STRINDBERGFoi com este filme que me apaixonei por Anita Strindberg, a sequência inicial literalmente onírica onde ela aparece de botas 7/8 é algo que não pode nem deve ser ignorado. É aqui também que consta a famosa cena dos cachorros eviscerados que deu certa dor de cabeça ao Fulci, o carinha dos efeitos especiais, Carlo Rambaldi, foi tão foda que acabaram por chamá-lo para brincar de bonequinho com o Alien do Scott e o ET do Spielberg.

9- Pink Narcissus (James Bidgood)PINK NARCISSUS Bidgood é o pai de muita gente, nem que seja adotivo, de Fassbinder a Lachapelle, de Pierre et Gilles a Todd Haynes, em algum momento de suas carreiras ele tomou esse povo pela mão e mostrou o caminho. Na época de seu lançamento ninguém sabia quem o havia dirigido, alguns creditaram o filme a Kenneth Anger, outros a Andy Warhol, em Anger eu posso ver o motivo da confusão de estilo com o de Bidgood, mas não em Warhol.

10- The Big Doll House (Jack Hill)Big Doll HouseUm dos melhores WIPs já feitos e provavelmente o melhor de todos comandado por um diretor americano. É uma vergonha Jack Hill não ser suficientemente valorizado.

11- Perseguidor Implacável (Dirty Harry, Don Siegel)Dirty Harry 1971E nasce um mito. Again.

12- The Tragedy of Macbeth (Roman Polanski)Macbeth - Jon Finch & Francesca AnnisPrimeiro filme do Polanski depois que um certo Charles Manson entrou em sua vida e o peso de tal experiência está espalhada por todo o filme, nenhum outro filme do diretor foi tão pesado, vilolento e tétrico quanto este, o que talvez não seja apenas fruto de experiências pessoais, mas de toda uma época, já que no mesmo mesmo podíamos ver Laranja Mecânica e Straw Dogs a verter violência por todos os lados. É um dos melhores trabalhos de Polanski, chegando a mesma excelência da versão de Kurosawa e ultrapassando a de Welles.

Real melhor filme do ano: Sob o Domínio do Medo (Straw Dogs, Sam Peckinpah)Straw Dogs - SUSAN GEORGEMenções mais do que honrosas a Laranja Mecânica (Kubrick), Two-Lane Blacktop (Hellman), Bang Bang (Tonacci), Minnie and Moskowitz (Cassavetes), Get Carter (Hodges) e A Batalha de Okinawa (Okamoto)

Nota: WTF? Link do pavor. Espero que isso não seja o que aparenta ser.