Quixotando

Filmes bacanas de cada ano que o cinema viveu: 1966

Publicado em ANOS 60, MELHORES FILMES, SCREENSHOT por Georgina Spiggott em Maio 24, 2009

1- O Incrível Exército de Brancaleone (L’ Armata Brancaleone, Mario Monicelli)L'armata Brancaleone (1966)Antes de Monty Python houve Mario Monicelli & Co. Top 5 melhores comédias de sempre, sátira política ácida e obra prima da linguagem cômica. Este blog deveria se chamar Brancaleonando e não Quixotando em homenagem ao personagem ainda mais patético do que o próprio Quixote.

2- Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, Jonathan Miller)The Wednesday Play - Alice in Wonderland (1966)Peter Sellers, Peter Cook, Michael Redgrave, John Gielgud, Michael Gough, Finlay Currie, Leo McKern, Wilfrid Brambell, Alan Bennett, Eric Idle, Wilfrid Lawson e Jonathan Miller? Não à toa esta é a maior adaptação da obra de Lewis Carroll e o Tim Burton vai ter que pastar muito para alcançar a mesma excelência, nem que consiga uma Alice tão depressiva e fantasmática quanto esta aqui. De brinde ainda podemos ver Cook e Sellers dividindo cena pela segunda vez no mesmo ano, além daquele impagável momento de The Wrong Box. Coisa da BBC.

3- Uma Bala para o General (El Chuncho, quien sabe? Damiano Damiani)El chuncho, quien sabe (1966)Se é do Damiani não é necessário dizer que é político, não? Se o Faccia a Faccia do Sollima estava para Dostoiévski, este do Daminani está para Shakespeare na mesma proporção. Embora lotado de personagens emblemáticas, a personagem de Klaus Kinski é a mais interessante, não só porque o homem nasceu para fazer cara de fanático religioso, mas porque a sua posição dentro da narrativa é a mais complexa. É lógico que o Kinski é o irmão do Volontè, não está na cara?

4- Deliciosas Loucuras de Amor (Morgan: A Suitable Case for Treatment, Karel Reisz) Morgan A Suitable Case for Treatment - David WarnerFato: David Warner é espetacular. Warner é Morgan, um cara obcecado por gorilas e comunismo, é doentiamente engraçado, possui falas sensacionais e não vive no que se pode chamar de “realidade”. Nada paga esse tipo de exemplar da british new wave, extremamente influenciado por gente como Spike Milligan, Peter Cook e Richard Lester, esse trabalho de Reisz é criminosamente esquecido quando não odiado.

5- It’s the Great Pumpkin, Charlie Brown! (Bill Melendez)
Linus é rei.

6- Batman: The Movie (Leslie H. Martinson)BATMANAquele tubarão é uma das coisas que mais me fizeram rir assintindo a um filme. Impagável.

7- Made in U.S.A. (Jean-Luc Godard)Made in USANum dos mais divertidos filmes de Godard, ele presta homenagem ao que há de melhor no cinema e literatura pulp norte-americano. Não por acaso Godard pegou o papa pulp Donald Westlake e converteu a seus propósitos. Também marca a morte do cinema de Godard pelo qual tenho apreço, ou seja, sem casamento com Karina = sem alma.

8- Como Roubar Um Milhão de Dólares (How to Steal a Million, William Wyler)How to Steal a Million - Eli Wallach & Audrey HepburnNão existe nada mais charmoso do que Audrey Hepburn e Peter O’Toole nos anos 60, tá bom, talvez só Audrey Hepburn e Cary Grant, tá bom de novo, no mesmo ano também há Michael Caine e Shirley MacLaine no similar Gambit. E é lógico que todos vemos a Audrey Hepburn casada com o Eli Wallach. Eli não deveria querer casar com a Audrey e sim comigo.

9- O Dia da Desforra (La Resa dei Conti, Sergio Sollima) La resa dei conti (1966)Ninguém atira faca na testa das pessoas como Tomas Millian. Só para lembrar o especial Sollima d’O Dia da Fúria!

10- Modesty Blaise (Joseph Losey)Modesty Blaise - Dirk BogardeEsse é um daqueles filmes onde tudo que houve de melhor nos anos 60 se une: Monica Vitti, quadrinhos, Joseph Losey, kitsch, Terence Stamp em tempos de homem mais lindo do mundo, espionagem, Tina Aumont, auto-sátira, Harry Andrews, cenários delirantes, Scilla Gabel, figurinos espalhafatosos e Dirk Bogarde mais bichona do que nunca!

Real melhor filme do ano: Persona (Ingmar Bergman)Persona (1966)Persona é mesmo o meu terceiro favorito de sempre. Mas no mesmo ano ainda consta obras indefectíveis tais como: Au hasard Balthazar (Bresson), La battaglia di Algeri (Pontecorvo), Blow-Up (Antonioni), Who’s Afraid of Virginia Woolf? (Nichols), Django (Corbucci), Seconds (Frankenheimer), Operazione Paura (Bava) e, lógico, Il Buono, il Brutto, il Cattivo (Leone)

Nota update: Que conste aqui o falecimento de meu avô de 101 anos. O fim de uma era.

Filmes bacanas de cada ano que o cinema viveu: 1967

Publicado em ANOS 60, MELHORES FILMES, SCREENSHOT por Georgina Spiggott em Maio 7, 2009

1- O Diabo é Meu Sócio (Bedazzled, Stanley Donen)Taí finalmente algo importante, o filme do senhor meu marido, George Spiggott, também conhecido como diabo, satanás, coisa ruim, capeta, etc etc etc ou nas palavras do próprio: I’m the Horned One. The Devil. Como deve ser óbvio, sou meio idólatra para com Peter Cook (gênio! gênio!). George Spiggott era o nome preferido de Peter n’ Duds tanto no cinema quanto nos sketches para tv, mas nem fui tão ladra assim, pois Cook num de seus filmes atende por Mr Adrian, ou seja, ele roubou o meu antes que eu roubasse o dele. Bedazzled soa como um apanhado geral de sketches, mas é Stanley Donen na comédia e não há nada mais louvável que unir Donen, Cook, Dudley Moore e Raquel Welch de lingerie vermelha em plenos anos 60.

2- Quando os Brutos Se Defrontam (Faccia a Faccia, Sergio Sollima)Faccia a faccia (1967)Mais uma vez o cinema político vai ao velho oeste e come spaghetti, ainda dá direito a um dos mais lendários quebra-paus reais entre atores de que tem notícia: fugido de Fidel, o expatriado Tomas Millian versus o notório comunista Gian Maria Volontè. As diferenças não ficam apenas fora da tela, mas também no que vemos nela: um emaranhado de idas e voltas morais, sociais, filosóficas e psicológicas que passeiam nos atos e pensamentos dos dois protagonistas, tão opostos e tão iguais. Já ouvi alguém dando a definição certeira de que este é o Dostoiévski dos spaghettis e eu não poderia concordar mais.

3- Os Doze Condenados (The Dirty Dozen, Robert Aldrich)The Dirty Dozen (1967)Ah, toda essa testosterona! Um dos mais brilhantes cineastas autorais americanos unindo um dos mais covardes elencos de sempre.

4- Se Sei Vivo Spara (Giulio Questi)Se sei vivo spara (1967)Único spaghetti em que vi acontecer um gang bang com cowboys gays, tá bom, isso não é exatamente mostrado em cena, mas é bem claro. Um desses exemplares iniciais de cinema mostrando lugares no fim do mundo cheios de caipiras psicopatas, é bizarro e violento, é praticamente o Sodoma e Gomorra dos westerns. Entra fácil no meu top 10 de melhores spaghettis já feitos (a versão sem cortes), sem mencionar que Tomas Milian nunca esteve tão gato. E sim, me recuso a escrever seu título nacional ou em inglês,  pois nada tem  a ver com a história ou com o título original.

5- A Morte Anda a Cavalo (Da Uomo a Uomo, Giulio Petroni)Death Rides a Horse (1967)Dos melhores spaghettis preparados, Lee Van Cleef está num dos seus papéis mais excelentes e Morricone compôs um de suas melhores trilhas. Depois do Clint só queriam mesmo loirinhos nos faroestes, o da vez era o até então pouco conhecido John Phillip Law pré Barbarella-Diabolik. Esse é um ano difícil para citar os spaghettis, deveria haver um top do gênero separado só para este ano.

6- O Fantástico Dr. Dolittle (Doctor Dolittle, Richard Fleischer)Dolittle - Muriel Landers, Anthony Newley, Rex Harrison, Richard AttenboroughUm dos mais memoráveis filmes infantis, baseado em um não menos clássico da literatura infantil. É meio vergonhoso saber que este filme não é tão cultuado quanto Mary Poppins, mais vergonhoso ainda é associar tal nome com aquela franquia totalmente equivocada de Eddie Murphy, que não tem absolutamente nada a ver com o Dolittle primordial. Chega a ser assustador como não envelheceu e o fato de fazer mais sentido hoje do que nos idos de 1967, que o diga o PETA.

7- O Tiro Certo (The Shooting, Monte Hellman)The Shooting (1967) Primeira obra prima de Monte Hellman e primeiro ooow da carreira de Warren Oates. Nessa época ninguém sabia quem diabos era Jack Nicholson.

8- Dante’s Inferno/O Cérebro de um Bilhão de Dólares (Billion Dollar Brain, Ken Russell)Omnibus Dante's Inferno (1967)Um ano de rupturas para Mr Russell (que ainda não é Sir, embora no ano passado eu tenha participado de abaixo assinado para o homem finalmente ser sagrado Cavaleiro – KKKKK), não só porque ele deixa de lado os seus compositores da BBC e se embrenha na literatura, pintura e vida de Dante, o inglês, Rossetti – ainda com Ollie como muso inspirador. Mas é do outro lado que a ruptura é maior, olha que coisa estranha, até então Ken Russell só havia feito curtas e longas para a BBC, de repente o chamam para a telona, enchem ele de dinheiro e vai parar na franquia do Harry Palmer que na época ainda fazia frente a James Bond, não à toa Billion Dollar Brain é considerado o filme mais maluco e megalomaníaco do Palmer. Se marcou a estréia de Russell nas telonas, marcou também o fim da carreira da igualmente bela irmã de Catherine Deneuve: Françoise Dorléac, morta naquele ano.

9- O Massacre de Chicago (The St. Valentine’s Day Massacre, Roger Corman)Roger Corman The St. Valentines Day Massacre - JASON ROBARDSÊêê! Viva o melhor filme da carreira de Roger Corman!

10- Casino Royale (Val Guest/Ken Hughes/John Huston/Joseph McGrath/Robert Parrish/Richard Talmadge)Casino Royale - PETER SELLERS, URSULA ANDRESS & ORSON WELLESDiz aí se o Peter Sellers não é um Bond melhor que o Daniel Craig.

Real melhor filme do ano: À Queima Roupa (Point Blank, John Boorman)Point Blank (1967)E também: A Margem (Candeias), Marat/Sade (Brook), Play Time (Tati), Le Samouraï (Melville), Terra em Transe (Glauber), Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (Mojica), Week End (Godard), O Caso dos Irmãos Naves (Person), Branded to Kill (Seijun).

Nota update: Aproveitando a menção do Sollima, que fique aqui o link do mais novo blog indispensável
O Dia da Fúria, cujo mês de maio é temático sobre a obra do italiano.

Filmes bacanas de cada ano que o cinema viveu: 1968

Publicado em ANOS 60, MELHORES FILMES, SCREENSHOT por Georgina Spiggott em Abril 29, 2009

1- O Bandido da Luz Vermelha (Rogério Sganzerla)Cara, que absurdo! Eu era muito nova quando assisti pela primeira vez este filme e nem sabia exatamente o que estava vendo, mas totalmente enfeitiçada e adorando. Depois de algumas revisões na fase adulta, a conclusão a que se chega é de fato ser um dos meus filmes favoritos e só não é o melhor filme daquele ano porque aquelas desgraças que atendem pelo nome de Stanley e Sergio passaram uma rasteira no Rogério. Sem mencionar que sou uma tremenda paga-pau do Paulo Villaça que sempre me lembrou o Christopher Lee.

2- Perigo: Diabolik (Mario Bava) Diabolik (1968) - John Phillip Law & Marisa MellVai tomar no cu quem não gosta de Diabolik. Bava levou todo o colorido de seus giallos berrantes nessa adaptação do fumetti tão boa quanto o seriado do Batman dos anos 60. Tem Michel Piccoli, Terry-Thomas, John Phillip Law e, principalmente, tem a mulher mais milimetricamente perfeita em que já coloquei os olhos, seja no cinema, seja em qualquer parte do mundo: Marisa Mell em todo seu esplendor e glória, quem mais? O problema eterno é começar a cantar uma determinada música dos Beastie Boys toda vez que lembro de Diabolik.

3- O Bebê de Rosemary (Rosemary’s Baby, Roman Polanski)Rosemary's Baby - MIA FARROW & JOHN CASSAVETESEsse é um daqueles filmes que fazem por merecer seu culto mainstream, é bom de verdade e não porque nos querem fazem acreditar que seja. Um dos primeiros filmes verdadeiramente assustadores que vi e tem John Cassavetes – o ator – para a alegria das senhoiras apreciadoras do mesmo como eu.

4- Death Laid an Egg (La morte ha fatto l’uovo, Giulio Questi)Death Laid an Egg - Gina Lollobrigida & Ewa AulinNão é só o título que é estranho, o filme também é, assim como todos os poucos filmes do Questi, esse cara nunca falhou em me deixar boquiaberta, nem tenho idéia do porquê deixou de fazer filmes, mas assistir este e o seu filme do ano anterior me faz lamentar sinceramente o fato de um cara tão criativo e ciente da arte e técnica de fazer cinema ter nos privado de tal talento. Só com La Morte ha Fatto l’uovo e Se Sei Vivo Spara posso afirmar que é um dos mais memoráveis cineastas italianos de sempre.

5- Delius – Song of Summer (Ken Russell)Delius - Song of Summer Um dos famigerados filmes de Ken Russell para a BBC que o tornaram objeto de culto, este em especial é da leva do Omnibus, mas ainda seguindo com sua singular e atmosférica visão sobre a vida dos compositores.

6- A Noiva Estava de Preto/Beijos Roubados (La Mariée était en Noir/Baisers Volés, François Truffaut)The Bride Wore BlackEm contrapartirda ao Beijos Roubados que faz parte da cultuada série Antoine Doinel, Truffaut fez A Noiva Estava de Preto, um dos seus filmes mais equivocadamente desprezados. Logo depois de suas reuniões constantes com o velho Hitch (e que rendeu aquele livro obrigatório), Truffaut, mais embasbacado do que nunca, se jogou em sua primeira adaptação do Cornel Woolrich de forma evidentemente idólatra para com Hitchcock. Jeanne Moreau é mãe de Beatrix Kiddo.

7- Crown – O Magnífico (The Thomas Crown Affair, Norman Jewison)Thomas Crown - FAYE DUNAWAY & STEVE MCQUEEN De moleque de sarjeta para o cume da elegância, é isso que quebra na imagem até então exclusivamente de “outsider sujinho” do McQueen. E estaria mentindo se não dissesse que sou mesmo fã daquela cena do xadrez, coisa que Jewison roubou do Lubitsch. Aquilo é tão Lubitsch, mas tão Lubitsch e o McQueen é tão Gary Cooper num filme do Lubitsch, que me pergunto se o Jewison não ficou pensando no lema do Billy Wilder só para filmá-la: O que o Lubitsch faria? Mas não, não bastava McQueen apenas em Thomas Crown, ele também teria que fazer Bullitt no mesmo ano! Aquele sem graça.

8- Bullitt (Peter Yates)BULLITTSeu sem graça!

9- Teorema (Pier Paolo Pasolini)Teorema - TERENCE STAMPTerence Stamp, seu outro sem graça!

10- Submarino Amarelo (The Beatles’ Yellow Submarine, George Dunning)YELLOW SUBMARINE - RINGO STARRÉ mesmo uma das minhas animações favoritas e um dos melhores filmes com bandas de rock. Ringo é amor.

Plus 1968: Hors Concurs de todos os tempos

Publicado em ANOS 60, FICÇÃO CIENTÍFICA, MELHORES FILMES, SCREENSHOT, WESTERN por Georgina Spiggott em Abril 29, 2009

C'era una volta il West2001Era Uma Vez No OesteUma Odisséia no EspaçoOnce Upon a Time in the WestA Space Odissey1968 era um impasse que muito me preocupava, pois datam dalí os dois filmes que há muitos anos se alternam no primeiro lugar e segundo lugar de maiores filmes já feitos os quais nem sequer podem dividir um post com os outros reles mortais. Gosto mais de Era Uma Vez no Oeste por alguns motivos e gosto mais de 2001 por outros, a confluência de temas entre eles é gritante, temas estes que me são muito caros, mas nunca pude ter por muito tempo a certeza em absoluto de qual seria mesmo o meu favorito de todos os tempos, tal impasse vem ocorrendo há muitos anos, muitas revisões e outros filmes depois. Aí o Lucas, mais uma vez salvando minha vida, veio com essa idéia que muito me apeteceu de colocá-los à parte dos reles mortais e foi isso que fiz. É por isso que penso em fundar uma igreja, só para poder financiar os filmes do Lucas, só para ele poder salvar a vida de muito mais gente além da minha.

Filmes bacanas de cada ano que o cinema viveu: 1969

Publicado em ANOS 60, MELHORES FILMES por Georgina Spiggott em Abril 15, 2009

1- Um Beatle no Paraíso (The Magic Christian, Joseph McGrath)The Magic Christian - JOHN CLEESE, RINGO STARR & PETER SELLERSYul Brynner é uma drag cantando para um Roman Polanki bêbado, Laurence Harvey faz um show de striptease representando Hamlet, Richard Attenborough treina Graham Chapman em Oxford, Christopher Lee é um vampiro, Raquel Welch é a gostosa habitual, Spike Milligan é um guarda e Graham Stark é um garçon, ambos tentando fazer as vontades do milionário Peter Sellers e seu filho Ringo Starr. Meu coração palpita só de lembrar da cena do museu envolvendo Sellers, Ringo e John Cleese: um Goon, um Beatle e um Python. Qualquer pessoa que tenha um mínimo de apreço pela comédia britânica em toda sua anarquia e glória deve assistir tal filme, nesse caso o oportunista título nacional faz todo o sentido, é mesmo um paraíso.

2- A Mulher de Todos (Rogério Sganzerla)A MULHER DE TODOSEla gosta é de boçaaaaaaal! Homem bacana dá muito trabalho. Aqui vê-se o porquê a Helena Ignez não tem espaço na mídia nacional de merda, essa mulher deveria ter uma estátua em cada canto desse país. Como Ignez e Florinda Bolkan (que trabalhou com os maiores cineastas europeus dos anos 60 e 70) pouco são lembradas só porque não fazem novelinhas da globo, enquanto a galera fica babando ovo de umas atrizinhas de merda. Na boa, creio piamente que Ignez é a maior atriz brasileira de sempre.

3- Uma Sobre a Outra (Una Sull’Altra, Lucio Fulci, 1969) One on Top of the Other - Marisa Mell, Malisa Longo & Elsa MartinelliÉ uma espécie de remake de Vertigo. E que remake! Fulci adaptou o Vertigo de Hitchcock para a linha giallica, com tudo que tinha direito, inclusive locações em San Francisco, num suspense erótico que reina a deusa absoluta Marisa Mell, a mulher mais bonita que já vi não apenas no cinema, como em qualquer parte fora dele.

4- Mulheres Apaixonadas (Women in Love, Ken Russell)Women in Love (1969) Alan Bates, Oliver ReedUIA, mesmo que não seja apreciado como um tôdo, creio ser pouco provável não dar o braço a torcer ao menos com uma cena: aquela envolvente, espetacular e perfeita sequência homoerótica de machos suados lutando nus protagonizada por Alan Bates e Oliver Reed. É Russell envolvido com DH Lawrence mais uma vez e dá-se a impressão que o literato e o cineasta nasceram para tal união, cada qual no meu hall pessoal de autores favoritos em suas respectivas artes. O elenco perfeito não atrapalha.

5- Charity, Meu Amor (Sweet Charity, Bob Fosse)Sweet Charity - SHIRLEY MCLAINEFosse quase não gostava de Fellini. Nessa versão musical de Cabiria, Shirley MacLaine mostra porque é uma estrela completa que dança, canta, sapateia e atua. A mulher é um monstro e hoje está relegada a papéis secundários em filmecos meia-boca.

6- The Bed Sitting Room (Richard Lester)Bed Sitting Room - Cook & Moore Não tem como não ser fã de um filme cujos créditos iniciais os atores aparecem em ordem de altura e pasmem: Rita Tushingham é mais baixa que Dudley Moore! Peter Cook é o mais alto, claro. Ficção Científica pós apocalíptica que mistura o melhor da comédia britânica dos anos 60, dos Goons, passando por Beyond the Fringe até o mestre absoluto que liga todo esse povo bom: Richard Lester, especialmente por ter criado toda a estrutura visual que revolucionaria o humor britãnico a partir dos anos 50. Indispenável para quem gosta de Monty Python mas não conhece toda essa galera que os influenciou.

7- Os Deuses Malditos (La Caduta degli dei, Luchino Visconti)La Caduta degli dei Incesto, Dirk Bogarde, orgias nazistas, Ingrid Thulin, pedofilia, Helmut Berger, traições, Florinda Bolkan, prostituição, Helmut Griem, travestis, Charlotte Rampling, assassinatos. Ah… toda essa decadência!

8- Orgasmo/Così Dolce… Così Perversa/Paranoia (Umberto Lenzi)A quiet place to kill - Carroll Baker & Jean SorelNão sei se é admissível ver o Lenzi sendo tratado como um cineasta podreira por uma porrada de gente, posso entender esse tratamneto para com o Jess Franco, mas não com o Lenzi. O homem sabia muito bem o que fazia e legou quantidade suficiente de obras que nos fazem cair o queixo, especialmente a série de filmes que fez com a Carroll Baker como protagonista, a qual teve início com esses Orgasmo, Così Dolce… Così Perversa e Paranoia. Lenzi e Baker ainda fariam um quarto filme em 72, mas este ainda não vi, embora ache pouco provável que tenha atingido a qualidade dessa trilogia que é mesmo o ápice da carreira do diretor. Nessa trilogia se encontra tudo que há de melhor do suspense francês, italiano e inglês, algumas cenas chegam a parecer refilmagem quadro-a-quadro de obras de cineastas que todos conhecemos (especialmente Hitchcock – o rei da influência giallica – Clouzot e Antonioni), mas de modo algum soa como plágio, mas sim como homenagem e aí que reside o talento de Lenzi, ele pega um imaginário que todo mundo conhece, costura tudo e monta um guarda roupa totalmente novo. Para diferenciar um filme do outro, lembre-se dos protagonistas masculinos: Orgasmo é com Lou Castel, Così dolce… così perversa é com Jean-Louis Trintignant e Paranoia é com Jean Sorel, este último é o meu Lenzi favorito e sempre foi confundido com Orgasmo por causa do título internacional.

9- Os Aventureiros do Ouro / Os Maridos de Elizabeth (Paint Your Wagon, Joshua Logan) AAAAAAAhhhhh! Clint cantando.

10- Um Golpe À Italiana (The Italian Job, Peter Collinson) AAAAAAAhhhhh! Caine cantando.

11- Vênus das Peles (Le Malizie di Venere, Massimo Dallamano)Venus in Furs - Laura AntonelliAinda com sua sina de adaptações literárias transpostas para o ambiente contemporâneo, Dallamano se joga em Sacher-Masoch numa das poucas adaptações para o cinema de alguma obra do autor e, ao meu ver, a melhor de todas. Belo tratado sobre obsessão, tendências e emoções da infância adaptadas à vida sexual adulta e a natureza das sensações. Não à toa Laura Antonelli é conhecida como deusa do sexo, é musa absoluta.

12- Cega Obsessão (Môjû, Yasuzo Masumura) Blind Beast - Mako Midori Continuando nos ensinamentos do seu Masoch, a verdade é que o filme do Dallamano parece filme da Disney comparado a esta pequena obra prima nipônica. Arte, obsessão e dor.

13- A Sereia do Mississipi (La Sirène du Mississipi, François Truffaut)La Sirène du Mississipi - Catherine Deneuve, Jean-Paul BelmondoTruffaut volta a idolatrar Hitchcock e a seguir os passos de Cornell Woolrich. Meio inadmissível Belmondo ter trabalhado uma única vez com Truffaut.

14- Um Assaltante bem Trapalhão (Take the Money and Run, Woody Allen) Take the Money and RunPrimeiro filme dirigido por Allen e um dos mais engraçados, sem dúvida.

Real Melhor Filme do Ano: Meu Ódio será tua Herança (The Wild Bunch, Sam Peckinpah)The Wild BunchPeckinpah me cansa. mençoes honrosas para A paixão de Ana (Bergman), A Via Láctea (Buñuel), Matou a Família e Foi ao Cinema (Bressane), Akage (Okamoto), Z (Costa Gavras) e sabe-se lá mais o quê.

Filmes bacanas de cada ano que o cinema viveu: 1970

Publicado em ANOS 70, MELHORES FILMES por Georgina Spiggott em Abril 5, 2009

1- De Volta ao Vale das Bonecas (Beyond the Valley of the Dolls, Russ Meyer)Beyond the Valley of the Dolls (1970) JOHN LAZAR & MICHAEL BLODGETTYou will drink the black sperm of my vengeance! Quando mais o tempo vai passando, mais fico propensa a dizer que este é o melhor filme de Russ Meyer e olhe que sou bem fã de sua fase branco & preto. Z-Man é uma espécie de precursor de Frank N Furter, só que muito mais plausível, especialmente porque fora inspirado no maluquete do Phil Spector. Absolutamente clássico, absolutamente obra prima.

2- Ciúme à Italiana (Dramma della gelosia – tutti i particolari in cronaca, Ettore Scola)Dramma della gelosia - Tutti i particolari in cronaca - MARCELLO MASTROIANNI, MONICA VITTI & GIANCARLO GIANNININão seria exagero dizer que este é o melhor filme do Ettore Scola, mesmo tendo um Feios Sujos e Malvados no currículo. É mais uma de suas tragicomédias com fundo sócio-político que literalmente te deixa com dor de tanto rir e, convenhamos, um triângulo amoroso formado por Giancarlo Giannini, Monica Vitti e Marcello Mastroianni é tudo na vida.

3- O Mensageiro (The Go-Between, Joseph Losey)Go-Between - Dominic GuardQuem não ama esses diretores americanos que largam tudo e viram diretores ingleses por excelência? Evidente influência para Desejo e Reparação, não digo nem pelas gritantes semelhanças factuais que saem diretamente de um embate Hartley-McEwan, mas sobretudo pela estrutura narrativa, utilização da trilha sonora e das cores, até a presença de Sir Michael Redgrave como a aparição chave vem a calhar como a de sua filha Vanessa no filme de 2007. E cá entre nós, Alan Bates dos anos 60 é tudo na vida de uma mulher (e de um homem também).

4- Vamos a matar, compañeros (Sergio Corbucci)Vamos a matar, compañeros - TOMAS MILAIN & FRANCO NEROEsse é da leva “o cinema político italiano vai ao velho oeste”, com a diferença que este expõe o ridículo das situações, se tornando muito mais anárquico que o cinema político “sério” que eventualmente teria esta intenção. Depois do Leone só dá Corbucci, como assim existem tais diretores que só fazem coisas verdadeiramente apaixonantes? Jack Palance, Fernando Rey, Tomas Milian, Franco Nero, Ennio Morricone… ao lado de pessoas ainda mais apaixonantes? Spaghetti é amor.

5- Copacabana, Mon Amour/Sem Essa, Aranha (Rogério Sganzerla)Copacabana Moun Amour - HELENA IGNEZ - Sem essa Aranha - JORGE LOREDO De um lado temos Zé Bonitinho, do outro Helena Ignez. No centro, o todo poderoso: um dos maiores cineastas deste país.

6- O Pássaro com as Plumas de Cristal (L’Uccello dalle piume di cristallo, Dario Argento)bird with the crystal plummage - EVA RENZI Primeiro e mais engraçado filme do Argento, pelo menos eu ri horrores, principalmente pela galeria de personagens bizarros que vão adentrando a tela, o cafetão gago, o delator paranóico e em especial o pintor comedor de gatos (o Argento é vegetariano e diz não querer matar animais para viver, o bom é que para viver ele finge que mata animais, filosofia a qual estou plenamente de acordo). É o exato objeto de transição entre Alfred Hitchcock, Mario Bava e Brian De Palma.

7- Conde Drácula/Eugenie (Nachts, wenn Dracula erwacht/Eugenie: Story Of Her Journey Into Perversion, Jesus Franco)JESS FRANCO'S COUNT DRACULA - KLAUS KINSKIOlha isso: tio Jess adaptando Bram Stoker com o melhor Drácula de todos os tempos (Christopher Lee, lógico) com Klaus Kinski como Reinfield (thanks god for that!), Soledade Miranda como Lucy, Maria Rohm como Mina e Herbert Lom como Van Helsing? Coma minhas entranhas, tio Jess!
Por outro lado no mesmo ano também temos uma das melhores adaptações do guru Sade, o Marquês, para o cinema, felizmente é um dos melhores filmes do tio Jess, também com Lee e Rohm. Agora esclarecemos um outro porém, no mesmo ano tio Jess gravou um outro Eugenie e que viria a ser o último filme de Soledad Miranda antes de morrer, é um filme interessante que só foi lançado anos depois, mas não é exatamente um Sade oficial apesar do título dizer o contrário. Confuso? A culpa não é minha, a porra da carreira do tio Jess é um puteiro, oras.

8- 5 bambole per la luna d’agosto (Mario Bava)5 Dolls for an August Moon - EDWIGE FENECHTodo mundo sabe a mania que o cinema americano tem daqueles finais rocambolescos, o tal do “twist”, tudo uma palhaçada comparado aos finais dos filmes de Mario Bava, este que não foi apenas um dos maiores cineastas da Itália, mas também o maior perito em desenlaçes do cinema, tudo que você pensa ao terminar de ver um filme seu é “puta que o pariu, filho da mãe do inferno!”. Com o Bambole não é diferente, embora o que conte aqui mais do que tudo é a musa absoluta do gênero em suas funçoes giállicas primordiais: Edwige Fenech, a melhor derrière já vista numa tela.

9- Multiple Maniacs (John Waters) Divine é estuprada por uma lagosta gigante. Basta.

10- The Ballad of Cable Hogue (Sam Peckinpah)Sam Peckinpah The Ballad of Cable Hogue Jason Robards Stella Stevens Ó céus, Jason Robards ainda não saiu de Sweetwater e ainda trocou a Claudia Cardinale pela Stella Stevens!

11- The Rise and Rise of Michael Rimmer (Kevin Billington)The Rise and Rise of Michael Rimmer (1970) PETER COOKAcho que está claro em cada página deste blog o quanto idolatro Peter Cook, não? Aqui ele está longe de sua alma gêmea habitual, mas em compensação traz John Cleese a tira colo.

12- Stray Cat Rock: Sex Hunter / Delinquent Girl Boss (Nora-neko rokku: Sekkusu hanta / Onna banchô, Yasuharu Hasebe)Stray Cat Rock Olha que beleza me aventurar nessas listas, eu nem sequer sabia que era fã do Hasebe e já citei quatro de seus filmes. Esses dois são meus favoritos dele e os melhores da série Stray Cat Rock, um dos epítomes do pink violence. Muito jazz, estilo, violência e rock and roll. Adoro.

13- Dorian Gray (Massimo Dallamano)Dorian Gray (1970)Por isso que o cinema italiano deste período é imbatível: pega-se o clássico literário absoluto sobre o vício e a degradação, o transpoem para a atmosfera dos anos 60 e 70 do século XX e dá no quê? A única adaptação de sua obra a qual Oscar Wilde teria orgulho e ainda daria um jeito de levar o Helmut Berger para casa (e quem não o levaria?). É o máximo que qualquer cineasta poderá chegar da essência do livro de Wilde, enquanto Berger é a encarnação definitiva e divina do próprio retrato.

14- Hi, Mom! (Brian De Palma)HI, MOM! ROBERT DE NIROAntes de dar uma reviravolta assustadora no estilo de seu cinema nos anos subsequentes, De Palma chegou a ser visto como um dos melhores diretores cômicos daquela geração e de criar uma parceria com Bob De Niro antes que um tal de Martin destruidor de casamentos viesse e roubasse o seu homem.

15- The Honeymoon Killers (Leonard Kastle)The Honeymoon Killers - Shirley Stoler, Tony Lo BiancoBonnie & Clyde nada, o primeiro grande filme com um casal de foras da lei é este aqui! Cult até a medula, saiu na leva do grotesco cinema ultra-independente americano no qual John Waters reinava. Assassinos por Natureza, Perdita Durango, Henry… todos são filhos de Honeymoon Killers, provavelmente o primeiro grande filme inspirado em reais assassinos seriais.

Real Melhor filme do ano: Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita (Indagine su un cittadino al di sopra di ogni sospetto, Elio Petri)Investigation of a Citizen Above Suspicion (1970) - Gian Maria Volontè, Florinda Bolkan Menções mais que honrosas a Le Cercle rouge (Melville), Horton Hears a Who! (Chuck Jones), M*A*S*H (Altman), El Topo (Jodorowsky), Tristana (Buñuel), O Ritual dos Sádicos (Mojica), Rengoku Eroica (Yoshida).

Nota: E termina aqui a década sagrada. Falando sério, a década sagrada deveria ser entre os anos 1965 e 1975, o melhor período do cinema de qualquer parte do mundo, a maioria esmagadora de meus filmes favoritos foram produzidos neste período, antes de 65 as coisas ainda não eram suficientes e depois de 75 as coisas começaram a se tornar decadentes.

Filmes bacanas de cada ano que o cinema viveu: 1971

Publicado em ANOS 70, MELHORES FILMES, SCREENSHOT por Georgina Spiggott em Março 17, 2009

1- Morte em Veneza (Morte a Venezia, Luchino Visconti)Morte a VeneziaMeu primeiro Visconti ainda na tenríssima idade e seria quase nulo mencionar o tamanho da marca deixada em mim, numa época em que ainda há a sinceridade do gostar, sem afetação externa de fulaninhos dizendo ser Visconti um dos maiores do mundo. Mais do que Thomas Mann e semi-biografia de Gustav Mahler, Morte em Veneza soa como um testemunho autobiográfico do próprio Visconti, aquele Tadzio resplandece a mesma beleza e ar etéreo do jovem Helmut Berger quando Luchino o conheceu na pós-adolescência. Este filme é mesmo uma declaração de amor de Luchino à Helmut.

2- Os Demônios (The Devils, Ken Russell)The Devils (1971) - OLIVER REEDMelhor filme do Russell (dividindo as honras com The Debussy Film). Depois de Mulheres Apaixonadas, Russell se embrenhou na obra do companheiro de mescalina do DH Lawrence: Aldous Huxley (porque ingleses também fogem para o México, oras). Presumo que só faltou perspectiva temporal para que Russell se juntasse a eles no México, pois realmente se dava bem com Huxley e Lawrence, além de uma mente artística que muito lembrava uma mistura insana dos dois escritores, com a devida companhia de Derek Jarman como designer. Vanessa Redgrave freira-corcunda pensando em se masturbar com o osso (literalmente) do Oliver Reed é algo a não ignorar.

3- Quando Explode a Vingança (Giu La Testa, Sergio Leone)A Fistful of Dynamite - ROD STEIGERNão tente me falar de revolução. Sei tudo sobre revoluções e como elas começam! Gente que lê livros vai atrás de quem não lê, gente pobre, e diz: “Tem que haver mudanças. ” E a gente pobre faz as mudanças, hein? Ai, os que lêem livros se sentam em grandes mesas lustrosas e falam, falam, comem e comem, hein? Mas o que acontece com os pobres? Eles estão mortos! Essa é a sua revolução! Por isso, por favor… não me fale de revoluções. E o que acontece depois? A mesma podridão começa toda de novo! E os britânicos continuam a fugir para o México. Apesar de ser o mais subestimado dos filmes oficiais de Leone, ainda é um grande filme. Funciona como o exato objeto de transição dos seus cultuados spaghetttis para Era Uma Vez na América, as cenas envolvendo James Coburn no IRA são um exato prenuncio para o seu filme de gângsters americanos. Outro tema interessante é uma homenagem irônica à Sam Peckinpah e a utilização da câmera lenta, sendo usada para dilatação do tempo no amor e na amizade por parte de Leone ao contrário da habitual violência de Peckinpah.

4- Sweet Sweetback’s Baadasssss Song (Melvin Van Peebles)Melvin Van Peebles - Sweet Sweetback's BaadAsssss SongAo lado do Shaft de Gordon Parks Sr, este é o fundador oficial do gênero blaxploitation, mas ao contrário do seu colega que tinha aval dos grandes estúdios, Melvin van Peebles fez o seu filme na raça e deu ao público algo que eles certamente nunca tinham visto antes. 30 anos depois, seu filho Mario (que também está em Sweetback encarnando a personagem central quando jovem) mostrou a saga do pai para fazer esse classicaço no excelente filme How to Get the Man’s Foot Outta Your Ass, o qual também recomendo com louvor.

5- 200 Motels (Tony Palmer / Frank Zappa)Forte canditato a filme mais cool do rock and roll (desculpa aí, Lester & Russell!), não é lá muito bom, mas o que conta mesmo é o Keith Moon interpretando uma freira ninfomaníaca dando em cima do Ringo Starr vestido de Frank Zappa. Imaginou? Lindo.

6- Quatro Moscas no Veludo Cinza/O Gato de Nove Caudas (4 Mosche di Velluto Grigio/Il Gatto a Nove Code, Dario Argento)Four Flies on Grey Velvet (1971)Em 4 mosche di velluto grigio o Argento ainda soa mais como um grande devoto de Mario Bava, o que não é nenhuma tragédia, a cena final é tão boa que foi devidamente homenageada por Tarantino em Death Proof enquanto Il Gatto a Nove Code ajuda a fomentar o ano das duas melhores cenas finais da carreira de Argento. Ambos os filmes tocam num ponto giallico essencial: não adianta sair da cama, é no espaço aberto que está o horror.

7- Pistoleiro Sem Destino (The Hired Hand, Peter Fonda)The Hired Hand - WARREN OATES & PETER FONDAEsse é o tal filme que faz todos se perguntarem o porquê Peter Fonda não ter se jogado de vez na direção. Fonte assumida de inspiração para Clint e Os Imperdoáveis (mais até do que seus gurus Leone & Siegel), faz você pensar que Fonda e Oates deveriam ter feito duplinha por toda eternidade.

8- Um Lagarto com Pele de Mulher (Una Lucertola con la Pelle di Donna, Lucio Fulci)A Lizard in a Woman's Skin - FLORINDA BOLKAN & ANITA STRINDBERGFoi com este filme que me apaixonei por Anita Strindberg, a sequência inicial literalmente onírica onde ela aparece de botas 7/8 é algo que não pode nem deve ser ignorado. É aqui também que consta a famosa cena dos cachorros eviscerados que deu certa dor de cabeça ao Fulci, o carinha dos efeitos especiais, Carlo Rambaldi, foi tão foda que acabaram por chamá-lo para brincar de bonequinho com o Alien do Scott e o ET do Spielberg.

9- Pink Narcissus (James Bidgood)PINK NARCISSUS Bidgood é o pai de muita gente, nem que seja adotivo, de Fassbinder a Lachapelle, de Pierre et Gilles a Todd Haynes, em algum momento de suas carreiras ele tomou esse povo pela mão e mostrou o caminho. Na época de seu lançamento ninguém sabia quem o havia dirigido, alguns creditaram o filme a Kenneth Anger, outros a Andy Warhol, em Anger eu posso ver o motivo da confusão de estilo com o de Bidgood, mas não em Warhol.

10- The Big Doll House (Jack Hill)Big Doll HouseUm dos melhores WIPs já feitos e provavelmente o melhor de todos comandado por um diretor americano. É uma vergonha Jack Hill não ser suficientemente valorizado.

11- Perseguidor Implacável (Dirty Harry, Don Siegel)Dirty Harry 1971E nasce um mito. Again.

12- The Tragedy of Macbeth (Roman Polanski)Macbeth - Jon Finch & Francesca AnnisPrimeiro filme do Polanski depois que um certo Charles Manson entrou em sua vida e o peso de tal experiência está espalhada por todo o filme, nenhum outro filme do diretor foi tão pesado, vilolento e tétrico quanto este, o que talvez não seja apenas fruto de experiências pessoais, mas de toda uma época, já que no mesmo mesmo podíamos ver Laranja Mecânica e Straw Dogs a verter violência por todos os lados. É um dos melhores trabalhos de Polanski, chegando a mesma excelência da versão de Kurosawa e ultrapassando a de Welles.

Real melhor filme do ano: Sob o Domínio do Medo (Straw Dogs, Sam Peckinpah)Straw Dogs - SUSAN GEORGEMenções mais do que honrosas a Laranja Mecânica (Kubrick), Two-Lane Blacktop (Hellman), Bang Bang (Tonacci), Minnie and Moskowitz (Cassavetes), Get Carter (Hodges) e A Batalha de Okinawa (Okamoto)

Nota: WTF? Link do pavor. Espero que isso não seja o que aparenta ser.

Filmes bacanas de cada ano que o cinema viveu: 1972

Publicado em ANOS 70, MELHORES FILMES, SCREENSHOT, VIDEOS por Georgina Spiggott em Março 13, 2009

1- Os Implacáveis (The Getaway, Sam Peckinpah)getaway Meu primeiro Peckinpah, meu primeiro McQueen. Daquele tipo de filme que imediatamente te faz pensar: por que não existe mais esse cinema? Vez ou outra o Michael Mann ainda salva a nossa alma com um Fogo Contra Fogo ou um Colateral da vida, mas não é a mesma coisa, não existe nada equiparável ao Stevie, não existe nada equiparável ao Sam. No mesmo ano eles ainda fizeram juntos o mais intimista Junior Bonner e também menos polêmico, pois não havia ninguém pegando a mulher do patrão por alí.

2- Milano Calibro 9 (Fernando Di Leo)Milano calibro 9  (Tortura)Esse é clássico. Desafio qualquer um a não ser ganho antes mesmo que os créditos iniciais apareçam. É o Godfather dos poliziescos, é o Getaway dos italianos, é tão clássico que praticamente em todos os filmes do Tarantino e do Robert Rodriguez há em algum momento menção visual a qualquer cena deste filme. Tenho vontade de pegar todos esses italianos dos anos 60/70, apertar e não soltar nunca mais, céus, como amo esse cinema.

3- Female Prisoner #701: Scorpion/Female Convict Scorpion Jailhouse 41 (Joshuu 701-gô: Sasori/Joshuu sasori: Dai-41 zakkyo-bô, Shunya Ito)Joshuu 701-gô SasoriDois filmes com a mesma personagem e diretor sendo ao mesmo tempo tão distintos entre si, enquanto o primeiro é um WIP de vingança dos mais clássicos, o segundo é um WIP com um pé na arte de Mizoguchi e Seijun. Obras primas, sem dúvida.

4- Mimi – O Metalúrgico (Mimì metallurgico ferito nell’onore, Lina Wertmüller)Seduction of MimiSegundo melhor filme da Wertmüller, só perdendo obviamente para o indefectível Destino Insólito. Este é o seu filme mais engraçado e que mais se aproxima da balbúrdia moral, política e social que se passava na Itália àquele momento, a cena final é antológica pela ironia.

5- Atrás da Porta Verde (Behind the Green Door, Artie & Jim Mitchell)Behind the Green Door - MARILYN CHAMBERSBehind the Green Door é o Cidadão Kane do pornô, Marilyn Chambers é a Anais Nin do Cinema e os irmãos Mitchell são o Arthur Schnitzler da penetração (vai ver por isso um matou o outro). Sem exagero, esse filme é um tratado sobre a sexualidade humana, menos exagero ainda é dizer que exerceu uma forte e evidente influência em Eyes Wide Shut não só na teoria como na prática, até as trilhas sonoras em certo momento partilham da mesma climatização. Mas o máximo mesmo é a ejaculação em câmera lenta, é a ejaculação do Peckinpah!

6- Il Tuo vizio è una stanza chiusa e solo io ne ho la chiave (Sergio Martino)Your Vice Is a Locked Room and Only I Have the Key - Luigi Pistilli & Anita StrindbergMelhor adaptação de O Gato Preto do Poe que já vi, ainda há a presença das duas grandes musas giállicas Anita Stringberg e Edwige Fenech, além do onipresente Luigi Pistilli no que talvez seja o grande papel de sua carreira.

7- Amargo Pesadelo (Deliverance, John Boorman)Deliverance - Ned BeattyCara, eu tenho medo dos caipiras. Se os caipiras gostaram da boca do Jon Voigh, imagine se vissem a da filha dele. Foi um dos primeiros filmes a delinear o meu olhar de porquê o cinema dos anos 70 é superior a de qualquer outra década, assisti quando era bem nova, creio que foi o primeiro filme onde vi alguém sendo currado e olha que não é uma curra elegante (!?!), além disso, continuo traumatizada com a homenagem de South Park onde George Lucas e Steven Spielberg recriam a tal cena com o Indiana Jones.

8- Solange (Cosa avete fatto a Solange? Massimo Dallamano)SOLANGE Esse fui assistir despretensiosamente numa fase giallica e acabei por me dar conta que era mesmo um dos grandes exemplos do gênero. O companheiro de spaghetti de Sergio Leone, Massimo Dallamano, se deu muito bem com este giallo com direito a fotografia de Joe D’Amato e de um Fabio Testi barbado ensinando italiano. Por que será que todas aquelas ninfetas queriam aprender italiano e não francês, hein?

9- Superfly (Gordon Parks Jr) Se Parks pai foi a pedra fundamental do blaxploitation no ano anterior, Parks filho foi o orgulho de papai em 1972. Uma das obras seminais do blaxploitation e certamente no meu top 10 de melhores trilhas sonoras de todos os tempos. I’m your pusherman.

10- Ludwig – O Último Rei da Bavária (Luchino Visconti)LUDWIG - HELMUT BERGERO marido do Luchino é um dos homens mais lindos que você já viu, não? Heil Helmut!

11- Tudo Que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo Mas Tinha Medo de Perguntar (Everything You Always Wanted to Know About Sex * But Were Afraid to Ask, Woody Allen)Everything You Always Wanted to Know About SexQuando adolescente eu era completamente obcecada pelo Woody Allen, nesse período vi todo seu trabalho até então e este foi um dos seus primeiros filmes em que tive contato. Está longe do seu melhor, mas três episódios foram amplamente emblemáticos: a ovelha de cinta liga do Gene Wilder, a Teta Assassina e, óbvio, o espermatozóide existencialista.

12- O Vôo do Dragão (Meng long guo jiang, 1972)Way of The Dragon - CHUCK NORRIS & BRUCE LEE É Bruce Lee chutando a bunda do Chuck Norris, pô! Se bem me lembro, antes da tal lendária luta no Coliseu tinha um mítico gato romano miando pelo cenário.

13- Memórias de um Sedutor (Play It Again, Sam, Herbert Ross)Play It Again, Sam - WOODY ALLENÉ claro que o guru do Woody Allen é o Bogie. Não é óbvio???

14- O Sanguinário (Sitting Target, Douglas Hickox)Sitting Target (1972) - IAN MCSHANE & OLIVER REEDNão é exatamente um grande filme, mas tem Ian McShane e Oliver Reed fazendo duplinha num filme setentista de vingança e isso já é o suficiente para mim.

15- Greaser’s Palace (Robert Downey Sr.)Greaser's Palace Bob pai na verdade é pai de Paul Thomas Anderson, mas não neste filme que é uma mistura de El Topo com Banzé no Oeste, embora poucos saibam disso porque ninguém assiste os filmes do Bob pai, vai ver por isso ele é chamado de underground, óóóó. O que importa é que o Tatoo da Ilha da Fantasia saiu daqui.

Real Melhor filme do ano: Gritos e Sussurros (Bergman), O Discreto Charme da Burguesia (Buñuel), Aguirre (Herzog), Pink Flamingos (Waters), Sleuth (Manckiewicz), Solaris (Tarkovsky), O Poderoso Chefão (Coppola), Non si Sevizia un Paperino (Fulci), Ultimo tango a Parigi (Bertolucci), Il Caso Mattei (Rosi). Dont Torture a Duckling - FLORINDA BOLKANVocê estaria pedindo demais se fosse para escolher um desses, é claro que tenho meus favoritos, mas deixa para lá, isso me cansa.

Nota: É lógico que não fui eu que tapei os peitos da Chambers. Pirou?

Os Filmes Bacanas de Cada Ano que o Cinema Viveu: 1973

Publicado em ANOS 70, MELHORES FILMES por Georgina Spiggott em Fevereiro 17, 2009

1- A Menina e o Porquinho (Charlotte’s Web, Charles A. Nichols/Iwao Takamoto)Charlotte's Web (1973)A Menina e o Porquinho foi a animação seminal da minha infância, coloca para correr qualquer filme dessa lista. O Wilbur chuta até a bunda do Warren Oates se ele der mole.

2- Irmãs Diabólicas (Sisters, Brian De Palma)Sisters (1973) 73 foi um ano de transição para o De Palma, passando a dar vazão à sua obsessão com temas hitchcockianos em Sisters, muito provavelmente influenciado pelo o que estava rolando na Europa em termos de cinema de horror. Não me lembro qual De Palma foi o meu primeiro, se Sisters ou Dublê de Corpo, mas Sisters causou-me imensa impressão na época e me causa ainda hoje.

3- Inverno de Sangue em Veneza (Don’t Look Now, Nicolas Roeg)Don't Look Now (1973)O que acontece com os anões psicopatas dos anos 70? Já não basta ter crescido com medo de anão por conta de um com cara de psicótico da minha terra natal? Anos depois o Cronenberg faria uma bela homenagem a Inverno de Sangue com o seu The Brood, nos ensinando a importante lição de não criar anões de frustração no sótão. Malditos monstrinhos de nós mesmos.

4- A Comilança (La Grande bouffe, Marco Ferreri)La Grande bouffe (1973)Vamos deixar que o princípio do prazer domine a razão, vamos todos matar, trepar, comer e beber até morrer! Seremos hipócritas até o fim dizendo ser o homem um animal racional. Aêêê!

5- Coffy (Jack Hill)COFFY Esqueça Richard Roundtree, Jim Brown, Fred Williamson e Rudy Ray Moore, o maior badass do blaxploitation foi Pam Grier, ela chuta a bunda deles e a sua também. Aquele cafetão é o mais bem vestido de sempre, quando crescer quero ser Robert DoQui. Tá bom, o Willie Dynamite é quase tão bem vestido quanto.

6- Amor e Anarquia (Film d’amore e d’anarchia, ovvero ’stamattina alle 10 in via dei Fiori nella nota casa di tolleranza…’, Lina Wertmüller)Film d'amore e d'anarchia - Lina Polito & Giancarlo GianniniÉ fato: Lina Wertmüller é a maior diretora do cinema. Sendo nascida num país machista como a Itália isso ganha contornos ainda mais dramáticos, seguindo uma profissão que, querendo ou não, era e ainda é predominantemente misógina tal afirmação vai às raias do dantesco. Nos anos 70 Lina marcava uma obra prima ao ano, coisa que nem o Woody Allen dos bons tempos conseguia fazer, sempre usando Giancarlo Giannini para se vingar dos macho-chos italianos (e a gente agradece!) com seus personagens predominantemente ridículos, aliás, todos os personagens de Lina, salvo raras exceções, eram ridículos independentes de sexo, credo ou posição política e social, ela não poupava ninguém. Amor e Anarquia evidentemente segue nesse seu hall de obras primas.

7- Female Prisoner Scorpion: Beast Stable/#701’s Grudge Song (Joshuu sasori: Kemono-beya/701-gô urami-bushi, Shunya Ito/Yasuharu Hasebe)Female Convict Scorpion Beast Stable Estes dois últimos filmes da série Sasori tendo Meiko Kaji como protagonista estão aquém da excelência dos dois primeiros, especialmente o Grudge Song, único não-dirigido por Ito com Kaji no papel título, mas algumas coisas são dificilmente ignoradas, tal como a intro de Beast Stable com Sasori correndo algemada a um braço amputado ao som de sua música-tema ou o belo e doloroso momento de sua vingança final em Grudge Song.

8- Revolver (Sergio Sollima)Revolver (1973)Um dos mais notáveis poliziescos setentistas. Mais notável ainda é ter certeza de que Ollie poderia ser tudo, de bruto do oeste americano à policial italiano, nada impedia a excelência de Oliver Reed. Também fica evidente o fato de Fabio Testi ser tudo na vida de uma mulher.

9- O Magnífico (Le Magnifique, Philippe de Broca)Le Magnifique - Jean-Paul BelmondoTudo que é necessário para imaginar se o James Bond fosse francês e interpretado por Belmondo está aqui. Puta que pariu o Belmondo nesse filme. PUTA QUE PARIU. É tudo que tenho a dizer.

10- Interlúdio de Amor (Breezy, Clint Eastwood)Breezy - William Holden & Kay LenzEmbora o primeiro filme de Clint (Perversa Paixão) goze de definitivo prestígio e eu o admire em diversos pontos, é nesse Breezy que o homem realmente mostra a que veio. Ele traz William Holden e Kay Lenz num relacionamento sincero de uma adolescente com um homem evidentemente mais velho, Clint mostra um filme tão maduro e com personagens tão interessantes que me assusta o fato desse trabalho não ser tão famoso quanto deveria. Calha que no mesmo ano Clint também fez outro de seus trabalhos máximos: High Plains Drifter.

11- O Diabo na Carne de Miss Jones (The Devil in Miss Jones, Gerard Damiano)Isso não é só uma homenagem ao Jerry Damiano que morreu há pouco tempo, esse é um dos melhores pornôs da história. Para quem duvida da importância de Damiano tanto para a história do cinema quanto para a história política dos EUA, recomendo o documentário Inside Deep Throat de 2005.

12- Dillinger (John Milius)Dillinger - Warren OatesÉ Warren Oates como Dillinger, precisa mais? Quero ver se Johnny Depp terá culhão suficiente para encarar um papel que já passou por Warren Oates e Lawrence Tierney, mas tá com Michael Mann está deveras bem acompanhado. Acho que deveria proibir filmes com o Warren Oates por aqui e tascar logo um especial dele.

13- Os Três/Quatro Mosqueteiros (The Three/Four Musketeers, Richard Lester)The Four Musketeers (1974) - Oliver Reed, Richard Chamberlain, Michael York, Frank FinlayYou will find, young man, that the future looks rosiest through the bottom of a glass. (palavras de Ollie, é claro). Versão definitiva da obra de Dumas Pai, dividida em dois filmes que bem parecem ser apenas um, é a boa e divertida aventura de sempre sem CGI e outras coisas broxantes, há Oliver Reed, Christopher Lee, Raquel Welch, Richard Chamberlain, Michael York, Frank Finlay, Geraldine Chaplin, Jean-Pierre Cassel, Spike Milligan, Georges Wilson, Faye Dunaway, Charlton Heston, Joss Ackland, Sybil Danning e sabe deus quem mais! O único porém é que Raquel Welch não combina com todo aquele pano em volta dela.

Real Melhor Filme do Ano: Amarcord, Holy Mountain, Pat Garrett & Billy The Kid, A Noite Americana, Cenas de um Casamento.Sam Peckinpah - Pat Garrett & Billy the Kid - James CoburnMas como já disse, quando houver dúvida coloca o Peckinpah para desempatar que ele coloca todo mundo para correr. Mentira! Ninguém ganha de Cenas de um Casamento do Bergman.

Os Filmes Bacanas de Cada Ano que o Cinema Viveu: 1974

Publicado em ANOS 70, MELHORES FILMES, SCREENSHOT por Georgina Spiggott em Janeiro 27, 2009

1- Uma Mulher Sob Influência (A Woman Under the Influence, John Cassavetes)A Woman Under the Influence Os filmes do Cassavetes sempre tiveram um peso realmente significativo em mim, mas nenhum como este. Cassavetes e Rowlands foram o exemplo mais perfeito de casal que se completava na vida e na arte. Assistir aos filmes do Cassavetes nos faz imaginar se ele seria o grande cineasta que se tornou se não tivesse casado com Rowlands e esta seria a grande atriz que é se não tivesse conhecido Cassavetes. Este é o grande trabalho de ambos e também o do amigo inseparável Peter Falk, tanto em conjunto quanto individualmente.

2- Por um Destino Insólito (Travolti da un insolito destino nell’azzurro mare d’agosto, Lina Wertmüller)Swept Away (1974)A vulgaridade é uma invenção da classe média. Uma das maiores obras do cinema italiano dos anos 70, rendeu aquele remake vazio (desculpa aí genes gianninianos!) enquanto o original era uma pedrada na luta dos sexos e de classes sociais. Típico filme que entranha na sua mente e eventualmente te deprime por dias a fio. Giancarlo Giannini é o símbolo sexual por excelência, depois dele não existe mais nada.

3- O Poderoso Chefão 2/A Conversação (The Godfather: Part II/The Conversation, Francis Ford Coppola)The Conversation - toilet Não te dá tristeza pensar que o Coppola fez duas obras de arte desse calibre no mesmo ano e hoje leva anos para fazer um filme de merda?

4- A Dupla Explosiva (Altrimenti ci arrabbiamo, Marcello Fondato)Watch Out, We're Mad - buggyTudo se resume a duelo de salsicha com cerveja e um buggy. Esse sem sombra de dúvida foi o grande filme da minha infância e em nenhum outro filme da dupla Hill & Spencer tem mais cenas clássicas que este, eu devo tudo a esses caras. Tal lembrança coincide com o falecimento recente do diretor Fondato.

5- Problemas Femininos (Female Trouble, John Waters)Female Trouble - DIVINEQueers are just better. I’d be so proud if you was a fag. The world of the heterosexual is a sick and boring life. Não tem como explicar o fato de John Waters ser um dos maiores gênios do cinema dos anos 70 e nem o Glen Milsted ser um dos mais talentosos atores de sempre, só os vendo trabalhando juntos é possível constatar o poder de ambos.

6- Martha (Rainer Werner Fassbinder)MARTHA Por que Karlheinz Böhm é um dos maiores atores do cinema? A resposta está aqui.

7- A Rainha Diaba (Antonio Carlos da Fontoura)Rainha Diaba - MILTON GONÇALVESQue me perdoem Lázaro Ramos e Karim Ainouz pelo seu retrato de Madame Satã, mas Milton Gonçalves e Fontoura aposentaram a personagem alí, não tem para ninguém. E tem Odete Lara mais diva do que nunca como cantora de boate e de cabelo verde.

8- Escalada do Poder (Le Mouton Enragé, Michel Deville)Le Mouton enragé (1974)Pérola quase esquecida do cínico cinema francês dos 70, é engraçado, é ácido, é trágico e tem um elenco de dar arrepios, seja pelo talento, seja pela irresistibilidade: Jean-Pierre Cassel, Jane Birkin, Jean-Louis Trintignant, Romy Schneider e Florinda Bolkan, esta com o que talvez seja o papel mais sensacional de sua carreira.

9- Truck Turner (Jonathan Kaplan)Truck Turner (1974)Ninguém mata o gato do Truck Turner e sairá impune. Dá para acreditar o quão foda Isaac Hayes era? É quase inadimissível o fato dele ter feito tão poucos filmes nos anos 70, aqui ainda há o deleite de vê-lo dividindo cena com Scatman Crothers, Dick Miller, Nichelle Nichols e Yaphet Kotto, com este último co-protagonizando a sensacional sequência no hospital anos antes de John Woo se apropriar do momento.

10- Perfume de Mulher (Profumo di donna, Dino Risi)Profumo di donna - VITTORIO GASSMANOutra grande obra dos italianos que terminou por virar um remake cocô nas mãos de quem não tinha mais o que fazer. Já falei que o Gassman é foda? Pois ele é.

11- O Último Golpe (Thunderbolt and Lightfoot, Michael Cimino)Thunderbolt and Lightfoot - JEFF BRIDGES & CLINT EASTWOOD É o Jeff e o Clint fazendo duplinha. E é claro que é um filme gay, é um remake de um filme do Douglas Sirk, por deus! Só mesmo machão recaucado para não ver todos os indícios.

12- 007 contra o Homem da Pistola de Ouro (The Man with the Golden Gun, Guy Hamilton)The Man with the Golden Gun - CHRISTOPHER LEEÉ um dos piores filmes de Bond, mas e daí? Christopher Lee tem uma pistola de ouro, mora na ilha da fantasia com o Tatoo e recebe visitas eventuais de Britt Ekland e Roger Moore. O que mais alguém poderia querer na vida?

13- Cockfighter (Monte Hellman)Cockfighter (Monte Hellman, 1974 ) WARREN OATESVisão de um ambiente que normalmente me deixaria desconfortável, rinha de galos, mas Hellman extrai tanto daquele universo masculino e simplório que seria ignorância minha não conseguir enxergá-lo. Além de tudo é uma mulher que acaba por colocar ordem no galinheiro como de hábito, o feminino sempre acabar por dar equilíbrio ou desequilíbrio às coisas. E Warren Oates silencioso nunca é demais.

14- Céline et Julie vont en bateau (Jacques Rivette)Céline et Julie vont en bateau (1974) RivetteRivette realmente gostava de gatos e do universo feminino, fazendo disso motivo suficiente para que eu o admire, some a isso improvisação, mistério e diversão e dá-se aqui um dos seus melhores filmes. Barbet Schroeder era realmente um cara interessante, aqui como ator no mesmo ano que nos deu aquele documentário indispensável sobre o gereral maluquete Idi Amin.

Real Melhor Filme do Ano: Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia (Bring Me the Head of Alfredo Garcia, Sam Peckinpah)Sam Peckinpah - Bring Me the Head of Alfredo GarciaAno foi repleto de obras primas, Chinatown (Roman Polanski), F for Fake (Orson Welles), O Fantasma da Liberdade (Luis Buñuel), Cani Arrabbiati (Mario Bava), Foxy Brown (Jack Hill) e outros já supracitados. Sempre que houver uma dúvida nas escolhas é só colocar o Peckinpah no meio que ele acaba com a brincadeira.