Quixotando

Maxine Cooper (1924 – 2009)

Publicado em ANOS 50, NOIR por Adriana Scarpin em Abril 4, 2009

Kiss Me Deadly (1955) Maxine Cooper & Ralph MeekerA Morte num Beijo (Kiss Me Deadly, Robert Aldrich, 1955)

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The Upturned Glass (1947): Torrent

Publicado em ANOS 40, DOWNLOAD, NOIR por Georgina Spiggott em Janeiro 22, 2009

Centenário de Dana Andrews

Publicado em ANOS 40, GANGSTER, IMPRESSÕES, MUSOS, NOIR, POLICIAL por Adriana Scarpin em Janeiro 1, 2009

Apesar do nome feminino, Dana Andrews foi um mais inesquecíveis caras durões do cinema, em especial do cinema noir. Provavelmente um dos caras mais subestimados da golden age hollywoodiana, em qualquer filme que esteja presente é o seu magnetismo que se sobressai em relação a qualquer outra pessoa em cena (à excessão de Babs Stawyck, cujo brilho nunca ninguém conseguiu tirar), Andrews foi a definição precisa de astro numa década em que só quem realmente tinha carisma alcançava o reconhecimento. Então vai aí vai meu top 5 do homem:

1- Laura (Otto Preminger, 1944)Dana Andrews (Laura)Um desses noires-unanimidade, marca a bem sucedida parceria de Preminger-Andrews que renderia frutos até os anos 60.

2- Bola de Fogo (Ball of Fire, Howard Hawks, 1941)Dana Andrews (Ball of Fire)Aqui Andrews é o gângster antagonista só para levar porrada do mega-nerd Gary Cooper (mmmm… Gary Cooper). Mas do que estou falando? Foda mesmo é a Babs, o filme todo é dela à excessão de uns poucos minutos roubados por Mr Gene Krupa.

3- Passos na Noite (Where the Sidewalk Ends, Otto Preminger, 1950)Where the Sidewalk Ends - DANA ANDREWS & GENE TIERNEYDepois de tantas parcerias com Preminger e Gene Tierney, ainda fazem Andrews passa o filme todo com o cu na mão, ficticionalmente é claro. Num dos papéis mais tensos que fez, inaugura o filão do policial que tem que esonder a própria culpa durante as investigações.

4- Os Melhores Anos de Nossas Vidas (The Best Years of Our Lives, William Wyller, 1946)Dana Andrews & Virginia Mayo (The Best Years of Our Lives)Tudo bem que Fredric March rouba o filme para si como o usual, mas esse drama pós-guerra e anti-belicista entra fácil nas obras máximas de todos os envolvidos.

5- Êxtase de Amor (Daisy Kenyon, Otto Preminger, 1947)Henry Fonda, Joan Crawford & Dana Andrews (Daisy Kenyon)Fugindo dos noires, é Andrews dividindo a tia Joan com Henry Fonda num filme do Preminger. Grande filme e quase ignorado hoje.

Plus: Anjo ou Demônio (Fallen Angel, Otto Preminger, 1945)Fallen AngelOlha lá o Preminger colocando Mr Andrews novamente numa fria em meio a mulheres fatais. A curiosidade aqui é a presença de Alice Faye num filme denso como este, quando até então só fizera leves musicais românticos, deve tê-la traumatizado pois só voltaria a filmar quase 20 anos depois.

Cais das Sombras (Le Quai des Brumes, 1938)

Publicado em ANOS 30, DRAMA, IMPRESSÕES, NOIR, ROMANCE por Adriana Scarpin em Outubro 1, 2008

Não adianta, não tem para ninguém, nem Bogart, nem McQueen, nem Belmondo (provavelmente me arrependerei de dizer isso sobre Jean Paul), Jean Gabin é rei.
Em fins dos anos 30 Gabin moldou boa parte de seus grandes papéis, seja sob a batuta de Jean Renoir com A Grande Ilusão, Bas-Fonds, A Besta Humana, seja através de Julien Duvivier com Pépé le Moko, Camaradas ou, ainda, Marcel Carné com Trágico Amanhecer e este Cais das Sombras. Todos banhados pelo realismo poético francês, a maioria facilmente taxado como pré-noir. Gabin é o anti-herói noir primordial, não com a frieza cínica que caracterizou os anti-heróis do gênero no outro lado do Atlântico, Gabin é filho desse realismo cujos personagens eram marcados pelo instinto e pelo fogo nas entranhas.
Quai des Brumes é um conto de pessoas perdidas, seres desolados e sem rumo que convergem para um mesmo ponto, o porto de Le Havre, seja um cachorro, seja um desertor do exército, seja uma orfã abusada, todos se encontram na bruma e se sustentam no próprio desespero. Ninguém fotografou melhor e com mais expressividade a face do ser humano como os cineastas franceses dos anos 30, lá há os melhores ângulos e as melhores luzes, por consequência lá há as melhores densidades e personalidades e aqui Carné não é diferente.
Por fim, Robert Le Vigan comanda uma conversa de boteco entre Édouard Delmont, Raymond Aimos e Jean Gabin, Jacques Prévert escreveu os diálogos demonstrando bem o ar fatalista de todos os personagens e que pode de alguma forma resumir e dar a atmosfera vislumbrada no filme de Carné:

- Há gente aqui esta noite.
- Sim. E gente boa.
- Ah, não, as pessoas são más e criminosas… Dizem que existem coisas lindas, não sei.
- Pinte você o que é bom.
- Eu tentei… pintei flores, pintei mulheres, crianças… Foi como se pintasse o interior da maldade. Em cada lugar vejo a maldade.
- Isso é como pintar com uma navalha.
- O que é mais simples que uma árvore? Quando a pinto todos estão inquietos porque há alguém escondido. Pinto as coisas escondidas atrás das coisas. Um nadador é um afogado para mim.
- Natureza morta, hein?
- Cala a boca, imbecil!
- Não, o imbecil sou eu… ao viver tão mal, sempre angustiado.
- Sim, mas tudo dará certo.
- Ainda pensa em se matar?
- Há aqueles que vão pescar, outros casam, outros vão para a guerra, outros cometem crimes passionais e há quem se suicida. Alguém deve morrer.
- É a vida!
- É.
- Ah sim, você bebe para matar algo que te chateia.
- Eu? Eu bebo é pra ficar bêbado.
- É o mesmo.

Centenário de Fred MacMurray

Publicado em ANOS 30, ANOS 40, ANOS 60, COMÉDIA, DRAMA, FOTOGRAFIA, MUSAS, MUSOS, NOIR, ROMANCE, SCREWBALL por Georgina Spiggott em Agosto 30, 2008

Barbara Stanwyck e Fred McMurray em Pacto de Sangue

Top 5 MacMurray
1- Pacto de Sangue (Double Indemnity, Billy Wilder, 1944)
2- Se Meu Apartamento Falasse (The Apartment, Billy Wilder, 1960)
3- Corações Unidos (Hands Across the Table, Mitchell Leisen, 1935)
4- Ela e o Secretário (Take a Letter, Darling, Mitchell Leisen, 1942)
5- Lembra-te Daquela Noite (Remember the Night, Mitchell Leisen, 1940)

Nota: MacMurray foi o ator que mais química teve com minha musa-mor Carole Lombard nas telas, muito mais até que o próprio Clark Gable, depois de 4 filmes juntos era difícil não ver Fred-Carole como um dos melhores duos screwball dos anos 30. MacMurray também fez alguns filmes ao lado da minha segunda musa-mor, Barbara Stanwyck, também não há como negar que a química entre eles fosse menos que perfeita.

O Beijo Amargo (The Naked Kiss, 1964)

Publicado em ANOS 60, DRAMA, GLBT, LONGAS, NOIR, POLICIAL, VIDEOS por Georgina Spiggott em Agosto 7, 2008

A Fúria de um Bravo (Never Let Go, 1960)

Publicado em ANOS 60, NOIR, POLICIAL, VIDEOS por Georgina Spiggott em Junho 26, 2008

Por razões mais do que claras isso tudo me lembra Samuel Fuller. Por razões não tão claras um promissor John Guillermin deixou a Inglaterrra e foi dirigir filmes duvidosos nos EUA. C’est La Vie.

Nota: O arraso de trilha sonora fica por conta de, para variar, John Barry.

Obsessão (Ossessione, 1943)

Publicado em ANOS 40, DRAMA, LEGENDADO, LONGAS, NEO-REALISMO, NOIR, ROMANCE, VIDEOS por Georgina Spiggott em Março 30, 2008

Legendas em espanhol

Fritz Lang versus Jean Renoir – 2º Round

Publicado em ANOS 30, ANOS 40, DRAMA, IMPRESSÕES, NOIR por Adriana Scarpin em Março 19, 2008

2388648384 260fe784f0 OJean Renoir: A Cadela (La Chienne, 1931)E tem início o realismo poético de Renoir na forma que o fez famoso. Ninguém é legal, ninguém é bonzinho, ninguém tem o caráter livre de falhas em A Cadela, mesmo os personagens de boa índole em um momento ou outro se tornarão filhos da puta. Numa visão geral as personagens de Renoir são infinitamente mais perversas do que as de Lang, ainda que envolvidas numa película de ingenuidade, tornando-as mais complexas.
E libelo comunista my ass, como vêem-se muitos dizendo por aí a respeito deste filme. É claro que há a habitual crítica à sociedade bourgeois que privilegia as aparências e a lei capitalista do “cão come cão”, mas isso não o faz um filme “comunista”, o que vi foi um libelo anarquista com um dos mais belos finais já visualizados, aplicando que a felicidade está no despir das convenções.

Fritz Lang: Almas Perversas (Scarlet Street, 1945)
Se La Chienne é um libelo ideológico, Scarlet Street é um libelo estético, eviscerado principalmente pela homenagem ao expressionismo feita atráves dos quadros pintados pelo personagem principal. Isso explica certa construção quase que maniqueísta das personagens refletidas na visão simplória que o personagem principal de Edward G. Robinson tem do mundo. Dizendo claramente: o filme do Lang é moralista demais para o meu gosto.
Lang também volta a dar vazão à sua obsessão pelo mito de Odisseu (também inserido em O Desprezo de Godard, que no fundo é uma grande obra de idolatria à Lang), onde o marido desaparecido de nome Homer retorna com seu tapa-olho para a sua indesejável esposa.

O problema de Scarlet Street vem dos censores, enquanto o relacionamento no filme de Renoir é abertamente entre cafetão e prostituta, Lang teve que fazer de um tudo para esconder esse fato e ao mesmo tempo mostrá-lo sem ser óbvio. É doloroso trabalhar sob tais circunstâncias, mas foi nos tempos do infame código Hayes que os grandes diretores se sobressaiam, a luta consistia em dizer tudo sem mostrar nada. Enquanto que na França sempre houve liberdade, então eles acabaram por lutar contra a forma, o que culminaria na nouvelle vague, pois o maldito ser humano está sempre lutando contra alguma coisa, nem que precise ser inventado, nem que seja um moinho de vento.

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Quem ganhou? Embora me custe dizer isso, Renoir ganhou. O filme de Renoir é mais libertário e aplica um grande “foda-se” a tudo e a todos, o filme de Lang soa mais como uma penúria e castigo o fator mendicância com a punitiva aura da loucura, enquanto que em Renoir é o alívio e liberdade. Mas isso não exclui o fato do filme de Lang ser um dos seus melhores e um dos mais irretocáveis noir já produzidos, além de ser uma preferência meramente ideológica, pois tecnicamente Fritz ganha.

Fritz Lang versus Jean Renoir

Publicado em ANOS 30, ANOS 50, DRAMA, HQ, IMPRESSÕES, LIVROS, NOIR por Adriana Scarpin em Março 9, 2008

Jean Renoir: A Besta Humana (La Bête Humaine, 1938)0
Muitos do filmes com Jean Gabin do final dos anos 30 são taxados de pré-noir, mais uma vez foram os franceses que jogaram a isca para o surgimento de um dos mais admiráveis gêneros do cinema americano, todos os caras durões que se fodem por causa de mulher nos anos 40/50 são considerados filhos de Gabin, inclusive Bogart é seu herdeiro mais consanguineo. Apesar de A Besta Humana começar como um pré-noir, na segunda metade do filme o realismo poético de Renoir joga para escanteio qualquer ilusão do que seria um filme noir e se rende quase que por completo à linha de pensamento de Emile Zola.
Gabin é um ator intenso e talvez o melhor do cinema francês, toda essa intensidade foi o mecanismo propulsor em dar vasão ao naturalismo de A Besta Humana, onde nada é mais importante que as funções fisiológicas do ser humano e tudo é governado pelo corpo.
A vida das personagens é intrinsecamente ligada a trens e ferrovias, seja de forma literal ou metafórica e Renoir deixa isso muito mais visível do que Lang, pois os trens de Renoir são desgorvenados e os de Lang sabem muito bem onde estão indo, o que deixa tudo menos impactante.

Fritz Lang: Desejo Humano (Human Desire, 1954)0%20rwerwe
O filme de Lang não é um remake, é uma versão distinta para o mesmo livro de Emile Zola e me pergunto como levou tanto tempo para que o transformassem em um filme noir, do romance naturalista requintado para o pulp era um pulo, pois o esqueleto se faz o mesmo: thriller psicológico e passional.
Tudo que tinha de insano e fluídico no filme do Renoir tem de razão e cérebro no filme do Lang, com excessão da personagem de Broderick “Tony Soprano” Crawford que é puro impulso, contrastando com Glenn Ford e Gloria Grahame que sabem muito bem o que fazer, quando e onde. Enquanto Simone Simon no filme de Renoir é o símbolo da inocência disfarçada e Gabin era geneticamente “maluco” como os naturalistas gostavam de pregar, Gloria Grahame tem um “Vaca” em letras garrafais escrito na testa e Glenn Ford um “Não caio nessa, sua puta”.
Uma década mais tarde em O Desprezo, Jean Luc Godard tomaria emprestado alguns elementos do filme de Lang, como se não bastasse os objetos capitaneadores da ação serem os mesmos, Godard colocou o próprio Fritz para participar do seu filme.

Mas quem ganhou afinal? Ninguém, oras. Gostei de ambos os pontos de vista, embora tenha uma quedinha pelo filme de Renoir por razões pessoais, mas tanto um quanto outro são obras aquém da capacidade de seus realizadores. Mas este ainda é só o primeiro round, o próximo será entre a adaptação de Renoir para A Cadela e a de Lang para Almas Perversas, ambos baseados no livro de Fouchardière. E sim, Lang realmente perseguia o Renoir.

Nota: Aproveitando a deixa, vai a dica da versão erótica em quadrinhos de La Bête Humaine desenhada por Hugdebert, que adora transpôr clássicos da literatura francesa para além do que é meramente implícito nos romances originais.