Quixotando

Filmes bacanas de cada ano que o cinema viveu: 1968

Publicado em ANOS 60, MELHORES FILMES, SCREENSHOT por Georgina Spiggott em Abril 29, 2009

1- O Bandido da Luz Vermelha (Rogério Sganzerla)Cara, que absurdo! Eu era muito nova quando assisti pela primeira vez este filme e nem sabia exatamente o que estava vendo, mas totalmente enfeitiçada e adorando. Depois de algumas revisões na fase adulta, a conclusão a que se chega é de fato ser um dos meus filmes favoritos e só não é o melhor filme daquele ano porque aquelas desgraças que atendem pelo nome de Stanley e Sergio passaram uma rasteira no Rogério. Sem mencionar que sou uma tremenda paga-pau do Paulo Villaça que sempre me lembrou o Christopher Lee.

2- Perigo: Diabolik (Mario Bava) Diabolik (1968) - John Phillip Law & Marisa MellVai tomar no cu quem não gosta de Diabolik. Bava levou todo o colorido de seus giallos berrantes nessa adaptação do fumetti tão boa quanto o seriado do Batman dos anos 60. Tem Michel Piccoli, Terry-Thomas, John Phillip Law e, principalmente, tem a mulher mais milimetricamente perfeita em que já coloquei os olhos, seja no cinema, seja em qualquer parte do mundo: Marisa Mell em todo seu esplendor e glória, quem mais? O problema eterno é começar a cantar uma determinada música dos Beastie Boys toda vez que lembro de Diabolik.

3- O Bebê de Rosemary (Rosemary’s Baby, Roman Polanski)Rosemary's Baby - MIA FARROW & JOHN CASSAVETESEsse é um daqueles filmes que fazem por merecer seu culto mainstream, é bom de verdade e não porque nos querem fazem acreditar que seja. Um dos primeiros filmes verdadeiramente assustadores que vi e tem John Cassavetes – o ator – para a alegria das senhoiras apreciadoras do mesmo como eu.

4- Death Laid an Egg (La morte ha fatto l’uovo, Giulio Questi)Death Laid an Egg - Gina Lollobrigida & Ewa AulinNão é só o título que é estranho, o filme também é, assim como todos os poucos filmes do Questi, esse cara nunca falhou em me deixar boquiaberta, nem tenho idéia do porquê deixou de fazer filmes, mas assistir este e o seu filme do ano anterior me faz lamentar sinceramente o fato de um cara tão criativo e ciente da arte e técnica de fazer cinema ter nos privado de tal talento. Só com La Morte ha Fatto l’uovo e Se Sei Vivo Spara posso afirmar que é um dos mais memoráveis cineastas italianos de sempre.

5- Delius – Song of Summer (Ken Russell)Delius - Song of Summer Um dos famigerados filmes de Ken Russell para a BBC que o tornaram objeto de culto, este em especial é da leva do Omnibus, mas ainda seguindo com sua singular e atmosférica visão sobre a vida dos compositores.

6- A Noiva Estava de Preto/Beijos Roubados (La Mariée était en Noir/Baisers Volés, François Truffaut)The Bride Wore BlackEm contrapartirda ao Beijos Roubados que faz parte da cultuada série Antoine Doinel, Truffaut fez A Noiva Estava de Preto, um dos seus filmes mais equivocadamente desprezados. Logo depois de suas reuniões constantes com o velho Hitch (e que rendeu aquele livro obrigatório), Truffaut, mais embasbacado do que nunca, se jogou em sua primeira adaptação do Cornel Woolrich de forma evidentemente idólatra para com Hitchcock. Jeanne Moreau é mãe de Beatrix Kiddo.

7- Crown – O Magnífico (The Thomas Crown Affair, Norman Jewison)Thomas Crown - FAYE DUNAWAY & STEVE MCQUEEN De moleque de sarjeta para o cume da elegância, é isso que quebra na imagem até então exclusivamente de “outsider sujinho” do McQueen. E estaria mentindo se não dissesse que sou mesmo fã daquela cena do xadrez, coisa que Jewison roubou do Lubitsch. Aquilo é tão Lubitsch, mas tão Lubitsch e o McQueen é tão Gary Cooper num filme do Lubitsch, que me pergunto se o Jewison não ficou pensando no lema do Billy Wilder só para filmá-la: O que o Lubitsch faria? Mas não, não bastava McQueen apenas em Thomas Crown, ele também teria que fazer Bullitt no mesmo ano! Aquele sem graça.

8- Bullitt (Peter Yates)BULLITTSeu sem graça!

9- Teorema (Pier Paolo Pasolini)Teorema - TERENCE STAMPTerence Stamp, seu outro sem graça!

10- Submarino Amarelo (The Beatles’ Yellow Submarine, George Dunning)YELLOW SUBMARINE - RINGO STARRÉ mesmo uma das minhas animações favoritas e um dos melhores filmes com bandas de rock. Ringo é amor.

Os Filmes Bacanas de Cada Ano que o Cinema Viveu: 1995

Publicado em ANOS 90, MELHORES FILMES por Georgina Spiggott em Setembro 10, 2008

1- Uma Jornada Pessoal Através do Cinema Americano (A Personal Journey with Martin Scorsese Through American Movies, 1995)E tio Martin nos cem anos de cinema dividindo sua sabedoria conosco, os reles mortais, lembro de ter assistido isso na finada rede Manchete, onde era exibido um episódio por domingo. Nem é preciso dizer que é a inspiração desses meus tops 5’s pessoais em detrimento ao que deveria ser os melhores filmes.

2- Barrados no Shopping (Mallrats)Céus, há como não amar Jason Lee? Obrigado Kevin Smith por ter tirado este homem de cima do skate, se Mallrats não existisse é provável que nem o bigode do Earl. Ah, para quem está perdido com este título nacional podre, é porque a Brenda Walsh também está no elenco.

3- Napoleon (1995)Tenho meio que pavor desses filmes com cachorro que passam na Sessão da Tarde (com excessão de Milo & Otis, é claro), mas pqp o Napoleon, ele é diferente! Primeiro lugar, não é uma daquelas tosquices da Disney e sim uma produção australiana (ó o bom gosto do povo de novo), em segundo lugar é que ele é o Apocalypse Now dos filmes de cachorro, é o Sullivan’s Travels dos filmes infantis!!! Soberbo.

4- Razão e Sensibilidade (Sense and Sensibility, 1995)Tem Hugh Laurie e Alan Rickman dividindo a mesma cena com cara de nojinho para um bebê. Basta.

5- Don Juan DeMarco (1995)Alguém faz idéia de quantas dezenas de vezes assisti este filme por causa do Johnny Depp de capa, espada e máscara? Puta que pariu Johnny Depp.

Real Melhor Filme do Ano: The Beatles Anthology (1995) (Lembra a loucura que foi quando lançaram os cds e este documentário?)

Repassando Jake Kasdan

Publicado em ANOS 00, ANOS 90, COMÉDIA, IMPRESSÕES, ROCK, SERIADOS, SÁTIRA por Adriana Scarpin em Agosto 20, 2008

Sempre rola os filhos de não-sei-quem que acabam por seguir a mesma carreira dos pais, Jason Reitman já provou ser melhor que o pai Ivan, mas façamos justiça: o filho do Lawrence também têm as manhas. Antes de se embrenhar em um dos filmes mais bisonhos da história (O Apanhador de Sonhos, qual mais?), papai Lawrence Kasdan fora um cara de respeito, além de ajudar George Lucas a colocar as coisas nos eixos com os roteiros de O Império Contra Ataca, O Retorno de Jedi e da obra prima Caçadores da Arca Perdida, tio Larry pode entrar não somente na galeria de estréias mais auspiciosas com o neo-noir Corpos Ardentes, como o mesmo não faz feio ao colocá-lo nas listas de melhores filmes daquela década. E nessas considerações, foi assim que escolhi 3 pequenas jóias para uma visão geral do rebento Kasdan:

Efeito Zero (Zero Effect, 1998)
Assim como a estréia de papai em Body Heat garantiu sua obra prima a qual nunca foi ameaçada pelos filmes posteriores, o mesmo aconteceu com Jake e seu Efeito Zero na estréia como diretor, produtor e roteirista. Uma dessas pequenas pérolas que só o sangue novo do fim dos anos 90 sabia produzir, Efeito Zero é um objeto de culto para meia dúzia de pessoas e fonte maior dos labirintos indagatórios do porquê diabos Jake foi tão pouco aproveitado nos últimos 10 anos.
Por coincidência ou não, Efeito Zero também é um neo-noir, um neo-noir com humor extremamente sofisticado e subversor do gênero, apostando na excentricidade de seu detetive protagonista interpretado por Bill Pullman (num papel que só rivaliza em sua carreira com o de A Estrada Perdida), numa mistura de Nero Wolfe com Sherlock Holmes, inclusive não ficaria espantada se me dissessem que as nuances gerais do seriado Monk tivessem sua cota de furto extraídas de Efeito Zero, não me espantaria nem que House, suas investigações e aversão a pacientes tivesse Zero como seu ponto… zero. E sim, trocadilhos infames são mais fortes que a minha vontade.

Um Elenco do Barulho (The TV Set, 2006)
É uma espécie de Rede de Intrigas contemporâneo do mundo dos seriados, dolorosamente autobiográfico, Jake aponta o dedo na cara de sua própria experiência com seriados de TV e deixa algumas pistas sobre tantos outros, ou será mera coincidência o ator principal do show atender pelo nome de Zach e cujo roteiro nos remete imediatamente ao primeiro longa de Zach Braff?
A alma gêmea intelectual de Jake está presente de corpo e alma na caracterização que Duchovny fez de Judd Apatow, este que é o mais respeitado roteirista cômico americano da atualidade. Também não há como deixar de lembrar da própria Faye Dunaway em Network toda vez que Sigourney Weaver entra arrasando em cena, mesmo porque dona Weaver entende do assunto já que seu pai foi presidente da NBC durante anos.
Um amargo grande pequeno filme que precisa mesmo ser descoberto, principalmente pelos fãs de Efeito Zero, este que foi revitalizado como Piloto de uma possível série de TV em 2002, mas que não foi aprovado pela mesma NBC de sempre. Ah, a mesma NBC de Monk… Bastardos.

A Vida é Dura – A História de Dewey Cox (Walk Hard: The Dewey Cox Story, 2007)
A primeira coisa a ser citada quanto a este filme é John C. Reily. Reily é um dos melhores atores de sua geração, quase ninguém o conhece pelo nome, mas todo mundo sempre vai recordar de algum papel que interpretou, possivelmente um dos seus losers natos. E quantas pessoas de 43 anos podem ser suficientemente convincentes ao interpretarem um garoto de 14 anos? Eu sei, nenhuma. Nem ele.
Recorrendo a inestinguível parceria com Judd Apatow, Kasdan pode não ter atinjido a excelência de The Set TV ou Efeito Zero, mas para os padrões da mediocridade cômica que o cinema tem vivido nos últimos anos ganha alguns pontos, onde todo e qualquer clichê sobre cinebiografias de rockstars são levados ao cume do absurdo, está tudo lá: Walk The Line, The Doors, Quase Famosos, Elvis, Don’t Look Back, Submarino Amarelo, A Fera do Rock, Ray, Tina, Ziggy Stardust and the Spiders from Mars, ou seja, quase o paraíso para os amantes do bom e velho Rock and Roll. Embora as cenas não funcionem em conjunto tanto quanto isoladamente, ainda é uma boa pedida, especialmente se levar em conta as participações antológicas de Jack White como Elvis Presley, o sensacional discurso final de Eddie Vedder (Iggy Pop é Matusalém?), Jack Black como Paul McCartney (!!!), Justin Long como George Harrison, Paul Rudd como John Lennon e Jason Schwartzman como Ringo Starr. Ó céus, como amo o Jason Schwartzman.

Nota 1: Sejamos francos, Jake escreve melhor longe do Judd Apatow, aliás, Jake Kasdan é o típico cineasta que trabalha melhor sozinho, tanto em The Set TV quanto em Efeito Zero ele teve controle como roteirista solo, diretor e produtor, de longe seus melhores filmes. Apatow é um excelente amigo-muso-inspirador, mas como colega de trabalho ele extingue as melhores características de Jake.

Nota 2: Curiosidade Californicatiana, a Lolita sociopata de Californication, Madeline Zima, é uma das “Slut Wars” em The TV Set, assim como a Dani California cita as tais “Slut Wars” num episódio do seriado. Slut Wars seria algo como um Big Brother com moças de biquini, o que não difere muito do original, é claro.

Os Melhores Filmes de Cada Ano que Vivi: 2007

Publicado em ANOS 00, CURTAS, DICAS, MELHORES FILMES, SCREENSHOT, VIDEOS por Georgina Spiggott em Agosto 4, 2008

Vi esse esqueminha lá no blog do Léo e como sou invejosa para coisas bacanas, farei também… que além da lista do Dança Fragmentada, rolaram a listas do Universo Tangente; Discreto blog da Burguesia; Vida ordinária.
Veja bem, tais citações não serão os melhores filmes de cada ano na minha opinião pessoal, mas sim os mais emblemáticos na minha vida. Mas farei como contagem regressiva e tirando 2008, primeiro porque passou pouco mais de um semestre, segundo porque foram poucas as coisas realmente me divertiram no cinema este ano e o hors concours foi obviamente Indiana Jones, mais por um revival de anos anteriores do que uma sensação atual. E como sou megalomaníaca, farei um top 5 de cada ano.

1- Ratatouille

Se existe um filme que realmente acabou comigo em 2007, este foi Ratatouille. Que grande pedaço de arte é essa pérola camuflada de fantasia infanto-juvenil, duvido que alguma criança tenha saboreado melhor tal filme do que qualquer adulto que já tenha lido Marcel Proust, afinal, paladar se aprimora com a idade. Não, a França, o paladar e a experiência vivida não são mera coincidência neste assustadoramente maduro Ratatouille.

2- Stephen Fry: Guilty
Este pequeno documentário da BBC é um achado, primeiro porque se vê o altamente intelectualizado comediante inglês Stephen Fry chutando o balde e assumindo que é fã de ABBA entre outras coisas não muito bem quistas pela pretensiosa e suposta elite intelectual que assola o mundo, segundo porque tenho uma queda por quase tudo que ele menciona e não tenho vergonha de assumir.

3 – Saneamento Básico, O FilmeTenho que confessar que este filme é uma obra prima, elenco perfeito, texto perfeito e a mais vívida realidade do que é fazer cinema no Brasil. Sem mencionar que o Monstro do Fosso é a maior criação do cinema B mundial desde os tempos de Ed Wood Jr.

4 – GrindhouseTirando a papagaiada nacional de não poder ver o bagulho completo nos cinemas e blábláblá, fazendo que apelemos à boa e velha atividade ilegal e apesar de que eu esperava algo mais podreira e artesanal do que realmente foi, é no mínimo tranquilizador que ainda se possa ver esse tipo de ode ao bom cinema B por aí. Afinal, não é todo dia que vemos o pinto do Tarantino derretendo.

5- Across the Universe
É brega, é kitsch e a tal da elite intelectual odeia. E daí? Tem Beatles, Jim Sturguess e a Salma Hayek vestida de enfermeira gostosa. Adoro, é claro.

Reais melhores filmes do ano: I’m Not There, No Country for Old Men, Zodiac.I'M NOT THERE

Help! (1965)

Publicado em ANOS 60, AVENTURA, COMÉDIA, LONGAS, MUSICAL, ROCK, VIDEOS por Georgina Spiggott em Julho 1, 2008

Submarino Amarelo (The Beatles’ Yellow Submarine, 1968)

Publicado em ANIMAÇÃO, ANOS 60, COMÉDIA, FANTASIA, LONGAS, MUSICAL, ROCK, VIDEOS por Georgina Spiggott em Junho 28, 2008

Let It Be (1970)

Publicado em ANOS 70, DOCUMENTÁRIO, LONGAS, MUSICAL, ROCK, VIDEOS por Georgina Spiggott em Junho 26, 2008

Kachi-Kachi Yama (1965)

Publicado em ANIMAÇÃO, ANOS 60, CONFIDÊNCIAS, CURTAS, DICAS, POP ART, VIDEOS por Georgina Spiggott em Junho 18, 2008

Que um dos maiores artistas do Japão represente aqui o centenário, especialmente por esse curta ser tão ocidental.

É claro que não ia esquecer de um dia que me dá vontade sair na rua vestida de gueixa (tá, não faço estilo gueixa e me sentiria mais à vontade de samurai com uma katana bem grande) cheia de saquê e gritando meu amor aos japas. Apesar de completamente italiana e mesmo assim ser confundida como nikkei (especialmente por verdadeiros nikkeis), é na cultura nipônica que está minha grande influência e a grande parte das pessoas mais importantes que passaram e que continuam na minha vida. Por isso, não tem como não ficar feliz porque alguém do Japão resolveu vir para este país “exótico” há 100 anos e com ele trazendo sua comida, sua filosofia e o amor de seus descendentes. Afinal, o que seria da minha vida sem o budismo, o sushi e os amigos?

Para quem não é nipofílico ainda, nunca é tarde para se tornar um e o site do Daniel Ferraz pode ser um belo início: NIPOFILIA.

Os Reis do Iê Iê Iê (A Hard Day’s Night, 1964)

Publicado em ANOS 60, COMÉDIA, MUSICAL, VIDEOS por Georgina Spiggott em Abril 3, 2008

Morre Neil Aspinall (1941 – 2008)

Publicado em ANOS 60, FOTOGRAFIA, MORTES por Georgina Spiggott em Março 23, 2008

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