Quixotando

Gente foda usa tapa-olho: Bette Davis

Publicado em ANOS 60, TAPA-OLHO por Georgina Spiggott em Agosto 31, 2009

The Anniversary - Bette DavisEm tempos do hammeriano-hagsploitation-cômico O Aniversário (The Anniversary, Roy Ward Baker, 1968).
Oras, ninguém interpretava melhor velhotas loucas nos anos 60 do que Miss Davis.

Etiquetado como:

Filmes bacanas de cada ano que o cinema viveu: 1964

Publicado em ANOS 60, CURTAS, MELHORES FILMES, VIDEOS por Georgina Spiggott em Julho 31, 2009

1- Com a Maldade na Alma (Hush… Hush, Sweet Charlotte, Robert Aldrich)Hush... Hush, Sweet CharlotteNão há a mínima chance de se excluir o Aldrich de uma lista de maiores auteurs do cinema americano. E esse, minha gente, é um desbunde e favorito pessoal.

2- À Meia-Noite Levarei Sua Alma (José Mojica Marins)À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1964)  Zé do CaixãoTudo que disse acima a respeito do Aldrich vale para o Mojica, só troque a palavra americano por brasileiro.

3- Os Reis do Iê Iê Iê (A Hard Day’s Night, Richard Lester)A Hard Day's Night - Paul McCartney & Wilfrid BrambellAh, a minha boa e velha obsessão por Richard Lester… Tolinho de quem acha que este é “um filme dos Beatles” e não do mais influente diretor de comédia dos últimos 50 anos.

4- O Homem do Rio (L’homme de Rio, Philippe de Broca)L'homme de Rio (1964) Jean-Paul BelmondoAté agora a versão não-oficial de Tintin que mais gosto, se não contarmos Indiana Jones, é claro! No final das contas tanto o Sr Dufourquet e o Dr Jones são mesmo filhos legítimos daquele belga lá.

5- A Velha a Fiar (Humberto Mauro) No mínimo Humberto Mauro é o pai do videoclipe moderno.

Real Melhor filme do ano: O Beijo Amargo (The Naked Kiss, Samuel Fuller)The Naked Kiss (1964) Constance Towers

Cem anos de Errol Flynn – Parte 2

Publicado em ANOS 30, ANOS 40, ANOS 50, IMPRESSÕES, MUSOS por Adriana Scarpin em Junho 20, 2009

13- Meu Reino por um Amor (The Private Lives of Elizabeth and Essex, Michael Curtiz, 1939)Bette Davis & Errol Flynn (The Private Lives of Elizabeth and Essex)É nesse filme que consta o famoso tapão na cara que Davis deu em Flynn durante uma cena, aquela expressão de indignação era real. Os chefes dos estúdios eram umas belezinhas, neste caso, Jack Warner mesmo sabendo da falta de afinidade entre Davis e Flynn, colocou-os novamente como casal em um filme que Davis sonhara dividir com Laurence Olivier. Infelizmente eles faziam um grande duo na tela e nunca mais voltaram a contracenar. Décadas mais tarde Miss Davis confidenciou a Miss Havilland que Flynn realmente tinha feito um ótimo trabalho como Conde de Essex e que ela esteve errada durante todo o tempo a respeito dele (ah! nada como a maturidade para ajeitar certas coisas!) e para isso Miss Haviland nem precisou aplicar o seu notório corretivo Hush…Hush, Sweet Charlotte.

14- O Gavião do Mar (The Sea Hawk, Michael Curtiz, 1940)Flora Robson, Errol Flynn (The Sea Hawk)E Mr Flynn se vinga de Miss Davis. Se Bette Davis queria Laurence Olivier para o papel que ficou por conta de Flynn em The Private Lives of Elizabeth and Essex, eis que Mr Flynn toma a rainha Elizabeth vivida por Flora Robson em Fire Over England e que alí dividia cena com Sir Olivier. Tal qual o próprio Fire Over England, The Sea Hawk faz um paralelo entre a inquisição espanhola e a ascenção nazista na Europa daqueles idos, um tipo de preocupação que o austro-húngaro Michael Curtiz deixava transparecer em todos os seus filmes da época, principalmente em Casablanca. Não gosto deste filme de piratas do duo Flynn-Curtiz tanto quanto Capitão Blood, mas ainda é um grande exemplo do gênero, além do mais, Mr Flynn está mais deslumbrante do que nunca. Ó céus, que homem lindo.

15- Perseguidos (Northern Pursuit, Raoul Walsh, 1943)Northern pursuit - Errol Flynn, Helmut Dantine e John RidgelyÉ fato: Raoul Walsh sabia tudo e um pouco mais. Sempre tive sérios problemas com filmes como propaganda de guerra, mas o Walsh é daqueles artesões que nos fazem esquecer os intentos belicistas por trás de tais filmes. Ó céus, o que é aquela cena do jantar na prisão com o coronel alemão enojado por se sentir como um judeu numerado num campo de concentração? Esse momento vale o filme e entraria fácil numa antologia de melhores sequências da carreira de Walsh, mas as coisas não param por aí, o filme é um desbunde artístico como um tôdo e Errol Flynn é exatamente o tipo de ator necessário aos intentos de Walsh, mesmo este trabalho não estando entre as melhores colaborações da dupla.

16- Uma Cidade que Surge (Dodge City, Michael Curtiz, 1939)Dodge City - Alan Hale, Errol Flynn e Guinn 'Big Boy' WilliamsAi ai ai ai, que homem lindo. Nunca vou cansar de repetir, mas Mr Flynn acaba desviando a atenção fazendo com que tudo ao redor se torne dispensável. Dodge City é um dos filmes em que ele está mais lindo, sobretudo por conta da deslumbrante fotografia colorida, raramente acho que pessoas são melhores fotografadas em technicolor do que em branco e preto, mas Mr Flynn é um desses casos raros aos meus olhos e poderia passar toda a eternidade diante de uma câmera sem nem sequer se mover, só existindo. Esse homem é uma paisagem, uma obra de arte, se John Ford tinha o Monument Valley, Curtiz e Walsh tinham Errol Flynn.

17- O Príncipe e o Mendigo (The Prince and the Pauper, William Keighley/William Dieterle, 1937)Prince and the Pauper - Claude Rains, Errol Flynn & Billy MauchDefinitiva e melhor versão da história de Mark Twain, onde Flynny encarna o porco-espinho Miles Hendon e Claude Rains está mais vilanesco do que nunca. Curioso constatar que exatos 40 anos depois o igualmente cachaceiro Oliver Reed se valeu do mesmo papel de Miles Hendon na versão de Richard Fleischer.

18- A Carga da Brigada Ligeira (The Charge of the Light Brigade, Michael Curtiz, 1936)Charge of the Light Brigade200 cavalos. Reza a lenda que foram mortos cerca de 200 cavalos durante essa filmagem. É um filme impressionantemente violento para a época em que foi filmado, inclusive se visualiza um massacre de crianças, algo não muito comum nos anos 30 mesmo para filmes de guerra. Flynn está lindo e másculo como sempre naquela roupa do exército britânico. Ah, também é dessa filmagem a famosa frase de Curtiz Bring on the empty horses! que acabou virando o título da autobiografia de David Niven, um coadjuvante da Brigada.

19- Patrulha da Madrugada (The Dawn Patrol, Edmund Goulding, 1938)Errol Flynn, David Niven, Michael Brooke (The Dawn Patrol)Bom filme sobre pilotos de avião durante a primeira guerra, num tom amargo e estranhamente anti-belicista para um tempo à beira da Segunda Guerra. O trunfo aqui é a dinâmica e o entrosamento dos atores em torno de suas personagens, pois algo que vou dizer até o fim da vida é que até hoje ninguém conseguiu se equiparar em excelência às cenas aéreas gravadas por Howard Hughes em Hells Angels e o filme de Goulding não é diferente em comparação, especialmente porque foram reutilizadas da versão de 1930. Pelas minhas contas Flynn e David Niven compartilharam apenas dois filmes, o que é um pecado, eles eram sensacionais juntos.

20- As Aventuras de Don Juan (Adventures of Don Juan, Vincent Sherman, 1948)Adventures of Don Juan (1948) DEMOROU. Ainda na cola de John Barrymore e Douglas Fairbanks, eis que o homem finalmente se joga no personagem que nascera para encarnar. Era para o Walsh ter dirigido esta versão, mas deu merda, vai ver por isso Flynn roubou a bandana do Fairbanks em Ladrão de Bagdá, filme este que considero a obra prima de Walsh. Apesar de Don Juan ser um grande exemplo de capa-espada, esse período foi o início da decadência de Flynn, o cinema em Hollywood estava mudando, o star system estava morrendo e a Golden Age estava em seu canto do cisne.
É assustador como Flynn envelheceu de repente por conta de sua vida desregrada, de Santo Antonio para Don Juan passaram-se apenas 3 anos, mas a face dele fazia parecer 10, especialmente porque entre esses filmes ele adoeceu (tinha tuberculose, malária, coração fraco e dor nas costas!) e somou heroína e morfina ao alcóol na sua dieta básica. Flynn sempre aparentou ser mais velho do que realmente era, em Capitão Blood ele tinha uns 25, 26 anos e ninguém daria menos de 30 (a experiência em excesso ficava evidente), mesmo assim em Don Juan ele continua lindo e com corpão, aproveitando a deixa para usar as calças mais indecentes de sua carreira. Ele também aproveita para exorcizar certas coisas sobre sua própria vida, especialmente em relação às acusações de estupro estatutário, pois nem sempre ele era o sedutor irresistível da história como bem ele se defendeu certa vez: I don’t have to seduce girls. For Christ’s sake, I come home and they’re hiding under my bed.

21- Mademoiselle Fifi (It’s a Great Feeling, David Butler, 1949)It's a Great Feeling (1949) - Errol FlynnPronto. Estraguei o final surpresa para quem não viu o filme. Essa espécie de precursor de Cantando na Chuva é um veículo para o trio Dennis Morgan, Doris Day e Jack Carson, onde há zilhões de participações divertidíssimas de astros e cineastas da Warner: Raoul Walsh, Joan Crawford, Ronald Reagan, Jane Wyman, Edward Robinson, Michael Curtiz, Gary Cooper, Danny Kaye, etc etc. Doris Day passa o filme todo reclamando que não deveria ter deixado o namoradinho de infância para seguir a carreira artística, até que enfim ela retorna para seu homem e ele é Errol Flynn.

22- Caravana de Ouro (Virginia City, Michael Curtiz, 1940)Virginia City - Guinn Big Boy Williams, Humphrey Bogart, Alan Hale & Errol FlynnHahahaha olha o Bogie bandidão mexicano com bigodinho de Errol Flynn! Minha gente, não havia nada mais oposto no mundo do que Bogart e Flynn, tudo que um tinha de discreto e mal humorado, o outro tinha de flamboyant e radiante, é uma dádiva poder vê-los dividindo cena. Mas não apenas estes ícones estão presentes, minha diva pre-code Mirian Hopkins e Randolph Scott também dão o ar da graça, além do usual staff flynniano formado por Guinn “Big Boy” Williams e Alan Hale. Sempre rolou um certo preconceito com Flynn nos westerns, em geral a galera reclama que ele não conseguia ser macho o suficiente, que ele era “legal demais”, é logico que é só homem que reclama dessas bobagens, Flynn era gostosérrimo, ora bolas, quem se importa com o resto???

23- Nunca me Diga Adeus (Never Say Goodbye, James V. Kern, 1946)Never Say Goodbye (1946) Eleanor Parker & Errol FlynnHahahaha Flynn imitando Bogie! Essa sem dúvida é a grande piada desta comédia romântica, numa cena em que se expurga a maldição de Flynn, como bem menciona para sua filha no filme: Se você pode me imaginar como Robin Hood, por que não como um cara durão? e logo depois vemos a explicação do porquê. Não obtive nenhuma confirmação, mas reza a lenda que é o próprio Bogart quem faz a dublagem dessa cena, coisa que acredito, pois a voz era idêntica. Roteiro de I.A.L. Diamond, um dos mais habitués de Billy Wilder.

24- O Homem Perfeito (The Perfect Specimen, Michael Curtiz, 1937)The Perfect Specimen - May Robson, Errol Flynn & Joan BlondellPrestou atenção no título? Pois então, é isso que a gente pensa quando olha para Mr Flynn. Comédia romântica onde Flynn e Joan Blondell compensam cada segundo em cena, com direito aos indefectíveis May Robson e Edward Everett Horton como elenco de apoio. Apesar de Michael Curtiz ser açogueiro demais para se infiltrar no screwball, o filme não sofre em grande quantidade com isso, nos legando momentos deliciosos (tal qual o astro principal!), especialmente quando Flynny mostra seus talentos como boxer.

25- O Mestre da Vingança (The Master of Ballantrae, William Keighley, 1953)Ballantrae - FlynnAqui Flynn tinha apenas 43 anos mas aparentava ter bem mais, o que torna especialmente depressivo assistir seus filmes dos anos 50, mais deprimente ainda é o fato deste ser o ponto final de seu reinado na Warner, depois de 18 anos de muitos conflitos e lucros, Flynn foi gentilmente convidado a se retirar e qualquer semelhança com Nasce Uma Estrela não é mera coincidência, “matinée idols” problemáticos eram assim descartados desde o início dos tempos. No mais é um filme bacaninha, especialmente algo que some Roger Livesey + Piratas + Errol Flynn + Escoseses + Robert Louis Stevenson, além da habitual fotografia deslumbrante de Jack Cardiff.
Mas o grande mistério pairando é: depois de todas aquelas roupas espalhafatosas por que Flynny não foi capaz de usar um reles kilt? Essa sim foi a maior bobagem que ele fez em sua vida.

26- A Noiva Curiosa (The Case of Curious Bride, Michael Curtiz, 1935)The Case of the Curious Bride (1935)E Flynn conhece Hollywood. E Michael Curtiz. O homem estréia nos EUA no papel do homem morto (e que cadáver!) em um dos divertidíssimos filmes onde Warren William encarna Perry Mason, lá pelo final do filme ele aparece vivo num flashback espancando a suposta personagem-título e brigando com o suspeito de assassinato, daí finalmente sabemos o que na verdade ocorreu, ou seja, um bom começo. Outro bom começo dessa época foi ter conhecido a ex-mulher de Curtiz, dona Lili Damita, que se tornou a primeira Mrs Errol Flynn e foi responsável direta na ascenção de sua carreira.

27- Luz de Esperança (Green Light, Frank Borzage, 1937)Anita Louise & Errol (Green Light)Flynny vestido de médico. Mmmmm… Borzage era um artista e tanto, além de ser pai de Douglas Sirk e um dos grandes delineadores do cinema americano, é sempre um prazer estudar as nuances de seu trabalho, nas mãos de um diretor medíocre este filme se tornaria a maior das vias-crucis, mas Borzage transforma este melodrama numa grande aula de como se fazer cinema. É com ele que Flynn se infiltra num ambiente para além do swashbuckler.

*Da série: Este post foi programado, eu não estou aqui!

Cem anos de Errol Flynn – Parte 3

Publicado em ANOS 30, ANOS 40, ANOS 50, IMPRESSÕES, MUSOS por Adriana Scarpin em Junho 20, 2009

28- As Irmãs (The Sisters, Anatole Litvak, 1938)Bette Davis & Errol Flynn (The Sisters)Bette Davis e Errol Flynn se odiavam mas souberam muito bem disfarçar o desafeto mútuo em As Irmãs. Todos sabemos da excelência de Bette Davis como atriz, mas ela prova a sua superioridade como mulher pelo simples fato de conseguir o que poucos seres humanos poderiam: sentir desprezo por Errol Flynn. Este filme ainda existe para provar que Flynn era bom ator ao poder demonstrar paixão por Davis.

29- Cidade Sem Lei (San Antonio, David Butler/Robert Florey/Raoul Walsh, 1945)San Antonio - Errol Flynn & Alexis SmithFaroeste cômico na primeira metade, demasiado sério na segunda e bastante equivocado como um tôdo. Flynn continua lindo e irresistível como habitual, mas quem rouba a cena é SZ Sakall com sua clara homenagem a Michael Curtiz, é impossível não gargalhar toda vez que ele abre a boca e nos faz pensar o quanto devia ser um inferno para quem estava ao lado de Curtiz num set de filmagem, já que era impossível entender uma sentença sequer pronunciada por ele. Esse filme é a prova do quanto é necessário saber pequenos detalhes de produção e até da vida pessoal das pessoas envolvidas para se ter maior compreensão do que se vê na tela, sem isso, noventa por cento das piadas passariam desapercebidas.

30- Mansão da Loucura (Cry Wolf, Peter Godfrey, 1947)Cry Wolf (1947) - Barbara Stanwyck, Geraldine Brooks, Errol FlynnE surge alguém páreo para Miss Stanwyck! Babs Stanwyck é a mulher mais sexy do universo e vê-la ao lado de Mr Flynn é uma confluência sem medida de sex appeal, mesmo este sendo um filme menor da carreira de ambos. Menor, mas dotado de qualificações das quais a mais exuberante é a distinção com que Flynn trata sua personagem na pele de um cientista um tanto quanto suspeito, numa atuação até então inusual para sua carreira, carregando na tensão de um soturno filme noir e que lembra o cinema de Val Lewton em certos aspectos, mas que desanda por completo nos horrorosos cinco minutos finais.

31- Demônios do Céu (Dive Bomber, Michael Curtiz, 1941)Dive Bomber (1941)Impressionante, este é o pai de Top Gun, é a sua versão anos 40 sem tirar nem pôr. Mais impressionante ainda é o quanto a teoria do Tarantino em Vem Dormir Comigo cai como uma luva ainda melhor ajustada em Dive Bomber, chega a ser assustador o quanto os homens desprezam e correm das mulheres neste filme, isso porque estamos falando de um filme com Errol Flynn, meu deus! É claro que tudo isso torna o filme mais divertido, mas nada se compara ao fechamento fetichista de tudo que Errol Flynn representa: ele já fora pirata, cowboy, oficial britânico, Robin Hood, piloto, dandy, médico e eis que surge em cena Mr Flynn com um impecável uniforme branco da marinha. Tire o sorriso da cara se for capaz.
E é aqui onde a parceria de Flynn-Curtiz acaba, com os berros de Curtiz e Flynn tentando estrangulá-lo.

32- Kim (Victor Saville, 1950)Kim (1950) Dean Stockwell & Errol FlynnOlha o Flynny ruivão! Impressionante como até com cabelo laranja este homem continua lindo. Eu só quis assistir este filme em virtude das histórias que o Dean Stockwell conta sobre as filmagens. Stockwell foi um privilegiado, aos doze anos tinha aula de educação sexual com Errol Flynn e nada no mundo paga este tipo de coisa. Além do mais o guri foi uma das duas únicas crianças prodígio do cinema que não me dão aflição (o outro é o Roddy McDowall) e este filme bacana é todo dele, pontos extras para Stockwell pela seguinte observação sobre Flynn: I’m not saying I’d recommend him for the rest of society. It just so happened that at that time of my life – I was twelve or something – he was what he was: a truly profound, nonsuperficial sex symbol. He was the fucking male.

33- Don’t Bet on Blondes (Robert Florey, 1935) Don't Bet on Blondes (1935) Errol Flynn & Claire DoddMais uma dessas divertidas pequenas comédias protagonizadas por Warren William (ator e inventor do cortador de grama elétrico!), onde este tira Mr Flynn para fora do jogo na conquista por Claire Dodd de forma um tanto quanto desonesta.

34- Caminhando nas Sombras (Footsteps in the Dark, Lloyd Bacon, 1941)Footsteps in the Dark (1941) Errol FlynnOutro dos inúmeros atentados de plágio ao Thin Man williampowelliano, mas é um filme decente, além disso era 1941 e nessa época Flynny era o imperador do universo e não havia súdita que reclamasse, o homem tinha verdadeiro dom para comédia e se lhe tivessem dado papéis decentes poderia ter se tornado a versão despirocada do Cary Grant.

35- Contra Todas as Bandeiras (Against All Flags, George Sherman, 1952)Against All Flags (1952) Errol Flynn & Maureen O'HaraMelhor que Errol Flynn em technicolor, só Maureen O’Hara. Nada paga o prazer de ver a cena onde Flynn ensina Maureen a se comportar como mulher, ela dizia que era uma beleza gravar com ele pela manhã e durante este período Errol se mantinha altamente profissional, mas com o decorrer da tarde ele ia ficando mais bêbado e ficava impossível gravar qualquer coisa. O que é uma tristeza pois formavam um belo casal nas telas, Errol com seu habitual ar de filho da puta e Maureen com o não menos habitual ar de fogo nas ventas.

36- A Estrada de Santa Fé (Santa Fe Trail, Michael Curtiz, 1940)Olivia de Havilland, Errol Flynn, Ronald Reagan (Santa Fe Trail)Conta a historinha e alguns fatos que levaram os EUA à Guerra da Secessão. Flynn faz par pela enésima vez com Havilland e aquele presidente estranho dos anos 80 interpreta o jovem General Custer!

37- Graças à Minha Boa Estrela (Thank Your Lucky Stars, David Butler, 1943) Thank Your Lucky StarsEis que Mr Flynn se apresenta com um bigode digno de respeito! Um daqueles filmes-show rotineiros em tempos da segunda guerra feitos para venda de bônus e pelos quais tenho pouco apreço e paciência. Mas quem se importa? Tem Errol Flynn lindo cantando e dançando num boteco, oras.

38- E Agora Brilha o Sol (The Sun Also Rises, Henry King, 1957)The Sun Also Rises (1957)Deprimente, deveras deprimente. Deprimente porque faz um paralelo entre a geração perdida dos anos 20 com a geração perdida da Golden Age Hollywoodiana, da qual Flynn, Ava Gardner e Tyrone Power foram exemplos máximos. Faz um tempo danado que vi este, mas lembro que o próprio Flynn tinha sua cota natural de personagem hemingwana, tornando as coisas ainda mais próximas entre a ficção e realidade, tal qual Ava Gardner era a versão feminina do próprio Flynn em Hollywood, mas com menos álcool no sangue, embora igualmente parecendo ter saído de um livro do Hemingway. Não é um filme que eu muito aprecie, entra na categoria pé-no-saquinho, mas a aura de último suspiro pairando sob Tyrone e Flynn é demasiado melancólica para ser desprezada, Tyrone morreria no ano seguinte e Flynn dois anos depois.

39- Quero-te Junto a Mim (Escape Me Never, Peter Godfrey/LeRoy Prinz, 1947)Errol Flynn & Ida Lupino (Escape Me Never)Não é só o título nacional que é ultra-brega, o melodrama romântico em si também. Tudo bem que Flynny e Ida Lupino tenham uma grande química e a trilha sonora fique por conta de Korngold (o “compositor pessoal” de Flynn), mas todo o resto é brega demais até para o meu gosto duvidoso. Vale lembrar que a magnânima toda poderosa Ida Lupino foi uma das pessoas que mais apoiaram Flynn publicamente durante o julgamento de estupro estatutário em 1943 – mulher fodona desde sempre.

40- Il maestro di Don Giovanni (Milton Krims/Vittorio Vassarotti, 1954)Errol Flynn and Gina Lollobrigida in Crossed Swords (1954)Não tem jeito, de alguma forma o povo sempre vai parar na Itália em algum momento da vida. Aqui Flynn praticamente reprisa seu papel de Don Juan, trocando o ambiente espanhol pelo italiano.

41- King’s Rhapsody (Herbert Wilcox, 1955)King's Rhapsody (1955) Errol Flynn & Patrice WymoreEm mais uma incursão ao cinema do duo Herbert Wilcox-Anna Neagle, Flynn volta ser ajudado por eles numa fase terrível de sua vida. Wilcox-Neagle faziam um sucesso estrondoso na Inglaterra, tanto nas telas quanto nos palcos, embora para o resto do mundo eles continuem levemente desconhecidos. Dame Anna Neagle era uma espécie de Ginger Rogers inglesa, o que faz deste filme um musical, mas infelizmente não tão bom quanto gostaríamos.

*Da série: Este post foi programado, eu não estou aqui!

Centenário de Joseph L. Mankiewicz

Publicado em ANOS 50, ANOS 70, COMÉDIA, DRAMA, IMPRESSÕES, MUSICAL por Georgina Spiggott em Fevereiro 11, 2009
Joseph L. Mankiewicz, Ava Gardner - The Barefoot Contessa (1954)

Mankiewicz a ensinar Ava Gardner como é que se faz em A Condessa Descalça (The Barefoot Contessa, 1954), filme este veladamente inspirado na vida de Rita Hayworth.

Top 5 do homem:

1- Trama Diabólica/Jogo Mortal (Sleuth, 1972)Laurence Olivier, Michael Caine - SLEUTH (1972)Laurence Olivier e Michael Caine num duelo até a morte? Aqui Mankiewicz levou ao topo sua obsessão com o tema de duelo de egos que perpassou toda a sua carreira, nada mais adequado do que transitar a vida real para o cinema quando Sir Olivier era o grande astro da atuação inglesa e Sir Caine era a ameaça para roubar-lhe o trono.

2- A Malvada (All About Eve, 1950)ANNE BAXTER & BETTE DAVIS - All About Eve (1950)Outrora seu irmão Herman ajudara a debicar o casal Hearst/Davies em Cidadão Kane, agora era vez de Joseph mexer com certos egos Hollywoodianos, mas especificamente o casal Tallulah Bankhead e Lizabeth Scott. A inspiração é tão descarada que até o figurino de Miss Davis chega a ser cópia exata de roupas que Bankhead outrora usara, sem mencionar o cabelo, a maquiagem, o modo de falar e até o jeito de segurar o cigarro, enquanto Anne Baxter se esbalda no jeito aparentemente doce de Miss Scott. Mas estamos em 1950 e o código ainda era vigente em Hollywood, portanto os resquícios de homossexualismo só ficam à mercê dos mais atentos.

3- Eles e Elas (Guys and Dolls, 1955)MARLON BRANDO, JEAN SIMMONS, FRANK SINATRA & VIVIAN BLANE (Guys and Dolls)Alguém que não canta nem dança tem que ter muito culhão para aceitar fazer um musical ao lado de Frank Sinatra. Marlon Brando teve. É quase como se Mankiewicz quisesse nos mostrar se Brando estava mesmo apto a ser o astro do momento, dois anos antes já o obrigara a encarar Shakespeare ao lado de James Mason e Sir John Gielgud em Julio Cesar, agora o colocara a cantar ao lado de Sinatra. Ao contrário do que possa aparentar, Mankiewicz não queriar derrubar Brando com tais desafios, mesmo porque feio não fez em nenhum deles e só ajudou a firmá-lo como o maior astro de todos os tempos.

4- De Repente, no Último Verão (Suddenly, Last Summer, 1959)Suddenly, Last Summer (1959) - ELIZABETH TAYLORNos anos 50 Hollywood estava obcecada por Tennessee Williams, o que lhes fez muito bem como transição para a saída completa do agonizante Código Hays. Gore Vidal ficou com o roteiro, este que sempre fora perito em destrinchar roteiros sobre homossexualismo velado, aqui se esbaldou por ser muito mais às claras do que todos estavam acostumados. Ó meu deus, comeram o Sebastian! Tolinhos.

5- Ninho de Cobras (There Was a Crooked Man… 1970) There Was a Crooked Man... (1970) KIRK DOUGLAS & HENRY FONDAHenry Fonda! Warren Oates! Kirk Douglas! Burgess Meredith! Hume Cronyn! Michael Blodgett pelado! É Mankiewicz juntando todo esse povo bom num western/men in prison para falar sobre onde começa e termina a moralidade do ser humano, quanto a aplicabilidade de circunstâncias e a área limítrofe onde se coloca em xeque toda a sua forma de pensar até então. Ah, é deveras divertido também.

25 atrizes

Publicado em CHEESECAKE, FOTOGRAFIA, MUSAS por Georgina Spiggott em Dezembro 11, 2008

Tá rolando um meme nos blogs pelo mundo de atrizes favoritas, quem quiser que também o faça, as minhas não estão em ordem de preferência porque não sou louca de fazer uma coisa dessas, entre parenteses está meu filme favorito de cada uma delas e cujas fotos não tem a ver com os mesmos. São mulheres que aos meus olhos sobrepôem o nome de qualquer cineasta na minha ânsia por vê-las.

Glenda Jackson

Glenda Jackson (Mulheres Apaixonadas/Women in Love, Ken Russell, 1969)

Isabelle Huppert

Isabelle Huppert (A Professora de Piano/La Pianiste, Michael Haneke, 2001)

Louise Brooks

Louise Brooks (A Caixa de Pandora/Die Büchse der Pandora, GW Pabst, 1929)

Barbara Stanwyck

Barbara Stanwyck (As Três Noites de Eva/The Lady Eve, Preston Sturges, 1941)

Anna Karina

Anna Karina (Bande à Part, Jean Luc Godard, 1964)

Miriam Hopkins

Miriam Hopkins (Ladrão de Alcova/Trouble in Paradise, Ernst Lubitsch, 1932)

Julie Christie

Julie Christie (Petulia/Um Demônio de Mulher, Richard Lester, 1968)

(Deserto Vermelho)

Monica Vitti (Deserto Vermelho/Il Deserto Rosso, Michelangelo Antonioni, 1964)

Helena Ignez

Helena Ignez (A Mulher de Todos, Rogério Sganzerla, 1969)

Pam Grier (Foxy Brown, Jack Hill, 1974)

Pam Grier (Foxy Brown, Jack Hill, 1974)

Carole Lombard by Otto Dyar

Carole Lombard (Irene, A Teimosa/My Man Godfrey, Gregory La Cava, 1936)

Liv Ullman

Liv Ullman (Persona, Ingmar Bergman, 1966)

Agnes Moorehead

Agnes Moorehead (Soberba/The Magnificent Ambersons, Orson Welles, 1942)

Marlene Dietrich (O Diabo Feito Mulher/Rancho Notorious, Fritz Lang, 1952)

Marlene Dietrich (O Diabo Feito Mulher/Rancho Notorious, Fritz Lang, 1952)

Sasori, Shunya Ito, 1972)

Meiko Kaji (Joshuu 701-gô: Sasori, Shunya Ito, 1972)

Bette Davis (O que terá Acontecido a Baby Jane?/What Ever Happened to Baby Jane?, Robert Aldrich, 1962)

Bette Davis (O que terá Acontecido a Baby Jane?/What Ever Happened to Baby Jane?, Robert Aldrich, 1962)

Joan Crawford (Johnny Guitar, Nicholas Ray, 1954)

Joan Crawford (Johnny Guitar, Nicholas Ray, 1954)

Faye Dunaway (Rede de Intrigas/Network, 1976)

Faye Dunaway (Rede de Intrigas/Network, Sidney Lumet, 1976)

Catherine Deneuve (Repulsa ao Sexo/Repulsion, Roman Polanski, 1965)

Catherine Deneuve (Repulsa ao Sexo/Repulsion, Roman Polanski, 1965)

Vanessa Redgrave (Blow-Up, Michelangelo Antonioni, 1966)

Vanessa Redgrave (Blow-Up, Michelangelo Antonioni, 1966)

Jeanne Moreau (Jules et Jim, François Truffaut, 1962)

Jeanne Moreau (Jules et Jim, François Truffaut, 1962)

Cate Blanchett (Não Estou Lá/I'm Not There, Todd Haynes, 2007)

Cate Blanchett (Não Estou Lá/I'm Not There, Todd Haynes, 2007)

Florinda Bolkan (Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita/Indagine su un cittadino al di sopra di ogni sospetto, Elio Petri, 1970)

Florinda Bolkan (Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita/Indagine su un cittadino al di sopra di ogni sospetto, Elio Petri, 1970)

Julianne Moore (O Grande Lebowski/The Big Lebowski, Coen Brothers, 1998)

Julianne Moore (O Grande Lebowski/The Big Lebowski, Coen Brothers, 1998)

Shirley MacLaine (Se Meu Apartamento Falasse/The Apartment, Billy Wilder, 1960)

Shirley MacLaine (Se Meu Apartamento Falasse/The Apartment, Billy Wilder, 1960)

Nota 1: Nem é preciso mencionar que cometi uns pecados cabeludos ao deixar muita gente de fora, para ficar satisfeita só 40.

Nota 2: Algumas outras listas bacanas que podem ser encontradas por aí: Self-Styled Siren, 1416 and Counting, Film Experience Blog, Video WatchBlog, Coffee, Coffee and More Coffee , Cinebeats, Stinky Lulu, Flickhead, You Can’t Eat the Venetian Blinds, Cinema Styles

Centenário de Bette Davis

Publicado em ANOS 30, FOTOGRAFIA, MUSAS por Georgina Spiggott em Abril 5, 2008

2388698031 B13072af93 O
Melhor que Scarlett O’Hara: Miss Davis em Jezebel (1938)

Nota:Joan Crawford faz aniversário exatos 12 dias antes de Davis, isso é perseguição para toda vida.

Etiquetado como:

A Noiva Caiu do Céu (The Bride Came C.O.D., 1941)

Publicado em ANOS 40, COMÉDIA, LONGAS, ROMANCE, SCREWBALL, VIDEOS por Georgina Spiggott em Março 20, 2008

Servidão Humana / Escravos do Desejo (Of Human Bondage, 1934)

Publicado em ANOS 30, DRAMA, LONGAS, PRE-CODE, ROMANCE, VIDEOS por Georgina Spiggott em Fevereiro 14, 2008

Declarações de amor de Bette Davis a Joan Crawford

Publicado em FOTOGRAFIA, MUSAS por Adriana Scarpin em Maio 29, 2007

Joan Crawford and Bette Davis (1962)- “Ela já dormiu com todos os astros da MGM, exceto a Lassie.”

- “Por que sou tão boa intepretando vilãs? Talvez porque eu não seja uma vilã. Talvez por isso a Joan Crawford sempre interprete mocinhas.”

- “Nunca se deve falar coisas ruins sobre alguém que está morto. Apenas coisas boas. Joan Crawford está morta. Ótimo!” (quando sua inimiga morreu em 1977)

- “Não é porque alguém está morto que se tornou uma pessoa melhor!” (idem)

- “Joan Crawford e eu nunca fomos amigas calorosas. Nunca fomos simpáticas. Eu a admiro e, ao mesmo tempo, sinto-me desconfortável com ela. Para mim, ela é a personificação de uma estrela de cinema. Eu sempre tive a impressão de que sua melhor performance era Crawford interpretando Crawford.”

- “Eu não mijaria nela nem se ela estivesse em chamas.”
O amor é mesmo lindo, não?

Nota: Ainda sonho algum dia poder ver o filme pornô que Crawford fez 1923 e que sumiu da face da terra: The casting Couch. Não é como um fictício Cigarette Burns, mas sabe como é a curiosidade…

Etiquetado como:,

Morreu Vincent Sherman (1906 – 2006)

Publicado em ANOS 40, COMÉDIA, MUSAS, ROMANCE, SCREENSHOT por Georgina Spiggott em Junho 18, 2006

Uma Velha Amizade (Old Acquaintance, 1943)