Quixotando

Exils: de Hitler à Holywood / Exiles in Hollywood (2006)

Publicado em ANOS 30, ANOS 40, DOCUMENTÁRIO, GUERRA, IMPRESSÕES, LEGENDADO, LONGAS, VIDEOS por Adriana Scarpin em Novembro 4, 2008

Ótimo documentário sobre o pessoal de cinema que teve de sair corrido da Europa em tempos de Hitler, seja por serem judeus, homossexuais ou simplesmente por não tolerarem viverem no mesmo continente que o tipinho de bigode caricatural. Não é segredo para ninguém que esses fugitivos foram os responsáveis por boa parte do que há de melhor no cinema americano dos anos 30 e 40, o gênero noir, por exemplo, foi moldado predominantemente por artistas exilados. Hitler praticamente destruiu o cinema alemão, tudo que havia de melhor na UFA era de ascendência judaica ou meramente de antipatizantes do nazismo, de que adianta se para cada Leni Riefenstahl ele impediu centenas de trabalharem e sabe-se deus quantos de nascerem.
Claro que muitos alemães e austro-hungaros já estavam em Hollywood antes da ascensão de Hitler, como Erich Von Stroheim e Ernst Lubitsch, mas nem por isso deixaram de lado seu passado na Alemanha, como é o caso do judeu Lubitsch que talvez tenha construído a maior das sátiras sócio-políticas com o seu Ser ou Não Ser exatamente sobre a atmosfera insana em que se transformara parte da Europa, embora nenhum filme do período tenha abrigado mais artistas anti-nazismo do que Casablanca de Michael Curtiz, este é outro que já curtia Hollywood há algum tempo.
Tanto Lubitsch quanto Marlene Dietrich foram abertamente contrários ao regime hitleriano desde o início e ativamente participantes na ajuda de refugiados migrados para os EUA, incluindo a fundação de uma organização secreta de ajuda onde conseguiam dinheiro para que os judeus fugissem através da Suiça, Lubitsch lotava seus filmes com técnicos e artistas expatriados de guerra, já que não era fácil para todo mundo conseguir emprego durante essa diáspora hollywoodiana. A própria Dietrich estava na lista negra pessoal de Hitler, não que fosse judia, mas porque ela era simplesmente foda mesmo.

Marlene Dietrich e Ernst Lubitsch durante as filmagens de Angel (1937) quando há muito já se preocupavam com a ascensão do nazismo

Marlene Dietrich e Ernst Lubitsch durante as filmagens de Angel (1937) quando há muito já se preocupavam com a ascensão do nazismo

O que muito me espanta é a ausência de Max Ophuls neste documentário que, como muitos de seus compatriotas, fez a habitual escala cinematográfica na França antes de ir para os EUA quando Paris já não mais apresentava a segurança de outrora. Outro que não foi citado foi Otto Preminger, um protegido de Lubitsch desde o início.
Mas claro, nem tudo são rosas na terra do sol, os americanos não gostavam muito dessa invasão germânica e todos os empregos que eles supostamente tirariam e embora ninguém estivesse nem aí para o fato de ser judeu, católico ou protestante, o fato de ser alemão não era visto com bons olhos, mesmo antes de Pearl Harbor e a entrada dos EUA na guerra. Enfim, hoje nada mudou muito em qualquer lugar do mundo.

Nota: Sempre me causa alegria ver como Billy Wilder se refere a Lubitsch, é de um sentimento de adoração tão imenso que parece não haver nada mais grande e elevado na face da terra do que o tio Ernst. E é sempre assim, Wilder nunca perdeu a oportunidade em todas as suas entrevistas de dizer que Lubitsch era o maior de todos. Wilder, pode ser mais famoso e respeitado pelo público de hoje, mas pessoalmente ainda prefiro o cinema de Lubitsch, mesmo porque sem ele Wilder não seria Wilder.

Centenário de Fred MacMurray

Publicado em ANOS 30, ANOS 40, ANOS 60, COMÉDIA, DRAMA, FOTOGRAFIA, MUSAS, MUSOS, NOIR, ROMANCE, SCREWBALL por Georgina Spiggott em Agosto 30, 2008

Barbara Stanwyck e Fred McMurray em Pacto de Sangue

Top 5 MacMurray
1- Pacto de Sangue (Double Indemnity, Billy Wilder, 1944)
2- Se Meu Apartamento Falasse (The Apartment, Billy Wilder, 1960)
3- Corações Unidos (Hands Across the Table, Mitchell Leisen, 1935)
4- Ela e o Secretário (Take a Letter, Darling, Mitchell Leisen, 1942)
5- Lembra-te Daquela Noite (Remember the Night, Mitchell Leisen, 1940)

Nota: MacMurray foi o ator que mais química teve com minha musa-mor Carole Lombard nas telas, muito mais até que o próprio Clark Gable, depois de 4 filmes juntos era difícil não ver Fred-Carole como um dos melhores duos screwball dos anos 30. MacMurray também fez alguns filmes ao lado da minha segunda musa-mor, Barbara Stanwyck, também não há como negar que a química entre eles fosse menos que perfeita.

Cupido Não Tem Bandeira (One, Two, Three, 61)

Publicado em ANOS 60, COMÉDIA, IMPRESSÕES, LONGAS, SÁTIRA, VIDEOS por Adriana Scarpin em Março 7, 2008

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Cupido Não Tem Bandeira é uma das grandes obras de Billy Wilder, mas por alguma razão desconhecida não é reverenciado como deveria. O que explicaria este fato talvez seja a premissa das piadas, praticamente todas são de natureza histórica, política ou cinematográfica, quase não há piadas puras que se possam entender sem ter assistido aquele filme dos anos 30 ou ter aquele livro de história a tira colo, isso o faz mais requintado, mas menos popular.
Baseado em uma peça de Ferenc Molnár, os diálogos são uma metralhadora enlouquecida, sobra para todo mundo: capitalistas, comunistas, nazistas e todos os outros istas do mundo. O filme foi rodado em Berlin durante a construção do Muro, o que dá um clima ainda mais caricato à situação, onde a filha meio cabeça frouxa de um poderoso executivo da Coca-Cola casa-se em segredo com um jovem comunista da Berlin Oriental e quem vai pagar o pato é Jimmy Cagney.
A verdade é que não via Cagney tão foda desde 1933 em Footlight Parade (outro filme que não recebe a devida reverência), com mais essa homenagem de Wilder às comédias screwball, Cagney pôde retornar à velha fórmula de diálogos ultra-ágeis dos anos 30/40 e mostrar o que ele tinha de melhor. Mas afinal, o que Cagney fez na carreira dele que não fora o melhor?

Nota: O poster, como deve ser óbvio, é de Saul Bass.

Cinco Covas no Egito (Five Graves to Cairo, 1943)

Publicado em ANOS 40, AVENTURA, DRAMA, GUERRA, SCREENSHOT por Georgina Spiggott em Fevereiro 13, 2008

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“Eu não gosto de mulheres pela manhã.” – Erich von Stroheim

Wilder e Stroheim ensinando oficiais do exército a gostar apenas do cheiro de napalm pela manhã.

Billy Wilder Speaks (2006)

Publicado em ANOS 90, DOCUMENTÁRIO, DOWNLOAD, IMPRESSÕES por Adriana Scarpin em Janeiro 29, 2008

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E se Billy Wilder fala, a gente ouve.

Billy Wilder Speaks é um documentário sobre uma série de entrevistas que o diretor Volker Schlöndorff fez com Billy Wilder em 1991, originalmente essas entrevistas foram lançadas na tv alemã em seis capítulos, totalizando cerca de três horas e com o nome de Billy How Did You Do It? (Billy Wilder, wie haben Sie’s gemacht?). Infelizmente na versão americana essas entrevistas foram editadas pelo TCM deixando-o com meros 70 minutos e foi essa a edição que pude ver.
Embora picotado, é um prazer imenso ver o tio Billy falando de seus filmes, suas influências, a adoração por Ernst Lubitsch, a arte de se escrever um roteiro, a escolha certa de planos, tudo aquilo que o fez ser o grande autor que era, assim como a opinião pessoal e profissional sobre suas estrelas como Marlene Dietrich, Audrey Hepburn, Marilyn Monroe, Jack Lemmon, William Holden, Humphrey Bogart.
Toda a conversa soa com muita lucidez e sensatez por parte de Wilder, tornando este documentário realmente imperdível.

Nota: Há no emule a versão americana com legendas embutidas em espanhol e que pode ser baixado aqui: Billy Wilder Speaks. Lá também existe os tais seis episódios da tv germânica, mas sem legenda é duro entender o sotaque desgraçado daqueles dois.

Stanwyck MacMurray Double%20Indemnity Barbara Stanwyck e Fred MacMurray em Pacto de Sangue (Double Indemnity, 1944)

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Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard, 1950)

Publicado em ANOS 50, DRAMA, LONGAS, VIDEOS por Georgina Spiggott em Janeiro 15, 2008

Farrapo Humano (The Lost Weekend, 1945)

Publicado em ANOS 40, DRAMA, POSTERS por Adriana Scarpin em Novembro 17, 2006

“Mas meu pensamento não estava na mala. Não estava no fim de semana. Nem estava nas camisas que eu colocava na mala. Meu pensamento estava pendurado na janela, suspenso alguns centímetros abaixo. E lá fora, na grande selva de pedras, fico pensando quantos há como eu. Pobres homens amaldiçoados, queimando de sede, figuras cômicas para o resto do mundo enquanto rastejam cegamente para outro copo, outra noitada, outra farra.” – Don Birnam

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Centenário de Billy Wilder

Publicado em ANOS 50, DRAMA, SCREENSHOT por Georgina Spiggott em Junho 22, 2006

A Montanha dos Sete Abutres (Ace in the Hole, 1951)

Centenário de Ray Milland

Publicado em ANOS 40, FOTOGRAFIA, MUSOS por Georgina Spiggott em Janeiro 3, 2005

Farrapo Humano (The Lost Weekend, 1945)

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