25 atores – Parte 2

Peter Sellers (Dr Fantástico/Dr Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb, Stanley Kubrick, 1964)

Al Pacino & Robert de Niro (O Poderoso Chefão II/ The Godfather Part II, Francis Ford Coppola, 1974)

Gian Maria Volontè (Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita/Indagine su un cittadino al di sopra di ogni sospetto, Elio Petri, 1970)
Nota: Desta vez abri uma excessão para a televisão com um dos meus scotchs favoritos, pois nada que ele tenha feito no cinema pode equivaler aquele escocês maluco daquele seriado mais maluco ainda. Certo, eu poderia até colocar aquele Jesus Cristo, mas apesar de ter abandonado o catolicismo quando tinha dez anos, a culpa católica ainda está impregnada e ter pensamentos luxuriosos com Jesus não é legal. hehehe
Era uma vez Charles Chaplin e Luis Buñuel
Certa vez Chaplin convidou Buñuel para uma ceia de natal em sua casa, com a indicação que levasse um presente para ser feita a troca à meia noite. Buñuel achando tudo muito burguês chegou à festa com o destino traçado: na dita hora ele colocaria a árvore de natal abaixo a ponta-pés. Dito e feito, Chaplin o expulsou de sua casa e, semanas depois, com a atitude do amigo já compreendida convidou-o novamente para um jantar, com o pedido encarecido de que dessa vez Buñuel se controlasse pois da última assustara seus filhos.
O melhor? Chaplin detestava comemorar o Natal.
Fonte: Não sei! Acho que foi num documentário sobre o Buñuel onde ouvi essa historinha, ou talvez em algum livro sobre o mesmo. Se a Ju que é especialista em Buñuel puder me informar, eu agradeço!
Gatinha Selvagem (Die Bergkatze, 1921)

Anteriormente a Wildcat, Lubitsch já havia dirigido pelo menos 3 das sua obras primas (A Princesa das Ostras, A Boneca do Amor e Não Quero ser um Homem) e feito tantos outros com a Pola Negri no elenco, tudo isso antes de chegar aos 30 anos. A grande vantagem do cinema mudo é que se rodavam filmes aos borbotões, tantos que era impossível não acabar saindo pelo menos uma grande obra no meio do entulho, isso em Hollywood, então imagine Lubistch na Alemanha durante a primeira guerra. É fato que o período que durou a 1ª Grande Guerra foi usado por Lubitsch para fazer um “intensivão” sobre cinema, foi nesse período que ele aprendeu no braço a fazer cinema e ver alguns de seus filmes dessa época nos leva a constatação que aqueles curtas xexelentos foram uma espécie de copião totalmente bruto e desengonçado do que seriam suas futuras jóias lapidadas e metamorfoseadas na mais pura poesia visual da primeira metade do século XX. Mas aí vem o pós guerra e tudo começa de verdade no cinema alemão, dá até para encontrar Lubitsch, Billy Wilder e Hitchcock (Hitch é inglês mas, assim como os Beatles, começou na Alemanha) tomando um café juntos na UFA como ilustres desconhecidos no começo dos anos 20.
Quando Lubitsch filmou Gatinha Selvagem ele já tinha feito grandes comédias, mas este era o primeiro filme cômico com Pola Negri como protagonista, embora o sexto filme em que trabalhassem juntos. Negri era predominantemente uma atriz dramática, o mais vamp possível e primeira grande femme fatale do cinema germânico, vê-la numa comédia interpretando uma literal selvagem que não entende os mais simples significados culturais como o beijo, além de engenhocas mudernas como a fotografia, é um sopro de ar fresco.
Se Lubitsch construía muito do nonsense de suas comédias faladas se baseando 90% nos diálogos inusitados e deliciosos, no seu cinema mudo esse nonsense (ou no caso seria uma comédia expressionista?) chega a ser mais afiado já que pouco tem para mostrá-lo que não seja através de imagens. Há algumas cenas de Wildcat que muito me satisfazem, como a cena de abertura onde é mostrada uma cidade habitada só pelas amantes e filhos do principal personagem masculino interpretado por Paul Heidemann (o que me fez lembrar de Fellini), outro momento delirante e engraçadíssimo é um sonho da personagem de Pola onde Paul arranca um coração gigante de dentro de seu uniforme de tenente e Pola começa a comê-lo.
Mas a beleza do filme gira em torno do relacionamento sadomasoquista que a personagem de Pola tem com um dos colegas de seu bando montanhês, um relacionanto que alimenta extrema satisfação nos açoites, no arrastar pelos cabelos, na dor física e emocional, mas é nesse relacionamente que a personagem de Pola vai encontrar o verdadeiro amor e não no flerte baseado estritamente no furor sexual daquele tenente que ela sonhava em comer o coração. Gatinha Selvagem talvez não seja uma das obras primas mudas de Lubitsch, mas ainda nos dilacera com sua cômica poesia.

Pola durante o romance com Chaplin e posteriormente a futura viuvez por Valentino.
Nota: Particularmente sou caidinha por Pola Negri, toda aquela morenice voluptuosa da polonesa em meio a todas aquelas estatuescas divas loiras tinha que fazer algum sucesso, mais uma que foi prejudicada pelo cinema falado, além de não ser bem vista pelo fato de ser a atriz preferida de Hitler, enquanto gente como Marlene Dietrich fazia parte do caderninho negro do tipinho com bigode caricato. Billy Wilder a queria muito como Norma Desmond, mas Negri deu um piti, como era o seu habitual, e não aceitou porque Norma se assemelhava muito a ela própria.
Smile – Charlie Chaplin & Robert Downey Jr.
Hoje faz 30 anos da morte de Chaplin, um dos mais onipotentes gênios do cinema (só comparável em onipontência a Orson Welles), a maior homenagem que já se prestou a tal gênio foi a encarnação de Robert Downey Jr. em 1992 para o filme de Richard Attenborough. Como se não bastasse, Downey cantou lindamente a música composta por Chaplin, uma das mais belas canções de sempre.
O Miado do Gato (The Cat’s Meow, 2001) e RKO 281 (1999)
Não quero falar do The Cat’s Meow por ser um filme bom, muito pelo contrário, está anos luz do auge da carreira do Peter Bogdanovich (creio que fizeram um trabalho pesado pra ele), mas porque trata de um assunto interessantíssimo que poderia ou não ter mudado toda a história do cinema.
O Miado do Gato trata do suposto assassinato do produtor de filmes mudos, Thomas Ince, praticado por William Randolf Hearst no seu iate, suposto porque as pessoas que estavam ali naquela noite “não viram nada” e oficialmente Ince morreu de um ataque do coração que teve início por causa de sua úlcera (!?!). Mas essa história dúbia de úlcera com ataque do coração na comemoração de seu aniversário (a festa era em homenagem aos 42 anos de Ince) não foi a única coisa estranha que se seguiu, a posterior mítica fofoqueira das estrelas Louella Parsons, em sua primeira visita a Hollywood, saiu daquele barco com um contrato vitalício para trabalhar
praticamente para todo o sempre com Hearst, embora antes disso fosse já empregada de Hearst como uma colunista comum. Mas o mais suspeito dos fatos foi a amante de Ince (é esperar demais que me lembre do nome dela, não?) ter morrido num acidente de carro logo depois de ter o bebê que estava esperando de Ince (parece-me que o bebê acabou aos cuidados de Marion Davies que encontrou um lar para ele – eu sei, novelão total).
Mas por que Hearst mataria Ince? Por causa de Charles Chaplin, é claro. Segundo essa versão da história (corroborada por um livro que Patty Hearst escreveu nos anos 90), Chaplin, um conhecido mulherengo, estaria apaixonado e cercando Marion Davies por todos os lados e, num ataque de ciúmes, Hearst atirou em Ince achando que era Chaplin. Agora imagine se Hearst tivesse conseguido mesmo matar Chaplin, toda a história do cinema mundial teria sido mudada, tudo que conhecemos viria abaixo. Caos total. Ince é considerado o pai dos westerns, mas não há como saber se a sua morte teria desviado bruscamente a história como a de Chaplin o faria antes mesmo de ter concluído Em Busca do Ouro, uma de suas primeiras grandes e indiscutíveis obras-primas.
Existe um outro trabalho de ficção bastante interessante, que se passa na época da controversa filmagem de Cidadão Kane, onde pelo menos se pode ver o grau cumplicidade entre Hearst e Louella Parsons: RKO 281. O roteiro desse telefilme foi baseado no documentário existente no dvd duplo de Cidadão Kane: A Batalha por Cidadão Kane.
Tenho que confessar, é um filme excelente para um telefilme, claro que o elenco excepcional ajuda e muito: Liev Schreiber como Orson Welles, James Cromwell como William Hearst, Melanie Griffith como Marion Davies, John Malkovich como Herman Mankiewicz e Brenda Blethyn como Louella Parsons, além de n outros pequenos papéis de ícones de Hollywood.
Peter Bogdanovich arrancou algumas coisas sobre o assunto de Orson Welles naquelas míticas entrevistas que fizeram, embora Welles fosse uma criança na época dos acontecimentos, aparentemente acreditava nessa lenda de Hearst ter matado Ince no lugar de Chaplin por engano, principalmente porque o roteirista de Cidadão Kane, Mankiewicz, era realmente amigo de Marion Davies e ele teria contado isso a Welles, aliás, ele fez de tudo no roteiro para que Susan Alexander se distanciasse o máximo possível da real Davies que na realidade não teria nada a ver com a versão vista em Kane e que a intenção era focalizar o real Hearst (e não só, pois Kane tem pequenos elementos de diversos outros magnatas da época, mas o foco principal foi mesmo Hearst), mas infelizmente até hoje Davies ficou com a aura errônea de Susan Alexander…




























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