Os Filmes Bacanas de Cada Ano que o Cinema Viveu: 1987
1- A Morte do Demônio / Uma Noite Alucinante 2 (Evil Dead 2: Dead by Dawn, Sam Raimi)
O Ash voltou! Agora sim Bruce Campbell está lá em toda sua glória.
2- Arizona Nunca Mais (Raising Arizona, Joel e Ethan Coen)
Meu primeiro Irmãos Coen. Chupinhação de Preston Sturges de novo, começa quase onde parou The Miracle of Morgan’s Creek com os bebês e quase tão insano quanto.
3- Curso de Verão (Summer School, Carl Reiner)
Quando crescesse eu queria ser igual àqueles dois inúteis fãs de gore. Grande influência.
4- Te Pego Lá Fora (Three O’Clock High, Phil Joanou)
Versão adolescente de Matar ou Morrer do Fred Zinnemann e não é que o filme é danado de bom? Buddy Revel é um grande nome.
5- Amazonas na Lua (Amazon Women on the Moon, John Landis, Joe Dante)
Céus, o Monstro do Lago Ness é a verdadeira identidade de Jack – O Estripador!!!
Real Melhor Filme do Ano: Nascido para Matar (Full Metal Jacket, Stanley Kubrick)
Como amo o Hartman. Tudo que mais odeio no ser humano presente alí naquele homem.
Os Filmes Bacanas de Cada Ano que o Cinema Viveu: 1998
1- O Grande Lebowski (The Big Lebowski)
The Dude é ídolo.
2- Medo e Delírio (Fear and Loathing in Las Vegas)
Mais gente biruta perdida no tempo e no espaço. Thompson, Gilliam, Depp e Del Toro – basta.
3- Irresistível Paixão (Out of Sight)
Filme policial sexy e classudo que deixa claro o porquê Soderbergh é um dos cineastas mais sofisticados da atualidade, nem a J.Lo conseguiu estragar este filme, talvez George Clooney de cueca samba-canção compense qualquer coisa.
4- Três é Demais (Rushmore)
E nasce Jason Schwartzman. Além de fazer com que Wes Anderson vire diretor cult neste seu segundo longa, revitaliza a carreira do Bill Murray passando a tocha para seu pupilo cômico mais brilhante que nunca chegou mesmo a ser conhecido como filho-da-Talia-Shire-sobrinho-do-Coppola.
5- Velvet Goldmine
Meyers é Bowie, McGregor é Iggy, Bale é todo mundo. Mais uma biografia artística de Haynes, muito glitter, sexo, drogas e rock and roll.
Os Filmes Bacanas de Cada Ano que Vivi: 2000
1- Alta Fidelidade (High Fidelity)
Deixar Alta Fidelidade fora de um top 5 seria uma heresia sem tamanho, heresia maior seria se uma idólatra da cultura pop em geral o fizesse. Absolutamente perfeito.
2- Quase Famosos (Almost Famous)
A mesma coisa que disse sobre Alta Fidelidade vale para Quase Famosos. Coloca o bigode de volta, Billy Crudup!
3- O Exorcista (The Exorcist: The Version You’ve Never Seen)
Uma frase: a dona aranha descendo pela escada. Só de lembrar disso tenho arrepios e olha que isso estava no trailer. Acho que estou sendo bem picareta colocando reciclagem de filmes de outras décadas, mas se foram lançados no circuitão vou fazer o quê?
4- E Aí, Meu Irmão, Cadê Você? (O Brother, Where Art Thou?)
E lá se foram os Coen não apenas roubando Homero, mas dilapidando sem nenhuma culpa as idéias de Preston Sturges, ou melhor da personagem interpretada por Joel McCrea em Sullivan’s Travels, o cineasta que queria filmar O Brother, Where Art Thou? e se mete no mesmo tipo de viagem pessoal retratada pelos Coen. No final todo mundo chega à mesma conclusão: a consciência social está no cômico!
5- Corpo Fechado (Unbreakable)
Sou daquelas pessoas devotas que consideram o Shyamalan a última bolacha do pacote, apesar de considerar Sinais sua obra prima tive que jogar fora o Garotos Incríveis do Curtis Hanson desse top e tascar o nosso super-herói moderno por aqui.
Real melhor filme do ano: The Heart Of the World
Os Filmes Bacanas de Cada Ano que Vivi: 2007
Vi esse esqueminha lá no blog do Léo e como sou invejosa para coisas bacanas, farei também… que além da lista do Dança Fragmentada, rolaram a listas do Universo Tangente; Discreto blog da Burguesia; Vida ordinária.
Veja bem, tais citações não serão os melhores filmes de cada ano na minha opinião pessoal, mas sim os mais emblemáticos na minha vida. Mas farei como contagem regressiva e tirando 2008, primeiro porque passou pouco mais de um semestre, segundo porque foram poucas as coisas realmente me divertiram no cinema este ano e o hors concours foi obviamente Indiana Jones, mais por um revival de anos anteriores do que uma sensação atual. E como sou megalomaníaca, farei um top 5 de cada ano.
Se existe um filme que realmente acabou comigo em 2007, este foi Ratatouille. Que grande pedaço de arte é essa pérola camuflada de fantasia infanto-juvenil, duvido que alguma criança tenha saboreado melhor tal filme do que qualquer adulto que já tenha lido Marcel Proust, afinal, paladar se aprimora com a idade. Não, a França, o paladar e a experiência vivida não são mera coincidência neste assustadoramente maduro Ratatouille.
2- Stephen Fry: Guilty
Este pequeno documentário da BBC é um achado, primeiro porque se vê o altamente intelectualizado comediante inglês Stephen Fry chutando o balde e assumindo que é fã de ABBA entre outras coisas não muito bem quistas pela pretensiosa e suposta elite intelectual que assola o mundo, segundo porque tenho uma queda por quase tudo que ele menciona e não tenho vergonha de assumir.
3 – Saneamento Básico, O Filme
Tenho que confessar que este filme é uma obra prima, elenco perfeito, texto perfeito e a mais vívida realidade do que é fazer cinema no Brasil. Sem mencionar que o Monstro do Fosso é a maior criação do cinema B mundial desde os tempos de Ed Wood Jr.
4 – Grindhouse
Tirando a papagaiada nacional de não poder ver o bagulho completo nos cinemas e blábláblá, fazendo que apelemos à boa e velha atividade ilegal e apesar de que eu esperava algo mais podreira e artesanal do que realmente foi, é no mínimo tranquilizador que ainda se possa ver esse tipo de ode ao bom cinema B por aí. Afinal, não é todo dia que vemos o pinto do Tarantino derretendo.
5- Across the Universe
É brega, é kitsch e a tal da elite intelectual odeia. E daí? Tem Beatles, Jim Sturguess e a Salma Hayek vestida de enfermeira gostosa. Adoro, é claro.
Reais melhores filmes do ano: I’m Not There, No Country for Old Men, Zodiac.
Dois Heróis Bem Trapalhões (Crimewave, 1985)
Na saga dos primórdios de cineastas, imagine um filme em que tudo soa como um desenho animado dos anos 40, as personagens falam como desenho animado, a linguagem é de desenho animado, escrito pelos irmãos Coen e dirigido por Sam Raimi? Imaginou o fim do mundo? Pois é isso que se encontra em Crimewave, mas com o porém quase que inadimissível: não dá liga. O que devia ser alucinado não é, o que devia ser engraçado idem, pense em Uma Cilada para Roger Rabbit sem os óbvios efeitos especiais, só com a câmera na raça e efeitos à La Evil Dead. Você obviamente pensará em algo bacana, o que de fato o é, o que acontece é algo não de todo indisgesto, mas para um filme de uns 80 minutos se tornar algo que fuja de sua atenção é porque a massa desandou.
Reza a lenda que este filme é vergonha para Raimi, tanto para os Coen quanto para Bruce Campbell, essa mesma lenda segue rezando que todo mundo ficou descontente pelas podagens criativas que deus e o mundo sofrerem durante a produção. Pudera, uma galera boa que só tinha visto cinema independente até então se une para cair nas garras da Columbia.
A maior celeuma foi com o fato de que Bruce Campbell seria o protagonista, mas por raios partidos contra o bom senso geral o até então e até hoje desconhecido Reed Birney ficou como protagonista. O povo do dinheiro sempre teve grandes problemas com o Bruce, não o deixaram protagonizar Crimewave, depois Darkman e aposto que foram os estúdios que não o deixaram ser Peter Parker também, mas esse até entendo.
É, a prisão se chama Hudsucker.
É, a galera faz pontas uns nos filmes dos outros vide Crimewave, Ajuste Final e A Roda da Fortuna.
É, o alarme de segurança tem o nome de Odegaard.
É, os dois maníacos psicopatas lembram aqueles dois moleques -err- lesadinhos do Beautiful Blonde From Bashful Bend do Preston Sturges.
É, o Oldsmobile amarelo 1973 está um xuxuzinho em 1985 pós Evil Dead e tudo.
E, é, vale a pena dar uma olhada.
Cinco Livros
Essas coisinhas são legais quando se está inspirado, como não ando muito, cairei mais uma vez nos meandros da minha própria mediocridade porque o assunto deste meme em especial indicado por Leo vale a pena, e como ele puxou a sardinha para si próprio não vejo porque não mimetizá-lo e puxar o tal do peixinho também direto para minha sacolinha. Então, eis que escolho livros ligados ao cinema, não livros teóricos sobre o assunto, mas sim grandes adaptações de grandes livros, pois ao contrário do que o bom e velho Hitch pregava sobre grandes livros darem filmes medíocres e livros medíocres darem grandes filmes, também há suas exceções. Mas sabe-se lá o que o bom Hitchcock chamava de medíocre, não é mesmo?
1- Onde os Velhos Não Têm Vez – Cormac Mccarthy
Sailing To Byzantium (William Butler Yeats)
That is no country for old men. The young
In one another’s arms, birds in the trees
- Those dying generations – at their song,
The salmon-falls, the mackerel-crowded seas,
Fish, flesh, or fowl, commend all summer long
Whatever is begotten, born, and dies.
Caught in that sensual music all neglect
Monuments of unageing intellect.
An aged man is but a paltry thing,
A tattered coat upon a stick, unless
Soul clap its hands and sing, and louder sing
For every tatter in its mortal dress,
Nor is there singing school but studying
Monuments of its own magnificence;
And therefore I have sailed the seas and come
To the holy city of Byzantium.
O sages standing in God’s holy fire
As in the gold mosaic of a wall,
Come from the holy fire, perne in a gyre,
And be the singing-masters of my soul.
Consume my heart away; sick with desire
And fastened to a dying animal
It knows not what it is; and gather me
Into the artifice of eternity.
Once out of nature I shall never take
My bodily form from any natural thing,
But such a form as Grecian goldsmiths make
Of hammered gold and gold enamelling
To keep a drowsy Emperor awake;
Or set upon a golden bough to sing
To lords and ladies of Byzantium
Of what is past, or passing, or to come.
São poucos os livros que li e que foram captados em total essência para o cinema, mas cada pedaço de entranha do livro de Mccarthy foi parar no filme dos Coen crua e irretocavelmente, estética e moralmente, por isso o filme se fez um dos mais profundos que assisiti nos últimos anos. Mccarthy é um grande autor, embora tenha lido apenas dois livros dele, ele trata de assuntos que muito me apetecem, como os rumos incompreenssíveis da violência numa sociedade pseudo-racional que está devoluindo em nome de sua própria racionalidade de que o homem acima de tudo ainda é um animal e deve agir como tal, além do peso do tempo no âmbito do indivíduo analogamente com o da sociedade.
E também vou aproveitar para reclamar da tradução do nome do filme que simplesmente destrói todo o sentido da história de Mccarthy, além de deturpar o poema do Yeats no qual o título foi baseado, que terra é essa em que fraco é sinônimo de velho?
Ele olhou pra ela. Depois de algum tempo disse: Não é sobre saber onde você está. É sobre pensar que chegou ali sem levar nada junto. Suas noções sobre começar de novo. Ou a de qualquer pessoa. Você não começa de novo. Essa é a verdade. Cada passo que você dá é para sempre. Não pode fazer com que desapareça. Nenhum deles. Entende o que eu estou dizendo?
Acho que sim.
Sei que você não acredita mas deixa eu tentar mais uma vez. Você acha que quando acorda de manhã o ontem não conta. Nas o ontem é tudo que conta. O que mais existe? Sua vida é feita dos dias de que ela é feita. Mais nada.
2- Horton Choca um Ovo – Dr. Seuss
He held his head high
And he threw out his chest
And he looked at the hunters
As much as to say:
‘Shoot if you must
But I won’t run away!
I mean what I said
And I said what I meant….
An elephant’s faithful
One hundred per cent!
Dr. Seuss é um dos meus heróis, além de fazer excelente poesia ele o faz para crianças e não há nada mais altruísta em uma pessoa de real talento do que se dedicar à literatura infantil. Aliás, eu iria dedicar essa listinha apenas à autores de literatura infanto-juvenil que foram adaptados para o cinema, mas no último minuto resolvi democratizar a coisa.
Horton Hatches the Egg foi o primeiro livro de Seuss em que Horton aparecia como protagonista, seu assunto primordial é a adoção e Horton é visualizado como o exemplo máximo de lealdade, tolerância, carinho e devoção. Não por acaso, de todos personagens conhecidos criados por Dr Seuss, Horton é de longe o meu favorito.
Ocorreram apenas duas versões deste Horton, só assisti a primeira de 1942 dirigida por Robert Clampett para a Warner Bros e que é por si só uma obra prima, mas com o sucesso do recente e bom longa Horton e o Mundo dos Quem! (que já fora adaptado de forma ainda mais feliz por Chuck Jones em 1970) não duvido que apareça logo uma outra versão de Horton e seu amado ovo.
Acho que também não preciso falar nada sobre o nome da primeira edição do Horton aqui no Brasil: Tonho Choca Ovo. Silêncio. Mas fala a verdade, o Horton tem a maior cara de Tonho, né não?
3 – Lavoura Arcaica – Raduam Nassar
Para deixar às claras, meu livro favorito do Nassar é Um Copo de Cólera com todo seu poderio passional rápido e rasteiro, mas como este se converteu num filme meia boca, então fiquemos com o Lavoura Arcaica que é obra prima e rendeu uma obra prima cinematográfica ainda maior. Lavoura Arcaica é um condensado épico psicológico, digo condensado não só porque é escrito em razoáveis poucas páginas, mas porque a sua densidade emocional é inversamente proporcional ao número de linhas que a descrevem, como é bem típico do autor.
Ah, quanto à adaptação, acho que não preciso dizer que Luiz Fernando Carvalho foi foda.
4- O Homem Que Ri – Victor Hugo
Esqueçam O Corcunda, Os Miseráveis ou a pqp, a grande obra mestra de Hugo foi O Homem que Ri e certamente Gwynplaine é uma das mais emblemáticas e trágicas figuras literárias de sempre. O livro funciona como um desabafo crítico à infindável relação espinhosa que Hugo tinha com o sistema político francês, onde o sempre triste Gwynplaine com sua face desfigurada pelo riso eterno é obrigado a fazer parte da câmara dos lordes que o transformara nesse personagem de freakshow.
Paul Leni fez uma adaptação muda com Conrad Veidt, mantendo quase toda a ironia trágica do livro, mas com um inaudito final feliz, em contrapartida pode-se dizer que Conrad Veidt tem uma das 10 melhores atuações da história do cinema neste filme. E sim, Bob Kane se inspirou no Veidt para desenhar seu Coringa original.
5- Os Mortos (Os Dublinenses) – James Joyce
Tinha prometido a eu mesma que não colocaria nenhum dos meus autores-xodó, mas abrirei uma exceção para este conto, não só porque é o melhor conto que Joyce escreveu, tanto em estilo quanto em nuances psicológicas das eternas sombras do passado, como rendeu o derradeiro e um dos melhores filmes de John Huston, então fica aqui a dica dupla.
A verdade é que essa lista já me encheu, ao contrário do que diz o senso comum, muitos livros renderam grandes adaptações e seria até fácil citar algumas dezenas entre curtas, adaptações não-oficiais, quadrinhos, poesia, etc etc, o difícil é escolher quais citar, então C-A-N-S-E-I. Por isso mesmo que chutei Orson Welles e Shakespeare dessa lista, oras. hehehe
Passando o cetro… Eu passo o cetro deste meme a todos que o estão lendo e que fiquem à vontade de fazer suas próprias listas, como eu devo ter sempre deixado bem claro não sou do tipo que prefere uma pessoa à outra e ficar escolhendo pessoas não muito me apetece, afinal ou se ama todo mundo ou se odeia todo mundo e qualquer meio termo seria hipocrisia para mim, assim como eu jamais conseguiria escolher entre a vida de alguém que conheço e admiro e a de um desconhecido. É, sou uma “velha” mesmo e acordei melancólica.
Há algo de podre no reino da fofurice

Scorsese num ano e os irmãos Coen no ano seguinte? Isso é uma revolução ou o quê? E obrigado 3 vezes. Ou 6.



























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