Filmes bacanas de cada ano que o cinema viveu: 1972
1- Os Implacáveis (The Getaway, Sam Peckinpah)
Meu primeiro Peckinpah, meu primeiro McQueen. Daquele tipo de filme que imediatamente te faz pensar: por que não existe mais esse cinema? Vez ou outra o Michael Mann ainda salva a nossa alma com um Fogo Contra Fogo ou um Colateral da vida, mas não é a mesma coisa, não existe nada equiparável ao Stevie, não existe nada equiparável ao Sam. No mesmo ano eles ainda fizeram juntos o mais intimista Junior Bonner e também menos polêmico, pois não havia ninguém pegando a mulher do patrão por alí.
2- Milano Calibro 9 (Fernando Di Leo)
Esse é clássico. Desafio qualquer um a não ser ganho antes mesmo que os créditos iniciais apareçam. É o Godfather dos poliziescos, é o Getaway dos italianos, é tão clássico que praticamente em todos os filmes do Tarantino e do Robert Rodriguez há em algum momento menção visual a qualquer cena deste filme. Tenho vontade de pegar todos esses italianos dos anos 60/70, apertar e não soltar nunca mais, céus, como amo esse cinema.
3- Female Prisoner #701: Scorpion/Female Convict Scorpion Jailhouse 41 (Joshuu 701-gô: Sasori/Joshuu sasori: Dai-41 zakkyo-bô, Shunya Ito)
Dois filmes com a mesma personagem e diretor sendo ao mesmo tempo tão distintos entre si, enquanto o primeiro é um WIP de vingança dos mais clássicos, o segundo é um WIP com um pé na arte de Mizoguchi e Seijun. Obras primas, sem dúvida.
4- Mimi – O Metalúrgico (Mimì metallurgico ferito nell’onore, Lina Wertmüller)
Segundo melhor filme da Wertmüller, só perdendo obviamente para o indefectível Destino Insólito. Este é o seu filme mais engraçado e que mais se aproxima da balbúrdia moral, política e social que se passava na Itália àquele momento, a cena final é antológica pela ironia.
5- Atrás da Porta Verde (Behind the Green Door, Artie & Jim Mitchell)
Behind the Green Door é o Cidadão Kane do pornô, Marilyn Chambers é a Anais Nin do Cinema e os irmãos Mitchell são o Arthur Schnitzler da penetração (vai ver por isso um matou o outro). Sem exagero, esse filme é um tratado sobre a sexualidade humana, menos exagero ainda é dizer que exerceu uma forte e evidente influência em Eyes Wide Shut não só na teoria como na prática, até as trilhas sonoras em certo momento partilham da mesma climatização. Mas o máximo mesmo é a ejaculação em câmera lenta, é a ejaculação do Peckinpah!
6- Il Tuo vizio è una stanza chiusa e solo io ne ho la chiave (Sergio Martino)
Melhor adaptação de O Gato Preto do Poe que já vi, ainda há a presença das duas grandes musas giállicas Anita Stringberg e Edwige Fenech, além do onipresente Luigi Pistilli no que talvez seja o grande papel de sua carreira.
7- Amargo Pesadelo (Deliverance, John Boorman)
Cara, eu tenho medo dos caipiras. Se os caipiras gostaram da boca do Jon Voigh, imagine se vissem a da filha dele. Foi um dos primeiros filmes a delinear o meu olhar de porquê o cinema dos anos 70 é superior a de qualquer outra década, assisti quando era bem nova, creio que foi o primeiro filme onde vi alguém sendo currado e olha que não é uma curra elegante (!?!), além disso, continuo traumatizada com a homenagem de South Park onde George Lucas e Steven Spielberg recriam a tal cena com o Indiana Jones.
8- Solange (Cosa avete fatto a Solange? Massimo Dallamano)
Esse fui assistir despretensiosamente numa fase giallica e acabei por me dar conta que era mesmo um dos grandes exemplos do gênero. O companheiro de spaghetti de Sergio Leone, Massimo Dallamano, se deu muito bem com este giallo com direito a fotografia de Joe D’Amato e de um Fabio Testi barbado ensinando italiano. Por que será que todas aquelas ninfetas queriam aprender italiano e não francês, hein?
9- Superfly (Gordon Parks Jr) Se Parks pai foi a pedra fundamental do blaxploitation no ano anterior, Parks filho foi o orgulho de papai em 1972. Uma das obras seminais do blaxploitation e certamente no meu top 10 de melhores trilhas sonoras de todos os tempos. I’m your pusherman.
10- Ludwig – O Último Rei da Bavária (Luchino Visconti)
O marido do Luchino é um dos homens mais lindos que você já viu, não? Heil Helmut!
11- Tudo Que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo Mas Tinha Medo de Perguntar (Everything You Always Wanted to Know About Sex * But Were Afraid to Ask, Woody Allen)
Quando adolescente eu era completamente obcecada pelo Woody Allen, nesse período vi todo seu trabalho até então e este foi um dos seus primeiros filmes em que tive contato. Está longe do seu melhor, mas três episódios foram amplamente emblemáticos: a ovelha de cinta liga do Gene Wilder, a Teta Assassina e, óbvio, o espermatozóide existencialista.
12- O Vôo do Dragão (Meng long guo jiang, 1972)
É Bruce Lee chutando a bunda do Chuck Norris, pô! Se bem me lembro, antes da tal lendária luta no Coliseu tinha um mítico gato romano miando pelo cenário.
13- Memórias de um Sedutor (Play It Again, Sam, Herbert Ross)
É claro que o guru do Woody Allen é o Bogie. Não é óbvio???
14- O Sanguinário (Sitting Target, Douglas Hickox)
Não é exatamente um grande filme, mas tem Ian McShane e Oliver Reed fazendo duplinha num filme setentista de vingança e isso já é o suficiente para mim.
15- Greaser’s Palace (Robert Downey Sr.)
Bob pai na verdade é pai de Paul Thomas Anderson, mas não neste filme que é uma mistura de El Topo com Banzé no Oeste, embora poucos saibam disso porque ninguém assiste os filmes do Bob pai, vai ver por isso ele é chamado de underground, óóóó. O que importa é que o Tatoo da Ilha da Fantasia saiu daqui.
Real Melhor filme do ano: Gritos e Sussurros (Bergman), O Discreto Charme da Burguesia (Buñuel), Aguirre (Herzog), Pink Flamingos (Waters), Sleuth (Manckiewicz), Solaris (Tarkovsky), O Poderoso Chefão (Coppola), Non si Sevizia un Paperino (Fulci), Ultimo tango a Parigi (Bertolucci), Il Caso Mattei (Rosi).
Você estaria pedindo demais se fosse para escolher um desses, é claro que tenho meus favoritos, mas deixa para lá, isso me cansa.
Nota: É lógico que não fui eu que tapei os peitos da Chambers. Pirou?
Os Filmes Bacanas de Cada Ano que o Cinema Viveu: 1973
1- A Menina e o Porquinho (Charlotte’s Web, Charles A. Nichols/Iwao Takamoto)
A Menina e o Porquinho foi a animação seminal da minha infância, coloca para correr qualquer filme dessa lista. O Wilbur chuta até a bunda do Warren Oates se ele der mole.
2- Irmãs Diabólicas (Sisters, Brian De Palma)
73 foi um ano de transição para o De Palma, passando a dar vazão à sua obsessão com temas hitchcockianos em Sisters, muito provavelmente influenciado pelo o que estava rolando na Europa em termos de cinema de horror. Não me lembro qual De Palma foi o meu primeiro, se Sisters ou Dublê de Corpo, mas Sisters causou-me imensa impressão na época e me causa ainda hoje.
3- Inverno de Sangue em Veneza (Don’t Look Now, Nicolas Roeg)
O que acontece com os anões psicopatas dos anos 70? Já não basta ter crescido com medo de anão por conta de um com cara de psicótico da minha terra natal? Anos depois o Cronenberg faria uma bela homenagem a Inverno de Sangue com o seu The Brood, nos ensinando a importante lição de não criar anões de frustração no sótão. Malditos monstrinhos de nós mesmos.
4- A Comilança (La Grande bouffe, Marco Ferreri)
Vamos deixar que o princípio do prazer domine a razão, vamos todos matar, trepar, comer e beber até morrer! Seremos hipócritas até o fim dizendo ser o homem um animal racional. Aêêê!
5- Coffy (Jack Hill)
Esqueça Richard Roundtree, Jim Brown, Fred Williamson e Rudy Ray Moore, o maior badass do blaxploitation foi Pam Grier, ela chuta a bunda deles e a sua também. Aquele cafetão é o mais bem vestido de sempre, quando crescer quero ser Robert DoQui. Tá bom, o Willie Dynamite é quase tão bem vestido quanto.
6- Amor e Anarquia (Film d’amore e d’anarchia, ovvero ’stamattina alle 10 in via dei Fiori nella nota casa di tolleranza…’, Lina Wertmüller)
É fato: Lina Wertmüller é a maior diretora do cinema. Sendo nascida num país machista como a Itália isso ganha contornos ainda mais dramáticos, seguindo uma profissão que, querendo ou não, era e ainda é predominantemente misógina tal afirmação vai às raias do dantesco. Nos anos 70 Lina marcava uma obra prima ao ano, coisa que nem o Woody Allen dos bons tempos conseguia fazer, sempre usando Giancarlo Giannini para se vingar dos macho-chos italianos (e a gente agradece!) com seus personagens predominantemente ridículos, aliás, todos os personagens de Lina, salvo raras exceções, eram ridículos independentes de sexo, credo ou posição política e social, ela não poupava ninguém. Amor e Anarquia evidentemente segue nesse seu hall de obras primas.
7- Female Prisoner Scorpion: Beast Stable/#701’s Grudge Song (Joshuu sasori: Kemono-beya/701-gô urami-bushi, Shunya Ito/Yasuharu Hasebe)
Estes dois últimos filmes da série Sasori tendo Meiko Kaji como protagonista estão aquém da excelência dos dois primeiros, especialmente o Grudge Song, único não-dirigido por Ito com Kaji no papel título, mas algumas coisas são dificilmente ignoradas, tal como a intro de Beast Stable com Sasori correndo algemada a um braço amputado ao som de sua música-tema ou o belo e doloroso momento de sua vingança final em Grudge Song.
8- Revolver (Sergio Sollima)
Um dos mais notáveis poliziescos setentistas. Mais notável ainda é ter certeza de que Ollie poderia ser tudo, de bruto do oeste americano à policial italiano, nada impedia a excelência de Oliver Reed. Também fica evidente o fato de Fabio Testi ser tudo na vida de uma mulher.
9- O Magnífico (Le Magnifique, Philippe de Broca)
Tudo que é necessário para imaginar se o James Bond fosse francês e interpretado por Belmondo está aqui. Puta que pariu o Belmondo nesse filme. PUTA QUE PARIU. É tudo que tenho a dizer.
10- Interlúdio de Amor (Breezy, Clint Eastwood)
Embora o primeiro filme de Clint (Perversa Paixão) goze de definitivo prestígio e eu o admire em diversos pontos, é nesse Breezy que o homem realmente mostra a que veio. Ele traz William Holden e Kay Lenz num relacionamento sincero de uma adolescente com um homem evidentemente mais velho, Clint mostra um filme tão maduro e com personagens tão interessantes que me assusta o fato desse trabalho não ser tão famoso quanto deveria. Calha que no mesmo ano Clint também fez outro de seus trabalhos máximos: High Plains Drifter.
11- O Diabo na Carne de Miss Jones (The Devil in Miss Jones, Gerard Damiano)
Isso não é só uma homenagem ao Jerry Damiano que morreu há pouco tempo, esse é um dos melhores pornôs da história. Para quem duvida da importância de Damiano tanto para a história do cinema quanto para a história política dos EUA, recomendo o documentário Inside Deep Throat de 2005.
12- Dillinger (John Milius)
É Warren Oates como Dillinger, precisa mais? Quero ver se Johnny Depp terá culhão suficiente para encarar um papel que já passou por Warren Oates e Lawrence Tierney, mas tá com Michael Mann está deveras bem acompanhado. Acho que deveria proibir filmes com o Warren Oates por aqui e tascar logo um especial dele.
13- Os Três/Quatro Mosqueteiros (The Three/Four Musketeers, Richard Lester)
You will find, young man, that the future looks rosiest through the bottom of a glass. (palavras de Ollie, é claro). Versão definitiva da obra de Dumas Pai, dividida em dois filmes que bem parecem ser apenas um, é a boa e divertida aventura de sempre sem CGI e outras coisas broxantes, há Oliver Reed, Christopher Lee, Raquel Welch, Richard Chamberlain, Michael York, Frank Finlay, Geraldine Chaplin, Jean-Pierre Cassel, Spike Milligan, Georges Wilson, Faye Dunaway, Charlton Heston, Joss Ackland, Sybil Danning e sabe deus quem mais! O único porém é que Raquel Welch não combina com todo aquele pano em volta dela.
Real Melhor Filme do Ano: Amarcord, Holy Mountain, Pat Garrett & Billy The Kid, A Noite Americana, Cenas de um Casamento.
Mas como já disse, quando houver dúvida coloca o Peckinpah para desempatar que ele coloca todo mundo para correr. Mentira! Ninguém ganha de Cenas de um Casamento do Bergman.
25 atores – Parte 3

Giancarlo Giannini (Por um Destino Insólito/Travolti da un insolito destino nell'azzurro mare d'agosto, Lina Wertmüller, 1974)

Sam Rockwell (Confissões de uma Mente Perigosa/Confessions of a Dangerous Mind, George Clooney, 2002)

Jean-Pierre Cassel (O Discreto Charme da Burguesia/The Discreet Charm of the Bourgeoisie, Luis Buñuel, 1972)








































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