Centenário de Dana Andrews
Apesar do nome feminino, Dana Andrews foi um mais inesquecíveis caras durões do cinema, em especial do cinema noir. Provavelmente um dos caras mais subestimados da golden age hollywoodiana, em qualquer filme que esteja presente é o seu magnetismo que se sobressai em relação a qualquer outra pessoa em cena (à excessão de Babs Stawyck, cujo brilho nunca ninguém conseguiu tirar), Andrews foi a definição precisa de astro numa década em que só quem realmente tinha carisma alcançava o reconhecimento. Então vai aí vai meu top 5 do homem:
1- Laura (Otto Preminger, 1944)
Um desses noires-unanimidade, marca a bem sucedida parceria de Preminger-Andrews que renderia frutos até os anos 60.
2- Bola de Fogo (Ball of Fire, Howard Hawks, 1941)
Aqui Andrews é o gângster antagonista só para levar porrada do mega-nerd Gary Cooper (mmmm… Gary Cooper). Mas do que estou falando? Foda mesmo é a Babs, o filme todo é dela à excessão de uns poucos minutos roubados por Mr Gene Krupa.
3- Passos na Noite (Where the Sidewalk Ends, Otto Preminger, 1950)
Depois de tantas parcerias com Preminger e Gene Tierney, ainda fazem Andrews passa o filme todo com o cu na mão, ficticionalmente é claro. Num dos papéis mais tensos que fez, inaugura o filão do policial que tem que esonder a própria culpa durante as investigações.
4- Os Melhores Anos de Nossas Vidas (The Best Years of Our Lives, William Wyller, 1946)
Tudo bem que Fredric March rouba o filme para si como o usual, mas esse drama pós-guerra e anti-belicista entra fácil nas obras máximas de todos os envolvidos.
5- Êxtase de Amor (Daisy Kenyon, Otto Preminger, 1947)
Fugindo dos noires, é Andrews dividindo a tia Joan com Henry Fonda num filme do Preminger. Grande filme e quase ignorado hoje.
Plus: Anjo ou Demônio (Fallen Angel, Otto Preminger, 1945)
Olha lá o Preminger colocando Mr Andrews novamente numa fria em meio a mulheres fatais. A curiosidade aqui é a presença de Alice Faye num filme denso como este, quando até então só fizera leves musicais românticos, deve tê-la traumatizado pois só voltaria a filmar quase 20 anos depois.
Declarações de amor de Bette Davis a Joan Crawford
- “Ela já dormiu com todos os astros da MGM, exceto a Lassie.”
- “Por que sou tão boa intepretando vilãs? Talvez porque eu não seja uma vilã. Talvez por isso a Joan Crawford sempre interprete mocinhas.”
- “Nunca se deve falar coisas ruins sobre alguém que está morto. Apenas coisas boas. Joan Crawford está morta. Ótimo!” (quando sua inimiga morreu em 1977)
- “Não é porque alguém está morto que se tornou uma pessoa melhor!” (idem)
- “Joan Crawford e eu nunca fomos amigas calorosas. Nunca fomos simpáticas. Eu a admiro e, ao mesmo tempo, sinto-me desconfortável com ela. Para mim, ela é a personificação de uma estrela de cinema. Eu sempre tive a impressão de que sua melhor performance era Crawford interpretando Crawford.”
- “Eu não mijaria nela nem se ela estivesse em chamas.”
O amor é mesmo lindo, não?
Nota: Ainda sonho algum dia poder ver o filme pornô que Crawford fez 1923 e que sumiu da face da terra: The casting Couch. Não é como um fictício Cigarette Burns, mas sabe como é a curiosidade…
Fogueira de Paixão ( Possessed, 1947)
Não, o título não se refere a Joan Crawford, embora ela tenha uma fama pessoal que a preceda em sua carreira de Hollywood, refere-se ao filme Possessed de 1947 (não confundir com o título do outro filme que a tia Joan fez nos anos 30 com o Clark Gable) e não posso citar seu título em português porque já achei três diferentes e um pior do que o outro: Fogueira de Paixão, Amor que Mata, Paz para Louise.
Esse filme noir foi feito no auge do “freudianismo” do cinema hollywoodiano (que foi de meados dos anos 40 até meados dos anos 50) e que obviamente os conceitos psicanalíticos/psiquiátricos contidos alí já estão deveras ultrapassados, aliás, toda a parte “teórica” da doença de Louise está muito confusa quanto à realidade atual da psiquiatria (dizendo isso como paciente e não profissional, é claro).
Bom, mas não é a realidade funcional desse filme que está em jogo e sim suas qualidades cinematográficas e como grande apreciadora de cinema noir devo elogiá-lo pelo magnífico trabalho de iluminação e pelo desenrolar ambíguo da realidade pessoal de Louise transposta na edição do filme. Sim, temos momentos que nos confundimos com a própria realidade da personagem do que é real ou não, o que na época era uma inovação para Hollywood.
Van Heflin está ótimo como o cara imaturo que dá o ponto de partida na situação decadente de Louise (é impressionante como tem crianção que faz isso as pobres mulheres problemáticas), mas quem arrasa no final das contas é a tia Joan, numa das melhores performances de sua carreira. Será que tem algo a ver com a citação que ela deu abaixo sobre sua interpretação?
“Don’t let anyone tell you it’s easy to play a madwomen, particularly a psychotic.” - Joan Crawford sobre seu papel em Possessed.
Nota 1: Amo Joan Crawford como atriz e estrela, mas acho que não conseguiria ficar 2 segundos ao lado dela na vida real, aparentemente ela era o tipo de pessoa com quem eu não consigo conviver. Por outro lado, acho que eu poderia até ser a melhor amiga de Marilyn Monroe. (ah, pra quem não sabe a única experiência homossexual que Marilyn teve foi com a tia Joan)
Nota 2: Para variar esse papel mais uma vez fez com que os destinos de Bette Davis e Joan se entrelaçassem de alguma forma, apesar de ter feito Mildred Pierce anteriormente com o mesmo produtor, Joan não foi a primeira opção para o papel, quem estava escalada era a tia Bette, mas como a moçoila acabou engravidando nessa época o papel foi parar nas mãos da tia Joan. Eu até imagino a cara que a tia Joan fez por estar aceitando o “resto” da tia Bette.






















































































