Quixotando

As Musas de George Cukor – Parte 5

Publicado em MUSAS por Georgina Spiggott em Julho 30, 2009
Helene Millard (The Women)

Helene Millard (The Women)

Henrietta Crosman (The Royal Family of Broadway)

Henrietta Crosman (The Royal Family of Broadway)

Hilda Vaughn (Dinner at Eight)

Hilda Vaughn (Dinner at Eight)

Hillary Brooke (The Philadelphia Story / Two-Faced Woman)

Hillary Brooke (The Philadelphia Story / Two-Faced Woman)

Hope Emerson (Adam's Rib)

Hope Emerson (Adam's Rib)

Ilka Chase (The Animal Kingdom / It Should Happen to You)

Ilka Chase (The Animal Kingdom / It Should Happen to You)

Ina Claire (The Royal Family of Broadway)

Ina Claire (The Royal Family of Broadway)

Ingrid Bergman (Gaslight)

Ingrid Bergman (Gaslight)

Irene Tedrow (Hot Spell)

Irene Tedrow (Hot Spell)

Iris Bristol (My Fair Lady)

Iris Bristol (My Fair Lady)

Isabel Jewell (Manhattan Melodrama / Gone with the Wind)

Isabel Jewell (Manhattan Melodrama / Gone with the Wind)

Isobel Elsom (My Fair Lady / Lust for Life)

Isobel Elsom (My Fair Lady / Lust for Life)

Jacqueline Bisset (Rich and Famous)

Jacqueline Bisset (Rich and Famous)

Jacqueline Daix (Zaza)

Jacqueline Daix (Zaza)

Jane Ball (Winged Victory)

Jane Ball (Winged Victory)

Jane Fonda (The Chapman Report / The Blue Bird)

Jane Fonda (The Chapman Report / The Blue Bird)

Janet Waldo (Zaza)

Janet Waldo (Zaza)

Janet Warren (A Double Life)

Janet Warren (A Double Life)

Jean Acker (No More Ladies)

Jean Acker (No More Ladies)

Jean Cadell (David Copperfield)

Jean Cadell (David Copperfield)

Jean Chatburn (No More Ladies)

Jean Chatburn (No More Ladies)

Jean Dixon (Holiday)

Jean Dixon (Holiday)

Jean Hagen (Adam's Rib / A Life of Her Own)

Jean Hagen (Adam's Rib / A Life of Her Own)

Jean Harlow (Dinner at Eight)

Jean Harlow (Dinner at Eight)

Jean Parker (Little Women)

Jean Parker (Little Women)

Jean Simmons (The Actress)

Jean Simmons (The Actress)

Jeanette MacDonald (One Hour with You)

Jeanette MacDonald (One Hour with You)

Jeanette Sterke (Lust for Life)

Jeanette Sterke (Lust for Life)

Jeanne Blanche (Zaza)

Jeanne Blanche (Zaza)

Jeanne Crain (Winged Victory / The Model and the Marriage Broker)

Jeanne Crain (Winged Victory / The Model and the Marriage Broker)

Jeannie Carson (My Fair Lady)

Jeannie Carson (My Fair Lady)

Jessie Ralph (David Copperfield / Camille)

Jessie Ralph (David Copperfield / Camille)

Jill Bennett (Lust for Life)

Jill Bennett (Lust for Life)

Jo Ann Sayers (The Women)

Jo Ann Sayers (The Women)

Jo Carroll Dennison (Winged Victory)

Jo Carroll Dennison (Winged Victory)

Joan Bennett (Little Women / I Met My Love Again)

Joan Bennett (Little Women / I Met My Love Again)

Joan Crawford (No More Ladies / The Women / Susan and God / A Woman's Face)

Joan Crawford (No More Ladies / The Women / Susan and God / A Woman's Face)

Feliz dia das mães

Publicado em ANOS 40, ANOS 80, FOTOGRAFIA por Georgina Spiggott em Maio 10, 2009
JOAN CRAWFORD & CHRISTINA

A Original

FAKE CHRISTINA & FAYE DUNAWAY

A Imitação

Via Starlet Showcase

Etiquetado como:,

Centenário de Laszlo Willinger

Publicado em ANOS 40, FOTOGRAFIA, MUSAS, MUSOS por Yôko Minamida em Abril 6, 2009
LENA HORNE by Willinger

Lena Horne, 1945

Vivien Leigh and Robert Taylor from Waterloo Bridge by Laszlo Willinger

Vivien Leigh & Robert Taylor, 1940

Lucille Ball: Chiffon Gown

Lucille Ball, 1945

Anita Louise by Laszlo Willinger Marie Antoinette (1938)

Anita Louise, 1938

Clark Gable and Norma Shearer in Idiot's Delight by Laszlo Willinger (1939)

Clark Gable & Norma Shearer, 1939

Marlene Dietrich on the set of 'Manpower'

Marlene Dietrich, 1941

Donna Reed for 'See Here, Private Hargrove'

Donna Reed, 1944

Myrna Loy and William Powell in I Love You Again by Laszlo Willinger (1940)

Myrna Loy & William Powell, 1940

Hedy Lamarr by Willinger

Hedy Lamarr, 1944

dolores del rio 1940 - by laszlo willinger - pub shot for the man from dakota

Dolores Del Rio, 1940

STRANGE CARGO by Willinger

Clark Gable & Joan Crawford, 1940

LASZLO WILLINGER,  ANN SOTHERN, 1943

Ann Sothern, 1943

Marilyn Monroe

Marilyn Monroe, 1949

Norma Shearer and Tyrone Power by Laszlo Willinger from Marie Antoinette (1938)

Norma Shearer & Tyrone Power, 1938

Joan Collins rehearsing dance routines for 'Seven Thieves'

Joan Collins, 1959

Vivien Leigh portrait by Laszlo Willinger from That Hamilton Woman

Vivien Leigh, 1941

Centenário de Dana Andrews

Publicado em ANOS 40, GANGSTER, IMPRESSÕES, MUSOS, NOIR, POLICIAL por Adriana Scarpin em Janeiro 1, 2009

Apesar do nome feminino, Dana Andrews foi um mais inesquecíveis caras durões do cinema, em especial do cinema noir. Provavelmente um dos caras mais subestimados da golden age hollywoodiana, em qualquer filme que esteja presente é o seu magnetismo que se sobressai em relação a qualquer outra pessoa em cena (à excessão de Babs Stawyck, cujo brilho nunca ninguém conseguiu tirar), Andrews foi a definição precisa de astro numa década em que só quem realmente tinha carisma alcançava o reconhecimento. Então vai aí vai meu top 5 do homem:

1- Laura (Otto Preminger, 1944)Dana Andrews (Laura)Um desses noires-unanimidade, marca a bem sucedida parceria de Preminger-Andrews que renderia frutos até os anos 60.

2- Bola de Fogo (Ball of Fire, Howard Hawks, 1941)Dana Andrews (Ball of Fire)Aqui Andrews é o gângster antagonista só para levar porrada do mega-nerd Gary Cooper (mmmm… Gary Cooper). Mas do que estou falando? Foda mesmo é a Babs, o filme todo é dela à excessão de uns poucos minutos roubados por Mr Gene Krupa.

3- Passos na Noite (Where the Sidewalk Ends, Otto Preminger, 1950)Where the Sidewalk Ends - DANA ANDREWS & GENE TIERNEYDepois de tantas parcerias com Preminger e Gene Tierney, ainda fazem Andrews passa o filme todo com o cu na mão, ficticionalmente é claro. Num dos papéis mais tensos que fez, inaugura o filão do policial que tem que esonder a própria culpa durante as investigações.

4- Os Melhores Anos de Nossas Vidas (The Best Years of Our Lives, William Wyller, 1946)Dana Andrews & Virginia Mayo (The Best Years of Our Lives)Tudo bem que Fredric March rouba o filme para si como o usual, mas esse drama pós-guerra e anti-belicista entra fácil nas obras máximas de todos os envolvidos.

5- Êxtase de Amor (Daisy Kenyon, Otto Preminger, 1947)Henry Fonda, Joan Crawford & Dana Andrews (Daisy Kenyon)Fugindo dos noires, é Andrews dividindo a tia Joan com Henry Fonda num filme do Preminger. Grande filme e quase ignorado hoje.

Plus: Anjo ou Demônio (Fallen Angel, Otto Preminger, 1945)Fallen AngelOlha lá o Preminger colocando Mr Andrews novamente numa fria em meio a mulheres fatais. A curiosidade aqui é a presença de Alice Faye num filme denso como este, quando até então só fizera leves musicais românticos, deve tê-la traumatizado pois só voltaria a filmar quase 20 anos depois.

25 atrizes

Publicado em CHEESECAKE, FOTOGRAFIA, MUSAS por Georgina Spiggott em Dezembro 11, 2008

Tá rolando um meme nos blogs pelo mundo de atrizes favoritas, quem quiser que também o faça, as minhas não estão em ordem de preferência porque não sou louca de fazer uma coisa dessas, entre parenteses está meu filme favorito de cada uma delas e cujas fotos não tem a ver com os mesmos. São mulheres que aos meus olhos sobrepôem o nome de qualquer cineasta na minha ânsia por vê-las.

Glenda Jackson

Glenda Jackson (Mulheres Apaixonadas/Women in Love, Ken Russell, 1969)

Isabelle Huppert

Isabelle Huppert (A Professora de Piano/La Pianiste, Michael Haneke, 2001)

Louise Brooks

Louise Brooks (A Caixa de Pandora/Die Büchse der Pandora, GW Pabst, 1929)

Barbara Stanwyck

Barbara Stanwyck (As Três Noites de Eva/The Lady Eve, Preston Sturges, 1941)

Anna Karina

Anna Karina (Bande à Part, Jean Luc Godard, 1964)

Miriam Hopkins

Miriam Hopkins (Ladrão de Alcova/Trouble in Paradise, Ernst Lubitsch, 1932)

Julie Christie

Julie Christie (Petulia/Um Demônio de Mulher, Richard Lester, 1968)

(Deserto Vermelho)

Monica Vitti (Deserto Vermelho/Il Deserto Rosso, Michelangelo Antonioni, 1964)

Helena Ignez

Helena Ignez (A Mulher de Todos, Rogério Sganzerla, 1969)

Pam Grier (Foxy Brown, Jack Hill, 1974)

Pam Grier (Foxy Brown, Jack Hill, 1974)

Carole Lombard by Otto Dyar

Carole Lombard (Irene, A Teimosa/My Man Godfrey, Gregory La Cava, 1936)

Liv Ullman

Liv Ullman (Persona, Ingmar Bergman, 1966)

Agnes Moorehead

Agnes Moorehead (Soberba/The Magnificent Ambersons, Orson Welles, 1942)

Marlene Dietrich (O Diabo Feito Mulher/Rancho Notorious, Fritz Lang, 1952)

Marlene Dietrich (O Diabo Feito Mulher/Rancho Notorious, Fritz Lang, 1952)

Sasori, Shunya Ito, 1972)

Meiko Kaji (Joshuu 701-gô: Sasori, Shunya Ito, 1972)

Bette Davis (O que terá Acontecido a Baby Jane?/What Ever Happened to Baby Jane?, Robert Aldrich, 1962)

Bette Davis (O que terá Acontecido a Baby Jane?/What Ever Happened to Baby Jane?, Robert Aldrich, 1962)

Joan Crawford (Johnny Guitar, Nicholas Ray, 1954)

Joan Crawford (Johnny Guitar, Nicholas Ray, 1954)

Faye Dunaway (Rede de Intrigas/Network, 1976)

Faye Dunaway (Rede de Intrigas/Network, Sidney Lumet, 1976)

Catherine Deneuve (Repulsa ao Sexo/Repulsion, Roman Polanski, 1965)

Catherine Deneuve (Repulsa ao Sexo/Repulsion, Roman Polanski, 1965)

Vanessa Redgrave (Blow-Up, Michelangelo Antonioni, 1966)

Vanessa Redgrave (Blow-Up, Michelangelo Antonioni, 1966)

Jeanne Moreau (Jules et Jim, François Truffaut, 1962)

Jeanne Moreau (Jules et Jim, François Truffaut, 1962)

Cate Blanchett (Não Estou Lá/I'm Not There, Todd Haynes, 2007)

Cate Blanchett (Não Estou Lá/I'm Not There, Todd Haynes, 2007)

Florinda Bolkan (Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita/Indagine su un cittadino al di sopra di ogni sospetto, Elio Petri, 1970)

Florinda Bolkan (Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita/Indagine su un cittadino al di sopra di ogni sospetto, Elio Petri, 1970)

Julianne Moore (O Grande Lebowski/The Big Lebowski, Coen Brothers, 1998)

Julianne Moore (O Grande Lebowski/The Big Lebowski, Coen Brothers, 1998)

Shirley MacLaine (Se Meu Apartamento Falasse/The Apartment, Billy Wilder, 1960)

Shirley MacLaine (Se Meu Apartamento Falasse/The Apartment, Billy Wilder, 1960)

Nota 1: Nem é preciso mencionar que cometi uns pecados cabeludos ao deixar muita gente de fora, para ficar satisfeita só 40.

Nota 2: Algumas outras listas bacanas que podem ser encontradas por aí: Self-Styled Siren, 1416 and Counting, Film Experience Blog, Video WatchBlog, Coffee, Coffee and More Coffee , Cinebeats, Stinky Lulu, Flickhead, You Can’t Eat the Venetian Blinds, Cinema Styles

Centenário de Carole Lombard – Parte 1

Publicado em ANOS 30, ANOS 40, IMPRESSÕES, MUSAS por Adriana Scarpin em Outubro 6, 2008

Marvelous girl. Crazy as a bedbug. – Howard Hawks

Nascida a 6 de outubro, Jane Alice Peters, Hoosier Tornado, Profane Angel, Ma, Carol Lombard, Carole Lombard Gable, tanto faz como é chamada, ela foi e é a maior atriz cômica do cinema. Mas não é porque Carole era a maior comediante que não segurasse as pontas também no drama, ela podia ir da louca rainha do screwball à fragilidade sem pensar duas vezes, mesmo sendo um desperdício de talento. Linda, talentosa, charmosa e maluca, além de naturalmente radiante, é por isso que ela é a minha preferida, é por isso que nenhum outro astro de cinema de qualquer outro período ou nacionalidade se equipare a ela aos meus olhos, é por isso que de todas as mortes prematuras do mundo do cinema nenhuma me causa mais frustação do que a do Tornado de Indiana aos 33 anos.
Um dia Jane Peters, aos doze anos de idade, estava jogando baseball na rua com os irmãos e vizinhos em Los Angeles, um produtor de cinema passou, viu e a chamou para um teste, o resto é história. Em 1925, aos 16 anos, Carole assinou seu primeiro contrato com a Fox, sendo o mesmo anulado no ano seguinte por conta de um grave acidente de carro que ela sofreu e danificou seu rosto. Na época a evoluída medicina acreditava que uma cirurgia plástica de reconstrução sairia melhor sem anestesia e lá foi Carole fazê-la aguentando toda a dor necessária. Tal fatalidade poderia significar o caos para uma carreira que prezava a beleza acima de tudo tal como era o cinema dos anos 20, mas depois da cirurgia e sempre acompanhada dos melhores maquiadores para cobri-lhe os resquícios de cicatrizes na face, Carole seguiu em frente na produtora de Mack Sennett, onde fez inúmeros curtas cômicos e sem deixar de mostrar que estava alí uma ainda belíssima mulher.
Mas é na transição do cinema mudo para o falado que Carole começa a ser notada, com muitas das estrelas da velha guarda caindo por terem vozes pouco agradáveis, Carole começa a ter chance em longas por ter uma bela voz e leveza no falar somada às suas outras qualidades naturais.
No início dos anos 30 Carole se casa com o sofisticado William Powell, foi com ele que ela fez sua melhor cena, a memorável chuveirada de Irene – A Teimosa, papel este que lhe rendeu sua única e merecidíssima indicação ao Oscar de Melhor Atriz, mas acabou perdendo para Luise Rainer por seu papel em Ziegfeld – O criador de estrelas, que coincidentemente também tinha William Powell como ator principal. Carole se culpava pelo fim de seu casamento de dois anos, pois se dizia preocupada demais com a própria carreira deixando o relacionamento em segundo plano. Anos depois, na ocasião do casamento com Clark Gable, disse que este seria diferente e tornou-se famosa a frase “Pa comes first”, tanto foi verdade que durante esse casamento deu mais atenção em elevar a carreria do marido do que a sua própria. Nessa época ela também era a dona festança, uma party girl por excelência.

"We called her The Profane Angel because she looked like an angel but she swore like a sailor. She was the only woman I ever knew who could tell a dirty story without losing her femininity." - Mitchell Leisen

"We called her The Profane Angel because she looked like an angel but she swore like a sailor. She was the only woman I ever knew who could tell a dirty story without losing her femininity." - Mitchell Leisen

Em 1934 sua vida é novamente afetada por um acidente, seu primeiro relacionamento sério pós-divórcio, o crooner Russ Colombo, morre acidentalmente durante uma brincadeira de um amigo com pistolas de duelo. Mais marcante ainda é a reviravolta que sua carreira dá por conta de sua saída da Columbia Pictures, com o novo contrato da Paramount conseguiu o status de estrela de primeira grandeza em pouco tempo.
Em meados dos anos 30 Carole inicia o relacionamento com Clark Gable que por muito tempo foi mantido longe dos holofotes, pois a então esposa dele não queria lhe dar o divórcio. Formavam um casal tipicamente oposto, ela sempre libertária religiosa e moralmente, ele com a sua devida cota de conservadorismo e machismo. Em 1939 finalmente se casam e vão morar numa fazenda onde criam uma verdadeira arca de Noé. Carole extremamente decepcionada ao descobrir não poder ter filhos, se joga na vida campestre bem longe das noitadas que tanto lhe agradavam no início daquela mesma década, agora profissionalmente independente faz poucos filmes e só os que lhe apetecem fazer.
Chega a Segunda Guerra Mundial, logo após o término da colossal sátira To Be or Not To Be, sempre genuinamente preocupada com as pessoas, Carole resolve participar politicamente de tal período usando sua notoriedade na angariação de fundos e num estranho vôo datado de 16 de janeiro de 1942 o avião em que se encontrava ao lado de sua mãe bate numa montanha.
Algo me chama atenção: nunca li nenhuma palavra venenosa de Joan Crawford a respeito de Carole. Por quê? Crawford era aquela a chacoalhar o guizo para deus e o mundo e nos anos 30 fora apaixonadíssima por Gable, tanto que no fim de sua vida clamava que o único homem que realmente amou fora ele, talvez uma prova de que Carole era tão fascinantemente luminosa que tinha o respeito até da habitualmente venenosa Crawford ou simplesmente seu respeito por Clark era demasiado para se sentir à vontade com qualquer destilação, ou ainda ela era só mais uma dissimulada mesmo. Mas não só isso, Crawford foi quem segurou a onda de desespero de Gable após a morte de Carole e a substituiu no filme em que estava prestes a rodar, doando seu salário em nome de Lombard para a Cruz Vermelha. Outra historinha bacana é sobre Lucille Ball tendo um sonho com Carole, onde esta aconselhava Lucille a tentar a carreira na TV com I Love Lucy. Lucille seguiu os conselhos da falecida e deu no que deu.
O que se tornou mesmo lendário são as coisas que os amigos de Gable contavam sobre sua adoração pela esposa e como nunca mais foi o mesmo depois de sua partida, ou ainda, como na ocasião da morte de Carole em que ele foi até a montanha onde caiu o avião em que Carole se encontrava e em desespero absoluto apenas saiu de lá quando havia a certeza de que não a encontraria viva. Talvez algo de sentimento de culpa, pois Carole pegou aquele avião e não um trem como fora previamente planejado porque ouvira rumores de um suposto caso entre Gable e Lana Turner durante as filmagens de Ainda Serás Minha. Depois disso ele surtou, foi pra Guerra e só voltou ao cinema 3 anos depois entregando-se ao alcoolismo permanentemente.

Considerações de Carole após Clark ser coroado The King of Hollywood “If his pee-pee was one inch shorter, they’d be calling him the Queen of Hollywood.”

Considerações de Carole após Clark ser coroado The King of Hollywood “If his pee-pee was one inch shorter, they’d be calling him the Queen of Hollywood.”

Então façamos um apanhado geral da carreira de Carole, primeiro os filmes em que ela aparece como personagem, depois os que fez e por último alguns documentários e filmes curiosos. Obviamante citarei apenas os que vi, pois não sou muito dada a falar de coisas que desconheço. A maior perda fica por alguns filmes dos anos 20 os quais participou, especialmente sua estréia em 1921 com A Perfect Crime aos doze anos, mas é realmente impossível encontrar certos filmes dessa década.

RKO 281 (Benjamin Ross, 1999)
Carole aparece como personagem neste filme sobre a vida e quase morte de Cidadão Kane. A verdade é que Carole é a principal culpada pela existência de Cidadão Kane, Orson Welles estrearia na direção com um filme chamado Smiler with a Knife, mas sob hipótese alguma ele o faria sem Lombard, mas esta sentindo o peso da responsabilidade de trabalhar com o mais novo queridinho da América com grandes chances de colocarem a ambos ardendo numa fogueira, resolveu ir em territórios mais calmos como o bom e velho Hitchcock e sua família Smith. O resto é história, essas são as vantagens em se ganhar um não de uma mulher.
Não só de esnobar Orson Welles ela viveu, deu também sua devida esnobadela em Howard Hawks (que era seu primo) pelo papel principal de Jejum de Amor e em Frank Capra por O Galante Mr. Deeds, quando finalmente Lombard poderia redimir os filmes meia-boca que fizera ao lado de Cary Grant e Gary Cooper. Hoje ninguém vê outra pessoa além de Rosalind Russell e Jean Arthur em tais papéis.

Os Ídolos Também Amam (Gable and Lombard, Sidney J Furie, 1976)Carole é interpretada por Jill Clayburgh que realmente não se parece nada com ela e Gable é encarnado por James Brolin (hoje mais conhecido como pai-do-Josh-e-marido-da-Barbra) que ficou assustadoramente parecido, mais pela sua cota de charme do que pelo físico propriamente dito.
O diretor Sidney J. Furie acabou com a tal fama de ter enterrado a série de filmes do Superman nos anos 80 com aquele escabroso exemplar IV, mas antes de tudo isso ele realizara pelo menos dois filmes realmente díficeis de serem ignorados, o primeiro filme de Harry Palmer, Ipcress – O Arquivo Confidencial (1965) e o filme em que Diana Ross interpreta Billie Holliday, O Ocaso de uma Estrela (Lady Sings the Blues, 1972). Em Gable and Lombard as intenções são boas e ele nos deu um filme razoável em clima de screwball, algumas cenas com inspiração a partir de outras que os próprios Clark e Carole protagonizaram nas telas dos anos 30.

The Scarlett O’Hara War (John Erman, 1980)
Sim, Carole foi uma das zilhões de atrizes que disputaram a vaga de Scarlett enquanto seu marido era o Rett definitivo, hoje é difícil ver outra pessoa além de Vivien Leigh no papel, mas uma das poucas atrizes que poderiam ser insuportavelmente mimadas, fortes e manipuladoras tanto quanto Leigh seria Miss Lombard.Just before her relationship with Clark Gable began in earnest, Carole read and loved the book “Gone With the Wind”. Excited, she sent a copy of the book to Gable, with a note attached reading “Let’s do it!”. Gable wrongly assumed she was making a sexual advance to him, and called Carole to organize a date. When he found out Carole wanted to make a film the book with him as Rhett Butler and herself as Scarlett, he refused, and kept the copy of the book she had given him thereafter in his toilet.

Nota: Para mais fatos e curiosidades sobre Lombard, recomendo o recém fundado Carole Lombard .org, ainda no início mas que promete grande conteúdo.

Update: Reiterando o caso Joan Crawford. hehehe Eu disse que a vaca não deixava passar ninguém.

Declarações de amor de Bette Davis a Joan Crawford

Publicado em FOTOGRAFIA, MUSAS por Adriana Scarpin em Maio 29, 2007

Joan Crawford and Bette Davis (1962)- “Ela já dormiu com todos os astros da MGM, exceto a Lassie.”

- “Por que sou tão boa intepretando vilãs? Talvez porque eu não seja uma vilã. Talvez por isso a Joan Crawford sempre interprete mocinhas.”

- “Nunca se deve falar coisas ruins sobre alguém que está morto. Apenas coisas boas. Joan Crawford está morta. Ótimo!” (quando sua inimiga morreu em 1977)

- “Não é porque alguém está morto que se tornou uma pessoa melhor!” (idem)

- “Joan Crawford e eu nunca fomos amigas calorosas. Nunca fomos simpáticas. Eu a admiro e, ao mesmo tempo, sinto-me desconfortável com ela. Para mim, ela é a personificação de uma estrela de cinema. Eu sempre tive a impressão de que sua melhor performance era Crawford interpretando Crawford.”

- “Eu não mijaria nela nem se ela estivesse em chamas.”
O amor é mesmo lindo, não?

Nota: Ainda sonho algum dia poder ver o filme pornô que Crawford fez 1923 e que sumiu da face da terra: The casting Couch. Não é como um fictício Cigarette Burns, mas sabe como é a curiosidade…

Etiquetado como:,

Fogueira de Paixão ( Possessed, 1947)

Publicado em ANOS 40, DRAMA, IMPRESSÕES, NOIR, SUSPENSE por Adriana Scarpin em Novembro 27, 2006

Não, o título não se refere a Joan Crawford, embora ela tenha uma fama pessoal que a preceda em sua carreira de Hollywood, refere-se ao filme Possessed de 1947 (não confundir com o título do outro filme que a tia Joan fez nos anos 30 com o Clark Gable) e não posso citar seu título em português porque já achei três diferentes e um pior do que o outro: Fogueira de Paixão, Amor que Mata, Paz para Louise.
Esse filme noir foi feito no auge do “freudianismo” do cinema hollywoodiano (que foi de meados dos anos 40 até meados dos anos 50) e que obviamente os conceitos psicanalíticos/psiquiátricos contidos alí já estão deveras ultrapassados, aliás, toda a parte “teórica” da doença de Louise está muito confusa quanto à realidade atual da psiquiatria (dizendo isso como paciente e não profissional, é claro).
Bom, mas não é a realidade funcional desse filme que está em jogo e sim suas qualidades cinematográficas e como grande apreciadora de cinema noir devo elogiá-lo pelo magnífico trabalho de iluminação e pelo desenrolar ambíguo da realidade pessoal de Louise transposta na edição do filme. Sim, temos momentos que nos confundimos com a própria realidade da personagem do que é real ou não, o que na época era uma inovação para Hollywood.
Van Heflin está ótimo como o cara imaturo que dá o ponto de partida na situação decadente de Louise (é impressionante como tem crianção que faz isso as pobres mulheres problemáticas), mas quem arrasa no final das contas é a tia Joan, numa das melhores performances de sua carreira. Será que tem algo a ver com a citação que ela deu abaixo sobre sua interpretação?

“Don’t let anyone tell you it’s easy to play a madwomen, particularly a psychotic.” - Joan Crawford sobre seu papel em Possessed.

Nota 1: Amo Joan Crawford como atriz e estrela, mas acho que não conseguiria ficar 2 segundos ao lado dela na vida real, aparentemente ela era o tipo de pessoa com quem eu não consigo conviver. Por outro lado, acho que eu poderia até ser a melhor amiga de Marilyn Monroe. (ah, pra quem não sabe a única experiência homossexual que Marilyn teve foi com a tia Joan)

Nota 2: Para variar esse papel mais uma vez fez com que os destinos de Bette Davis e Joan se entrelaçassem de alguma forma, apesar de ter feito Mildred Pierce anteriormente com o mesmo produtor, Joan não foi a primeira opção para o papel, quem estava escalada era a tia Bette, mas como a moçoila acabou engravidando nessa época o papel foi parar nas mãos da tia Joan. Eu até imagino a cara que a tia Joan fez por estar aceitando o “resto” da tia Bette.

Centenário de Joan Crawford

Publicado em ANOS 30, FOTOGRAFIA, MUSAS, PRE-CODE por Georgina Spiggott em Março 23, 2005

Redimida (Letty Lynton, 1932) por George Hurrell

Etiquetado como:,