Dance of the Seven Veils (1970)
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Para os não-fãs de Russell encontrar este filme não quer dizer absolutamente nada, mas para os fãs ardorosos o mínimo que pode acontecer é um momento de catatonia para logo mais reverter-se em euforia plena. ESTE é o Santo Graal de Ken Russell, é o filme esquecido, o mais problemático, o mais, O MAIS!
Mais do que cortesia, um presente dos deuses do Filmbo’s Chick Magnet
Para acompanhar, mais um texto indispensável no The Auteaurs sobre o filme.
Knights On Bikes (1956)
Primeiro filme de Ken Russell, deus abençoe o youtube. O curioso é que já estão bem evidentes algumas das obsessões que Russell cultivaria ao longo da carreira, tal como a ênfase no crucifixo e no herói burlesco. Mais curioso ainda é semelhança com o que se tornaria o humor inglês a partir de Lester e dos Goons.
Filmes bacanas de cada ano que o cinema viveu: 1965
1- Faster, Pussycat! Kill! Kill!/Mudhoney/Motor Psycho (Russ Meyer)
Ôpa ôpa ôpa! Russ Meyer em dose tripla naquele ano.
2- Monitor: The Debussy Film (Ken Russell)
Debussy, Ollie, Russell e um maluquete adorador de Wagner que gosta de atirar em gatos. Basta.
3- Ipcress – Arquivo Confidencial (The Ipcress File, Sidney Furie)
A pergunta é: como o Sidney Furie conseguiu fazer essa pequena obra prima da espionagem e depois se tornaria um cineasta de merda nos anos subsequentes?
4- Darling – A que Amou Demais (John Schlesinger)
Dirk Bogarde não leva puta em taxi. Simples assim. Não sei qual é do preconceito, mas essa sentença me marcou. Mas coloquemos os pingos nos is, este é um filme importantíssimo da british new wave, em 1965 o homossexualismo ainda era considerado crime na Inglaterra, então John Schlesinger e seus asceclas fazem o quê? Pegam a historinha de um rapaz conhecido no bas-fond londrino, dão uma lapidada, transformam-no numa mulher com pele de Julie Christie, juntam mais um punhado de atores do babado (Dirk Bogarde, Roland Curram, Laurence Harvey) e finalmente se dá um dos melhores trabalhos de Schlesinger, que sempre se preocupou em retirar o gay do armário cinematográfico e passaria a próxima década quebrando barreira atrás de barreira neste quesito. Antes um esclarecimento: Laurence Harvey não era propriamente homo ou bissexual, só quando lhe convinha.
5- The Dot and the Line: A Romance in Lower Mathematics (Chuck Jones/Maurice Noble)Chuck Jones versão experimental.
Real Melhor Filme do Ano: Não sei e não quero saber, estou de saco cheio dessas listas e ainda tenho 70 anos delas pela frente. Portanto a partir de agora os filmes voltarão a ser restritos a top 5, embora tenha a leve impressão de que quando chegar os anos 30/40 voltarei a ficar empolgada em demasia.
[blá: Bunny Lake Is Missing (Preminger), Chimes at Midnight (Welles), For A Few Dollars More (Leone), The Hill (Lumet), Pierrot le fou (Godard), Repulsion (Polanski), Red Beard (Kurosawa), São Paulo - S/A (Person)]
Filmes bacanas de cada ano que o cinema viveu: 1968
1- O Bandido da Luz Vermelha (Rogério Sganzerla)
Cara, que absurdo! Eu era muito nova quando assisti pela primeira vez este filme e nem sabia exatamente o que estava vendo, mas totalmente enfeitiçada e adorando. Depois de algumas revisões na fase adulta, a conclusão a que se chega é de fato ser um dos meus filmes favoritos e só não é o melhor filme daquele ano porque aquelas desgraças que atendem pelo nome de Stanley e Sergio passaram uma rasteira no Rogério. Sem mencionar que sou uma tremenda paga-pau do Paulo Villaça que sempre me lembrou o Christopher Lee.
2- Perigo: Diabolik (Mario Bava)
Vai tomar no cu quem não gosta de Diabolik. Bava levou todo o colorido de seus giallos berrantes nessa adaptação do fumetti tão boa quanto o seriado do Batman dos anos 60. Tem Michel Piccoli, Terry-Thomas, John Phillip Law e, principalmente, tem a mulher mais milimetricamente perfeita em que já coloquei os olhos, seja no cinema, seja em qualquer parte do mundo: Marisa Mell em todo seu esplendor e glória, quem mais? O problema eterno é começar a cantar uma determinada música dos Beastie Boys toda vez que lembro de Diabolik.
3- O Bebê de Rosemary (Rosemary’s Baby, Roman Polanski)
Esse é um daqueles filmes que fazem por merecer seu culto mainstream, é bom de verdade e não porque nos querem fazem acreditar que seja. Um dos primeiros filmes verdadeiramente assustadores que vi e tem John Cassavetes – o ator – para a alegria das senhoiras apreciadoras do mesmo como eu.
4- Death Laid an Egg (La morte ha fatto l’uovo, Giulio Questi)
Não é só o título que é estranho, o filme também é, assim como todos os poucos filmes do Questi, esse cara nunca falhou em me deixar boquiaberta, nem tenho idéia do porquê deixou de fazer filmes, mas assistir este e o seu filme do ano anterior me faz lamentar sinceramente o fato de um cara tão criativo e ciente da arte e técnica de fazer cinema ter nos privado de tal talento. Só com La Morte ha Fatto l’uovo e Se Sei Vivo Spara posso afirmar que é um dos mais memoráveis cineastas italianos de sempre.
5- Delius – Song of Summer (Ken Russell)
Um dos famigerados filmes de Ken Russell para a BBC que o tornaram objeto de culto, este em especial é da leva do Omnibus, mas ainda seguindo com sua singular e atmosférica visão sobre a vida dos compositores.
6- A Noiva Estava de Preto/Beijos Roubados (La Mariée était en Noir/Baisers Volés, François Truffaut)
Em contrapartirda ao Beijos Roubados que faz parte da cultuada série Antoine Doinel, Truffaut fez A Noiva Estava de Preto, um dos seus filmes mais equivocadamente desprezados. Logo depois de suas reuniões constantes com o velho Hitch (e que rendeu aquele livro obrigatório), Truffaut, mais embasbacado do que nunca, se jogou em sua primeira adaptação do Cornel Woolrich de forma evidentemente idólatra para com Hitchcock. Jeanne Moreau é mãe de Beatrix Kiddo.
7- Crown – O Magnífico (The Thomas Crown Affair, Norman Jewison)
De moleque de sarjeta para o cume da elegância, é isso que quebra na imagem até então exclusivamente de “outsider sujinho” do McQueen. E estaria mentindo se não dissesse que sou mesmo fã daquela cena do xadrez, coisa que Jewison roubou do Lubitsch. Aquilo é tão Lubitsch, mas tão Lubitsch e o McQueen é tão Gary Cooper num filme do Lubitsch, que me pergunto se o Jewison não ficou pensando no lema do Billy Wilder só para filmá-la: O que o Lubitsch faria? Mas não, não bastava McQueen apenas em Thomas Crown, ele também teria que fazer Bullitt no mesmo ano! Aquele sem graça.
8- Bullitt (Peter Yates)
Seu sem graça!
9- Teorema (Pier Paolo Pasolini)
Terence Stamp, seu outro sem graça!
10- Submarino Amarelo (The Beatles’ Yellow Submarine, George Dunning)
É mesmo uma das minhas animações favoritas e um dos melhores filmes com bandas de rock. Ringo é amor.
O Arco-Íris (The Rainbow, 1989)
As mulheres eram diferentes. Também tinham a sonolência da intimidade do sangue, bezerros sugando e galinhas correndo juntas, filhotes de ganso palpitando na mão enquanto a comida era empurrada pelas goelas. As mulheres olhavam além do intercurso acalorado e cego da vida na fazenda, contemplavam o mundo ao redor. Tinham consciência dos lábios e da mente do mundo falando e se manifestando, ouviam o som à distância, esforçavam-se para escutar.
Há pouco tempo tempo fui a um sebo e constatei que alguma pobre alma havia vendido toda sua coleção de DH Lawrence, levei todos os que ainda não tinha e recomecei os meus estudos da obra de Lawrence, fato este que implica buscar demais visões com outras perspectivas sobre o autor. Não, não sou das que curtem comparar literatura ao cinema, mas perspectivas também implicam visões de cineastas e me apetece tratar cineastas como seres pensantes.
Nesse caso, volto a Ken Russell, ele que sempre volta a pauta, ele que é objeto de meu fascínio, ele que adaptou por três vezes a obra de DH lawrence, das quais apenas O Arco-Íris havia-me passado batido e as outras duas, Mulheres Apaixonadas e O Amante de Lady Chatterley, eram alvo de minha admiração.
Em Lawrence a saga dos Bragwens atravessa a família em gerações, enquanto o filme foi sabiamente adaptado só a partir da segunda metade da obra escrita e acompanha o florescimento sexual e intelectual da jovem Ursula no início do século XX, num épico em que as relações humanas são renovadas por meio da sexualidade, em que a religião é um estado psicológico necessário e que os demais aspectos do mundanismo são aquém de qualquer laço humano. É absolutamente nonsense o fato de um autor tão sensato e em alguns aspectos até puritano, mesmo a serviço de seu notório panssexualismo, tenha sido tão massacrado e perseguido por ter tratado a sexualidade de forma clara e sem frescura.
Glenda Jackson volta a tal universo como a mãe da personagem que interpretara em Mulheres Apaixonadas, Gudrun, agora interpretada por Glenda McKay, enquanto sua irmã Ursula fica por conta de Sammi Davis outrora personificada por Jennie Linden no filme de 69, pois ambos os livros formavam um projeto intitulado “As Irmãs”, cuja intenção inicial era torná-los um único grande épico, mas que posteriormente foi dividido por Lawrence em dois livros contínuos. A Ursula de 1989 é apresentada de uma forma muito menos madura do que vemos no livro, no filme ela é apresentada com o comportamento típico de uma adolescente, enquanto no livro ela pode ser vista como uma jovem sensata, apesar de ser mesmo uma adolescente. O bacana da obra de Lawrence sempre foi esse estado sensualidade contanstante, Lawrence traz a paixão até as mazelas da vida real enquanto a paixão real não sobrevive nas mesquinharias da realidade e Russell sabe dosar isso muito bem contrapondo a sexualidade de Ursula com a sua entrada no opressivo mundo adulto do trabalho e relações sociais, as angústias do que era pequeno e ordinário podiam provocar.
Arco Íris é um filme mais livre e desenvolto que o Mulheres Apaixonadas, este realizado num país onde 10 anos anos antes O Amante de Lady Chatterley ainda era proibido e precisava quebrar certas barreiras da hipocrisia inglesa, mas que afetava a naturalidade que Lawrence pregou por toda a vida, um naturalismo que consistia de anseios primitivos como forma de libertação daquela sociedade industrial, mesquinha e materialista que Lawrence pôde observar desde a infância. E aí entra a afinidade de Russell para com Lawrence, essa busca da liberdade em seu primitivismo, essa doação completa e anti-acadêmica, essa obsessão pela simbologia religiosa, a arte e a sexualidade. Todos os elementos mais recorrentes da obra de Lawrence são os mesmos da obra de Russell, mesmo adaptados para uma arte distinta e em uma situação temporal divergente, a essência do que buscavam era basicamente a mesma.
Outras Obras Russell-Lawrenceanas
Mulheres Apaixonadas (Women in Love, 1969)
Sequência literária imediata aos acontecimentos narrados em O Arco-Íris. Com a diferença de 20 anos separando tal filmagem de sua prequel, Russell escolhe Mulheres Apaixonadas para incursionar em seu segundo longa para cinema e sua primeira adaptação de Lawrence para as telas. É uma ótima adaptação, mas a presença masculina é muito mais forte e desenvolvida do que a feminina nesta versão, mesmo Glenda Jackson sendo de absoluto magnetismo e furor ao encarnar Gudrun, enquanto a visão de Ursula dissipou-se na tela por conta de Jennie Linden. Portanto, Jackson teve que alinhavar todo o universo feminino com as próprias mãos, contrapondo-se à maquinaria comandada por Oliver Reed e Alan Bates, dois dos mais intensos, ferozes e enérgicos atores ingleses dos anos 60. Ollie e Bates são os mais profundos exemplares da virilidade lawrenceana, inclusive em seu homoerotismo, elemento este sempre presente na obra do escritor, também sempre envolto com seu panssexualismo, onde o vento e a chuva se entranham ao chamado sexual, não podendo haver dois melhores espécimes masculinos a representar essa totalidade.
O Amante de Lady Chatterley (Lady Chatterley, 1993)
Agora sim a dosagem do masculino-feminino está devidamente balanceada. Outrora muso de Derek Jarman, Sean Bean legou o mesmo tipo de virilidade e rudeza necessária, enquanto Joely Richardson deixou transparecer a feminilidade intensa de sua personagem. Pela primeira vez Russell conseguiu um equilíbrio completo, tanto da perspectiva fêmea-macho quanto da própria obra de Lawrence, diria que é a peça mais coesa da relação do cineasta com o escritor e os anos 90 foram bem propícios a isso, não haviam mais barreiras a serem quebradas e o tratamento natural que Lawrence dava à sexualidade pôde finalmente ser transposto para as telas, o que muito me alegra, por ter ocorrido essa falta de afetação justamente com Lady Chatterley, o mais honesto de seus livros.
Nota: Se nos anos 60 Russell precisava quebrar a hipocrisia da sociedade inglesa, o livro era Mulheres Apaixonadas. Se nos anos 80 era preciso quebrar a onda yuppie e materialista que assolava o mundo, o livro era O Arco-Íris. Se nos anos 90 era necessário tratar a emoção e o sexo de forma translúcida e natural, o livro era O Amante de Lady Chatterley. Então, por que Russell pulou os anos 70, se le poderia adaptar livremente A Serpente Emplumada para o seu estilo de cinema naquela década? Estava tudo lá: vasta simbologia religiosa, militares megalômanos, revolução mexicana e grandiosa sexualidade, ou seja, tudo que era exagerado e intenso como fora todo o seu cinema dos anos 70. Falha de todos, Lawrence foi equivocadamente pouco adaptado para as telas, através de perspectivas e digressões se converteria facilmente em alguma imagem insana do Russell setentista.
Filmes bacanas de cada ano que o cinema viveu: 1969
1- Um Beatle no Paraíso (The Magic Christian, Joseph McGrath)
Yul Brynner é uma drag cantando para um Roman Polanki bêbado, Laurence Harvey faz um show de striptease representando Hamlet, Richard Attenborough treina Graham Chapman em Oxford, Christopher Lee é um vampiro, Raquel Welch é a gostosa habitual, Spike Milligan é um guarda e Graham Stark é um garçon, ambos tentando fazer as vontades do milionário Peter Sellers e seu filho Ringo Starr. Meu coração palpita só de lembrar da cena do museu envolvendo Sellers, Ringo e John Cleese: um Goon, um Beatle e um Python. Qualquer pessoa que tenha um mínimo de apreço pela comédia britânica em toda sua anarquia e glória deve assistir tal filme, nesse caso o oportunista título nacional faz todo o sentido, é mesmo um paraíso.
2- A Mulher de Todos (Rogério Sganzerla)
Ela gosta é de boçaaaaaaal! Homem bacana dá muito trabalho. Aqui vê-se o porquê a Helena Ignez não tem espaço na mídia nacional de merda, essa mulher deveria ter uma estátua em cada canto desse país. Como Ignez e Florinda Bolkan (que trabalhou com os maiores cineastas europeus dos anos 60 e 70) pouco são lembradas só porque não fazem novelinhas da globo, enquanto a galera fica babando ovo de umas atrizinhas de merda. Na boa, creio piamente que Ignez é a maior atriz brasileira de sempre.
3- Uma Sobre a Outra (Una Sull’Altra, Lucio Fulci, 1969)
É uma espécie de remake de Vertigo. E que remake! Fulci adaptou o Vertigo de Hitchcock para a linha giallica, com tudo que tinha direito, inclusive locações em San Francisco, num suspense erótico que reina a deusa absoluta Marisa Mell, a mulher mais bonita que já vi não apenas no cinema, como em qualquer parte fora dele.
4- Mulheres Apaixonadas (Women in Love, Ken Russell)
UIA, mesmo que não seja apreciado como um tôdo, creio ser pouco provável não dar o braço a torcer ao menos com uma cena: aquela envolvente, espetacular e perfeita sequência homoerótica de machos suados lutando nus protagonizada por Alan Bates e Oliver Reed. É Russell envolvido com DH Lawrence mais uma vez e dá-se a impressão que o literato e o cineasta nasceram para tal união, cada qual no meu hall pessoal de autores favoritos em suas respectivas artes. O elenco perfeito não atrapalha.
5- Charity, Meu Amor (Sweet Charity, Bob Fosse)
Fosse quase não gostava de Fellini. Nessa versão musical de Cabiria, Shirley MacLaine mostra porque é uma estrela completa que dança, canta, sapateia e atua. A mulher é um monstro e hoje está relegada a papéis secundários em filmecos meia-boca.
6- The Bed Sitting Room (Richard Lester)
Não tem como não ser fã de um filme cujos créditos iniciais os atores aparecem em ordem de altura e pasmem: Rita Tushingham é mais baixa que Dudley Moore! Peter Cook é o mais alto, claro. Ficção Científica pós apocalíptica que mistura o melhor da comédia britânica dos anos 60, dos Goons, passando por Beyond the Fringe até o mestre absoluto que liga todo esse povo bom: Richard Lester, especialmente por ter criado toda a estrutura visual que revolucionaria o humor britãnico a partir dos anos 50. Indispenável para quem gosta de Monty Python mas não conhece toda essa galera que os influenciou.
7- Os Deuses Malditos (La Caduta degli dei, Luchino Visconti)
Incesto, Dirk Bogarde, orgias nazistas, Ingrid Thulin, pedofilia, Helmut Berger, traições, Florinda Bolkan, prostituição, Helmut Griem, travestis, Charlotte Rampling, assassinatos. Ah… toda essa decadência!
8- Orgasmo/Così Dolce… Così Perversa/Paranoia (Umberto Lenzi)
Não sei se é admissível ver o Lenzi sendo tratado como um cineasta podreira por uma porrada de gente, posso entender esse tratamneto para com o Jess Franco, mas não com o Lenzi. O homem sabia muito bem o que fazia e legou quantidade suficiente de obras que nos fazem cair o queixo, especialmente a série de filmes que fez com a Carroll Baker como protagonista, a qual teve início com esses Orgasmo, Così Dolce… Così Perversa e Paranoia. Lenzi e Baker ainda fariam um quarto filme em 72, mas este ainda não vi, embora ache pouco provável que tenha atingido a qualidade dessa trilogia que é mesmo o ápice da carreira do diretor. Nessa trilogia se encontra tudo que há de melhor do suspense francês, italiano e inglês, algumas cenas chegam a parecer refilmagem quadro-a-quadro de obras de cineastas que todos conhecemos (especialmente Hitchcock – o rei da influência giallica – Clouzot e Antonioni), mas de modo algum soa como plágio, mas sim como homenagem e aí que reside o talento de Lenzi, ele pega um imaginário que todo mundo conhece, costura tudo e monta um guarda roupa totalmente novo. Para diferenciar um filme do outro, lembre-se dos protagonistas masculinos: Orgasmo é com Lou Castel, Così dolce… così perversa é com Jean-Louis Trintignant e Paranoia é com Jean Sorel, este último é o meu Lenzi favorito e sempre foi confundido com Orgasmo por causa do título internacional.
9- Os Aventureiros do Ouro / Os Maridos de Elizabeth (Paint Your Wagon, Joshua Logan)AAAAAAAhhhhh! Clint cantando.
10- Um Golpe À Italiana (The Italian Job, Peter Collinson)AAAAAAAhhhhh! Caine cantando.
11- Vênus das Peles (Le Malizie di Venere, Massimo Dallamano)
Ainda com sua sina de adaptações literárias transpostas para o ambiente contemporâneo, Dallamano se joga em Sacher-Masoch numa das poucas adaptações para o cinema de alguma obra do autor e, ao meu ver, a melhor de todas. Belo tratado sobre obsessão, tendências e emoções da infância adaptadas à vida sexual adulta e a natureza das sensações. Não à toa Laura Antonelli é conhecida como deusa do sexo, é musa absoluta.
12- Cega Obsessão (Môjû, Yasuzo Masumura)
Continuando nos ensinamentos do seu Masoch, a verdade é que o filme do Dallamano parece filme da Disney comparado a esta pequena obra prima nipônica. Arte, obsessão e dor.
13- A Sereia do Mississipi (La Sirène du Mississipi, François Truffaut)
Truffaut volta a idolatrar Hitchcock e a seguir os passos de Cornell Woolrich. Meio inadmissível Belmondo ter trabalhado uma única vez com Truffaut.
14- Um Assaltante bem Trapalhão (Take the Money and Run, Woody Allen)
Primeiro filme dirigido por Allen e um dos mais engraçados, sem dúvida.
Real Melhor Filme do Ano: Meu Ódio será tua Herança (The Wild Bunch, Sam Peckinpah)
Peckinpah me cansa. mençoes honrosas para A paixão de Ana (Bergman), A Via Láctea (Buñuel), Matou a Família e Foi ao Cinema (Bressane), Akage (Okamoto), Z (Costa Gavras) e sabe-se lá mais o quê.
Filmes bacanas de cada ano que o cinema viveu: 1971
1- Morte em Veneza (Morte a Venezia, Luchino Visconti)
Meu primeiro Visconti ainda na tenríssima idade e seria quase nulo mencionar o tamanho da marca deixada em mim, numa época em que ainda há a sinceridade do gostar, sem afetação externa de fulaninhos dizendo ser Visconti um dos maiores do mundo. Mais do que Thomas Mann e semi-biografia de Gustav Mahler, Morte em Veneza soa como um testemunho autobiográfico do próprio Visconti, aquele Tadzio resplandece a mesma beleza e ar etéreo do jovem Helmut Berger quando Luchino o conheceu na pós-adolescência. Este filme é mesmo uma declaração de amor de Luchino à Helmut.
2- Os Demônios (The Devils, Ken Russell)
Melhor filme do Russell (dividindo as honras com The Debussy Film). Depois de Mulheres Apaixonadas, Russell se embrenhou na obra do companheiro de mescalina do DH Lawrence: Aldous Huxley (porque ingleses também fogem para o México, oras). Presumo que só faltou perspectiva temporal para que Russell se juntasse a eles no México, pois realmente se dava bem com Huxley e Lawrence, além de uma mente artística que muito lembrava uma mistura insana dos dois escritores, com a devida companhia de Derek Jarman como designer. Vanessa Redgrave freira-corcunda pensando em se masturbar com o osso (literalmente) do Oliver Reed é algo a não ignorar.
3- Quando Explode a Vingança (Giu La Testa, Sergio Leone)
Não tente me falar de revolução. Sei tudo sobre revoluções e como elas começam! Gente que lê livros vai atrás de quem não lê, gente pobre, e diz: “Tem que haver mudanças. ” E a gente pobre faz as mudanças, hein? Ai, os que lêem livros se sentam em grandes mesas lustrosas e falam, falam, comem e comem, hein? Mas o que acontece com os pobres? Eles estão mortos! Essa é a sua revolução! Por isso, por favor… não me fale de revoluções. E o que acontece depois? A mesma podridão começa toda de novo! E os britânicos continuam a fugir para o México. Apesar de ser o mais subestimado dos filmes oficiais de Leone, ainda é um grande filme. Funciona como o exato objeto de transição dos seus cultuados spaghetttis para Era Uma Vez na América, as cenas envolvendo James Coburn no IRA são um exato prenuncio para o seu filme de gângsters americanos. Outro tema interessante é uma homenagem irônica à Sam Peckinpah e a utilização da câmera lenta, sendo usada para dilatação do tempo no amor e na amizade por parte de Leone ao contrário da habitual violência de Peckinpah.
4- Sweet Sweetback’s Baadasssss Song (Melvin Van Peebles)
Ao lado do Shaft de Gordon Parks Sr, este é o fundador oficial do gênero blaxploitation, mas ao contrário do seu colega que tinha aval dos grandes estúdios, Melvin van Peebles fez o seu filme na raça e deu ao público algo que eles certamente nunca tinham visto antes. 30 anos depois, seu filho Mario (que também está em Sweetback encarnando a personagem central quando jovem) mostrou a saga do pai para fazer esse classicaço no excelente filme How to Get the Man’s Foot Outta Your Ass, o qual também recomendo com louvor.
5- 200 Motels (Tony Palmer / Frank Zappa)
Forte canditato a filme mais cool do rock and roll (desculpa aí, Lester & Russell!), não é lá muito bom, mas o que conta mesmo é o Keith Moon interpretando uma freira ninfomaníaca dando em cima do Ringo Starr vestido de Frank Zappa. Imaginou? Lindo.
6- Quatro Moscas no Veludo Cinza/O Gato de Nove Caudas (4 Mosche di Velluto Grigio/Il Gatto a Nove Code, Dario Argento)
Em 4 mosche di velluto grigio o Argento ainda soa mais como um grande devoto de Mario Bava, o que não é nenhuma tragédia, a cena final é tão boa que foi devidamente homenageada por Tarantino em Death Proof enquanto Il Gatto a Nove Code ajuda a fomentar o ano das duas melhores cenas finais da carreira de Argento. Ambos os filmes tocam num ponto giallico essencial: não adianta sair da cama, é no espaço aberto que está o horror.
7- Pistoleiro Sem Destino (The Hired Hand, Peter Fonda)
Esse é o tal filme que faz todos se perguntarem o porquê Peter Fonda não ter se jogado de vez na direção. Fonte assumida de inspiração para Clint e Os Imperdoáveis (mais até do que seus gurus Leone & Siegel), faz você pensar que Fonda e Oates deveriam ter feito duplinha por toda eternidade.
8- Um Lagarto com Pele de Mulher (Una Lucertola con la Pelle di Donna, Lucio Fulci)
Foi com este filme que me apaixonei por Anita Strindberg, a sequência inicial literalmente onírica onde ela aparece de botas 7/8 é algo que não pode nem deve ser ignorado. É aqui também que consta a famosa cena dos cachorros eviscerados que deu certa dor de cabeça ao Fulci, o carinha dos efeitos especiais, Carlo Rambaldi, foi tão foda que acabaram por chamá-lo para brincar de bonequinho com o Alien do Scott e o ET do Spielberg.
9- Pink Narcissus (James Bidgood)
Bidgood é o pai de muita gente, nem que seja adotivo, de Fassbinder a Lachapelle, de Pierre et Gilles a Todd Haynes, em algum momento de suas carreiras ele tomou esse povo pela mão e mostrou o caminho. Na época de seu lançamento ninguém sabia quem o havia dirigido, alguns creditaram o filme a Kenneth Anger, outros a Andy Warhol, em Anger eu posso ver o motivo da confusão de estilo com o de Bidgood, mas não em Warhol.
10- The Big Doll House (Jack Hill)
Um dos melhores WIPs já feitos e provavelmente o melhor de todos comandado por um diretor americano. É uma vergonha Jack Hill não ser suficientemente valorizado.
11- Perseguidor Implacável (Dirty Harry, Don Siegel)
E nasce um mito. Again.
12- The Tragedy of Macbeth (Roman Polanski)
Primeiro filme do Polanski depois que um certo Charles Manson entrou em sua vida e o peso de tal experiência está espalhada por todo o filme, nenhum outro filme do diretor foi tão pesado, vilolento e tétrico quanto este, o que talvez não seja apenas fruto de experiências pessoais, mas de toda uma época, já que no mesmo mesmo podíamos ver Laranja Mecânica e Straw Dogs a verter violência por todos os lados. É um dos melhores trabalhos de Polanski, chegando a mesma excelência da versão de Kurosawa e ultrapassando a de Welles.
Real melhor filme do ano: Sob o Domínio do Medo (Straw Dogs, Sam Peckinpah)
Menções mais do que honrosas a Laranja Mecânica (Kubrick), Two-Lane Blacktop (Hellman), Bang Bang (Tonacci), Minnie and Moskowitz (Cassavetes), Get Carter (Hodges) e A Batalha de Okinawa (Okamoto)
Nota: WTF? Link do pavor. Espero que isso não seja o que aparenta ser.
The Real Oliver Reed (2005)
Lembro de uma história sobre Ollie substituir Sean Connery como Bond em tempos de George Lazenby e talvez a tal da cicatriz tenha contado nessa questão mais do que o ser humano selvagem por baixo da elegância, pois, convenhamos, nenhum ator conseguia ser tão animalesco e ao mesmo tempo um lorde inglês como Ollie o foi.
Michael Winner me deu pão, mas Ken Russell me deu arte. – Oliver Reed
Savage Messiah (1972)
‘When I face the beauty of nature, I am no longer sensitive to art, but in the town I appreciate its myriad benefits—the more I go into the woods and the fields the more distrustful I become of art and wish all civilization to the devil; the more I wander about amidst filth and sweat the better I understand art and love it; the desire for it becomes my crying need.’ – Henri Gaudier-Brzeska
Ken Russell resolveu dar uma pausa na sua obsessão por cinebiografias de compositores e caminhar por outra arte através da vida do escultor Henri Gaudier, também conhecido como Savage Messiah. Ainda na fase mais sóbria de seu cinema, antes das alegorias alucinadas como Lisztomania e Valentino, não é difícil ver o porquê Russell ter se interessado em dramatizar a curta e intensa vida de Gaudier. Russell sempre teve essa preocupação de levar a arte às massas (e não à toa participou do Big Brother inglês há alguns anos), tanto nos seus trabalhos na BBC dos anos 60, quanto sua caminhada ensandecida pelo cinema dos 70, sua meta era fazer popularizar a arte tida como erudita, era colocar aquela arte para poucos num patamar em que outros pudessem se interessar e buscar esse conhecimento que certos segmentos gostam de guardar para si como vislumbre de poder e superioridade com a desculpa de uma chamada anti-pasteurização, por isso quaisquer desses espíritos libertários como Ken Russell nunca serão bem quistos por determinado segmento, nem hoje, nem há 40 anos, nem amanhã, pois todos sabemos que é muito mais fácil ridicularizar uma pessoa chamando-a de estúpida do que tentar encaminhá-la por outras perspectivas, trocando asssim a crítica construtiva pela agressão cega e ocorrendo uma armadilha camuflada no protofascimo. É aí que entra a linha de coexistência e fascínio entre Russell e Gaudier, este um guri simples que se viu apaixonado por desenhos e formas de maneira autoditada e só posteriormente se iniciou na teoria para além da prática.
Morto aos 23 anos durante a Primeira Guerra, as obras de Gaudier hoje são consideradas parte do alvorecer do cubismo e basicamente trabalhadas durante os anos de 1913 e 1914. Originário da França, o berço da arte moderna naqueles idos, estranhamente resolver ir para a Inglaterra a fim de dar vasão à sua arte e lá conheceu o verdadeiro ponto de interesse da cinebio de Russell: a escritora polaca Sophie Brzeska. Gaudier e Brzeska começaram então uma relação simbiótica e assexuada, indispensável para o crescimento artístico e pessoal de ambos.
No filme Brzeska é interpretada lindamente por Dame Dorothy Tutin, uma grande dama do teatro inglês da geração de Dame Maggie Smith e Dame Judi Dench, mas que infelizmente pouco nos deu o ar da graça no cinema. Tutin aqui ainda nos honra com uma passagem de cetro das mais inesquecíveis quanto à geração seguinte de grandes damas britânicas da interpretação: o crepúsculo profissional de Dame Helen Mirren num dos seus primeiros papéis na grande tela, inclusive Savage Messiah hoje é muito mais conhecido e lembrado pela cena do belo caminhar desnudo de Mirren em toda sua beleza e glória.
Mas o que mais me intriga neste elenco é Scott Antony, o intérprete do personagem título, feito este grande trabalho como protagonista de um filme cujo diretor era um dos mais respeitados na Inglaterra da época e mais uns dois filmes, Antony simplesmente desapareceu e não há meios de encontrar qualquer informação do que lhe ocorrera.
Se Russell conseguiu seu intento em popularizar a arte? Claro! Se não fosse por ele eu não teria me aprofundado no trabalho de Henri Gaudier-Brzeska, lido a respeito, ido em busca de teóricos sobre sua arte e isso faz todo o sentido.
Agora algumas obras do jovem e selvagem Messias, porque também quero popularizar o erudito, oras. Mas se o interesse for maior, a dica é o livro Savage Messiah de H.S. Ede.
Não é preciso dizer que as imagens são maiores clicando nas respectivas, não?
Ken Russell – O Fotógrafo
Muitas fotos dele AQUI, quando passou a limpo toda a Londres dos anos 50, infelizmente com marcas d’água.
Os Filmes Bacanas de Cada Ano que o Cinema Viveu: 1977
1- Cruz de Ferro (Cross of Iron, Sam Peckinpah)
Bloody Sam causando arrepios. Quantos filmes americanos sobre a Segunda Guerra você conseguiu assistir sem que os Alemães dessem a impressão de terem parte com o demo? Se Cruz de Ferro não prova a genialidade do meu sanguinário favorito, nada mais o faz, Bloody Sam não é culhônico porque faz filme de macho, Bloody Sam é culhônico porque tem coragem de parar com a palhaçada e mostrar o que é, sem frescura, sem auto-promoção, sem hipocrisia, sem essa afetação corriqueira que dá no saco. A arte de Bloody Sam me remoi as entranhas tanto quanto as que vemos remoídas na tela, mas não por enjôo e sim por mera paixão mesmo.
2- Martin (George Romero)
Talvez o segundo melhor filme de vampiro já feito, perdendo obviamente para o Nosferatu de 22. A perspectiva psicológica adotada é uma das mais interessantes e emblemáticas.
3- Esposamante (Mogliamante, Mario Vicario)
Um dos filmes mais eróticos que já vi, a tensão sexual alcançada aqui é quase inigualável. Vicário, um notório exemplar da pornochanchada italiana, fez deste o seu filme mais classudo, talvez as presenças de Marcello Mastroianni e Laura Antonelli tenham ajudado neste quesito, não que eu não adore uma pornochanchada, é claro.
4- Love Letters of a Portuguese Nun (Die Liebesbriefe Einer Portugiesischen Nonne, Jesus Franco)
Não é apenas a obra prima do tio Jess, como é a obra prima do gênero nunsploitation (a não ser que The Devils do Ken Russell – que muito influenciou este – conte como nunsploitation, mas aí já é covardia), além de paraíso inato a sadomasoquistas em geral. E não, ao contrário do que diz o título e os créditos, tal filme nada tem a ver com o clássico literário Cartas Portuguesas de Mariana Alcoforado, é só outra picaretagem do Franco mesmo.
5- Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall, Woody Allen)
Meu primeiro Woody Allen. Sim, a madrastra é bem mais interessante que a Branca de Neve. Sim, foi alí que teve início toda uma era de “eu tenho medo do Christopher Walken”.
6- 007 O Espião que me Amava (The Spy Who Loved Me, Lewis Gilbert)Melhor James Bond com Roger Moore e não, Moore não é o meu segundo Bond em preferência, meu segundo preferido é o Pierce Brosnan. Ah, melhor canção tema de toda a franquia também, graças a Carly Simon.
7- Valentino: O Ídolo, O Homem (Ken Russell)
União de duas de minhas paixões: Rodolfo Valentino e Ken Russell. Em que outro lugar você poderia ver Rudy dançando tango com Nijinsky? A grande sacada aqui é a recriação visual e exagerada de muitos dos filmes com Valentino, além de coroar outros atores como Fat Arbuckle ou a exuberante entrada em cena de Leslie Caron encarnando Alla Nazimova e suas camélias.
Real Melhor Filme do Ano: Suspiria (Dario Argento)
Impressionante como tem uns cineastas bem sem graça no mundo.
Nota: O primeiro Guerra nas Estrelas foi bastante importante na minha infância (o holograma da Princesa Leia pairou muito na minha memória), mas enfim, chega de Guerra nas Estrelas. Se bem que seria um bom pretexto para outra foto do Harrison Ford.
Nuuuuuuuuuuusssssa o Han Solo atira primeiro.

























































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