Caine e a mulherada






Playboy, Outubro, 1969 – Ensaio promocional para Assim Nascem Os Heróis (Too Late the Hero, Robert Aldrich, 1970)
Imagina a minha alegria ao visitar o blog do Rudá e dar de cara com este ensaio que ele encontrou no Design You Trust. Roubei sem dó, é claro.
Dia Mundial do Livro
Sir Michael Caine: A Career in Pictures
Just remember this: in this country they drive on the wrong side of the road. - Charlie Croker
You’re useless in the kitchen, why don’t you go back to bed? – Harry Palmer
Not gods – Englishmen. The next best thing. – Peachy Carnehan
I’m going to sit in the car and whistle “Rule Britannia”. – Jack Carter
My understanding of women only goes as far as the pleasure. When it comes to the pain I’m like any other bloke – I don’t want to know. – Alfie
Filmes bacanas de cada ano que o cinema viveu: 1969
1- Um Beatle no Paraíso (The Magic Christian, Joseph McGrath)
Yul Brynner é uma drag cantando para um Roman Polanki bêbado, Laurence Harvey faz um show de striptease representando Hamlet, Richard Attenborough treina Graham Chapman em Oxford, Christopher Lee é um vampiro, Raquel Welch é a gostosa habitual, Spike Milligan é um guarda e Graham Stark é um garçon, ambos tentando fazer as vontades do milionário Peter Sellers e seu filho Ringo Starr. Meu coração palpita só de lembrar da cena do museu envolvendo Sellers, Ringo e John Cleese: um Goon, um Beatle e um Python. Qualquer pessoa que tenha um mínimo de apreço pela comédia britânica em toda sua anarquia e glória deve assistir tal filme, nesse caso o oportunista título nacional faz todo o sentido, é mesmo um paraíso.
2- A Mulher de Todos (Rogério Sganzerla)
Ela gosta é de boçaaaaaaal! Homem bacana dá muito trabalho. Aqui vê-se o porquê a Helena Ignez não tem espaço na mídia nacional de merda, essa mulher deveria ter uma estátua em cada canto desse país. Como Ignez e Florinda Bolkan (que trabalhou com os maiores cineastas europeus dos anos 60 e 70) pouco são lembradas só porque não fazem novelinhas da globo, enquanto a galera fica babando ovo de umas atrizinhas de merda. Na boa, creio piamente que Ignez é a maior atriz brasileira de sempre.
3- Uma Sobre a Outra (Una Sull’Altra, Lucio Fulci, 1969)
É uma espécie de remake de Vertigo. E que remake! Fulci adaptou o Vertigo de Hitchcock para a linha giallica, com tudo que tinha direito, inclusive locações em San Francisco, num suspense erótico que reina a deusa absoluta Marisa Mell, a mulher mais bonita que já vi não apenas no cinema, como em qualquer parte fora dele.
4- Mulheres Apaixonadas (Women in Love, Ken Russell)
UIA, mesmo que não seja apreciado como um tôdo, creio ser pouco provável não dar o braço a torcer ao menos com uma cena: aquela envolvente, espetacular e perfeita sequência homoerótica de machos suados lutando nus protagonizada por Alan Bates e Oliver Reed. É Russell envolvido com DH Lawrence mais uma vez e dá-se a impressão que o literato e o cineasta nasceram para tal união, cada qual no meu hall pessoal de autores favoritos em suas respectivas artes. O elenco perfeito não atrapalha.
5- Charity, Meu Amor (Sweet Charity, Bob Fosse)
Fosse quase não gostava de Fellini. Nessa versão musical de Cabiria, Shirley MacLaine mostra porque é uma estrela completa que dança, canta, sapateia e atua. A mulher é um monstro e hoje está relegada a papéis secundários em filmecos meia-boca.
6- The Bed Sitting Room (Richard Lester)
Não tem como não ser fã de um filme cujos créditos iniciais os atores aparecem em ordem de altura e pasmem: Rita Tushingham é mais baixa que Dudley Moore! Peter Cook é o mais alto, claro. Ficção Científica pós apocalíptica que mistura o melhor da comédia britânica dos anos 60, dos Goons, passando por Beyond the Fringe até o mestre absoluto que liga todo esse povo bom: Richard Lester, especialmente por ter criado toda a estrutura visual que revolucionaria o humor britãnico a partir dos anos 50. Indispenável para quem gosta de Monty Python mas não conhece toda essa galera que os influenciou.
7- Os Deuses Malditos (La Caduta degli dei, Luchino Visconti)
Incesto, Dirk Bogarde, orgias nazistas, Ingrid Thulin, pedofilia, Helmut Berger, traições, Florinda Bolkan, prostituição, Helmut Griem, travestis, Charlotte Rampling, assassinatos. Ah… toda essa decadência!
8- Orgasmo/Così Dolce… Così Perversa/Paranoia (Umberto Lenzi)
Não sei se é admissível ver o Lenzi sendo tratado como um cineasta podreira por uma porrada de gente, posso entender esse tratamneto para com o Jess Franco, mas não com o Lenzi. O homem sabia muito bem o que fazia e legou quantidade suficiente de obras que nos fazem cair o queixo, especialmente a série de filmes que fez com a Carroll Baker como protagonista, a qual teve início com esses Orgasmo, Così Dolce… Così Perversa e Paranoia. Lenzi e Baker ainda fariam um quarto filme em 72, mas este ainda não vi, embora ache pouco provável que tenha atingido a qualidade dessa trilogia que é mesmo o ápice da carreira do diretor. Nessa trilogia se encontra tudo que há de melhor do suspense francês, italiano e inglês, algumas cenas chegam a parecer refilmagem quadro-a-quadro de obras de cineastas que todos conhecemos (especialmente Hitchcock – o rei da influência giallica – Clouzot e Antonioni), mas de modo algum soa como plágio, mas sim como homenagem e aí que reside o talento de Lenzi, ele pega um imaginário que todo mundo conhece, costura tudo e monta um guarda roupa totalmente novo. Para diferenciar um filme do outro, lembre-se dos protagonistas masculinos: Orgasmo é com Lou Castel, Così dolce… così perversa é com Jean-Louis Trintignant e Paranoia é com Jean Sorel, este último é o meu Lenzi favorito e sempre foi confundido com Orgasmo por causa do título internacional.
9- Os Aventureiros do Ouro / Os Maridos de Elizabeth (Paint Your Wagon, Joshua Logan)AAAAAAAhhhhh! Clint cantando.
10- Um Golpe À Italiana (The Italian Job, Peter Collinson)AAAAAAAhhhhh! Caine cantando.
11- Vênus das Peles (Le Malizie di Venere, Massimo Dallamano)
Ainda com sua sina de adaptações literárias transpostas para o ambiente contemporâneo, Dallamano se joga em Sacher-Masoch numa das poucas adaptações para o cinema de alguma obra do autor e, ao meu ver, a melhor de todas. Belo tratado sobre obsessão, tendências e emoções da infância adaptadas à vida sexual adulta e a natureza das sensações. Não à toa Laura Antonelli é conhecida como deusa do sexo, é musa absoluta.
12- Cega Obsessão (Môjû, Yasuzo Masumura)
Continuando nos ensinamentos do seu Masoch, a verdade é que o filme do Dallamano parece filme da Disney comparado a esta pequena obra prima nipônica. Arte, obsessão e dor.
13- A Sereia do Mississipi (La Sirène du Mississipi, François Truffaut)
Truffaut volta a idolatrar Hitchcock e a seguir os passos de Cornell Woolrich. Meio inadmissível Belmondo ter trabalhado uma única vez com Truffaut.
14- Um Assaltante bem Trapalhão (Take the Money and Run, Woody Allen)
Primeiro filme dirigido por Allen e um dos mais engraçados, sem dúvida.
Real Melhor Filme do Ano: Meu Ódio será tua Herança (The Wild Bunch, Sam Peckinpah)
Peckinpah me cansa. mençoes honrosas para A paixão de Ana (Bergman), A Via Láctea (Buñuel), Matou a Família e Foi ao Cinema (Bressane), Akage (Okamoto), Z (Costa Gavras) e sabe-se lá mais o quê.
Centenário de Joseph L. Mankiewicz

Mankiewicz a ensinar Ava Gardner como é que se faz em A Condessa Descalça (The Barefoot Contessa, 1954), filme este veladamente inspirado na vida de Rita Hayworth.
Top 5 do homem:
1- Trama Diabólica/Jogo Mortal (Sleuth, 1972)
Laurence Olivier e Michael Caine num duelo até a morte? Aqui Mankiewicz levou ao topo sua obsessão com o tema de duelo de egos que perpassou toda a sua carreira, nada mais adequado do que transitar a vida real para o cinema quando Sir Olivier era o grande astro da atuação inglesa e Sir Caine era a ameaça para roubar-lhe o trono.
2- A Malvada (All About Eve, 1950)
Outrora seu irmão Herman ajudara a debicar o casal Hearst/Davies em Cidadão Kane, agora era vez de Joseph mexer com certos egos Hollywoodianos, mas especificamente o casal Tallulah Bankhead e Lizabeth Scott. A inspiração é tão descarada que até o figurino de Miss Davis chega a ser cópia exata de roupas que Bankhead outrora usara, sem mencionar o cabelo, a maquiagem, o modo de falar e até o jeito de segurar o cigarro, enquanto Anne Baxter se esbalda no jeito aparentemente doce de Miss Scott. Mas estamos em 1950 e o código ainda era vigente em Hollywood, portanto os resquícios de homossexualismo só ficam à mercê dos mais atentos.
3- Eles e Elas (Guys and Dolls, 1955)
Alguém que não canta nem dança tem que ter muito culhão para aceitar fazer um musical ao lado de Frank Sinatra. Marlon Brando teve. É quase como se Mankiewicz quisesse nos mostrar se Brando estava mesmo apto a ser o astro do momento, dois anos antes já o obrigara a encarar Shakespeare ao lado de James Mason e Sir John Gielgud em Julio Cesar, agora o colocara a cantar ao lado de Sinatra. Ao contrário do que possa aparentar, Mankiewicz não queriar derrubar Brando com tais desafios, mesmo porque feio não fez em nenhum deles e só ajudou a firmá-lo como o maior astro de todos os tempos.
4- De Repente, no Último Verão (Suddenly, Last Summer, 1959)
Nos anos 50 Hollywood estava obcecada por Tennessee Williams, o que lhes fez muito bem como transição para a saída completa do agonizante Código Hays. Gore Vidal ficou com o roteiro, este que sempre fora perito em destrinchar roteiros sobre homossexualismo velado, aqui se esbaldou por ser muito mais às claras do que todos estavam acostumados. Ó meu deus, comeram o Sebastian! Tolinhos.
5- Ninho de Cobras (There Was a Crooked Man… 1970)
Henry Fonda! Warren Oates! Kirk Douglas! Burgess Meredith! Hume Cronyn! Michael Blodgett pelado! É Mankiewicz juntando todo esse povo bom num western/men in prison para falar sobre onde começa e termina a moralidade do ser humano, quanto a aplicabilidade de circunstâncias e a área limítrofe onde se coloca em xeque toda a sua forma de pensar até então. Ah, é deveras divertido também.
Os Filmes Bacanas de Cada Ano que o Cinema Viveu: 1980
1- Os Irmãos Cara de Pau (The Blues Brothers, John Landis)Tá no meu Top 20 de favoritos de sempre. Com personagens saídos diretamente de um quadro do Saturday Night Live, é inadmissível não amar cada segundo do filme, é inadmissível não amar cada som produzido, é inadmissível não amar cada cameo e, principalmente, é inadmissível não amar Dan Aykroyd e John Belushi.
2- O Império Contra Ataca (The Empire Strikes Back, Irvin Kershner)
Nuuuuuussa a Princesa Leia ama o Han Solo e ele sabe disso. Nuuuuussa O Darth Vader é pai do Luke.
3- O Anel dos Nibelungos (Der Ring Des Nibelungen, Brian Large/Patrice Chéreau/Pierre Boulez)Tetralogia megalomaníaca de Wagner montada por Patrice Chéreau e Pierre Boulez, é a mais intensa e visualmente elaborada montagem de ópera já filmada. Aprendi a gostar de ópera com Wagner (com uma ajudinha do Puccini e do Verdi), mas foi com essa filmagem que aprendi que não deve ser apenas ouvida, mas sobretudo vista.
4- Vestida para Matar (Dressed to Kill, Brian De Palma)
Fazer o público imaginar Michael Caine vestido de enfermeira psicopata é uma das glórias do De Palma.
5- Werner Herzog Eats His Shoe (Les Blank)Ele come, oras.
Real Melhor Filme do Ano: O Iluminado (The Shining, Stanley Kubrick)
Existem dois motivos para ter escolhido esse filme, o primeiro é porque é mesmo o melhor filme daquele ano (ó céus, Berlin Alexanderplatz? Touro Indomável? Agonia e Glória?), o segundo e mais convincente é porque se não colocasse este o Lucas cortaria meus peitos com um machado.
Os Filmes Bacanas de Cada Ano que o Cinema Viveu: 1981
1- Fuga de Nova York (Escape from New York, John Carpenter)
Olha lá o filho submundo-pós-apocalíptico do Clint. Onde tem para vender um Snake Plissken? De verdade, claro.
2- Sedução e Vingança (Ms. 45 / Angel of Vengeance, Abel Ferrara)
Olha aí meu Ferrara favorito e nem é porque Zoe Lund está vestida de freira na sensacional sequência final. Essa mistura de Desejo de Matar com Repulsa ao Sexo tem um título nacional que muito me intriga, a tal da sedução é o estupro? Êita, só por esses filmes já dá para notar que os anos 70 se aproximam.
3- O Profissional (Le Professionnel, Georges Lautner)
E tem início a era Belmondo em reverso. Um dos melhores filmes policiais dos anos 80, quiçá o melhor.
4- Bonitinha mas Ordinária ou Otto Lara Rezende (Braz Chediak)Me fode, Cadelão! Não tem nada mais clássico no cinema nacional do que a Lucélia Santos gritando. Pena que no vídeo acima faltou a melhor parte, sabe como é a exuzada moralista do tubete.
5- A Mão (The Hand, Oliver Stone)
Único filme do Oliver Stone de que sou real e sinceramente fã, mais pela interpretação do Michael Caine do que por qualquer outra coisa. É uma espécie de Os Dedos da Morte (The Beast with Five Fingers, 1946) recauchutado.
Real Melhor filme do Ano: Caçadores da Arca Perdida (Raiders of the Lost Ark, Steven Spielberg)
Batman – Cavaleiro das Trevas ( The Dark Knight, 2008 )
Agora é fato consumado: Heath Ledger é a melhor enfermeira psicopata de todos os tempos.
Recomendo que se vá lá no Viver e Morrer no Cinema, onde o Caraça falou tudo e um pouco mais do que era necessário ser dito sobre o filme. Com ênfase na recomendação, porque acho pouco provável que você leia algo melhor e mais verdadeiro sobre o filme em qualquer outro lugar.
Nota 1: O que um elenco perfeito não faz por um blockbuster, hein?
Nota 2: Dêem prazo de validade eterno para o Christian Bale, por favor. Em todos os sentidos.
Nota 3: Nunca é tarde para recordar que antes de ser prefeito de Gotham, Nestor Carbonell já fora o primeiro e único BATMANUEL.
A Loteria da Vida (The Wrong Box, 1966)
Posso encher isso aqui de “AVE MARIA! AVE MARIA! AVE MARIA!”, aos menos é isso que se pensa ao se deparar com um filme que reúne 4 dos seus grandes heróis: Michael Caine, Peter Sellers, Peter Cook e Dudley Moore, mas na verdade um estado de êxtase completo não necessita nada além do que meia dúzia de profanidades, quiçá, alguns ruídos incompreensíveis. A nata, o Crème de la Cream, a última bolacha do pacote da Inglaterra sessentista reunida neste filme. Bom, o páreo é duro se for escolher entre este elenco e o de Um Beatle no Paraíso que reune além de Sellers, Ringo Starr, John Cleese, Graham Chapman e Spike Milligan.
No final o que resta é a verdade irrefutável da materialização do paraíso idealizado: Uma casa bagunçada cheia de gatos com Peter Sellers e Peter Cook dialogando. Se eu for boazinha em vida quem sabe quando morrer não irei viver eternamente dentro desta cena.































































leave a comment