Fogueira de Paixão ( Possessed, 1947)

Não, o título não se refere a Joan Crawford, embora ela tenha uma fama pessoal que a preceda em sua carreira de Hollywood, refere-se ao filme Possessed de 1947 (não confundir com o título do outro filme que a tia Joan fez nos anos 30 com o Clark Gable) e não posso citar seu título em português porque já achei três diferentes e um pior do que o outro: Fogueira de Paixão, Amor que Mata, Paz para Louise.
Esse filme noir foi feito no auge do “freudianismo” do cinema hollywoodiano (que foi de meados dos anos 40 até meados dos anos 50) e que obviamente os conceitos psicanalíticos/psiquiátricos contidos alí já estão deveras ultrapassados, aliás, toda a parte “teórica” da doença de Louise está muito confusa quanto à realidade atual da psiquiatria (dizendo isso como paciente e não profissional, é claro).
Bom, mas não é a realidade funcional desse filme que está em jogo e sim suas qualidades cinematográficas e como grande apreciadora de cinema noir devo elogiá-lo pelo magnífico trabalho de iluminação e pelo desenrolar ambíguo da realidade pessoal de Louise transposta na edição do filme. Sim, temos momentos que nos confundimos com a própria realidade da personagem do que é real ou não, o que na época era uma inovação para Hollywood.
Van Heflin está ótimo como o cara imaturo que dá o ponto de partida na situação decadente de Louise (é impressionante como tem crianção que faz isso as pobres mulheres problemáticas), mas quem arrasa no final das contas é a tia Joan, numa das melhores performances de sua carreira. Será que tem algo a ver com a citação que ela deu abaixo sobre sua interpretação?

“Don’t let anyone tell you it’s easy to play a madwomen, particularly a psychotic.” – Joan Crawford sobre seu papel em Possessed.

Nota 1: Amo Joan Crawford como atriz e estrela, mas acho que não conseguiria ficar 2 segundos ao lado dela na vida real, aparentemente ela era o tipo de pessoa com quem eu não consigo conviver. Por outro lado, acho que eu poderia até ser a melhor amiga de Marilyn Monroe. (ah, pra quem não sabe a única experiência homossexual que Marilyn teve foi com a tia Joan)

Nota 2: Para variar esse papel mais uma vez fez com que os destinos de Bette Davis e Joan se entrelaçassem de alguma forma, apesar de ter feito Mildred Pierce anteriormente com o mesmo produtor, Joan não foi a primeira opção para o papel, quem estava escalada era a tia Bette, mas como a moçoila acabou engravidando nessa época o papel foi parar nas mãos da tia Joan. Eu até imagino a cara que a tia Joan fez por estar aceitando o “resto” da tia Bette.

Publicado por Adriana Scarpin

Bibliófila, ailurófila, cinéfila e anarcafeminista. Really. Podem me encontrar também aqui: https://linktr.ee/adrianascarpin

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