Desejo e Reparação (Atonement, 2007)

“Cara senhorita Morland, pense o quanto são horrorosas as suspeitas que tem nutrido. Em que se fundamentam tais julgamentos? Pense em que país e em que era vivemos. Lembre que somos ingleses, que somos cristãos. Consulte seu próprio entendimento, seu senso do que é provável, sua observação do que se passa à sua volta. Como nossa formação poderia nos preparar para tais atrocidades? Como nossas leis seriam coniventes com elas? De que modo coisas assim poderiam ser perpetradas sem que ninguém delas soubesse num país como este, em que as relações sociais e literárias são como são, em que cada homem está cercado por toda uma vizinhança de espiões voluntários, e as estradas e os jornais deixam tudo às claras? Querida senhorita Morland, que idéias a senhorita tem se permitido conceber?”
Haviam chegado ao final da galeria, e com lágrimas de vergonha ela foi embora correndo para seu quarto.

Jane Austen em Northanger Abbey e introdução do livro de Ian McEwan

Finalmente consegui me arrastar até o cinema para ver Desejo e Reparação. Calma lá! Minha falta de paixão pela insossa Keira Knightley não é tão grande assim para ter que me arrastar até o cinema mais próximo, mesmo porque sempre há um motivo para contrabalancear, no caso dois, como Ian McEwan e James McAvoy. Mas enfim, tive que me arrastar e isso não tem absolutamente nada a ver com o filme.
Não posso negar, é um belo filme. Joe Wright não me surpreendera com Orgulho e Preconceito, embora fosse um filme de qualidades, nada que muita gente boa não teria feito melhor. Mas desta vez ele conseguiu meu respeito, sendo fã do livro de McEwan e o fato deste ser uma intensa obra prima sem tamanho isso poderia evidentemente prejudicar meu julgamento na tradução de linguagens, o que absolutamente não ocorreu, a transição foi tão acertada que Wright nos faz esquecer a obra prima que há por trás daquilo e nos apresenta seu filme como portador de luz e vida própria. Tanta luz que pode mesmo ser considerado um dos melhores filmes do ano e cuja presença de McAvoy unida à uma das mais deslumbrantes trilhas sonoras dos últimos anos via mãos do herdeiro italiano de Morricone, Dario Marianelli, nos faz cair numa intensa dor catártica.
Knightley? Ela me cansa, sou muito mais a Romola Garai que além de ser verdadeiramente gostosa é uma puta atriz. Sabe qual é o maior absurdo desse culto infundado pela Keira Knightley? Hoje ela é tratada como Kate Winslet fora há cerca de dez anos ou Helena Bonham Carter vinte anos atrás e isso não tem o mínimo cabimento, tanto Kate quanto Helena eram um desbunde como atrizes desde a mais tenra idade e que nada têm a ver com a habitual cara de paisagem de Keira. Claro que com o tempo ela pode se tornar uma atriz melhor, como vemos todos os dias acontecer com atores de carinha bonita que se esforçam e aprendem alguma coisa, mas nunca Keira terá aquele feeling que sempre foi natural para pessoas como Winslet e Bonham Carter. Joe Wright finalmente vai largar a Keira Knightley pelo Robert Downey Jr em seu próximo filme, graças aos céus por isso.

Publicado por Adriana Scarpin

Bibliófila, ailurófila, cinéfila e anarcafeminista. Really. Podem me encontrar também aqui: https://linktr.ee/adrianascarpin

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