Fry & Laurie em três tempos

Blackadder (1983 – 1989)2387582707 F8877712b4 O

Não conhecia Rowan Atkinson para além de seus papéis de comicidade suspeita, mas o cara não era apenas bom como Blackadder, ele era ótimo. Outro tipinho extraordinário era o, até então desconhecido por mim, Tony Robinson na pele do impagável Baldrick (aka I have a cunning plan).
O seriado que entra fácil nas listas das melhores sitcoms de todos os tempos foi dividido em quatro temporadas, todas protagonizadas por um Blackadder em algum período da história:
The Black Adder (1983): O período em que se passa é fins do século XV. Nem Fry, nem Laurie participaram desta, mas o pai-de-todo-mundo-cômico-inglês Peter Cook participa e isso não é pouca coisa. Ninguém conhece Rowan Atkinson até ver isto, é verdadeiramente genial.
Blackadder II (1986): Se passa em tempos de Elizabeth I. Aqui Fry é um dos atores principais e Laurie é ator convidado. Miranda Richardson e e Rik “WOOF WOOF” Mayall também fazem parte da trupe e a série continua engraçadíssima.
Blackadder The Third (1987): O tempo é do louco Rei George, Laurie interpreta seu filho e Fry é o ator convidado desta vez. Robbie Coltrane dá as caras e o seriado continua a gerar gargalhadas sinceras.
Blackadder Goes Forth (1989): O período é da primeira guerra mundial, tanto Fry quanto Laurie são atores fixos. O conteúdo antibelicista e kick-your-ass em seu ápice, o final da temporada chega ser mesmo depressivo. Miranda Richardson e Rik Mayall voltam a fazer uma participação.
Especial Blackadder: The Cavalier Years (1988): Especial para o Comic Relief em tempos de Cromwell , o atual Príncipe Charles (que é assumidamente fã de Fry & Laurie) é satirizado por Fry e Laurie faz figuração só para marcar presença.
Especial Blackadder’s Christmas Carol (1988): Especial de natal cínico em cima de Charles Dickens. Fry & Laurie, Jim Broadbent, Miriam Margolyes, Robbie Coltrane (já fantasiado de Hagrid) e Miranda Richardson participam.
Especial Blackadder Back and Forth (1999): Esse especial soa como uma grande homenagem às temporadas passadas, Fry & Laurie se sobressaem como duas divas romanas loiras e de mini-saia durante o Grande Império. Colin Firth, Miranda Richardson e Kate Moss participam.

Jeeves and Wooster (1990 – 1993)2387583063 62a25ea487 O

Este é um seriado de classe. Literalmente de classe. Lembro-me de ter lido em algum lugar que ao se mencionar a criação desse seriado falou-se o quão disparatada era a idéia de transpôr a obra de Wodehouse para a tv, mesmo para a televisão britânica, e em pleno anos 90.
Por volta dos anos 20/30, a vida do milionário britânico Bertie Wooster gira em torno de arrumar os relacionamentos dos amigos e fazê-los casar – praticamente uma alcoviteira, mas quando é mencionado um casamento para si próprio entra em pânico, para consertar todos os seus planos mirabolantes que jamais dão certo existe seu brilhante mordomo Jeeves.
Wodehouse é preciso ser lido, ouvido e visto, estranhamente há poucos grandes escritores cômicos no mundo e Wodehouse é um deles, seu estilo é de uma elegância incomparável, ele extrai das pequenas mazelas da vida um mundo. Mas tudo isso pode ser meio suspeito de minha parte, já que para me fazer feliz é só entregar em minhas mãos um livro escrito entre 1880 e 1930, mas é sinceramente delicioso e faz-me falta ficar longe de Jeeves e Wooster, seja na versão escrita ou na versão televisiva. Vodpod videos no longer available.

Por ser fã de Wodehouse e desse seriado, Douglas Adams escolheu a dedo Fry & Laurie para encarnarem a voz do Guia e Arthur Dent, respectivamente, na versão cinematográfica de sua obra prima, mas quando Adams morreu (o fdp morreu demasiadamente jovem) e a produção mudou de rumo, apenas Fry permaneceu como a voz do Guia do Mochileiro das Galáxias, o que foi uma pena, pois Laurie nasceu para interpretar Arthur Dent, que pode ser considerado um descendente de Bertie Wooster enquanto que o Guia é a versão tecnológica de Jeeves.
Um artigo que Laurie escreveu no fim dos anos 90 ficou famosíssimo em virtude das considerações feitas de como Wodehouse pôde salvar uma vida, no caso a dele, pois sofre de depressão (em compensação o House não faz muito bem para Laurie e teve que intensificar o seu tratamento). Fry é bipolar, assim como Peter Sellers e John Cleese, é quase que uma maldição todos os gênios cômicos da Inglaterra sofrerem de algum transtorno mental.

A Bit of Fry and Laurie (1987-1995)2387582879 6bc251b24c O

Isso é uma verdadeira maravilha, por esse programa Fry & Laurie chegaram a ser comparados aos míticos Peter Cook & Dudley Moore nos anos 60, o que não é pouca coisa. A meta aqui ainda é a rebuscada linguagem cômica inglesa com seus jogos de semântica e sintaxe, como disse o próprio Laurie quando participou do SNL americano: “Não farei aqui piadas britânicas porque vocês demorarão dois dias para entender”, afinal comicidade britânica é mais estilo de linguagem do que qualquer outra coisa, claro que o ato de derrubar a quarta parede é um dos métodos mais usados e que constroem os melhores sketchs do programa.
Mas nada, nada suplanta um sketch em que Laurie encarna um tipo Clint Eastwood misturado a Steve McQueen (não por acaso ambos são ídolos seus), ele chega até a ficar fisicamente parecido, é claro que o seu formato de rosto, nariz e olhos ajudam mas o seu domínio da expressão facial é quase que assustador. Em compensação desfaleço porque Stephen Fry é o professor de linguística no melhor estilo sonho de consumo que sempre quis. Esses dois sketches podem mostrar o que os fazem diferentes e complementares, Fry é mais gênio e Laurie é mais ator, Fry é cérebro e Laurie é corpo. Enquanto Fry se sobressai onde se use exclusivamente a mente, Laurie é empurrado para uma genialidade que necessita da coordenação motora como a música e as suas qualidades de ator completo.

Nota 1: Bloody hell. Assistir tudo isso me deu uma compulsão incrível por chá. E nem é por sempre ter achado Earl Grey o chá mais saboroso do mundo.

Nota 2: É claro que existem mais infinitos trabalhos de Fry com Laurie espalhados por aí, seja no cinema ou principalmente na tv, mas esses 3 são os principais. Inclusive há o Afresco, uma das primeiras coisas pós Footlights Group. Footlights Group era uma turma de teatro de Cambridge onde Stephen Fry fora apresentado a Hugh Laurie por Emma Thompson, tal grupo é lendário por boa parte do Monty Python ter se conhecido neste mesmo grupo anos antes. Típico “feitos um para o outro”.
Vejam Fry & Laurie entregando o “prêmio” The Silver Dick ao ídolo John Cleese:
Nota 3: Deixe-me exaltar um pouco a Stephen Fry… O cara é um típico cara renascentista, aquele cara que sabe tudo de tudo mas de forma alguma é afetado por isso, muito pelo contrário, ele é um desses casos raros que jamais usam o seu conhecimento com o intuito de ferir alguém, ele poderia cortar gargantas com uma reles frase, mas não o faz. E, convenhamos, é lindo ver pessoas assim por aí ainda, já que isso é considerado completamente fora de moda (bom, isso também pode ser chamado convenientemente de maturidade).
Lembram daquela música do Zeca Baleiro chamada “Por onde andará Stephen Fry?”, ela é baseada num famoso episódio de sua vida, onde Fry desapareceu da face da terra por alguns dias devido a uma crise bipolar, então fica a recomendação do excelente documentário conduzido por Fry: The Secret Life of the Manic Depressive. Bacana ver pessoas fazendo algo para “aclarar” um pouco com a sua própria experiência as mazelas dos diagnosticados com algum tipo de transtorno de personalidade ou de afetividade. O interessante é que durante minha “pesquisa” em torno de “A Bit of Fry and Laurie” pude notar alguns sketches em que ele brincava com a própria doença, onde Fry dava aquelas aulas frenéticas de sapiência e verborragia para de repente se deprimir.

Nota despropositada do dia: Neste exato momento acaba de passar um bêbado na rua gritanto “Eu sou Escócia, Inglaterra não, eu sou Escócia! Freedom!”, a revolução começa aqui, a independência da Escócia está nas mãos dos brasileiros agora. Feriado da Paixão é uma coisa linda, não?

Advertisements

24 thoughts on “Fry & Laurie em três tempos

  1. putz, fui ver isso logo num pc alheio. quando estiver no meu, com fone de ouvido e tudo, eu dou uma olhada nos videos. eu já tinha visto um trecho desse seriado no actors studio, no qual o hugh laurie é entrevistado. quanto ao documentário do stephen fry, ele já passou um monte de vezes no gnt, mas eu nunca assisti. eu pensei, quem é que vai querer assistir um documentário sobre um sujeito maniaco depressivo? mas agora eu quero ver, hehehe.

    sobre a resposta ao seu comentário lá no blog, eu esqueci de mencionar ainda o carinha do pequena miss sunshine e aquele outro que fez o anjo no x-men 3. ele tá fantástico no alpha dog. e tem o michael pitt também, vai…

    fred.

    ps. vc já leu o livro do hugh laurie? ele só teve criticas positivas. eu fiz o download mas ainda não li. tá na fila.

  2. Paula, Ó meu deus! Você me ama porque sou uma obcecada? Calma, isso passa. Hehehe

    Fred, Rá! Eu tenho essa entrevista do Actors Studio, é claro! Hehehe E se tiver a fim vai lá na minha página no youtube que tem um monte de porcaria em louvação ao Mr. Laurie participando dos três seriados: http://br.youtube.com/user/quixotando
    Eu não li o livro dele… ainda. Mas é claro que tenho uma cópia, reza a lenda que há anos ele tem escrito o roteiro em cima dele, vá saber quando diabos vai virar filme… O bacana é que ele conseguiu publicar sob pseudônimo, então o editor quis publicá-lo porque o livro era bom e não porque o autor que ele desconhecia era famoso.
    Como assim quem vai querer assistir um filme de maníaco depressivo? Eu vou, é claro!
    O Paul Dano e o Ben Foster são mesmo caras de futuro (e do presente, é claro), outros de quem sou fã naquela lista (diga-se amo) são o Jake Gyllenhaal, Jason Schwartzman, o Emile Hirsh e o Jim Sturgess.

  3. Putz, é verdade, o Jason Schwartzman! eu tinha me esquecido dele, o foda de lista grande é isso(eu já li em algum lugar que quanto maior o gênio da pessoa pior é a sua memória, hehe). além do mais, a lista dos homens eu só vi uma vez. de qualuqer maneira, só o fato de não ter o Eric Forman já ferrou com tudo (ou será que tem e eu me esqueci?).

    ps. vc não acha que a gente dá muita importância pros atores não? no geral, eu digo. tanto os homens quanto as mulheres. tirando o hugh, é claro. pois não é todo ator que sai por aí escrevendo livro.
    aliás, antes que eu me esqueça, quando li esse post, eu pensei: “depois o meu blog que é literário…”

  4. Dimitri, what a hell?! Eu nem faço o tipo, hehehe

    Fred, what a hell?! Então eu sou extremamente estúpida, porque a minha memória é do além, só começou a falhar depois que me tornei uma preocupante viciada em anti-depressivos, mas tudo bem. Ó céus será que os anti-depressivos estão fazendo com que eu vire um gênio? Pelo menos isso explica porque tem tanta gente genial nos butecos, hehehe
    E como assim, dá muita importancia aos atores? Não dou muita importancia a ninguém, dou importancia proporcionalmente ao talento, talvez você esteja confundido ator de verdade com “estrelas” e o fato de Laurie ter escrito um livro não modifica em nada o fato dele ser verdadeiramente foda na sua profissão principal, até o fato dele ser um excelente ator dramático (e bota excelente nisso) não se equipara ao seu talento como comediante.
    Se você se refere ao fator “obsessão temporária” isso não fica apenas nesse ramo, porque isso acontece normalmente comigo em torno de diretores de cinema, onde tenho que assitir cada filme caseiro que o tipo fez quando tinha 9 anos de idade… Ou certa obsessões literárias onde tenho que ir ao inferno para ler aquele conto perdido daquele autor semi-obscuro.

    Ah, deixe-me indicar um documentário sobre o Stephen Fry com o sugestivo nome “50 Not Out”, que é meio bobo e raso, só com um monte de gente puxando o saco dele, mas para quem não conhece o cara até que é um bom início. Sem falar que é bizarro ver o Príncipe Charles aclamando-o.
    O Fry estava com um programa na BBC que era sensacional até o fim do ano passado, chamado QI e que vi alguns episódios. QI é uma mesa-redonda-game-show só com comediantes da nata britânica falando bobagens sobre coisas culturalmente pertinentes. Engraçado que as redes brasileiras copiam qualquer porcaria das redes internacionais, mas coisa boa como esse QI ninguém copia.

    Já que o assunto são comediantes britânicos, outro que é da nata e de quem sou fã é o Eddie Izzard, ele é um puta ator-cantor e comediante stand-up, mas no Brasil ele é quase que terrivelmente ignorado, talvez porque stand-up não seja o gênero de comédia dos mais apetecíveis aos brasileiros.

  5. dri, talvez eu tenha confundido mesmo. no meu orkut tem tanta comunidade de atores novos que as vezes eu penso “meu deus, como eu sou idiota”.
    é um fato que as estrelas ofuscam os talentos de verdade, pelo menos para molóides como eu. para dar um exemplo, eu nunca assisti O homem que não vendeu sua alma, e por isso nunca ouvi falar a respeito de Paul Scofield até a semana passada por causa da sua morte. eu li coisas do tipo: “o seu Rei Lear foi melhor que o de Laurence Olivier”, “dos dez melhores momentos do teatro, oito são de Scofield”, e pensei “puta que pariu, quem é esse cara?!”
    enfim, coisas de um pirralho que acha que sabe tudo, mas ainda não viu nada.

    ps. é meio melancólico falar de humor britânico ou mesmo americano quando a gente tem programas como zorra total. esse tipo de coisa acaba completamente com qualquer idéia de patriotismo.

  6. Paul Scofield é foda porque ele fez mesmo pouca coisa no cinema e raramente como papel principal, devo ter assistido uma meia dúzia de filmes com ele e só em O Homem que Não Vendeu a sua Alma ele tinha o papel principal (e que carrega o filme nas costas), há tempos estou para ver esse Rei Lear do Peter Brook, mas ainda não foi…
    Aliás, semana passada foi um festival de perdas inglesas, além dele teve o Anthony Minghella e o Arthur Clarke…
    Quanto ao bagulho dos Zorras Total da vida, é um negócio muito estranho… É um tipo de humor que parou no tempo, um tipo de humor defasado que faria sucesso há 40, 50 anos e que continua… é completamente incompreensível, nem minha mãe que tem 62 anos e é uma pessoa bem simples gosta desse tipo de humor. Nos anos 80 ocorreu uma evolução considerável no humor televisivo nacional com programas criados pelo Guel Arraes, como Armação Ilimitada e TV Pirata, mas que desde então não ocorreu muita evolução, é claro que depois vieram coisas como Sai de Baixo, Comédia da Vida Privada e Os Normais, mas que ainda eram coisas baseadas naquela geração dos anos 80. É bem estranho isso.

  7. Ótimo post!

    Fry é ídolo, especialmente porque eu adoro o papel dele como Oscar wilde.

    Assisti o documentário do Fry à algum tempo atrás, inclusive eu me considerei um pouco bipolar, seguindo a analise que ele faz.

    Laurie é foda, e ainda toca piano, poderia ser melhor?
    Só quero assistir ao vídeo que você postou dele aqui no Brasil, tudo de bom!

    ps:. Não se esqueça do Stuart Little! hehehe

  8. Fry é ultra-foda como Wilde, foi o papel da vida dele como ator, pois ele não o interpreta, ele é Oscar Wilde, mesmo porque existe muito de Wilde nele, pode ser considerado a sua versão fins do século XX.
    E o olha a coincidência, neste momento estou comendo torradas com geléia Queensberry (geleia de pimenta é o que há!), quem diria que depois de toda a celeuma no “Caso Wilde” Queensberry estaria literalmente na boca do povo, comido e saboreado aos borbotões.

    Até onde sei, Laurie toca piano, violão, guitarra, bateria, saxofone, gaita e faz som de trompete com a boca – sem o trompete. Na verdade o maior talento dele é esse lance do trompete, é muito bom aquilo!

    Mas que porra de Stuart Little! Eu gosto de Stuart Little, caralho! Hehehe Tá, eu gosto mais daquele gato insuportável.

    Já que o lance aqui é cinema, daqui uns poucos dias estréia Street Kings em que Mr Laurie finalmente realizará o sonho de interpretar um tira americano. De um lado temos Hugh Laurie e Forest Whitaker para salvar o filme, do outro temos Keanu Reeves e Chris Evans para estragá-lo. Façam suas apostas.

  9. Eu devo ter que me focar em até três filmes só – exigência da faculdade – então pensei em Barry Lyndon, O Iluminado e Nascido Para Matar. Tava vendo a coisa do pai com a ordem social nos filmes dele, Barry Lyndon e O Iluminado é só isso! E assistindo o Triunfo da Vontade da Riefenstahl não consegui não pensar na primeira metade do Nascido Para Matar. Pensei em jogar na roda logo o aspecto fascista dessa organização espacial dele (como característica masculina), mas não sei ainda.

  10. E assim que eu tiver tudo mais certo faço um blog pra postar qualquer pensamento que tenha sobre o tema. Como só você vai frequentar e saber o endereço, aproveita pra sugerir livros ou qualquer outra coisa – essa parte é falando tipo o Sargento Hartman, DO YOU MAGGOTS UNDERSTAND THAT?

  11. Po, acha que não vai ter muito a acrescentar mas já passou vários nomes de livros!
    Eisenstein já vi os principais, Griffith só trechos mesmo. Assisti o da Riefenstahl pensando nisso, vou ver se faço uma sessão com os dois ali também.
    Já vou começar a procurar o livro da Hanna Arendt. Trate de lembrar o nome do outro de antropologia no cinema! To pescando aos poucos umas coisas do Jung, um amigo meu vai fazer pós agora e tem bastante material que posso pegar emprestado.
    E trate de acompanhar sim, porque eu não sei se vou ter algum orientador que preste lá, então se tiver que recorrer a alguém esperto e fã do barbudo, vai ser você.

  12. Ih, não puxa o saco não que eu brocho. Quero ver você agüentar as minhas epifanias inúteis… Agora mesmo estava pensando em Iwo Jima, porque o Hartman esteve em lá e foi onde tudo começou, o Japão na segunda guerra foi a grande filha-da-putisse inicial do fascismo americano feito ao mundo, Hartman é um epítome daquilo tudo. Até que algum dia alguém vai ficar realmente de saco cheio e explodirá a cara dele.
    Com esse negócio dele ter estado em Iwo Jima, fiquei repassando filmes sobre Iwo Jima e é claro que cheguei naquela coisa linda chamada Clint Eastwood e o lance do ponto de vista japonês gerar muito mais simpatia ao público do que o ponto de vista americano. Isso seria por que Iwo Jima é um desbunde de filme e o “Fags” não? Por que os japoneses são os “perdedores” e mesmo assim são mais dignos e os americanos tem um L escrito na testa quando voltam para suas vidinhas medíocres? Tudo isso me faz pensar no Hartman como um projétil de Iwo Jima que deu certo para o que viria ser o Vietnã, Hartman era aquele cara do filme do Clint que atirou naquele japonês que se entregou só para não ter que vigiá-lo a noite inteira, aquele é o futuro Hartman fascista, era daquele tipo de homem que o exército precisava.
    Na boa, nem sei mais sobre o que estou falando.

  13. Sem puxa-saquismo. Mas eu preciso de informações que você provavelmente tem, ou que provavelmente conhece ou tem referências melhores que meus professores – ou pelo menos referências e informações que vão mais de acordo com o que eu penso e me interesso, o que não acontece com os professores lá. Portanto, compartilhe essas informações comigo e eu compartilharei minhas informações com você. É justo, até.

    Quero rever os filmes do Clint antes de falar alguma coisa, mas acho que o Hartman só seria superado na obra do Kubrick como personificação do fascismo se ele fizesse o tal Aryan Papers. Cada vez mais penso que o Holocausto era o grande fantasma que assombrava ele, assim como o Napoleão despertava a admiração. A ‘solução final’ é praticamente tudo o que ele mostra nos filmes, mas pro horror dele e de todo mundo, não foi um sistema racional que deu errado, foi um sistema irracionalmente cruel que deu certo!

  14. Agora sim! hehehe
    Mas que coisa, que tipo de professores você tem lá, meu deus?

    “Não foi um sistema racional que deu errado, foi um sistema irracionalmente cruel que deu certo”, meu, essa frase é completamente sensacional e resume com perfeição o cinema do homem.

    Fico pensando como seria um filme como o Aryan Papers nas mãos do Kubrick, ele chegou a ter algum roteiro em mãos da adaptação?

  15. Professores que acham mais importante parecerem professores do que ensinarem alguma coisa de verdade. E nenhum fã do Kubrick!

    Acho que tem um roteiro inicial do Aryan Papers por aí, se não tiver em sites tem no emule. Sei que tem trechos do Napoleão.

    Eu li O Iluminado, e achei Barry Lyndon num sebo há pouco tempo. O livro do King não tem nada a ver mesmo, já o Barry Lyndon me parece que a maior alteração (apesar de eu não ter lido o livro ainda) foi o narrador mesmo – no livro o próprio Barry narra a história. E o uso do narrador no filme é bizarro (a voz parece ser mais próxima do séc. XVIII ou XIX do que do séc. XX), assim como o distanciamento com os zooms e as composições lembrando quadros da época. Pode ser maluquice minha, mas pra mim isso cheira a uma ironia daquelas.

  16. oi Dri e rapaziada, é lógico.

    Hoje, dia de matar aulas bem inuteis, deu pra ler este seu post longo, bem diferente do natural daqui. Somado é lógico com os comentários.

    Só filezinho, ficou bem bão.

    Agora momento preguiça e curiosidade: tirando os livros Wodehouse, é fácil encontrar o material humorístico citado?

    Zorra total é mesmo um humor do as anos 50, afinal é nitidamente calcado do teatro de revista e sua vedetes.

    Aliás, problema do humor audio-visual, desde o tempo da Vera Cruz, é que ele ainda é muito influenciado pelo teatro de revista, inclusive esse humor mais moderno que parece negá-lo,já que sua base é o famoso Besteirol dos anos 80, um teatro de revista muito turbinado.

    É tudo escrachado. Falta uma boa dose de Machado e ironias.

    Semana passada assisti cartas de Iwo Jima. Que filmão!

    abs,

  17. Lucas, preocupado em parecer professor é foda!
    Meu, o cara que “roubou” o roteiro de Os Infiltrados está adaptando o livro que daria origem ao Aryan Papers, aposto que se rola mesmo que seja esse rascunho de roteiro, ele vai roubá-lo! Ninguém sabe quem será o diretor ainda, cruzes.
    Acho que a ironia o aproxima ainda mais do Thackeray (que também tinha muito em comum com Voltaire), Kubrick tinha muito da fleuma britânica em seus filmes, deve ser por isso que acabou adotando a Inglaterra como seu país.
    Cara, esqueci de mencionar totalmente uma coisa sobre o Hartman… mas é so uma curiosidade boba mesmo, nada relevante, você já viu Os Espíritos do Peter Jackson? O Hartman é um fantasma que fica berrando e intimidando todos os outros fantasmas do cemitério, mas é mesmo o Hartman interpretado pelo Lee Ermey (que coincidentemente também é o pai militar do Dr House), nem depois de morto ele aprendeu a lição, o desgraçado. É uma homenagem no mínimo engraçada essa do Peter Jackson.

    Calma Léo, você é novo na área e bem inexperiente em Adriana, mal sabe você que este já é meu quarto blog e poucos têm estômago para me acompanhar… hehehe Posts longos podem ser raros aqui nesse recém fundado blog, mas não para mim.
    Exatamente qual material humorístico citado você se refere? As séries britânicas? Todas via emule e coloquei legendas para tudo no opensubtitles.
    O foda do Wodehouse é que há pouco material traduzido dele no Brasil, ou não foi traduzido ou está fora de catálogo, eu mesma só tenho 3 livros dele traduzidos, os outros são todos ebooks em inglês.
    Iwo Jima é o melhor filme do Clint, na minha opinião.

    Aproveitando a deixa de fascismo, Wodehouse, ironia e afins, o Wodehouse tem um personagem fantástico chamado Roderick Spode designado como ditador amador, é uma espécie de Hitler inglês misturado a outros fascistas da década de 30 e que faz tudo a base do grito e violência, mas como excesso de testosterona vem sempre acompanhado de excesso de estrogênio, ele tem uma profissão clandestina como designer de lingerie. Wodehouse gostava de brincar com organizações de toda classe e ideologia, o bacana é que todas as suas personagens têm bom coração, mas não escapa ninguém na escolha dele em satirizar todo e qualquer estilo de vida.

  18. nossa, tá virando um fórum esse teu comment window.
    eu subscrevo a ana e cito a ana. mesmo não sendo um zumbi eu adoraria comer o seu cérebro, rsrsrs e aja tempo pra ver tudo isso.
    e eu que ainda não vi o “i’m not there” não estréia por aqui e to quase baixando de ansiedade.
    bjo

  19. ah, conseguiu de onde o “bound for glory?” to começando a curtir o som do woody e queria ver mas, como sempre, não achei torrent ou no emule.

  20. É mesmo, tá meio over isso aqui, tá na hora de fazer outro post… Emule, sempre! Já passo o link pra ti, essa porra de comentários fode com os links do emule.

  21. Pingback: Gerard Butler Antes/Depois | Quixotando

Leave a Reply

Please log in using one of these methods to post your comment:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: