The Dirk Diggler Story (1988)

Hoje por algum motivo acordei com adoração por Paul Thomas Anderson, não que não seja justo acordar com adoração por P.T. todos os dias, pois já existe um número considerável de obras primas em sua carreira. Nisso me embrenhei no seu primeiro filme, feito aos 18 anos de idade como um rascunho de Boogie Nights: o mockumentário sobre Dirk Diggler, a miscelânea ficticía das vidas de Ron Jeremy e, sobretudo, John Holmes.
The Dirk Diggler Story é surpreendentemente bem escrito e narrado embora tenha sido filmado em video de forma totalmente amadora, algo talvez proposital em virtude justamente do mercado pornô de videos da época e que viria a ser a união do útil ao agradável: falta de dinheiro + inesperiência. Além de tudo as atuações deixam muito a desejar, mas não há nenhum Daniel Day Lewis ou Julianne Moore no elenco, então é passível de excusas.
Para um garoto de 18 anos literalmente com uma câmera na mão e uma idéia na cabeça (e só) é um belo começo, mesmo porque ele teria 10 anos para aprimorar tudo aquilo culminando em uma de suas obras primas e levantar algum dinheiro para fazer algo à altura da sofisticação de seu talento.

Nota: Para completar, que seja a minha cena preferida de Sangue Negro (um dos filmes que mais me fizeram rir nos últimos anos e que é um drama), recomendo àqueles que inexplicavelmente ainda não viram o filme que não a assistam: Já é o segundo filme de Paul Dano com Day Lewis, mas por mim eles deveriam fazer todos os filmes juntos até o fim de suas vidas.

7 thoughts on “The Dirk Diggler Story (1988)

  1. Eu só vi três do PTA, mas Sangue Negro foi o único que realmente gostei – os outros dois foram Magnólia e Embriagado de Amor. E mesmo assim não achei tão sensacional quanto o último dos Coen. E ele tá querendo adaptar Metal Gear Solid (jogo macho de espionagem futurista, e que deveria ser dirigido pelo MICHAEL MANN com o JOSH BROLIN no papel principal), seria a grande chance dele me convencer, ainda mais depois de Sangue Negro.

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  2. E aqui não tá aparecendo a cena, mas a minha preferida é a primeira. A música crescendo e a paisagem se revelando aos poucos. That’s a tasty burger.

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  3. Na verdade Magnólia é o meu filme preferido dele e foi feito numa época em que ainda não era essa moda over de narrativa fragmentada com 3 milhões de personagens, até então quem tinha quebrado a banca com isso fora o Robert Altman com Short Cuts, enquanto que Magnólia ainda era uma homenagem com grande influência de Altman, tudo que veio depois virou clichê. E para um maior aprofundamento em Magnólia, recomendo os livros de Charles Fort (principalmente), Louis Pauwels e Jacques Bergier, o desgraçado do PT tirou toda a entranha do filme dele desses caras.
    Aliás, o que mais me impressiona no PT é como ele deixa muito claro as referências, quase como o que o Tarantino faz (e reza a lenda que eles são bem amigos), parece mais sutil, mas não é, Boogie Nights, por exemplo, é humanamente impossível para mim ver Boogie Nights e não pensar em Scorsese do princípio ao fim, parece que ele pegou o Goodfellas e fez o storyboard do BN em cima dele. Até o Sangue Negro me fez sair do cinema tendo a certeza que acabara de ver uma mistura de Soberba, Cidadão Kane e Era uma Vez no Oeste (com ênfase no Soberba).

    Mas é claro que gosto mais do último dos Coen se for para comparar, aliás, estou saindo agora para pegar a enésima sessão dele que vou assistir numa sala que ainda está passando (e provavelmente não será a última, hehehe)

    Como não entendo lhufas de jogos, então tá, se é bom. Mas isso me parece tão estranho… parece aquelas lendas urbanas que sempre rolam na internet, acho que quem divulgou essa notícia estava fazendo uma brincadeira com aquele outro Paul Anderson que tem a fama de destruir todos os games do mundo com as suas adaptações.

    A minha cena escolhida não foi pela beleza (o início, o poço de petróleo jorrando, o carro seguindo à la Sergio Leone), mas pelo fato de eu ter gargalhado o tempo todo na sequência final (que é Orson Welles). Acho que todos os momentos em campo aberto no filme são o ápice, especialmente pelo uso da música. Por falar na música, o que é aquela trilha sonora, hein? Mas tem algo nela que me frustou, quando vi o filme pela primeira vez a primeira coisa que fiz foi baixar a trilha sonora, mas ela não funciona sozinha a diaba! É claro que no cinema tem aquela parafernália toda que não chega maos pés do meu som e é claro que não estou comparando com Ennio Morricone, mas se você pega uma trilha sonora do Era Uma Vez no Oeste e ouve sozinha a música continua com sua grandiosidade intacta, mas de alguma forma aquela do Jonny Greenwood que parecia tão grandiosa não funciona da mesma forma. Não sei sei esse entranhamento é bom ou ruim, mas que as imagens precisam daquela música e a música precisa daquelas imagens é inegável e qualquer mudança seria uma desonestidade.

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  4. Você já viu um filme do Haneke chamado 71 Fragmentos de uma Cronologia do Acaso? É o que mais gosto nessa linha do Magnólia. Claro que as comparações param por aí, o Haneke é não conta, mas esse é genial, assista sem falta.

    Eu não tinha pensado nisso de ser o outro Paul Anderson (Paul W. Anderson, acho), mas pode ser, realmente. Espero que seja o PTA mesmo, queria ver ele tentando a sorte numa dessas (o jogo é sensacional, acredite, e não só pela jogabilidade, mas pelo universo todo criado ali).
    Ainda nos boatos – mas esse parece que é sério -, Herzog refilmando Bad Lieutenant do Ferrara. Nicolas Cage no lugar do Harvey Keitel.

    E a música é o melhor do Sangue Negro pra mim. Eu não curto muito a câmera serelepe dele, não achei o Paul Dano tão bom assim (ele segura a onda, mas o Day-Lewis engole o filme inteiro), mas a trilha do Greenwood é foda. Quando começou o filme e a música deu aquela virada junto com o fade da paisagem foi o meu fim. Nada podia ser melhor que aquilo, duas horas de decepção por causa de alguns segundos assim. Aliás, tenho quase certeza de que aquele início é “só” uma orquestra afinando, se preparando pra uma apresentação. Aquelas batidas desordenadas se encontrando aos poucos na cena da explosão também destroem. Enfim, que ele desista do Radiohead e se dedique a compor músicas pra filmes pro resto da vida.

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  5. Esqueci de fazer um adendo importante, sobre Sangue Negro, se Welles tivesse adaptado Ricardo III do Billy S., seria algo como esse filme e um Daniel Plainview da vida. No fundo no fundo o Plainview é uma personagem shakespereana redimensionada por Orson Welles e vai ver foi por isso que precisou-se de uma ator inglês para dar-lhe a devida dimensão.

    Ah, nem acho tão serelepe assim a câmera dele, muito pelo contrário, pelo que se vê por aí hoje em dia acho que ele tem bastante classe. Outra coisa que amo nele é que adora planos sequência e amo cineastas que usam e abusam disso.

    Também acho que o Greenwood devia dar um bico no Radiohead e se dedicar ao cinema, só é a segunda trilha que ele compõe e fez aquilo tudo… Veja o que aconteceu com o Danny Elfman ao deixar o Oingo Boingo, e ainda de brinde ele casou com a Bridget Fonda!

    Aproveitando a deixa, vou deixar uns links das trilhas do Greenwood para quem se interessar…
    Bodysong OST:
    http://rapidshare.com/files/19795870/Jonny_Greenwood_-_Bodysong.rar
    http://www.mediafire.com/?ex3yzek9o01
    http://www.mediafire.com/?4acxxxjt1ns

    There Will Be Blood OST:
    http://rapidshare.de/files/38230244/BLOOD_OST.rar
    http://rapidshare.com/files/74727976/ThrWllBBld.rar
    http://www.4shared.com/file/43263317/b15c77ec/Jonny_Greenwood_-_There_Will_Be_Blood.html
    http://rapidshare.com/files/75532920/Th3r3W1llB3Bl00d05T.rar
    http://www.megaupload.com/?d=2BC302ZF
    http://rapidshare.com/files/75175555/Jonny_Greenwood.zip
    http://lix.in/4dff27
    http://www.badongo.com/file/5492162
    http://www.megaupload.com/?d=4XKWDQM5

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  6. nossa, daniel está mesmo muito bom nesse filme, impressionante, assustador ele entrou mesmo no personagem de uma forma incrível, com energia, vivacidade. um personagem complexo como esse acho que só o daniel mesmo pra fazer. o paul dano já me chamou a atençao no miss sunshine, esse garoto vai longe.

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  7. Além de tudo o Daniel é muiiiiiiiiiiiiiiiito gato e provavelmente vendeu a alma para o demo, o cara tem mais de 50 anos, mas pode fingir ter 30 e poucos fácil… Fiquei de cara com ele na cerimônia do Oscar, o cara não envelheceu porra nenhuma desde os tempos do Insustentável Leveza do Ser. Ele e aquele maravilhoso nariz torto dele.

    E olha a grande funcionalidade de filmecos como Um Show de Vizinha, dalí saíram simplesmente Emile Hirsch e Paul Dano, dois do guris mais fodaços como atores nos últimos tempos. Salvem as produções chulé!

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