O Espião de Dois Mundos ( A Dandy in Aspic, 1968 )

A DANDY IN ASPIC Filmes britânicos de espionagem são o que há de melhor no gênero. Filmes britânicos de espionagem dos anos 60 durante a plenitude da Guerra Fria são melhores ainda. Mas há um porém neste A Dandy em Aspic, enquanto tudo cheirava a James Bonds e Harry Palmers da vida, o filme de Anthony Mann teve a ousadia de ser diferente e tal diferença não cabe apenas à trilha sonora de Quincy Jones em lugar do usual John Barry.
O último filme de Anthony Mann, que morreu durante as filmagens, talvez não soe qualitativamente como alguns dos seus melhores westerns ou épicos romanos, mas não é uma vergonha para ele e nem para o gênero de espionagem, pois além de belíssimos planos que te enclinam literalmente no suspense (direção de fotografia de Christopher Challis – o mesmo fodaço que fez a fotografia de A Fúria de um Bravo logo abaixo), a saga moral e sócio-política da personagem central interpretada por Laurence Harvey é muito mais humana e verossímel do que o habitual.
Eberlin, o agente duplo, tem uma existência vazia, tendo sido criado praticamente no berço da Rússia para crescer britânico e se infiltrar na espionagem inglesa, exatamente como marionete evidenciada nos créditos iniciais são os britânicos que acabam por assumir os fios que puxam o seu corpo de maneira que o enforcamento pareça inevitável.
Mais do que Laurence Harvey segurar as pontas como ator e posteriormente como diretor no restante de cenas que ainda estavam por serem filmadas pós morte de Mann, A Dandy in Aspic tem um elenco excepcional, como um dolorosamente irritante Tom Courteney na pele de brit-spy nada carismático ou um Lionel Stander na pele de um soviet para além da simpatia, além das dúbias presenças de Mia Farrow, Per Oscarsson e Peter Cook. O alívio cômico do filme obviamente fica por conta de Peter Cook, pois não é plausível ter um dos maiores comediantes de todos os tempos presente em um filme sem dar-lhe o devido rumo, no caso, o papel de um agente secreto metrossexual viciado em mulher que faria inveja até a James Bond.
Como bom thriller de espionagem que se preze, suas quase duas horas são recheadas de diálogos espertinhos para dilatar o molde de desespero e paranóia às voltas com todas personagens, como mostra esse bom exemplo de diálogo entre Lionel Stander e Tom Courteney:

Courtenay (brit): Quem você pensa que é? Al Capone?
Stander (rus): Quem é Al Capone?
Courtenay: Ele era um gângster megalomaníaco que matava qualquer um que atravessasse seu caminho.
Stander: Sério? O que aconteceu com ele?
Courtenay: Ele trocou seu nome para Stalin e se mudou para a Russia.
Stander: Isso me soa familiar.

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