O Tenente Sedutor ( The Smiling Lieutenant, 1931 )

The Smiling Lieutenant - 1931 - Miriam Hopkins e Maurice ChevalierMiriam Hopkins e Maurice Chevalier num momento “Let’s play something else”

Ernst Lubitsch é um dos meus diretores favoritos e provavelmente o colocaria entre os dez melhores cineastas da história,O Tenente Sedutor é a transição para que se possa afirmar tal coisa, pois no ano seguinte Lubitsch realizaria a sua obra prima, denominada Ladrão de Alcova aqui nos trópicos.
Terceiro filme realizado com Maurice Chevalier (banhado de brilhantina, pó de arroz e rímel), terceiro filme sonoro e terceiro musical, Lubitsch deixa claro o qual deslumbrado ficara com o cinema falado, mas é justamente em Tenente Sedutor que ele passa a se sofisticar com o assunto que melhor tratava em seus filmes: o sexo. Não que seus filmes anteriores fossem assexuados, muito pelo contrário, desde os primórdios de seu cinema na Alemanha dos anos 10 o homem sempre nutrira a predileção pelo assunto, mas é em O Tenente Sedutor que marca em definitivo o estilo que ficaria conhecido como “The Lubitsch Touch”.
Smiling Lieutenant, como tudo que é bom, se trata de um triângulo amoroso entre a violinista Claudette Colbert, o tenente Maurice Chevalier e a princesa Miriam Hopkins que vai aprender com a ajuda da amante do marido que não é sendo boazinha que se conquista um homem. Aqui já se vislumbra a extrema liberdade sexual que iria progressivamente se instaurar nas personagens de Lubitsch e que era um escândalo na época, pois mostrava abertamente pessoas sexualmente ativas tratando com maturidade sua sexualidade, como as aulas de sexo que Claudette Colbert dá à Miriam Hopkins, com direito a cena de beijo na boca entre as duas. Não é à toa que o matusalênico Will Hays deu piti, ele estava nos EUA e não na França, oras.
Ao escalar Miriam Hopkins em apenas seu segundo filme (cujo debute foi ao lado da deusa-mor Carole Lombard),The Smiling Lieutenant - 1931 - poster Lubitsch ganhou a parceria de quem viria a ser sua maior musa e estrela de seus dois melhores filmes: Trouble in Paradise (1932) e Design for Living (1933). Miriam Hopkins fora a rainha do pre-code (ao lado de Jean Harlow e Barbara Stanwyck) nesse curto espaço de tempo entre o início do cinema falado e 1935, quando o código Hays entrou definitivamente em vigor. Tanto a carreira de Hopkins quanto a de Lubitsch jamais tiveram o mesmo brilho com as limitações da censura, a exceção de Bluebeard’s Eighth Wife (1938) o qual Truffaut achava melhor se Hopkins estivesse no lugar de Claudette Colbert para o papel principal, mas que no meu parecer é a única obra prima realmente irretocável do Ernst pos-code. Não que eu deixe de considerar To Be or Not to Be (1942) um dos melhores filmes dos anos 40, mas comparar The Shop Around the Corner (1940) ou Ninotchka (1939) com suas obras primas pre-code são um completo disparate, é aquela tecla que sempre aperto, tudo que o Código Hays destruiu no cinema de Lubitsch, ajudou a construir no cinema de Preston Sturges, mas isso é um assunto para outro dia.

Nota: Em O Tenente Sedutor há uma das maiores e mais verdadeiras afirmações verbais já colocadas numa tela: Jazz up your lingerie! Verdade maior não há.

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