O Gaúcho ( The Gaucho, 1927 )

THE GAUCHO - 1927 - POSTER

Depois da morte de Rudy (Rodolfo Valentino para os não-íntimos) quem mais poderia interpretar um gaúcho macho-cho-cho? Douglas Fairbanks pai, é claro. Fairbanks era um daqueles tipos hiperativos, algo como se fosse o Jackie Chan dos anos 20, podendo ser clamado como primeiro grande herói de ação do cinema. Em O Gaúcho não era diferente, já com seus 45 anos ainda saltitava como um garotinho.
O filme começa como um épico religioso que muito se assemelha com a história de Santa Bernardete de Lourdes (é, adoro histórias sobre santos, meu favorito é São Francisco de Assis, claro), mas basta Fairbanks dar o ar de sua graça para voltarmos à boa e velha fórmula de comédia e aventura permeada por seu carisma indiscutível. Fairbanks é o fora da lei Gaucho que atravessa a América do Sul com seu enorme bando de comparsas saqueando vilarejos pelo caminho, até encontrar uma pequena vila religiosa nas mãos de um daqueles ditadores velhos conhecidos nossos que enfestaram o continente durante o século XX e que se parecem muito a vilões saídos das histórias do Zorro. É aí que nosso anti-herói conhecerá a rendenção e passará a ver um mundo com muito mais empatia e menos afetação.
Segue os moldes do Ben Hur de Fred Niblo, com sua boa dose de religiosidade para esconder uma magnífica aventura bem dosada em cenas de ação, comédia, drama e romance. O romance fica por conta da super-espevitada diva mexicana Lupe Velez no seu primeiro papel importante em Hollywood, ao contrário do que acontecia na época, Velez personifica um tipo de heroína feminista que sai no braço com qualquer homem sem perder a feminilidade, clama por justiça quanto a maridos que espancam as mulheres e lidera uma gangue de bandidos para socorrer o homem amado, uma personagem que poderia constar em qualquer estudo sobre a emancipação femenina do século XX. Enquanto isso, a religião é dividida entre os papéis de Eve Southern, Nigel De Brulier e a participação não-creditada da então esposa de Fairbanks e namoradinha da America, Mary Pickford, como a Virgem Maria. É sim uma daquelas aventuras imperdíveis que só a primeira metade do século poderia produzir e que fazia a felicidade do povo.

Nota: As postagens dos próximos dias/semanas serão programadas, por isso não se preocupem se comentários não forem moderados.

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