Mahler – Sinfonia de uma Paixão (Mahler, 1974)

– Qual a sua religião?
– Eu sou compositor.

Considero Mahler o mais erótico dos compositores, talvez não muitas pessoas compartilhem dessa mesma sensação ao ouví-lo, mas sinto sua música como uma sensualidade mórbida, um encontro com tânatos, onde cada nota é o ressoar do último gozo antes da morte. Exatamente por isso não gostei dessa visão da música de Mahler pelos olhos de Russell, ao contrário do que ocorreu anteriormente com a música de Tchaikovsky que casava lindamente com os delírios imagéticos criados por Russell, aqui a música era uma estranha na excessiva fragmentação da vida pregressa de Mahler.
Claro que há cenas isoladas que somente poderiam ter saído da mente de Russell e tirar-lhes o chápeu seria muito pouco, sobretudo nas sequências em que Mahler teme a infidelidade da esposa e que na vida real lhe rendeu uma consulta com o próprio Freud, ou ainda o ápice de todo filme com a conversão de Mahler do judaísmo ao catolicismo através de um curta co-estrelado por ninguém menos que Cosima Wagner. Sobra homenagem até para Luchino Visconti, quem melhor se utilizou de Mahler no cinema, através da referência visual onde o compositor vê as personagens de Morte em Veneza ao som da 5ª Sinfonia, indo até Ludwig – O Último Rei da Bavária ao lembrar muito da exaltação wagneriana a qual Visconti se deu ao luxo naquele filme.
O filme só se converteu no que esperava ao final, quando finalmente Mahler assumiu seu caso com a morte, uma personagem que sempre esteve presente no desenrolar dos fragmentos mas que só damos conta de sua real identidade quando ele finalmente a consome como sua, mas aí já é tarde demais. Vodpod videos no longer available.

Nota 1: Eis acima o tal “curta” sobre a conversão de Mahler, na época Cosima era a toda poderosa de Bayreuth e aqui ela representa todos os almofadinhas burocratas anti-semitas que mandavam culturalmente, para acabar com isso e poder reger em paz, o tio Gustav foi lá e ganhou uma carterinha de batismo, assim todos viveram felizes para sempre.

Nota 2: Para quem não viu O Cantor de Jazz, a personagem de Al Jolson era filho de um rabino que precisou abandonar a tradição familiar para seguir com sua carreira artística, por isso ele entrou no delírio.

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