O Mulherengo (Lady Killer, 1933)

Cagney é um cara engraçado. Muito engraçado. Isso somado a todos os seus outros infinitos talentos em psicose dramática, canto e dança, o torna uma das mais irresistíveis e talentosas estrelas de sempre. Depois de toda aquele rebombar de caras durões no início dos anos 30 ele se joga nessa auto-sátira sobre o meliente que se torna estrela de cinema por fazer o tipo “durão” já que a mulherada não se interessa mais pelos bibelôs dos anos 20, as mulheres dos anos 30 queriam ir ao cinema para ver homem bancando o macho e estapeando quem quer que fosse.
Lady Killer muito me lembrou a vida do George Raft, que antes de ser um dos maiores gangsters do cinema, fora um novaiorquino que vivia entre a máfia e mesmo em Hollywood mantinha seus laços com Bugsy Siegel.
Há muitas pequenas piadas sobre o mundo do cinema na época, especialmente auto referentes ao Cagney como a famosa grapefruit na Mae Clarke de Inimigo Público e o crítico de cinema jantando com uma sósia da Jean Harlow, a mesma Harlow por quem Cagney trocou Clarke no supracitado filme. Isso me soou bem maldoso, pois dá a entender que Harlow só fazia sucesso porque se “dava bem” com os críticos. Outro momento que vale prestar atenção é o de um senhor reclamando que não estava passando nada do Mickey Mouse naquela sala de cinema, tanto Lady Killer quanto o próprio Cagney eram da Warner naqueles idos e esta ainda engatinhava no setor de animação com desenhistas surrupiados da empresa do tio Walt, tal piada soa como um ultimato ao público: ou vocês vão ver o tal do Mickey Mouse ou James Cagney e seus coleguinhas animados plagiados do tio Disney.
Mas é o duo Cagney-Clarke que mantêm a diversão mesmo, Mae que nessa época já tinha passado até pelas mãos do monstro de Frankenstein ainda sofria nas mãos do Jimmy, mas ao contrário de sua personagem no filme anterior que não merecia a toranjada na cara, esta vaca teve o esculacho merecido. No mais o filme é mediano, principalmente se constatarmos que é datado do mesmo ano da obra prima Footlight Parade com o mesmo Cagney e o fato de que muitas das piadas só surtirão efeito aos atentos pela carreira dele nessa época, além dos rituais do cinema pre-code. Céus, nenhum período de Hollywood foi melhor que a curta temporada pre-code entre o início do cinema falado e a ascensão de Will Hays e seus asseclas almofadinhas.

Mae e Jimmy no maior e melhor pé na bunda (literalmente) da história

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