Melhor foto de Annie Leibovitz: The Blues Brothers

Dan Aykroyd e John Belushi para a capa da Rolling Stone (fevereiro/1979)

9 thoughts on “Melhor foto de Annie Leibovitz: The Blues Brothers

  1. Eles tão imitando aquele filme do Godard ou é coincidência?

    Aliás, falando em coincidência, você tem algo sobre (ou relacionado a) sincronicidade aí? Talvez eu use pra falar da organização narrativa dos filmes, as repetições, relações com o determinismo, etc.

  2. Pierrot Le Fou? Tirando a obssessão por cores primárias do Godard, acho que não era essa a intenção, apesar da aura dos “irmãos azuis” convergir com a do Belmondo. Então sim, acho que foi um caso de sincronicidade, hehehe

    No momento não tenho nada a respeito aqui comigo sobre sincronicidade (digamos que eu ande meio “fora de mão”), mas o lance é bem bom, encaixa naquela coisa que o Kubrick tinha com banheiros e boa parte de suas melhores cenas se passarem neste cômodo. Vai ver por isso meu cômodo preferido é o banheiro, por mim morava num.

  3. As narrativas convergentes e simétricas me sugeriram um pouco disso, e até as repetições mais sutis (relacionadas por gestos, enquadramentos ou coisas assim). E os conflitos indivíduo x massa, determinismo x acaso, razão x emoção, ordem x caos são muito marcados na obra dele, mas ainda não consegui encontrar uma maneira de ‘abraçar’ isso tudo.

  4. É aí que o lance da sincronicidade fode tudo. O próprio Jung tomava um cuidado desgraçado para não misturar arquétipo com sincronicidade, porque este leva à visualização do arquétipo, mas o arquétipo jamais leva à sincronicidade. Pensando bem, acho que é bem difícil tentar enquadrar sincronicidade na obra do Kubrick, não me parece que o homem não tinha tudo milimetricamente calculado que deixasse passar qualquer insight como relação a planos, por exemplo. A não ser que esse seja o ponto de vista que queiras passar, o do cineasta perfeccionista que queira simular a própria sincronicidade como fake e a abasteça com o que seria meramente um arquétipo causal.
    No mais, acho que deveria achar um livro que tentasse aplicar sincronicidade à estética cinematográfica, algo que não conheço nenhum, tem bastante coisa sobre autores literários e sincronicidades nos estilos (o que o povão chama de “imitação”) mas conseguir enxergar isso na obra de único autor de uma obra para o outra é bem duro. Fellini seria um cara fácil de achar sincronicidade em seus filmes, porque ele era completamente espontãneo e o oposto do Kubrick, embora ambos sejam Junguianos até a medula.

  5. Na verdade eu quero me aprofundar na organização dos microcosmos que ele faz, os sistemas de cada filme (o que o Deleuze chama de mundos-cérebro). São sempre organizadíssimos, claro, e ele sempre insistindo em apresentar todas as regras, minúcias e rituais, além de estruturar a narrativa de forma nada invisível (seja com cartelas, narração ou o que for). Basicamente a tentativa dele de reproduzir um mundo (e ele faz questão de mostrar sempre um lugar e tempo específicos, prende os personagens ali e tira todas as referências que você poderia ter de fora) com regras aparentemente rígidas, inflexíveis e deterministas, mas que em alguns pontos – e isso seria essencial na obra toda dele, portanto algo calculado – deixa irromper essas relações não-causais (seriam relações de sentido, no caso) que só provocam estranhamento, reforçam a ambiguidade em alguns pontos, etc. Isso acontece tanto com enquadramentos quanto com ações e mesmo a representação de algumas coisas – pense no Vietnã e na NY de De Olhos Bem Fechados: todos os elementos característicos tão ali, mas não é o suficiente pra ser verdadeiro (o Freud tem um conceito sobre isso, que inclusive tem a ver com autômatos e o estranhamento que causam se parecem vivos – HAL! -, e tem um pouco a ver com sincronicidade). Toda aquela ordenação pra sempre terminar encontrando um elemento caótico que faz tudo desmoronar; esse caos é justamente a ordem sobre a qual não se tem controle, é a ela que tudo se submete, e todas as tentativas de se esconder disso levam a situações desastrosas. Pra ele o homem se destrói por não ‘confiar’ no mistério, no desconhecido, não dá espaço nenhum pra isso; a única vez que um elemento desses é ‘acolhido’ num filme dele é em 2001, e o final é outro. Ele mostraria então essa impossibilidade de integração por causa dessa racionalização excessiva que o homem insiste em fazer, e as consequências violentas que as manifestações desse elemento desconhecido trariam (manifestações da sombra coletiva, quase sempre, vou acabar não me afastando muito de massificação).

  6. Não sei se me expressei bem, mas tentando resumir em algo que você disse: tá mais próximo da representação da sincronicidade no universo dele.

    (Eu deveria ter falado isso antes)

  7. Claro que não! O que não quer dizer que eu não vá tentar pelo menos dar uma mapeada nisso tudo, hehe. E nem vou mais analisar os filmes, vou ficar mais comentando a obra por alto mesmo, apontando aqui e ali só o que interessar (como se algo ali não me interessasse).

    Ah, dê uma olhada nisso quando puder:
    http://thecamerajournal.blogspot.com/2007/09/ken-russells-influence-on-stanley.html

    É uma pena que os filmes citados sejam difíceis de encontrar, porque sacar a mudança do estilo dele dos filmes em PB pra 2001 é bem interessante, parecia mesmo que tinha batido um papo com um monolito alienígena – agora se sabe que ele só ligou a TV na Inglaterra!

  8. Putz, a única historinha Russell_Kubrick que eu conhecia era a das locações para o Barry Lyndon, que o tio Stan foi pedir umas dicas para o tio Ken.Aí o Russell retribuiu dizendo que não gostava dos filmes do Kubrick porque eram muito chatos e longos KKKKKK
    Tem uma pessoa que postou vários filmes televisivos do Russell dos anos 70 no youtube que são até difíceis de serem achados http://br.youtube.com/user/saqibakascarface786 que tem coisas do Joseph Losey e Lindsay Anderson também, o problema é que ele fez mesmo muita coisa para tv que só deus sabe quando verão a luz do dia, quem sabe quando ele morrer não resolvem lançar em dvd, nem o que é cult dele nos anos 70 foi lançado ainda, imagine o dos anos 60!
    Tem uns canais no youtube que tem uns filmes completos que não acho para baixar em mais lugar algum, imagine a alegria de achar essas coisas…
    Nessas de repassar filmes do anos 80 fiquei sabendo também que o Kubrick era fã do John Hughes, por isso que ele queria por que queria o Anthony Michael Hall para ser o Private Joker.

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