Breaking Point (1975)

Breaking Point (1975)Nos primeiros 5 minutos o que vem a mente mente é: por que este filme não é tão cultuado quanto o filme anterior de Bo Arne Vibenius, Thriller – A Cruel Picture? Nem é pela bizarrice dos créditos iniciais ao som da música de Harry Lime, mas pelo que se segue, uma violenta e ao mesmo tempo discreta cena de estupro a partir de uma raivosa sombra misógina, que nos remete imediatamente a Argento e De Palma. Mas só nesses primeiros minutos, depois o pupilo do Bergman volta ao bom e velho hardcore que fez a sua fama. Digo pupilo do Bergman porque Vibenius trabalhou como assistente de direção em obras primas do tio Ingmar, tais como Persona e A Hora do Lobo, não que estética e filosoficamente a influência seja clara, mas ao menos Bo Arne vislumbrou grande perícia narrativa e fotográfica nas andanças com Bergman.
Voltando à comparação com Thriller, este acaba por evidenciar sua inferioridade comparado à Breaking Point, os intercursos sexuais que se resumem basicamente a felatios fazem todo o sentido aqui, ao contrário do que acontecera com certas cenas forçadas de Thriller, aqui o sexo é necessário para o andamento narrativo que nos ludibria em relação à natureza da personagem masculina principal: seria ele um esquizofrênico ou um maníaco? Aquilo que vemos na tela segue o ponto de vista em terceira ou em primeira pessoa? Quanto mais o filme vai avançando, mais dúvidas, ramificações e críticas da sociedade da época vão sendo inseridas, chegando a lembrar muito o posterior cinema de David Cronenberg, culminando na cena final que dá um tapa na cara de quem o está assistindo, não um tapa na cara usual do cinema exploitation e sim da nossa própria mediocridade.
Esqueça Thriller – A Cruel Picture, se alguém quiser conhecer o cinema exploitation de Vibenius é em Breaking Point que se deve mirar, muito mais complexo e superior.

Publicado por Adriana Scarpin

Bibliófila, ailurófila, cinéfila e anarcafeminista. Really. Podem me encontrar também aqui: https://linktr.ee/adrianascarpin

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