Savage Messiah (1972)

Savage Messiah (1972)‘When I face the beauty of nature, I am no longer sensitive to art, but in the town I appreciate its myriad benefits—the more I go into the woods and the fields the more distrustful I become of art and wish all civilization to the devil; the more I wander about amidst filth and sweat the better I understand art and love it; the desire for it becomes my crying need.’ – Henri Gaudier-Brzeska
Ken Russell resolveu dar uma pausa na sua obsessão por cinebiografias de compositores e caminhar por outra arte através da vida do escultor Henri Gaudier, também conhecido como Savage Messiah. Ainda na fase mais sóbria de seu cinema, antes das alegorias alucinadas como Lisztomania e Valentino, não é difícil ver o porquê Russell ter se interessado em dramatizar a curta e intensa vida de Gaudier. Russell sempre teve essa preocupação de levar a arte às massas (e não à toa participou do Big Brother inglês há alguns anos), tanto nos seus trabalhos na BBC dos anos 60, quanto sua caminhada ensandecida pelo cinema dos 70, sua meta era fazer popularizar a arte tida como erudita, era colocar aquela arte para poucos num patamar em que outros pudessem se interessar e buscar esse conhecimento que certos segmentos gostam de guardar para si como vislumbre de poder e superioridade com a desculpa de uma chamada anti-pasteurização, por isso quaisquer desses espíritos libertários como Ken Russell nunca serão bem quistos por determinado segmento, nem hoje, nem há 40 anos, nem amanhã, pois todos sabemos que é muito mais fácil ridicularizar uma pessoa chamando-a de estúpida do que tentar encaminhá-la por outras perspectivas, trocando asssim a crítica construtiva pela agressão cega e ocorrendo uma armadilha camuflada no protofascimo. É aí que entra a linha de coexistência e fascínio entre Russell e Gaudier, este um guri simples que se viu apaixonado por desenhos e formas de maneira autoditada e só posteriormente se iniciou na teoria para além da prática.Savage Messiah - DOROTHY TUTIN & SCOTT ANTONYMorto aos 23 anos durante a Primeira Guerra, as obras de Gaudier hoje são consideradas parte do alvorecer do cubismo e basicamente trabalhadas durante os anos de 1913 e 1914. Originário da França, o berço da arte moderna naqueles idos, estranhamente resolver ir para a Inglaterra a fim de dar vasão à sua arte e lá conheceu o verdadeiro ponto de interesse da cinebio de Russell: a escritora polaca Sophie Brzeska. Gaudier e Brzeska começaram então uma relação simbiótica e assexuada, indispensável para o crescimento artístico e pessoal de ambos.
No filme Brzeska é interpretada lindamente por Dame Dorothy Tutin, uma grande dama do teatro inglês da geração de Dame Maggie Smith e Dame Judi Dench, mas que infelizmente pouco nos deu o ar da graça no cinema. Tutin aqui ainda nos honra com uma passagem de cetro das mais inesquecíveis quanto à geração seguinte de grandes damas britânicas da interpretação: o crepúsculo profissional de Dame Helen Mirren num dos seus primeiros papéis na grande tela, inclusive Savage Messiah hoje é muito mais conhecido e lembrado pela cena do belo caminhar desnudo de Mirren em toda sua beleza e glória.
Mas o que mais me intriga neste elenco é Scott Antony, o intérprete do personagem título, feito este grande trabalho como protagonista de um filme cujo diretor era um dos mais respeitados na Inglaterra da época e mais uns dois filmes, Antony simplesmente desapareceu e não há meios de encontrar qualquer informação do que lhe ocorrera.
Se Russell conseguiu seu intento em popularizar a arte? Claro! Se não fosse por ele eu não teria me aprofundado no trabalho de Henri Gaudier-Brzeska, lido a respeito, ido em busca de teóricos sobre sua arte e isso faz todo o sentido.

Agora algumas obras do jovem e selvagem Messias, porque também quero popularizar o erudito, oras. Mas se o interesse for maior, a dica é o livro Savage Messiah de H.S. Ede.

Não é preciso dizer que as imagens são maiores clicando nas respectivas, não?

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