Outras Obras Russell-Lawrenceanas

Mulheres Apaixonadas (Women in Love, 1969) Women in Love (1969) - Oliver Reed, Glenda JacksonSequência literária imediata aos acontecimentos narrados em O Arco-Íris. Com a diferença de 20 anos separando tal filmagem de sua prequel, Russell escolhe Mulheres Apaixonadas para incursionar em seu segundo longa para cinema e sua primeira adaptação de Lawrence para as telas. É uma ótima adaptação, mas a presença masculina é muito mais forte e desenvolvida do que a feminina nesta versão, mesmo Glenda Jackson sendo de absoluto magnetismo e furor ao encarnar Gudrun, enquanto a visão de Ursula dissipou-se na tela por conta de Jennie Linden. Portanto, Jackson teve que alinhavar todo o universo feminino com as próprias mãos, contrapondo-se à maquinaria comandada por Oliver Reed e Alan Bates, dois dos mais intensos, ferozes e enérgicos atores ingleses dos anos 60. Ollie e Bates são os mais profundos exemplares da virilidade lawrenceana, inclusive em seu homoerotismo, elemento este sempre presente na obra do escritor, também sempre envolto com seu panssexualismo, onde o vento e a chuva se entranham ao chamado sexual, não podendo haver dois melhores espécimes masculinos a representar essa totalidade.

O Amante de Lady Chatterley (Lady Chatterley, 1993)Lady Chatterley (1993) - Joely Richardson & Sean BeanAgora sim a dosagem do masculino-feminino está devidamente balanceada. Outrora muso de Derek Jarman, Sean Bean legou o mesmo tipo de virilidade e rudeza necessária, enquanto Joely Richardson deixou transparecer a feminilidade intensa de sua personagem. Pela primeira vez Russell conseguiu um equilíbrio completo, tanto da perspectiva fêmea-macho quanto da própria obra de Lawrence, diria que é a peça mais coesa da relação do cineasta com o escritor e os anos 90 foram bem propícios a isso, não haviam mais barreiras a serem quebradas e o tratamento natural que Lawrence dava à sexualidade pôde finalmente ser transposto para as telas, o que muito me alegra, por ter ocorrido essa falta de afetação justamente com Lady Chatterley, o mais honesto de seus livros.

Nota: Se nos anos 60 Russell precisava quebrar a hipocrisia da sociedade inglesa, o livro era Mulheres Apaixonadas. Se nos anos 80 era preciso quebrar a onda yuppie e materialista que assolava o mundo, o livro era O Arco-Íris. Se nos anos 90 era necessário tratar a emoção e o sexo de forma translúcida e natural, o livro era O Amante de Lady Chatterley. Então, por que Russell pulou os anos 70, se le poderia adaptar livremente A Serpente Emplumada para o seu estilo de cinema naquela década? Estava tudo lá: vasta simbologia religiosa, militares megalômanos, revolução mexicana e grandiosa sexualidade, ou seja, tudo que era exagerado e intenso como fora todo o seu cinema dos anos 70. Falha de todos, Lawrence foi equivocadamente pouco adaptado para as telas, através de perspectivas e digressões se converteria facilmente em alguma imagem insana do Russell setentista.

Publicado por Adriana Scarpin

Bibliófila, ailurófila, cinéfila e anarcafeminista. Really. Podem me encontrar também aqui: https://linktr.ee/adrianascarpin

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