Cem anos de James Mason – Parte 7

72- Madame Bovary (Vincente Minelli, 1949)Madame Bovary - JAMES MASON = GUSTAVE FLAUBERTMason é o próprio Flaubert defendendo sua criatura nos tribunais franceses de sua época. Tenta-se colocar a perspectiva do autor com o próprio narrando as peripécias de sua personagem mais famosa, é uma forma narrativa interessante mas não há quem suporte a protegida do Selznick, Jennifer Jones, encarnando uma das mais fascinantes mulheres da literatura, especialmente sabendo que depois de Isabelle Huppert não existe mais nada. Para piorar, Van Heflin faz as vezes do cornuto, caindo nas mãos exclusivas de Mason e de Louis Jordan a tarefa de dar alguma dignidade dramática ao filme.

73- Don’t Eat the Pictures: Sesame Street at the Metropolitan Museum of Art (Jon Stone, 1983)Don't Eat the Pictures Sesame Street at the Metropolitan Museum of ArtPQP, não tem nem como classificar isso. Vila Sésamo é o cume do que é cool em programas infantis, mas aqui James é um demônio egípcio de cabeça flutuante no melhor estilo Zardoz fingindo ser o Mágico de Oz! Espécie de Uma Noite no Museu versão Garibaldo, esse excelente especial ensina arte e história para crianças, programas como Vila Sésamo e Castelo Rá-Tim-Bum são uma benção em termos de cultura e qualidade, mas aquela cabeça me traumatizou.

74- Eu e Meu Anjo (Forever, Darling, Alexander Hall, 1956)Forever, Darling (1956)You are my woman now. Mason aqui interpreta um anjo da guarda que se parece com… James Mason! Gosto da Lucille Ball, mas os únicos bons momentos presentes neste filme são os partilhados com Mason, especialmente a cena em que ela vai ao cinema e se imagina na África ao lado dele numa espécie de cena-avó de A Rosa Púrpura do Cairo. Bastante instrutivo saber que Lucy adoraria levar uns tabefes de Mason em alguma floresta inóspita enquanto o clama como seu homem.

– Why do you look like James Mason?
– Do I look like James Mason?
– I should say you do!
– So I look like James Mason, do I?

75- Eu, Ela e os Problemas (The Marriage-Go-Round, Walter Lang, 1961) The Marriage-Go-Round (1961) - JULIE NEWMAR & JAMES MASONJulie Newmar é a versão “modelo sueca” de Zé do Caixão e quer os genes perfeitos de Mr Mason para gerar um filho, mas terá que passar por cima da esposa conservadora do seu macho reprodutor. A peça da Broadway no qual o filme é baseado fez a fama de Lady Newmar, cujo papel repete nesta versão, enquanto Mason ficou com o papel que fora de Charles Boyer e Susan Hayward com o de Claudette Colbert. É claro que ver a perfeição física de Julie Newman e o charme de Mr Mason nunca será demais, mas não é um filme que eu recomende com afinco, sobretudo pelo conteúdo moralista, mesmo sendo suficientemente sexy e engraçado.

76- They Met in the Dark (Carl Lamac, 1943)They Met in the Dark (1943)Ah, Mr Mason em tempos de guerra fazendo filme de espionagem! Ah! E cômico! O que afeta o meu discernimento para com os filmes masonianos deste período é justamente a presença de Mr Mason, ele é sempre tão… tão… resplandecente, ficando fácil o ato de se deixar levar por ele e cair na armadilha de que aqueles filmes são bons, mesmo não o sendo realmente. They Met in the Dark é um desses casos, será que é mesmo um filme respeitável ou fui ludibriada por Mr Mason e todos aqueles suspiros intermináveis que o mesmo provoca?

77- Jesus of Nazareth (Franco Zeffirelli, 1977)Jesus of Nazareth (1977) ANNE BANCROFT, JAMES MASON & ROBERT POWELLJesus é um cara foda, é amigo de Laurence Olivier e James Mason, enquanto o Anthony Burgess escreve para ele. Em compensação, Franco Zefirelli é um desses raríssimos cineastas italianos dos anos 60/70 que me irritam profundamente, mas darei um desconto pelo elenco bombástico e pelo fato de Mason ser o dono da cova e do cálice, no mais essa minissérie da RAI é acadêmica, sem graça e absolutamente entediante comparada a outras versões da vida de Cristo. Palmas absolutas para o grande Robert Powell que já fora um judeu crucificado por Ken Russell em Mahler e que aqui está a cara do Graham Chapman em A Vida de Brian. Por que será?

78- A Queda do Império Romano (The Fall of the Roman Empire, Anthony Mann, 1964)The Fall of the Roman Empire - Mason & GuinnessLet us live in peace! Peace! Certamente não sou muito fã de épicos romanos, salvo raras exceções, mas não posso dar um desconto por este trabalho de Anthony Mann, de quem sou assumidamente fã por seus westerns, o filme não tem ritmo, é excessivamente longo e a tríade Boyd-Loren-Plummer está beirando o insuportável em seus respectivos papéis. O que realmente se salva aqui é a fotografia deslumbrante e o alívio que se sente toda vez que James Mason e Sir Alec Guinness entram em cena para salvar o público de cometer suicídio. Se não fosse por Mason e pelo Obi Wan de capuz marrom, este filme nem sequer seria apto a ser lembrado. Brinde: Rome in Madrid.

James knew an awful lot about how to steal movies through the back door and give a performance that only really got noticed when the whole film was put together; so he would emerge with immense distinction having apparently been doing very little on the set. – Christopher Plummer

79- A Viagem dos Condenados (Voyage of the Damned, Stuart Rosenberg, 1976)Voyage of the Damned James MasonVeja que coisa peculiar, Mr Mason presente num filme sobre judeus e nazistas sem interpretar um alemão! Mais peculiar ainda é ser um cubano tanto quanto Orson Welles! Curiosamente este filme é mais interessante do que eu esparava, pois o cinema já está pra lá de saturado com dramas a respeito do sofrimento judaico durante a Segunda Guerra e por mais que existam alguns excelentes filmes sobre o tema, o holocausto foi por demais comercializado e esse excesso de manipulação e oportunismo para com as emoções do público dá no meu saquinho. De novo o elenco mostra a respeitabilidade necessária, além das duas maiores vozes “cubanas” do cinema, ainda há presença de José Ferrer, Faye Dunaway, Max von Sydow, Lee Grant, Malcolm McDowell, Julie Harris, Helmut Griem, Maria Schell, Ben Gazzara, Katharine Ross, Fernando Rey, Jonathan Pryce (em sua estréia nas telonas), entre tantos outros.

80- Os Meninos do Brasil (The Boys From Brazil, Franklin J. Schaffner, 1978)The Boys from Brazil - James Mason & Gregory PeckEste é um filme que pouco me apetece, claro que a teoria da conspiração é deveras interessante, inclusive já alardeando as questões éticas da clonagem, mas Schaffner foi pouco feliz na construção, especialmente se comparado com alguns de seus filmes anteriores e a sobreatuação de Gregory Peck como Mengele é certamente irritante, digamos que Peck nunca foi tão bom em encarnar tipos maníacos e vilanescos quanto o fora em encarnar os bonzinhos. A dignidade do filme fica mais uma vez por conta de Mason (alemão, again!), Laurence Olivier, Uta Hagen e Lili Palmer. O bom mesmo é saber que no Brasil há contrabando até de clones de Hitler.

81- Mayerling (Terence Young, 1968)Mayerling - Omar Sharif, James Mason, Ava GardnerMason e Ava Gardner voltam a formar um casal, ele como Franz Joseph I e ela como Sissi. Filme vagamente interessante sobre o “Incidente Mayerling”, um dos inúmeros eventos na conspiração cujo objetivo era desintegrar o Império Austro-Húngaro, onde o herdeiro do trono vivido por Omar Sharif é assasinado juntamente com sua amante interpretada por Catherine Deneuve, mas que oficialmente fora tido como duplo-suicídio, sabe como é, aquela coisa meio PC farias. É um remake de um filme francês dirigido por Anatole Litvak, a versão de 68 é rica e suntuosa, mas com uma virtual e irritante tentativa de pegar carona com Doutor Jivago, incluindo até o mesmo ator como protagonista. Brinde: Vienna – The Years Remembered (1968).

82- Ivanhoe (Douglas Camfield, 1982)IVANHOE (1982)For the love of God would someone take me away from this madman. Versão para a tv do livro de Sir Walter Scott, mais interessante do que aquela insossa versão com Robert Taylor nos anos 50. Sam Neill está excepcional aqui (e lindo!), ele que fora descoberto e apadrinhado por Mason, o que a gente agradece por toda eternidade.

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One thought on “Cem anos de James Mason – Parte 7

  1. Você esta de parabens. Estou vendo seus posts da era de ouro do cinema americano e me transportando ao passado. Alguns filmes assisti outros, não. Vou anotar e ver se consigo nas locadores.
    Parabéns, novamente, junia

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