Cem anos de Errol Flynn – Parte 3

28- As Irmãs (The Sisters, Anatole Litvak, 1938)Bette Davis & Errol Flynn (The Sisters)Bette Davis e Errol Flynn se odiavam mas souberam muito bem disfarçar o desafeto mútuo em As Irmãs. Todos sabemos da excelência de Bette Davis como atriz, mas ela prova a sua superioridade como mulher pelo simples fato de conseguir o que poucos seres humanos poderiam: sentir desprezo por Errol Flynn. Este filme ainda existe para provar que Flynn era bom ator ao poder demonstrar paixão por Davis.

29- Cidade Sem Lei (San Antonio, David Butler/Robert Florey/Raoul Walsh, 1945)San Antonio - Errol Flynn & Alexis SmithFaroeste cômico na primeira metade, demasiado sério na segunda e bastante equivocado como um tôdo. Flynn continua lindo e irresistível como habitual, mas quem rouba a cena é SZ Sakall com sua clara homenagem a Michael Curtiz, é impossível não gargalhar toda vez que ele abre a boca e nos faz pensar o quanto devia ser um inferno para quem estava ao lado de Curtiz num set de filmagem, já que era impossível entender uma sentença sequer pronunciada por ele. Esse filme é a prova do quanto é necessário saber pequenos detalhes de produção e até da vida pessoal das pessoas envolvidas para se ter maior compreensão do que se vê na tela, sem isso, noventa por cento das piadas passariam desapercebidas.

30- Mansão da Loucura (Cry Wolf, Peter Godfrey, 1947)Cry Wolf (1947) - Barbara Stanwyck, Geraldine Brooks, Errol FlynnE surge alguém páreo para Miss Stanwyck! Babs Stanwyck é a mulher mais sexy do universo e vê-la ao lado de Mr Flynn é uma confluência sem medida de sex appeal, mesmo este sendo um filme menor da carreira de ambos. Menor, mas dotado de qualificações das quais a mais exuberante é a distinção com que Flynn trata sua personagem na pele de um cientista um tanto quanto suspeito, numa atuação até então inusual para sua carreira, carregando na tensão de um soturno filme noir e que lembra o cinema de Val Lewton em certos aspectos, mas que desanda por completo nos horrorosos cinco minutos finais.

31- Demônios do Céu (Dive Bomber, Michael Curtiz, 1941)Dive Bomber (1941)Impressionante, este é o pai de Top Gun, é a sua versão anos 40 sem tirar nem pôr. Mais impressionante ainda é o quanto a teoria do Tarantino em Vem Dormir Comigo cai como uma luva ainda melhor ajustada em Dive Bomber, chega a ser assustador o quanto os homens desprezam e correm das mulheres neste filme, isso porque estamos falando de um filme com Errol Flynn, meu deus! É claro que tudo isso torna o filme mais divertido, mas nada se compara ao fechamento fetichista de tudo que Errol Flynn representa: ele já fora pirata, cowboy, oficial britânico, Robin Hood, piloto, dandy, médico e eis que surge em cena Mr Flynn com um impecável uniforme branco da marinha. Tire o sorriso da cara se for capaz.
E é aqui onde a parceria de Flynn-Curtiz acaba, com os berros de Curtiz e Flynn tentando estrangulá-lo.

32- Kim (Victor Saville, 1950)Kim (1950) Dean Stockwell & Errol FlynnOlha o Flynny ruivão! Impressionante como até com cabelo laranja este homem continua lindo. Eu só quis assistir este filme em virtude das histórias que o Dean Stockwell conta sobre as filmagens. Stockwell foi um privilegiado, aos doze anos tinha aula de educação sexual com Errol Flynn e nada no mundo paga este tipo de coisa. Além do mais o guri foi uma das duas únicas crianças prodígio do cinema que não me dão aflição (o outro é o Roddy McDowall) e este filme bacana é todo dele, pontos extras para Stockwell pela seguinte observação sobre Flynn: I’m not saying I’d recommend him for the rest of society. It just so happened that at that time of my life – I was twelve or something – he was what he was: a truly profound, nonsuperficial sex symbol. He was the fucking male.

33- Don’t Bet on Blondes (Robert Florey, 1935) Don't Bet on Blondes (1935) Errol Flynn & Claire DoddMais uma dessas divertidas pequenas comédias protagonizadas por Warren William (ator e inventor do cortador de grama elétrico!), onde este tira Mr Flynn para fora do jogo na conquista por Claire Dodd de forma um tanto quanto desonesta.

34- Caminhando nas Sombras (Footsteps in the Dark, Lloyd Bacon, 1941)Footsteps in the Dark (1941) Errol FlynnOutro dos inúmeros atentados de plágio ao Thin Man williampowelliano, mas é um filme decente, além disso era 1941 e nessa época Flynny era o imperador do universo e não havia súdita que reclamasse, o homem tinha verdadeiro dom para comédia e se lhe tivessem dado papéis decentes poderia ter se tornado a versão despirocada do Cary Grant.

35- Contra Todas as Bandeiras (Against All Flags, George Sherman, 1952)Against All Flags (1952) Errol Flynn & Maureen O'HaraMelhor que Errol Flynn em technicolor, só Maureen O’Hara. Nada paga o prazer de ver a cena onde Flynn ensina Maureen a se comportar como mulher, ela dizia que era uma beleza gravar com ele pela manhã e durante este período Errol se mantinha altamente profissional, mas com o decorrer da tarde ele ia ficando mais bêbado e ficava impossível gravar qualquer coisa. O que é uma tristeza pois formavam um belo casal nas telas, Errol com seu habitual ar de filho da puta e Maureen com o não menos habitual ar de fogo nas ventas.

36- A Estrada de Santa Fé (Santa Fe Trail, Michael Curtiz, 1940)Olivia de Havilland, Errol Flynn, Ronald Reagan (Santa Fe Trail)Conta a historinha e alguns fatos que levaram os EUA à Guerra da Secessão. Flynn faz par pela enésima vez com Havilland e aquele presidente estranho dos anos 80 interpreta o jovem General Custer!

37- Graças à Minha Boa Estrela (Thank Your Lucky Stars, David Butler, 1943) Thank Your Lucky StarsEis que Mr Flynn se apresenta com um bigode digno de respeito! Um daqueles filmes-show rotineiros em tempos da segunda guerra feitos para venda de bônus e pelos quais tenho pouco apreço e paciência. Mas quem se importa? Tem Errol Flynn lindo cantando e dançando num boteco, oras.

38- E Agora Brilha o Sol (The Sun Also Rises, Henry King, 1957)The Sun Also Rises (1957)Deprimente, deveras deprimente. Deprimente porque faz um paralelo entre a geração perdida dos anos 20 com a geração perdida da Golden Age Hollywoodiana, da qual Flynn, Ava Gardner e Tyrone Power foram exemplos máximos. Faz um tempo danado que vi este, mas lembro que o próprio Flynn tinha sua cota natural de personagem hemingwana, tornando as coisas ainda mais próximas entre a ficção e realidade, tal qual Ava Gardner era a versão feminina do próprio Flynn em Hollywood, mas com menos álcool no sangue, embora igualmente parecendo ter saído de um livro do Hemingway. Não é um filme que eu muito aprecie, entra na categoria pé-no-saquinho, mas a aura de último suspiro pairando sob Tyrone e Flynn é demasiado melancólica para ser desprezada, Tyrone morreria no ano seguinte e Flynn dois anos depois.

39- Quero-te Junto a Mim (Escape Me Never, Peter Godfrey/LeRoy Prinz, 1947)Errol Flynn & Ida Lupino (Escape Me Never)Não é só o título nacional que é ultra-brega, o melodrama romântico em si também. Tudo bem que Flynny e Ida Lupino tenham uma grande química e a trilha sonora fique por conta de Korngold (o “compositor pessoal” de Flynn), mas todo o resto é brega demais até para o meu gosto duvidoso. Vale lembrar que a magnânima toda poderosa Ida Lupino foi uma das pessoas que mais apoiaram Flynn publicamente durante o julgamento de estupro estatutário em 1943 – mulher fodona desde sempre.

40- Il maestro di Don Giovanni (Milton Krims/Vittorio Vassarotti, 1954)Errol Flynn and Gina Lollobrigida in Crossed Swords (1954)Não tem jeito, de alguma forma o povo sempre vai parar na Itália em algum momento da vida. Aqui Flynn praticamente reprisa seu papel de Don Juan, trocando o ambiente espanhol pelo italiano.

41- King’s Rhapsody (Herbert Wilcox, 1955)King's Rhapsody (1955) Errol Flynn & Patrice WymoreEm mais uma incursão ao cinema do duo Herbert Wilcox-Anna Neagle, Flynn volta ser ajudado por eles numa fase terrível de sua vida. Wilcox-Neagle faziam um sucesso estrondoso na Inglaterra, tanto nas telas quanto nos palcos, embora para o resto do mundo eles continuem levemente desconhecidos. Dame Anna Neagle era uma espécie de Ginger Rogers inglesa, o que faz deste filme um musical, mas infelizmente não tão bom quanto gostaríamos.

*Da série: Este post foi programado, eu não estou aqui!

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