O gato…

To Catch a Thief - GATOTo Catch a Thief - CAT… de o Gato…To Catch a Thief - CARY GRANTTo Catch a Thief - GRACE KELY & CARY GRANT

*Ladrão de Casaca (To Catch a Thief, Alfred Hitchcock, 1955)

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4 thoughts on “O gato…

  1. O Gato

    “Sabe aquelas crianças que adoram fazer maldades com bichos, tipo: estripar gatos, apedrejar cães, matar passarinhos…

    Meu irmão era uma delas, eu não.

    Uma vez vi um gato preto agonizando em plena rua com algumas crianças em volta. Tinham batido e apedrejado o gato, estava morrendo, vi uma pedra grande e falei – “Por favor, matem esse gato, acabem logo com isso” – então deram o golpe fatal, mas o golpe não tinha sido fatal e ele não morreu.

    Fui acusado por minha mãe de ser um dos responsáveis por tal maldade, apontado como uma daquelas “crianças-monstros” e obviamente fiquei magoado com aquilo. Mas outra coisa me incomodava mais do que aquela acusação, algo me deixava pesado, havia uma culpa, uma culpa.

    Uma vizinha, famosa por adotar bichos de ruas e doentes, viu o que acontecera e cuidou do gato. Fiquei sabendo e de maneira discreta tentei ajudá-la. Peguei meu dinheirinho, juntado de mesadas, e comprei alguns remédios. Todo dia passava na casa dela para saber se o gato estava bem. Os ferimentos eram muito graves, de verdade, mas aos poucos ele melhorava.

    Uma semana depois do ocorrido fui à casa de minha vizinha saber do gato preto. Ela me fitou os olhos e disse com um rosto de condescendência que ela (o gato era fêmea) tinha acabado de morrer em seus braços. Chorei copiosamente em sua frente, ela me afagou e disse que tudo bem, que a gata já tinha me perdoado.

    Saí em silêncio e fui pra casa, do outro lado da rua.

    E naquela noite chorei em minha cama, sobre meu travesseiro, sozinho, chorei feito criança que era. Nunca esqueci disso, nunca disse isso a ninguém.

    É… acho que agora já sabem… e naquele momento percebi que podemos todos nos tornar “crianças-monstros”, por uma fração de segundos, por uma decisão errada, uma escolha mal feita.

    Nunca esqueci e, ainda hoje, peço perdão àquela gatinha negra”.

    Texto postado no PSQC.

    http://palavrassobrequalquercoisa.blogspot.com/search?q=o+gato

    Besos.

    • Cara, texto grandioso. Não tem nada mais doloroso ver as criaturinhas que mais se ama morrendo na sua frente, ou sendo maltratadas ou atropeladas.
      Quando criança já me vi no meio de uma turma de “crianças-monstros” só que berrando, chorando e salvando um gato. Tive várias e bastante traumáticas experiências relacionadas à visualização de maus tratos com animais, a pior delas foi com o meu “pai-monstro” e que está relacionada diretamente ao meu vegetarianismo (que é por nojo mesmo), à minha obsessão por gatos e à problemática compulsão de levar todo gato de rua para casa, nem que seja para arrumar alguém que o adote.

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