Visconti, Berger & Proust

Helmut Berger, Luchino Visconti - 1969Visconti planned for several of his cult actors for both lead and supporting roles: Silvana Mangano was to play the elegant and witty Duchesse de Guermantes, Alain Delon or Dustin Hoffman the Narrator-Protagonist Marcel, and Helmut Berger Baron Charlus’s homossexual protégé Charlie Morel. For Charlus himself, Laurence Olivier and Marlon Brando were in the running (Visconti himself favoured Brando, but was told by Paramount that american actor was in decline and unfit for a project of this scale and prestige). Simone Signoret or Annie Girardot were to incarnate the malicious Mme Verdurin, Marie Bell the actress La Berma, and Dirk Bogarde, Visconti’s star from Morte a Venezia, the jewish Charles Swann. Brigitte Bardot, who had personally requested a role in the movie, was to be his wife, the former courtesan Odette de Crecy. There were even rumours that Greta Garbo, who have retired from the public life decades ago, would make a comeback as the Queen of Naples who, in one brief but stunning appearence from La Prisonnière, comes to the rescue of her humiliated cousin Charlus. Finally, Albertine, Marcel’s enigmatic mistress, was to be played by Charlotte Rampling, who had worked with Visconti in La Caduta Degli Dei, or by an unprofessional young actress yet to be identified.
With its lenght of almost four hours, a monumental cast with hundreds of extras, and locations whose splendour was to surpass even that of earlier Visconti movies like Il Gattopardo and Morte a Venezia, A la Recherche du Temps Perdu promised to be sumptuous, but also very expensive for the time. The financing of such an ambitious, aninhibitedly elitist and uncommercial movie, unsurprisingly, was causing considerable problems. When the final budget turned out to be an astronomical five billion lire, the producer had to ask Visconti to postpone shooting for four months to seek further sponsorship. Infuriated by the delay and pushed by his new protégé and favourite Helmut Berger, Visconti decided to start work on his monumental Ludwig, with Berger in the role of the Bavarian fairy king, and to return to the Recherche after this cinematic intermezzo. Conviced that he had let her down, and infuriated in turn, the producer initiated a law suit against Visconti and began looking for other potencial directors. Time was pressing: her film rights, initially bought for nine and half years, would expire in only few years’ time whilst, at the same time, the 100th anniversary of Proust’s birth in 1971, when she had initially intended to lauch the Proust movie, was getting further and further out of sight. In july of 1972, after finishing the last scenes for Ludwig, Visconti suffered a stroke which left him paralysed on one side. Henceforth, any resumption of the Proust project became inconceivable in the foreseeable future. Visconti’s own ominous prophecy that A la Recherche du Temps Perdu would his last film became true: the Proust project is the director’s unfinished testament.

*Proust at the Movies – Martine Beugnet/Marion Schmid, 2004

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8 thoughts on “Visconti, Berger & Proust

    • Tive também uma reação de espanto. Não consigo ver o Hoffman como alter-ego do Proust ou o Brando como o Charlus, este que é o meu favorito do livro, acho que ambos não possuem um ar que só os atores europeus conseguiriam passar a personagens proustianos, Olivier ou Bogarde nasceram para isso e seriam perfeitos como Charlus e Alain Delon ficaria muito mais convincente como Marcel, Delon mesmo já interpretou o Barão de Charlus na versão daquele alemão cujo nome não sei soletrar e ficou magnífico. A única excessão que abro é para o Malkovich encarnando o Charlus na versão do Ruiz, Malkovich é americano mas mora na França e passou um grande parte da sua vida na Europa e conseguiu assimilar aquele aroma de velho mundo à sua personalidade.

      Nota: Por falar em Malkovich e Ruiz, ambos estão preparando uma cinebio de Sacher Masoch. MORRI.

  1. Lendo a tua justificativa (que cabe sim) me lembrei de uma hístória que contam do Hoffman, especialmente nas filmagens de Marathon Man, que ele fazia exatamente tudo o que o personagem dele fazia no roteiro, somente para se preparar. Áí alguém chegou pra ele e perguntou “Por que você não atua?”. Nunca soube de uma réplica a essa provocação, mas imagina aí como seria a preparação vida real do Dustin pra esse papel? Só um documentário sobre como ele tentou encarnar O personagem do Proust já seria validão assim.

    • Adoro o Hoffman, mas imaginá-lo como Marcel é o mesmo que imaginar o McQueen fazendo Macbeth. Mas provavelmente essa minha picuinha se deve à minha relação doentia com Proust, já que numa situação mortal onde eu tivesse de escolher salvar todos os filmes já produzidos no mundo e os volumes do Tempo Perdido, não pensaria duas vezes em causar a extinção completa do cinema mundial e olha que deve ser óbvio o quanto eu gosto de cinema.
      A minha alegria seria se algum maluco tivesse feito um filme experimetal onde Dirk Bogarde interpretasse todas as personagens proustianas – incluso as mulheres – o homem é a encarnação perfeita de tudo que Proust escreveu.

  2. Deve ser por isso que o Bogarde esteve tão perfeito em Morte em Veneza, filme que deve ser o maior choque estético que tive na vida.
    Adaptar Em Busca do Tempo Perdido inteiro seria uma empreitada monumental, e não é fácil saber se Visconti se sairia tão bem, só que naqueles anos de 69-76 ele estava no auge, a obra dele de Os Deuses Malditos até O Inocente é uma verdadeira loucura de tão bom que são os seus filmes nesse período. Será uma eterna incógnita esse filme que nunca existiu, e contam também que o Joseph Losey planejava uma outra adaptação do Proust nessa mesma época, o que fez com que o projeto de um atrapalhasse o do outro.

    • Eu vim postar justamente sobre o Losey. Na verdade não eram projetos paralelos, mas a mesma produção que mudou de mãos, nesse livro cujo trecho postei tem toda a história detalhada, assim como o que seria a visão de cada diretor, Visconti começou com tudo e estava avançadíssimo na pré produção com relação a roteiro, locações, etc… mas como a coisa estava muito cara, a produtora resolveu adiar o início das filmagens em 4 meses, daí o Visconti ficou fulo e foi fazer Ludwig. Aqui quem chegou para socorrer foi o eterno rival de Visconti, o tal do Losey trazendo junto o roteiro do Pinter, roteiro este que literalmente me fez chorar quando o li, tamanha obra de arte. Mas enfim, eu daria o meu braço direito para ver ambas as versões, cada qual foi concebida como obra mestra, mas acabaram abortadas por essas bobagens da vida…

  3. Quem falou aquilo pro Dustin Hoffman foi o Olivier. Eu acho meio chato quando romantizam determinados métodos de atuação, já que o que importa é o que tá na tela, e aí tanto faz seguir o método do Olivier ou o do Dustin Hoffman, desde que seja bom – e os atores do Bresson também são excelentes, já que funcionam perfeitamente nos filmes dele.

    Sobre esses projetos inacabados, é legal ver como alguns são quase uma condensação das preocupações e interesses dos diretores. Aliás, já deve ter algum documentário sobre isso, não? Em busca dos filmes perdidos dos diretores, o Napoleão do Kubrick, o Jesus do Dreyer, o Nostromo do David Lean, o Coração das Trevas do Welles, o Duna do Jodorowsky, o Em Busca… do Losey e Visconti, etc. Alguns desses até influenciaram ou “renderam” outros filmes (Duna-Alien, Napoleão-Barry Lyndon), o que ajuda na hora de imaginar como seriam os projetos originais.

    • os atores do Bresson também são excelentes, já que funcionam perfeitamente nos filmes dele é exatamente isso onde eu queria chegar! No lance do funcionamento de determinado filme-personagem, é exatamante por isso que fico puta quando ouço alguém dizendo que o Errol Flynn era um ator ruim quando ele era examente o que o Walsh precisava. Quanto ao Hoffman, de quem sou verdadeiramente fã, como ele nunca trabalhou com o Visconti não posso dizer se ele era ou não um tipo de ator que Visconti poderia moldar a seus propósitos, mas quanto ao Proust ele não era, pelo menos não ao meus olhos, como já disse isso é coisa pessoal minha e espero que ninguém queira discutir o porquê gosto mais de Chardonnay do que de Pinot.

      Se você souber de algum documentário a respeito que englobe tudo isso, me informe, por favor!

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