Momento Fassbender

Michael Fassbender
Muso do ano, é claro. Mesmo faltando dois meses para acabar.

Esta cena passada no bar La Louisiane, é como ‘Cães de Aluguel’, mas com Nazis e Alemães. A cena tem 23 minutos, toda passada num pequeno bar. La Louisiane foi muuuito importante. Considero como uma das cenas mais importantes de todos os meus filmes. Sempre disse que se fizessemos La Louisiane, todo o resto pareceria mais fácil. – Quentin Tarantino

Meu amor pelo cinema está escasso, quase extinto, minha vontade de manter um blog sobre cultura pop/cinema é nula, mas a lembrança da cena do La Louisiane me fez em estado de graça durante toda a última semana, trazendo um pouco de esperança para esse meu amor tão desgastado e maltratado. Agora tenho que me explicar do porquê Michael Fassbender ser o muso do ano. Não, eu não tenho que me explicar, mas quero. Gostosopacaraleo eu já sabia que era (vide 300), talentoso também (vide Angel e Hunger), então por que a sua presença em Inglourious Basterds caiu feito uma bomba atômica destruindo tudo perante os meus olhos?
É evidente o quanto admiro a classe européia dos anos 30 e 40, o estilo dos atores, a empostação de voz e a forma com que se movimentam em cena, sobretudo os nascidos na grande ilha. Ver Michael Fassbender na cena da taverna é o mesmo que ressucitar Laurence Olivier, James Mason, Cary Grant (de onde saiu o nome Archie), David Niven, George Sanders (russo, mas a maior inflência), Walter Pidgeon (canadense, com semelhança assustadora), Errol Flynn (australiano, mas facilmente irlandês), naquele momento eu posso ver todos esses atores surgindo deste homem e isso teve um impacto tão fulminante quanto o próprio fim do mundo teria, quando mais tarde saí do cinema o que surgia era o pensamento recorrente de “quero uma prequel de Archie Hickox”. Outra coisa que gerou esse impacto, foi o fato de Hunger ter sido a última coisa vista com ele antes dos Basterds e a diferença abismal entre ambos, Hunger me agrada em sua hora inicial, mas que me irrita na meia hora final, logo após o famoso “plano de 20 minutos” (que muito me apetece, por sinal) tanto o trabalho de Fassbender quanto o objetivo de Steve McQueen (!!!) possuem pouco da minha simpatia, especialmente porque Christian Bale já tirara tudo desse estilo de “interpretação extrema” no início da presente década.
Não que eu ache que Fassbender tenha sido melhor que os seus outros colegas de elenco no Basterds, mas o seu estilo é o que se adequa perfeitamente ao meu paladar e negar isso é o mesmo que ser forçada a comer strudel com creme, quando a inclusão do chantilly estragaria todo o meu prazer de saborear devidamente tal iguaria, ou seja, seria um estupro, um estupro psicológico, intelectual ou alegórico, mas ainda um estupro. Os demais atores acabam por englobar toda a história do cinema restante, Brad Pitt parece saído dos anos 50 (Dean, Brando, Clift), Til Schweiger dos anos 60 (Bronson, Eastwood), Eli Roth dos anos 70 e 80 (Pacino, De Niro), mas o único que parece ter uma aura realmente contemporânea é o senhor Christoph (salve! salve!) Waltz, o que pode explicar o hype em torno dele, essa aura de honestidade e originalidade em meio a tantas releituras e pós-modernismo.
Existe muito mais a ser dito sobre Archie Hickox (especialmente quanto ao fato dele ser crítico de cinema) e a cena do La Louisiana, mas aí o vôo alcançaria o filme como um tôdo quanto ao trabalho do Tarantino, coisa que não é minha intenção, ao menos não da minha maneira porca, já que o filme do homem conquistou o direito de que sejam escritos livros exclusivos sobre o mesmo, tamanha a quantidade de minúcias, referências e leituras postas à prova.Inglourious Basterds - La LouisianeNota 1: Agora vamos ao momento fofoca, mas que se for verdade afeta diretamente meus sonhos ilusórios de prequel com presença do senhor Archie Leech Douglas Hickox. Diz-se à boca pequena que o produtor-irmão de Tarantino, Lawrence Bender, estava num jogo de picuinha e vingança contra Fassbender, por este ter dado uns “pegas” na sua ex-mulher e que fez de um tudo para enterrar a carreira do meu atual irlandês favorito. Pode ser apenas fofoca saída sabe-deus-de-onde, mas algumas coisas dessa história fazem sentido, especialmente quanto à divulgação do filme, ou ninguém mais achou estranho o fato de Fassbender ser o único ator evidente do filme a não ganhar um teaser-poster? Inclusive vi a foto para o teaser-poster com ele de uniforme do commandos e bigodinho, mas o trabalho final não chegou às vias de fato. Viu que beleza? Além de encarnar um estilo anos 40 de atuação, até as picuinhas de produtor-ator dos bons tempos o moço tem a façanha de reviver.

Nota 2: Por enquanto vi o filme apenas uma vez, coisa que  consertarei com o tempo, mas espero ansiosamente o lançamento em DVD, não só porque haverá versão estendida (o que poderá sanar o meu desconforto para com a forma que o filme foi montado), mas porque poderei tirar screencaps do gato. Isso mesmo, finalmente há um gato num filme do Tarantino, o que é bem estranho para alguém que gosta tanto de cinema italiano. O que foi aquilo? Homenagem à França de Jean Vigo? Menção à elurofobia de Hitler? Ou um gato sendo quase atropelado, pura e simplesmente?

Publicado por Adriana Scarpin

Bibliófila, ailurófila, cinéfila e anarcafeminista. Really. Podem me encontrar também aqui: https://linktr.ee/adrianascarpin

Um comentário em “Momento Fassbender

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: