Alive in Joburg (2005)

Quando certa manhã Wikus Van De Merwe acordou de sonhos intranqüilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num camarão monstruoso.

Devo confessar. De todos os filmes que vi no cinema este ano, acho que Distrito 9 foi o que mais me impressionou. Qualquer outro filme que utilizasse aquele aspecto semi-documental com câmeras tremilicantes misturado esquizofrenicamente a uma narrativa clássica provavelmente iria me irritar deveras – e o filme é mesmo um mockumentário, ou melhor um pseudo-mockumentário, a narrativa dele é o fake do fake, ela própria se anula, mas putz, este é o melhor filme de ficção científica de ação desde os anos 80, é como se estivessemos vendo nascer um Terminator da vida, mesmo que o tal Neill Blomkamp esteja anos luz do talento que James Cameron já esbanjava na época. O que me impressiona aqui de verdade não são os meios, mas sim os seus fins, muito se evidencia o aspecto político da coisa citando com veemencia o apartheid sul-africano – o que é mais do que óbvio, mas me assusta a pouca relação que se dá a tudo isso com Franz Kafka, quando passei 90% do filme com a literatura do homem a não sair da cabeça – especialmente quanto as relações com A Metamorfose, A Colônia Penal, O Castelo e O Processo.

Quando fui assistir estava totalmente no escuro do que tratava e saí com um “ducaralho!” iluminando minha testa.
Ah, sim, Sharlto Copley me impressionou deveras.

Publicado por Adriana Scarpin

Bibliófila, ailurófila, cinéfila e anarcafeminista. Really. Podem me encontrar também aqui: https://linktr.ee/adrianascarpin

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