Jennifer Jones (1919 – 2009)

Devo mencionar que eu não gostava dela, muitas vezes em cena ela chegava a me causar real desconforto, fazendo crer que o único motivo pelo qual ela conseguia papéis em alguns excelentes filmes que por pouco não conseguia estragar era por conta do todo poderoso seu marido, David O. Selznick – e este, minha gente, era o todo-poderoso mesmo. Uma prova disso é que sua carreira se estinguiu após a morte dele, além do fato que com o esvair-se da beleza da juventude, na velhice ela pouco estava amparada pelo talento de algumas de suas contemporâneas que trabalharam até o fim da vida – muito embora aparentemente a causa do seu problema era os papéis mais dramáticos em que ela sempre levava para uma sobreatuação melodramática irritante, quando a atuação era mais leve Miss Jones se saía muito bem. Ela trabalhou com William Dieterle, Anthony Mann, Henry King, John Huston, Vincente Minnelli, Powell & Pressburger, Vittorio De Sica, William Wyler, King Vidor, Henry Koster, em sua maioria em grandes filmes, mas o único momento em que ela realmente me fez feliz por sua existência foi sob as mãos do Ernst Lubitsch em O Pecado de Cluny Brown (1946), mais especificamente na cena do pilequinho em que ela começa a miar – aquele close-up seria o ápice da carreira de qualquer atriz do mundo e fazer isso diante do homem que inspirou Pepe Le Gambá torna a coisa ainda mais relevante.

Publicado por Adriana Scarpin

Bibliófila, ailurófila, cinéfila e anarcafeminista. Really. Podem me encontrar também aqui: https://linktr.ee/adrianascarpin

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