Mad Men

Terminei agora de ver a terceira temporada de Mad Men, todas as outras temporadas foram geniais assim ou só agora me bateu a visualização da genialidade do seriado? O fato é que segundo as temporadas anteriores o considerava uma das melhores séries que pude acompanhar desde sempre, mas nesso terceiro ano a série adquiriu a grandiosidade do que há de melhor num Douglas Sirk ou Nicholas Ray.
Essa galera por trás de Mad Men realmente sabe escrever e filmar como os grandes mestres sem parecer excessivamente reverente e referente, enquanto os dois primeiros anos me remetiam ao Elia Kazan, essa última temporada foi tão indissociável ao Douglas Sirk que a cada episódio ficava abobada de como ninguém consegue fazer esse tipo de coisa para a tela grande hoje – por que a preferência por dramas vagabundos e manipuladores se há talentos suficientes para entregarem algo assim através da televisão? A mesma coisa com relação a ficção científica e Lost, todos os grandes filmes de ficção científica e fantasia que vi nos últimos anos eram de outros países que não os EUA. Chega a ser absurdo ver algo de tamanha excelência na televisão americana, comparado ao que acontece ao cinema daquele mesmo país a trupe por trás de Mad Men só é rivalizável em termos dramáticos com Todd Haynes, quando este pobre consegue tirar da cartola uma obra prima cinematográfica a cada 5 anos.
A terceira temporada deu ainda um presente maior – britânicos! britânicos! Incluindo alí até o filho de Richard Harris em pessoa! Mais peculiar que isso só a season finale, em nenhuma das temporadas anteriores o final ficou todo em aberto, as situações fazem com que a próxima temporada seja totalmente imprevisível – e ainda não sei se gostei disso, é empolgante sim, mas não sei até que ponto esse tipo de suspense é digerível em séries dramáticas, oras bolas, quero ver o seriado porque é bom e não porque estou sendo vulgarmente manipulada.Nota: Aparentemente até Todd Haynes está se escondendo na TV, dessa vez é uma minisserie para a HBO sobre a Mildred Pearce (drama dos anos 40 com uma das mais fascinantes presenças em cena de dona Joan Crawford) com a Kate Winslet no papel da mesma. Não é preciso pensar muito para saber que isso vai ser GRANDE.

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6 thoughts on “Mad Men

  1. compartilho da tua opinião, é um privilégio ser contemporâneo de coisas como lost e mad men, e pelo que andei lendo a idéia é fazer uma saga de dez anos acompanhando todos os anos 60. gostei de como a personagem da filha do Don cresceu nessa temporada; além do Don continuar aprontando das suas; a Joan também está cada vez melhor, sua situação, agora enterrada num casamento de merda, que ela achava ser a sua salvação. teve um episodio em que toda uma musica do dylan no final, com o don e os filhos no colo, é de cortar o coração, praticamente todo episódio teve um momento decisivo. agora ésperar até quando? setembro?

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    • A Joan é absolutamente a mulher perfeita, em termos de personalidade mesmo, vem a calhar que a Christina Hendricks é também a mulher mais bonita que apareceu no showbizz na última década. Provavelmente o marido da Joan irá morrer no Vietnã, aí sim eu gostaria que o Don casasse com ela, sabe como é, o Don é ultra foda e gosta de se relacionar com mulheres igualmente ultra-foda, mas para casar e assumir uma posição dentro da sociedade ele gosta mesmo de bibelôs, mas quem sabe depois do fracasso do casamento, ele não cresça e resolva assumir que o que o satisfaz são mulheres fodonas.

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  2. O legal do Don é a imprevisibilidade, ele parecia gostar da Betty, mas ao mesmo tempo trata ela como um troféu q ele mostra nas festas. aquele casal perfeito nas aparências, ao mesmo tempo em que ele parece ser capaz de se apaixonar perdidamente por mulheres fortes, como a professora nessa temporada. O Roger ter largado a esposa pra ficar com uma secretária muito mais jovem que ele, depois de tudo que Joan teve com ele, deve ter doido nela; mas é uma escolha interessante, cheguei a pensar que Joan teria algo com o Paul, prq claramente ele gosta dela. acho que a peggy representa ali o feminismo, a liberação sexual, a mulher lutando pelo seu espaço no mercado de trabalho, etc

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    • Ah, mas eu estou achando aquilo do Roger com a secretária tão bunitinho! hehehe Especialmente porque ele tem sido fiel. Mas rola uma coisa bacana naquele casamento, que é o fato dele ter acontecido principalmente porque o Roger cansou daquela coisa de “moral e bons costumes”. O lance do Don com a Betty é como se ela fosse um porto-seguro, alguém confiável que sempre estaria alí, agora não sei mais quem vai segurar os surtos existenciais dele.
      Ah, espero que o Paul continue! Ele era uma mistura bizarra de Jack Kerouac com Orson Welles! Adoro ele.

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