24 Frames: One of Our Aircraft Is Missing (1942)

Michael Powell dirigindo, Emeric Pressburger como roteirista, David Lean na edição, Ronald Neame fazendo a fotografia, David Rawnsley na direção de arte, estréia de Peter Ustinov no cinema, Robert Helpmann usando um triângulo na lapela? Ah, vá – nada disso tem importância alguma.
O cinema propagandista inglês na segunda guerra é infinitamente superior ao que acontecia nos EUA que, no fundo, era muito brega – quase tão brega quanto o cinema propagandista nazista – claro que existem excessões na Hollywood dos Walshs, Langs e Lubitschs da vida, mas se comparadas as produções americanas às inglesas, o patriotismo e a “edificância” dos americanos é vergonhosamente sentimentalóide e manipuladora, enquanto os filmes de guerra ingleses são revestidos de uma fleuma deliciosamente arrepiante. Ninguém labutou mais durante o período neste tipo de filme do que Michael Powell, este que acabou tendo muita influência no cinema do Walsh no gênero – Paralelo 49 e E Um dos Nossos Aviões Não Regressou influenciaram o seu Fugitivos do Inferno.

Publicado por Adriana Scarpin

Bibliófila, ailurófila, cinéfila e anarcafeminista. Really. Podem me encontrar também aqui: https://linktr.ee/adrianascarpin

4 comentários em “24 Frames: One of Our Aircraft Is Missing (1942)

  1. Esse filme é sensacional ou você que só fez escolhas sensacionais na hora de pegar os frames? De qualquer forma acho que vale a pena baixar.

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    1. Acho que o filme é sensacional mesmo, habitualmente é uma tortura escolher só 24 imagens num filme dos arqueiros. E é um desses filmes que vão crescendo dentro de você e esse negócio de ficar analisando frames ajuda bastante a ver com mais clareza. Uma das coisas que mais gosto desse filme é o fato dos nazis sempre estarem na penumbra ou em planos gerais, nunca podendo ver com clareza seus rostos, sempre como uma sombra que nunca poderá chegar à totalidade de um ser humano – a exceção fica por conta de um rapidíssimo primeiro plano onde um Fritz de monóculo é perfeitamente visualizado, mas aí tudo bem, porque todo mundo ama um Fritz de monóculo. Lá pelo final tem outros nazis perfeitamente visualizáveis, mas como eles não usam uniforme não são necessariamente a visualização do que o nazismo representa.
      Outra coisa que adoro no filme é a falta de trilha sonora – excetuando música ambiente impressindível para a cena como gramafones e coral na igreja. Tem que ter muito culhão para fazer um filme sem trilha sonora (como o Hitch fazendo um filme de horror com Os Pássaros!), principalmente se este for uma propaganda de guerra e aí está o maior brilhantismo da coisa, trilha sonora é essencial para atingir as pessoas pela emoção, coisa que P/P querem passar longe, eles dão os fatos de forma seca e direta: É essa a situação em que a Europa se encontra – você concorda com ela ou você vai lutar? Sem pieguice, sem manipulação emocional, só puro brilhantismo, o sentimento está todo alí, mas sem a manipulação brega.

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