24 Frames: Forbidden Planet (1956)

– O que é o «Id» ?
– ld ! ld ! ld ! Id ! Id ! É um termo obsoleto. Em tempos usado para descrever, se bem me lembro, as bases elementares da mente subconsciente.
– Os monstros do Id. Os monstros do subconsciente. A grande máquina de 32.000 km tinha potência suficiente para toda uma população de gênios criadores operada por controle remoto e comandada pelos impulsos eletromagnéticos dos cérebros dos Krell. Em troca, a máquina deveria instantaneamente projetar matéria sólida em qualquer parte do planeta e em qualquer forma ou cor que eles imaginassem. Criação por mero pensamento. Como você, os Krell esqueceram-se de um perigo mortal: o seu ódio e luxúria subconscientes pela destruição.
– O Monstro! O irracional primitivo. Mesmo os Krell devem ter evoluído desse início.
– E assim esses monstros irracionais do subconsciente ganharam acesso a uma máquina que nunca poderá ser desligada. Os demônios secretos de cada alma no planeta todos libertados em simultâneo para pilhar e mutilar e vingar-se e matar! Após um milhão de anos de sanidade luminosa eles mal puderam compreender que poder os estava destruindo.
– Tudo muito convincente, excepto uma falha óbvia. O último Krell morreu há 2000 séculos mas hoje, como todos sabemos, há ainda um monstro à solta neste planeta.
– A sua mente recusa-se a enfrentar uma conclusão.
– Que quer dizer?
– Continua a recusar enfrentar a verdade.
– Que verdade ?
– Morbius, aquela coisa, lá fora… É você.
– Está louco!
– O que você sabe aqui, o seu gêmeo lá fora no túnel também sabe.
– Eu não sou um monstro, seu…
– Há 20 anos, quando os seus amigos votaram para regressar à Terra você enviou o seu Id secreto para os assassinar! Nunca compreendeu isso, exceto, talvez, nos seus sonhos.
– Que homem pode lembrar-se dos seu próprios sonhos?
– Ao menos, quando a nossa nave se aproximava no Espaço, lembrou-se o bastante para nos avisar. Mas então, quando pensou que estavamos ameaçando o seu pequeno império ego-maníaco, o seu subconsciente enviou o seu monstro Id de novo! Mais mortes, Morbius. Mais assassinatos!
– Será isto verdade? Fazer mal à minha própria filha?
– Agora, ela está o desafiando, Morbius, e mesmo em você, o Pai carinhoso, existe ainda o primitivo irracional, mais enraivecido e mais inflamado a cada nova frustração. E agora assoviou ao seu monstro, mais uma vez, para puni-la pela sua deslealdade e desobediência!
Parece bobo todo esse papinho psicanalítico no meio do espaço durante uma cena de ação no clímax do filme, mas funciona bem, embora eu goste mesmo é da cena do tigre e aquele ramo de ouro sempre presente. Curiosamente percebi só agora que o roteirista deste filme é o mesmo do Bigger Than Life do Nicholas Ray, datado do mesmo ano, o que é curioso nisso é o fato deles serem filmes-irmãos (na mesma proporção que 2001 e O Iluminado o eram), embora adotados por famílias distintas, eles possuem os mesmos genes. Isso tudo me deu tremenda vontade de conhecer mais sobre o trabalho de Cyril Hume (não estou de sacanagem com essa história de monstros de id e correntes eletromagnéticas), que além de roteirista também era novelista, foi ele quem lidou com a roteirização e desenvolvimento daqueles primeiros Tarzans do cinema falado e alguns outros com ambientações na selva (o que acaba fazendo uma ponte com aquela cena do tigre de Forbidden Planet que tanto gosto) e ficou famoso em Hollywood justamente por lidar mais abertamente com a sexualidade nos diálogos e situações apresentadas em seus roteiros e histórias. Outra coisa que Hume pôs a mão e que muito me interessou foi uma adaptação de um livro do Schnitzler, Daybreak (Jacques Feyder, 1931), no qual só não coloquei as mãos numa época de crush por Ramon Novarro porque simplesmente não tive acesso. Ah, Cyril é mesmo descendente daquele outro Hume, o filósofo.

One thought on “24 Frames: Forbidden Planet (1956)

  1. 2001 – Iluminado

    Laranja Mecânica – Nascido Para Matar

    Barry Lyndon – De Olhos Bem Fechados

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