The Cheshire Cat

Lógico que quero um gato ronronando feito o Stephen Fry 24 horas ao dia, mas o problema do Cheshire Cat é que apesar da voz ultra charmosa e com isso Fry proporcionar a melhor personalidade do gato desde sempre, em essência ele foi totalmente aniquilado e ninguém aniquila o melhor e mais extraordinário personagem de uma obra literária sem pagar por isso. Então é hora de mandar o Tim Burton tomar no cu.
Filme demasiado diluído, demasiado infantilizado. Infantilizado não no sentido da realidade infantil e sim da maneira que o adulto enxerga a criança. Carroll tratava a inteligência da criança com respeito e este Alice faz com que uma criança de oito anos seja tratada como se ainda engatinhasse. O irônico disso é que a Alice pós-adolescente foi reestruturada para a sua entrada no mundo adulto, no que outrora fora a criança no mundo adolescente e esta suposta Alice adulta foi reduzida à condição de bebê que aprendeu a andar.
Não sei exatamente qual momento de diluição mais me causou horror, mas todos os elementos deturpados do Através do Espelho me causaram imenso desgosto (ó céus, o tabuleiro de xadrez de Lost é infinitamente superior) na mesma proporção que a Disney já diluíra a obra de C.S. Lewis com as Crônicas de Nárnia. Se este Alice fosse feito há 10, 15 anos atrás, de forma mais simplista, sem grandes orçamentos, Christina Ricci encarnando uma Alice tão sombria quanto a da versão de 1966 e Tim Burton no auge de sua capacidade freak e criativa, sem dúvida haveria de ser um filme razoavelmente decente.
Isto aqui é Disney demais e Carroll de menos, nesse interím Tim Burton desapareceu como o seu gato de Cheshire, não como deveria desaparecer, mas sim engolido pela diluição.

Nota: Devia manter a série “hora de mandar o diretor tomar no cu” – não tenho mais paciência para o cinema atual.

2 thoughts on “The Cheshire Cat

  1. Eu sempre achei que o Terry Gilliam faria Alice, e não o Tim Burton. Mas se for ver, o Gillian tá fazendo Alice há anos! O Tideland você viu?

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    • Tideland é um desses casos de junção de elementos mais feliz do que as tais versões oficiais, mesmo assim as adaptações mais sensacionais são aquela do Jonathan Miller para a BBC (que por acaso também tem o Michael Gough no elenco e a Alice parece que vai se matar a qualquer momento) e a do Svankmajer, é claro. Mas para uma Alice adulta descobrindo a vida como na versão do Burton, a grande sacada é aquele filme pornô de 1976. Mesmo assim nenhum desses se enquadra como infanto-juvenil, nesse caso a versão da Disney de 51 (Huxley envolvido, rá!) ainda é a melhor para a galerinha.
      Na verdade o Burton já tinha feito uma espécie de Alice com Peixe Grande, que na minha opinião foi o único grande filme que ele fez na última década e um dos meus três preferidos dele (os outros são Ed Wood e Edward), agora fiquei com uma vontade danada de revê-lo, é como se o Albert Finney/Ewan McGregor fosse uma Alice à beira da morte recordando suas aventuras no País das Maravilhas e buscando a redenção na realidade.

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