Crazy Scotsman

Why do near enough all Sci Fi shows have a slightly crazy scotsman in it? Tell me rest of the world. Are we viewed as crazy drunk barbarians? – Um escocês via YouTube sobre algum video de Lost

Pelo mesmo motivo que nós brasileiras somos vistas como promíscuas e vulgares, meu amigo.

Mas agora falando sério, queria me confessar e mencionar o porque estou com tantos atritos quanto a final. Andei conversando muito com uma amiga sobre Lost (a que gostaria do Desmond aparecendo na sua porta) e o quanto o senhor Hume andava atuando como nosso pequeno Hermes na relação com nosso próprio passado, nós somos grandes amigas desde os tempos de faculdade, mesmo em cursos completamente diametrais (engraçado que sempre me dei melhor com pessoas que lidam com a área de biológica e exatas) e os episódios Happily Ever After e Everybody Loves Hugo caíram feito uma bomba em nossas respectivas cabeças, não só porque trouxeram à tona todos nossos amigos em comum que estão afastados, em cada canto do país, em cada canto do mundo, em cada vida familiar ou de solteirão, e esse tipo de grupo de amigos que se forma na época de faculdade não se equipara mais a nenhum outro grupo que se possa ter em anos subsequentes, essas pessoas eram aquelas que estavam contigo quando abandonou papai e mamãe para morar sozinho, amigos que te ajudaram a crescer, que não te abandonavam porque todos alí estavam perdidos e recém-saídos do ovo, na alegria ou na tristeza, na saúde ou na doença, na riqueza ou na pobreza e ainda lavavam a sua roupa suja de vômito! Mas também por todas as oportunidades e amores perdidos, frases não ditas, ciclos não fechados… Aí veio a final e se descobre que aquele não era um mensageiro que podia ligar um momento de uma vida a um momento que de alguma forma se desviou da linha reta e que poderia voltar a convergir nessa nossa vida desregrada, não, era um degrau distinto. Partindo do princípio de que essa minha amiga é ferozmente ímpia (ó céus, a mulher é uma bióloga fã de Richard Dawkins), dá para imaginar o quão depressivo foi ver a sua projeção de Hermes não ligando aquele suposto universo paralelo ao universo original – é como se nossos amigos nunca mais tornarão a ficar juntos. Ah, então supõe-se que comigo foi diferente, porque sou budista, porque acredito em reencarnação e nos conceitos de bardo tibetano e samsara como metáfora, não na forma literal que é semelhante aos tais círculos do Terra, Inferno, Purgatório e Paraíso, mas muito me apetece pensar em nossos pequenos ciclos de evolução durante a vida como bardos em potencial. Se mesmo quanto à reencarnação a minha visão não é tradicional, então supõe-se que eu me identificaria muito mais com um bardo simbólico como seria se o caso fosse uma ligação entre universos paralelos que pudessem convergir, mas um limbo-purgatório literal me deprimiu tanto quanto àquela minha amiga fã de Dawkins, ao contrário da intenção de trazer esperança, nos trouxe desilusão e tristeza, a catarse não ocorreu. Nosso pequeno Hermes projetivo nos enganou, aquele filho da puta.

I admit that my own life frequently appears to me exactly like a legend. I often see and feel the outer world connected and in harmony with my inner world in a way that I can only call magical… Now since so-called reality plays no very important role for me, since the past often occupies me as if it were the present, and the present seems infinitely far away, for these reasons I cannot separate the future from the past as sharply as is usually done. – Life Story, Briefly Told – Hermann Hesse

Nota 1: Voltei a gostar da final porque o senhor Hume é incrivelmente mais evoluído no upsideways, isso quer dizer que ele teve uma vida bastante longa como o poderoso chefão das Organizações Widmore e bebeu todo o whisky do velho. VINGANÇA! Tenho que parar com essa coisa de gostar um dia sim, um dia não.

Nota 2: Apparent motion steers the wandering mind, Mental time travel, Via Neurophilosophy

Texto interessante: The sunken island in LA X is all the proof you need (Isso funcionaria como catarse! Aparentemente o sentimento de viuvez corre solto, é impressionante a quantidade de pessoas por aí tentando encontrar uma alternativa para aquele suposto limbo literal – o que me deixa cheia de orgulho por elas)

Publicado por Adriana Scarpin

Bibliófila, ailurófila, cinéfila e anarcafeminista. Really. Podem me encontrar também aqui: https://linktr.ee/adrianascarpin

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