24 Frames: Pandora and the Flying Dutchman (Albert Lewin, 1951)

Com efeito, seria necessário poder afirmar que a imagem é objetiva quando a coisa ou o conjunto são vistos do ponto de vista de alguém que permanece exterior a esse conjunto. Trata-se de uma definição possível, mas exclusivamente nominal, negativa e provisória. Pois o que nos garante que o que inicialmente tomávamos como exterior ao conjunto não vai se revelar como lhe pertencendo? Os Amores de Pandora, de Lewin, começa por um plano de conjunto de uma praia, onde grupos correm em direção a um ponto — a praia é vista de longe e do alto, através de uma luneta situada sobre o promontório de uma casa. Mas logo ficamos sabendo que a casa é habitada e a luneta é utilizada por pessoas que integram plenamente o conjunto considerado — a praia, o ponto que atrai os grupos, o acontecimento que aí se desenrola, as pessoas nele envolvidas… A imagem não se tornou subjetiva, como no exemplo de Lubitsch? E não é este o destino constante da imagem-percepção no cinema — fazer-nos passar de um dos pólos ao outro, isto é, de uma percepção objetiva a uma percepção subjetiva e vice-versa? Nossas duas definições do início são, portanto, nominais, apenas nominais.

A Imagem – Movimento (Gilles Deleuze)

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