O de sempre…

“At this very moment,” he went on, “the most frightful horrors are taking place in every corner of the world. People are being crushed, slashed, disembowelled, mangled; their dead bodies rot and their eyes decay with the rest. Screams of pain and fear go pulsing through the air at the rate of eleven hundred feet per second. After travelling for three seconds they are perfectly inaudible. These are distressing facts; but do we enjoy life any the less because of them? Most certainly we do not. We feel sympathy, no doubt; we represent to ourselves imaginatively the sufferings of nations and individuals and we deplore them. But, after all, what are sympathy and imagination? Precious little, unless the person for whom we feel sympathy happens to be closely involved in our affections; and even then they don’t go very far. And a good thing too; for if one had an imagination vivid enough and a sympathy sufficiently sensitive really to comprehend and to feel the sufferings of other people, one would never have a moment’s peace of mind. A really sympathetic race would not so much as know the meaning of happiness. But luckily, as I’ve already said, we aren’t a sympathetic race. At the beginning of the war I used to think I really suffered, through imagination and sympathy, with those who physically suffered. But after a month or two I had to admit that, honestly, I didn’t. And yet I think I have a more vivid imagination than most. One is always alone in suffering; the fact is depressing when one happens to be the sufferer, but it makes pleasure possible for the rest of the world.”

Crome Yellow – Aldous Huxley, 1921 (exemplo da fase satírica de um escritor brilhante)

Peculiar na semana passada ter programado o post sobre o estereótipo do budista feliz para a exata noite de um terremoto no país mais associado ao budismo. Mais peculiar ainda é ter programado este trecho de Crome Yellow para igualmente poucas horas antes no meu outro blog sobre Huxley. Aconteceu algo ainda mais peculiar naquela manhã de sexta-feira, mas vou poupar os leigos de saberem sobre isso.
Agora, links para exemplos de vislumbres do futuro da raça humana sendo infinitamente repetido: Ignorant and Online ou Karma Japan. Isso poderia até se passar por humor negro se as pessoas em questão demonstrassem um pouco de sagacidade, o que evidentemente não é o caso. Isso não é mais questão ética, porque não dá para jogar no ralo algo que alguns nem sequer sabem que existe, sei que a maioria dessas pessoas são adolescentes, mas evidentemente ser educado via twitter e facebook através de memes involutivos não suprirá a falta de meia dúzia de bons livros que poderiam ler, anulando assim um tempo precioso perdido através desse tipo de coisa na internet. Mas isso nunca deixará de se repetir, não importa o quanto a história ensine, não importa se tomamos como exemplos Ku-Klux-Klan, nazismo, stalinismo, caça às bruxas medieval, maoísmo, macarthismo, patriotismo e extremismo em geral, sempre baseado em ignorância, sempre formatando através de manipulação coletiva e SEMPRE dando certo, porque não existe alvo mais fácil do que aqueles que padecem de falta de discernimento, imaturidade e ignorância.
Por que esse comportamento está merecendo minha atenção em específico se há muitos exemplos de coisas parecidas acontecendo todo dia na internet? Porque setenta por cento das pessoas com as quais estou mais ligada afetivamente hoje são de origem japonesa e possuem familiares ainda morando lá, vivo um estilo de vida diário onde a maior influência é a cultura japonesa e ver essas crianças falando sobre Pearl Harbor e golfinhos num momento tão triste (além da apropriação de termos de uma doutrina que nem se dão ao trabalho de tentar entender) é dilacerante, em especial quando ainda dá para sentir na espinha o assombro de que Hiroshima e Nagasaki puderam sequer ter acontecido um dia, além do que, quantos desses infames vocês acham que são vegetarianos?

I’m really sad to see some tweets. I’m a Japanese and live in Japan. Once an American asked me if I felt bitter about US because of two atomic bombs. I was surprised. I believe Japanese don’t blame America any more. I suppose we have admired for their culture and standpoint. We need forgiveness each other. Our ancestors didn’t eat beef about 130 years ago but they accepted. Our ancestors attacked US, but I like them. And actually US is the greatest country, which has what we don’t have, and the best friend of Japan. Please forgive us. Enmity makes no sense. I’m SO sorry for my poor English but I cannot help saying thank you and commenting. Thank you for showing these tweets.They are thought-provoking for me:)

BOtumblr – exemplo de alguém que sabe o que está falando

I thought being that many of us Buddhists have some connection to the Japanese people, either directly or indirectly, and hence many of us are both grieving and trying to help in any way we can in the aftermath of the massive earthquake and Tsunami, that this might give us all a little more motivation to help both educate our youth as well as help those devastated by this disaster.

The Reformed Buddhist – exemplo de outro alguém que sabe o que está falando

The people who post these things about karma haven’t got a clue in the world. I’ve said it before and I’ll say it again, you cannot ever know someone else’s karma. You can’t even figure out your own.
I’ve often talked about how I can see karma operating in my own life. When I say that I am not referencing things like natural disasters and so-called “acts of God.” I’m talking about how, when I act out of anger, angry action seems to come back to me, often from sources other than the object of my original anger. Same with greed, jealousy and all the rest. I am not talking about things like, I dunno, a bucket of soup falling on my head from a third floor window after I stole a copy of Penthouse from the newsstand or whatever. Get those kinds of ideas out of your heads, people
!

Hardcore Zen – exemplo de mais alguém que sabe o que está falando

Links interessantes:
Hate and the internet
Tending to Japan’s Psychological Scars: What Hurts, What Helps
The Tsunami: A Buddhist View
Dangerous Ideas: Memes and the New Orwellianism

Nota: Sobre o texto do Huxley, no outro blog alguém mencionou que aquele trecho era um fato, o que evidentemente discordo. O livro em questão é uma sátira a parte do grupo de Bloomsbury e todas aquelas personalidades divergentes com quem ele se agrupava (Eliot, Woolf, Strachey, Lawrence, Russell, etc…) e uma das personagens inspiracionais de Crome Yellow pensa daquela forma e se sente daquele jeito, nesse sentido é verdade que seja um fato, não no sentido de todas as pessoas do mundo se sentirem assim, alguns se sentem daquela forma, alguns não sentem absolutamente nada e alguns sentem todo o peso do mundo em suas costas todo o tempo. Huxley sempre deixou essa perspectiva diversificada bem clara em todos os seus livros, num desses casos de crítica e contra-crítica contumaz. Fato é a água ser constituída de H2O, sentimentos não são fatos e todo escritor sabe disso – ao menos os bons – as pessoas não tem que ser tratadas igualmente, as pessoas são diferentes e devem ser tratadas de formas diferentes.

For the Buddhists the yellow colour was chosen to represent an autumn leaf which was once green but has inevitably turned yellow in conformation with the law that everything born has to decay and pass away. Was chosen by Gautama Buddha as a symbol of his humility and separation from materialist society. It thus signifies renunciation, desirelessness, and humility.

Publicado por Adriana Scarpin

Bibliófila, ailurófila, cinéfila e anarcafeminista. Really. Podem me encontrar também aqui: https://linktr.ee/adrianascarpin

Um comentário em “O de sempre…

  1. I’m an 8+ year active duty U.S. veteran and I have never and will never wish ill will to entire country, especially something their military did to us and my service about 70 years ago.
    That’s simply disrespectful, intentionally ignorant and disgusting. Misplaced patriotism turned into hate. That’s not what I stand for and not what I swore my service for.
    Where were other countries who came to America’s help after Hurricane Katrina? Yes, including Japan.
    “Japan – The Japanese Foreign Ministry said that it would provide $200,000 to the American Red Cross to assist victims of Hurricane Katrina. Japan also identified needs in affected regions via the U.S. government and provided up to $1,000,000 in emergency supplies such as tents, blankets and power generators if they receive requests from the U.S. for such assistance. Private and corporate donations totaled over $13,000,000.[33] One Japanese individual, Takashi Endo, donated USD $1,000,000 from his personal funds to Katrina relief efforts.[15] ” That’s from Wikipedia and you can check the cited sources. (http://en.wikipedia.org/wiki/International_response_to_Hurricane_Katrina)
    Countries DID mourn with us and became stronger allies since then, including Japan.
    And saying Japan deserved because some of their fisherman poach illegally is more than spiteful. What is wrong with these people?

    The Broken Machine

    Curtir

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: