24 Frames: The Sorcerer’s Apprentice (Michael Powell, 1955)

O meu mestre feiticeiro
Um dia quis se ausentar.
Seus espíritos tomei
E fiquei em seu lugar.
Vi suas magias.
Vou fazer igual.
Farei maravilhas
Com força mental!

Água, cresce
E transborda!
Corre, entorna.
Cria bolhas!
Agora esta tina: ferve!
E toda essa água escorra!

Vem, dona Vassoura!
Entra,Enrola-te nestes panos!
Já trabalhaste bastante:
Estou, agora, no comando!
Põe-te de pé,
Cabeça pra cima,
Anda, vá depressa
Pôr água na tina!

Água, cresce
E transborda!
Corre, entorna.
Cria bolhas!
Agora esta tina: ferve!
E toda essa água escorra!
Ela busca água do rio.
Veja lá, está na beira!
Deixa tudo em desvario.
Raios! Que aguaceira!
Na segunda vez
Derramou a tina…
Nessa rapidez,
Enche uma piscina!

Que pampeiro!
Basta,
Ou entro pelo cano!
O feitiço
Virou contra o feiticeiro.
Preciso acabar com isso!

Mas que palavra dará
Fim a tudo isso aqui?
Cadê a palavra… a…
Céus! Eu já me esqueci!
Ei, volta ao normal!
O quê? Ainda traz
Água? Mau sinal!
Ai, ai! Que enxurrada!

Desse jeito,
O feitiço
Vai pra lixo!
Para já!
Eu estou com tanto medo
Dessa cara e desse olhar!

Ó, espírito de porco,
Vais inundar toda a casa?
Vejo que sobre a escada
O aguaceiro louco
Escorre e desaba.
Malvada vassoura.
Não vais sossegar?
Não finjas que é boba!
Faz o que eu mandar!

Não vais parar,
Piaçava
Varre-varre?
Se voltares,
Prometo te arrebentar
Em muitas e muitas partes!

Ó, duende, olha o machado!
Eu te cego e eu te quebro!
Ela se partiu…
Posso respirar!
Danada, sumiu!
O mal vai passar

Eta-ferro!
Dois pedaços
Apressados
Vêm e vão
Feito criados do inferno.
Que azar! Que maldição!

Eles correm, inundando,
Molham tudo, a sala inteira,
A água está aumentando!
Meu mestre, ouve estas queixas!
O velho voltou…
Senhor, vem olhar,
Espíritos loucos
Não sei afastar!

“Para o canto,
Vassourinhas,
Bem quietinhas!
Benza-o Deus…
E acabou-se o quebranto:
Das magias cuido eu!”

O Aprendiz de Feiticeiro (Der Zauberlehrling, Johann Wolfgang von Goethe, Tradução: Mônica Rodrigues da Costa)

A grande peculiaridade de Powell ter feito este curta para a televisão Alemã (balé em cinemascope!) durante o período em que dava um tempo do seu casamento intelectual é que ele chamava Pressburger de “The Wizard”, o que torna este curta, mais do que tudo, uma grandiosa declaração de amor fraternal. Fora o roteirista (Goethe?), o compositor (Walter Braunfels em talvez a última coisa que compôs antes de morrer) e o coreógrafo (Helga Swedlund), toda a equipe principal é basicamente a mesma de Contos de Hoffmann, Hein Heckroth nos cenários, Dennis Arundell no libretto, Reginald Mills na edição, Christopher Challis na direção de fotografia e Freddie Francis manuseando a câmera.
É intrigante o fato que nas duas vezes em que Powell trabalhou na Alemanha (aqui e no Castelo do Barba Azul) estava solo, apesar de austríaco, a carreira de Pressburger como escritor só começou mesmo na Alemanha, mas no pós guerra ele nunca voltou a trabalhar lá e o mais próximo de um trabalho na Áustria foi a Vienna em estúdio do musical-político Oh.. Rosalinda! Talvez sua mãe ter morrido em um campo de concentração (assim como muitos amigos) não o tenha deixado se sentir em casa novamente, como no caso de Anton Walbrook que, mesmo tendo voltado a trabalhar na Alemanha e Áustria, fez questão de ser transladado para um enterro na Inglaterra.

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