24 Frames: O Terceiro Homem (The Third Man, Carol Reed, 1949)

Who was the third man?

What man would you be referring to, Mr. Martins?

I was told that a third man helped you and Kurtz carry the body.

– Do you expect me to give myself up?
– Why not?
– “It’s a far, far better thing that I do,” the old limelight, the fall of the curtain – No. Holly, you and I aren’t heroes. The world doesn’t make any heroes – outside of your stories.

Sejamos francos, há uns 15 anos não assistia O Terceiro Homem e mesmo assim lá estava ele na minha regressão, também não havia lido o texto do David Cairns de uns meses atrás que poderia ter facilmente me induzido à conexão mas que me veio às mãos só hoje, então supõe-se que o filme tenha ficado gravado por tanto tempo como construção arquetípica mesmo, pura e simples, na verdade foi profundamente engraçado revê-lo, especialmente quanto à primeira aparição de Harry Lime, conscientemente não me lembrava de que foi uma gato que mostrava o caminho até Harry e que foi um feixe de luz acidental que lhe descobria a face na escuridão. Estive conversando sobre conceitos de um “terceiro homem” apresentado na penumbra em regressão e sonhos, cada paciente e terapeuta acaba tendo seus próprios motivos subjetivos de interpretação, mas um particularmente me chamou a atenção, um exemplo de Arnold Goldberg que conceituava o terceiro homem de um sonho de um paciente como se fosse uma representação de transferência, que este terceiro homem seria o próprio Goldberg, um exemplo que também faria sentido no nosso caso já que o tal Harry Lime pessoal na penumbra abriu o caminho de luz das galerias vienenses e só então se transformou no ringmaster com cara de Walbrook. Esse Harry Lime poderia ser o resultado espelhado dessa transferência, com a malditinha aqui querendo sair das sombras, um indivíduo aparentemente morto mas que na verdade continua puxando todas as cordinhas ao seu redor.
Existe uma experiência denominada The Third Man Factor (referente ao episódio bíblico onde o terceiro homem seria a presença de Jesus) que dentro de um sonho/regressão também poderia encontrar o equivalente no terapeuta, fora do consultório pode ser uma manisfestação subconsciente materializável, um anjo da guarda, um amigo imaginário, uma alma desencarnada, uma concussão no cérebro como teve nosso amigo Peter Carter em AMOLAD ou mera esquizofrenia mesmo, etc, etc, a maneira que esse terceiro homem irá se manisfestar depende inteiramente do background religioso, social, biológico e intelectual de cada indivíduo. No meu caso particular há uma dinâmica bastante interessante em relação à isso, pois meu terapeuta tem uma crença religiosa e me aborda como tal mesmo sabendo que sou completamente descrente de tais moldes, porque ambos sabemos que estamos falando das mesmas coisas e que só o background aparentemente se transmuta.

– Do you believe, Mr. Martins, in the stream of consciousness?
– Stream of consciousness? Well, uh – Well, uh –
– What author has chiefly influenced you?
– Grey.
– Grey? What Grey?
– Zane Grey.
– That’s Mr. Martins’s little joke, of course. We all know perfectly well Zane Grey wrote what we call westerns. Cowboys and bandits.
– Mr. James Joyce- Now, where would you put him?
– Oh, uh, would you mind repeating that question?
– I said, where would you put Mr. James Joyce? In what category?
– Can I ask, is Mr. Martins engaged on a new book?
– Yes. It’s called The Third Man.
– A novel, Mr. Martins?
– It’s a murder story. I’ve just started it. It’s based on fact. Why, it’s Mr. Popescu! Oh, very great pleasure to see you here. As you know, ladies and gentlemen, Mr. Popescu is a very great supporter of one of our medical charities.
– Are you a slow writer, Mr. Martins?
– Not when I get interested.
– I’d say you were doing something pretty dangerous this time.
– Yeah?
– Mixing fact and fiction.
– Should I make it all fact?
– Why, no, Mr. Martins. I’d say stick to fiction. Straight fiction.
– I’m too far along with the book, Mr. Popescu.
– Have you ever scrapped a book, Mr. Martins?
– Never.
– Pity.

Nota: Mais uma vez este post nada tem a ver com o filme em si e sim com particularidades e discussões que acontecem em consulta cujos detalhes obviamente não serão citados (embora o terceiro homem de Holly sejo o mesmo introjetado, rá!), mas queria deixar uma única nota sobre o filme do Carol Reed, que é excelente mas não é tanto quanto me lembrava que fosse, talvez Odd Man Out seja mesmo o melhor filme do Reed, é o seu Ulysses no IRA. Outra vítima da propaganda excessiva escondendo as pérolas.

Publicado por Adriana Scarpin

Bibliófila, ailurófila, cinéfila e anarcafeminista. Really. Podem me encontrar também aqui: https://linktr.ee/adrianascarpin

5 comentários em “24 Frames: O Terceiro Homem (The Third Man, Carol Reed, 1949)

  1. Putz, depois de meses a fio tentando entrar no Quixotando e me deparar com um brochante pedido de login e senha, finalmente! E tudo mudado, cores novas, etc… Estou aí na área, te lendo, hein?

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