Cem anos de Ginger Rogers

Não sou realmente uma fã de Rogers (ao contrário do que alguns pensam, não é porque é objeto de interesse que existe alguma afinidade entre este e seu locutor), gosto bastante de muita coisa que ela fez, especialmente cantando e dançando (por outro lado me derreto pelo Fredie… sempre), mas se compararmos sua carreira dramática/cômica com algumas de suas contemporâneas como Stanwyck (que também faz aniversário hoje), Lombard, Crawford, Davis ou Hepburn, ela perde até no ponto de vista do carisma. Toda aquela sua aura de “mentalidade de uma Sarah Palin dos anos dourados” também não ajuda na simpatia, principalmente pelo “incidente Tender Comrade” envolvendo Edward Dmytryk e Dalton Trumbo – muito me admira todo o burburinho que gira em torno do Kazan até hoje quando Dmytryk e Capra fizeram a mesma coisa e gente como Ginger Rogers e Ronald Reagan tiveram comportamentos bem piores. Mas nada disso esconde o fato de que Ginger participou de algumas das mais belas imagens (e sons!) do cinema.

Top 5 Fred & Ginger:

1- Ritmo Louco (Swing Time, George Stevens, 1936)

2- Vamos Dançar (Shall we Dance, Mark Sandrich, 1937)

3- A Alegre Divorciada (The Gay Divorcee, Mark Sandrich, 1934)

4- Nas Águas da Esquadra (Follow the Fleet, Mark Sandrich, 1936)

5- O Picolino (Top Hat, Mark Sandrich, 1935)

Top-dúzia sem Fred:

1- Rua 42 (42nd Street, Lloyd Bacon, 1933)

2- Ver-te-ei Outra Vez (I'll Be Seeing You, William Dieterle/George Cukor, 1944)

3- Cavadoras de Ouro (Gold Diggers of 1933, Mervyn LeRoy, 1933)

4- No Teatro da Vida (Stage Door, Gregory La Cava, 1937)

5- Seis Destinos (Tales of Manhattan, Julien Duvivier, 1942)

6- O Inventor da Mocidade (Monkey Business, Howard Hawks, 1952)

7- Que Papai não Saiba (Vivacious Lady, George Stevens, 1938)

8- A Incrível Suzana (The Major and the Minor, Billy Wilder, 1942)

9- Adorada Inimiga (Rafter Romance, William A. Seiter, 1933)

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10- Pernas Provocantes (Roxie Hart, William A. Wellman, 1942)

11- Mãe Por Acaso (Bachelor Mother, Garson Kanin, 1939)

12- Era uma Lua de Mel (Once Upon a Honeymoon, Leo McCarey, 1942)

Menção honrosa: Lady in the Dark (Mitchell Leisen, 1944)

Por razões óbvias, um dos meus momentos favoritos envolvendo Miss Rogers num musical é The Saga of Jenny do Lady in the Dark. Adoro o Leisen e as sequências musicais oníricas são ótimas, mas o filme como um tôdo não emplaca, especialmente por se estruturar na “psicanálise de buteco” que empesteou Hollywood nos anos 40. Aqui o meu interesse recai no fato de Ray Milland se mostrar como Ringmaster apresentando Rogers como a atração principal do seu picadeiro, o que me faz pensar se não foi justamente nessa sequência oriunda do espetáculo da Broadway composto por Kurt Weill & Ira Gershwin que Max Ophuls extraiu a concepção de Lola Montez, transpondo-o como “The Saga of Lola”.

Menção honrosa Ginger & Fred: Ciúme, Sinal de Amor (The Barkleys of Broadway, Charles Walters, 1949)

Filho temporão da dupla no qual o papel de Ginger fora originalmente de Judy Garland, mas como esta estava mucho loca o filme acabou se tornando um revival bem simpático e que já demosntrava o impacto que The Red Shoes teve em Hollywood. De certa forma brinca com o fato da própria carreira de Ginger ter sofrido essa cisão do seu “Svengali coreográfo” depois de ter ganho o Oscar por Kitty Foyle.

Nota 1: Revendo alguns desses videos no youtube, vários me fizeram matutar a seguinte pergunta: será possível que existe alguém que não goste dos Gershwins? Sério mesmo, seja as composições do George, seja as letras do Ira, como é possível alguém não gostar de qualquer coisa deles? Sei que tudo é uma questão pessoal, mas não gostar deles seria algo muito além da minha capacidade de compreensão. Até entendo não gostar do Kurt Weill, do Irving Berlin, do Harold Arlen, do Jerome Kern e até do Cole Porter (com muita dificuldade, mas entendo), mas Gershwin é um tanto quanto pecaminoso.

Nota 2: Se fosse para considerar apenas o segmento envolvendo Rogers no Tales of Manhattan do Duvivier, a posição seria bem mais no pico. Só para se ter uma idéia do que estou falando, tal segmento possui o meu terceiro papel favorito de Henry Fonda, só perdendo para Era uma Vez no Oeste e Lady Eve.

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